Mai 192013
 

Desnorteados andamos desde a crise financeira de finais de 2007, atulhados em problemas que nos endereçam, sem soluções à vista, obrigados internacionalmente a atirar para a pobreza milhões de cidadãos, a desestruturarmos a nossa administração pública, a destruir tudo quanto permita o acesso à dignidade humana proclamada em todas as Constituições do mundo dito livre, pluralista e democrático – entregamos a soberania nacional a um projecto utopista que agora devora os cidadãos, o Estado e regurgita miséria!
Há dois anos, precisamente, alguns partidos, muitos políticos e carradas de comentadores preferiram atirar-nos para uma tutela “global” composta por burocratas da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI, afirmando à boca cheia, sem qualquer rebuço e com poderosos megafones ligados a todos os canais possíveis e imagináveis de comunicação social de que seria melhor para Portugal sermos governados por esta gente estrangeira, ou melhor, apátrida, a qual deteria um conhecimento inquestionável para resolver os problemas de défice e de dívida pública.
Conde Andeiro - quadro de José de SousaOs préstimos milagrosos e inquestionáveis destes senhores, que em troika se constituíam para virem “pôr na ordem” os portugueses, foram cantados por Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Lobo Xavier, Passos Coelho, Paulo Portas, e milhares de outros, sempre com o beneplácito do Presidente da República, Cavaco Silva, contrariando o que até a Chanceler alemã pretendia, tentando encontrar uma solução sem recorrer a esta gente como está a acontecer em Espanha, onde fôssemos tentando, por nós próprios, resolver os nossos problemas com a compreensão e ajuda discreta da União Europeia através da Alemanha.
Acontece que, volvidos estes dois anos, o desastre financeiro, económico e social a que as políticas de empobrecimento e alienação de património a que nos obrigaram aqueles burocratas nos conduziram, é já tão visível que quase ninguém resta que ouse bem-dizer da solução a que nos entregaram.
A nossa História está prenha de pessoas que sempre menosprezam os portugueses e idolatram os estrangeiros, tendo entregue, em actos de traição, a condução dos nossos destinos a outrem – foi assim em 1383 e em 1580. No entanto, mais tarde ou mais cedo, aqueles que, apesar do engano político, constataram o seu erro e juntaram-se ao Mestre de Avis e ao movimento da Restauração, apeando os traidores contratados – Conde Andeiro e Miguel de Vasconcelos!
Vítor GasparVivemos hoje um momento muito idêntico, onde em acto muito pouco patriota de alguns se entregou a nossa soberania, deixando instalar entre nós Condes Andeiros e Miguéis de Vasconcelos, que minam qualquer tentativa de nos podermos, por nós, erguer e portugueses livres voltarmos a ser. Se dúvidas alimentávamos, a tentativa de Paulo Portas, relativamente à sua posição de entrave à taxa extraordinária sobre as pensões com o quase acordo de Passos Coelho, sofre um revés inesperado com a imposição de um ultimato dos burocratas de Bruxelas exigindo uma clarificação do governo português referente ao assunto, condição essa que inviabilizaria o encerramento da 7ª avaliação e respectivo envio do financiamento, logo após a chegada do Vítor Gaspar a Bruxelas!
Entendamo-nos! Paulo Portas e os cavaquistas, se suspeitas já alimentavam, ficaram agora certos de que o que está em causa é a presença de traidores entre nós, neste caso de Vítor Gaspar, o qual, apesar de já isolado no seio do Conselho de Ministros, continua a manter o seu poder com o beneplácito e às ordens de um poder não eleito de burocratas que dominam as instâncias internacionais que compõem a troika – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI!
Antonio BorgesSe recuarmos 2 anos e pensarmos nos momentos de inusitado chumbo do “PEC 4″, na urgência de entregar a nossa soberania a burocratas mandatários da alta-finança internacional e no modo como Passos Coelho tratou do seu governo, vemos, agora com clareza, como surgem o actual Conde Andeiro, Vítor Gaspar, oriundo dessa classe de não-eleitos da Comissão Europeia bem como os Miguéis de Vasconcelos de hoje, António Borges, oriundo do Goldmann Sachs e do FMI e Carlos Moedas, também oriundo do Goldman Sachs, com o interesse de provocar a alienação da estrutura empresarial do Estado e, claro, do desmantelamento do Estado Social, com o mesmo objectivo – entregar à alta-finança os sectores da energia (EDP e GALP), dos transportes (TAP e ANA), da educação e da saúde!
O problema que hoje urge resolver não é mais o financeiro (do défice que só se tem agravado, da dívida soberana que só tem aumentado), o de crescimento (cujas estruturas de produções foram e estão a ser todas destruídas e/ou desmanteladas), mas sim o de denunciar publicamente e varrer de cena, sem tibiezas, os traidores da pátria, os Condes Andeiro e os Miguéis de Vasconcelos, que minam qualquer tentativa de nos reconstruirmos por nós!

Passos CoelhoQue lições haverá a tirar de todo este desnorte? Tiro uma que sobrelevo: a Democracia é o menos mau dos regimes! Podemos ter políticos maus, muito maus ou péssimos, mas pugnarei sempre por elegê-los e obrigá-los a cumprir as políticas com que se comprometeram em campanha eleitoral e evitar, sempre, entregar o poder a tecno e burocratas que não se submeteram, nem nunca o ousarão, ao escrutínio eleitoral, não obstante pretenderem controlar a política, colocando-a ao serviço de obscuros e inconfessáveis desígnios.
Perguntar-me-ão, mas quem é hoje a tolinha da Leonor Teles? Mas essa é fácil, primária, está aos olhos de todos quem abriu a porta a estes traidores e os alimenta, pois sem eles nada é!

Mai 132013
 

Não sabemos quais os frutos futuros desta tentativa de concertação de posições sobre assuntos comuns relativos à política europeia entre Portugal e Espanha, mas sabemos que se tratou de um primeiro passo que poderá ser bastante importante e propiciador a que, no futuro, se possam juntar outros países.
Cimeira Iberica - Passos Coelho & Mariano RajoyÉ certo que a única posição avançada no final do encontro prendeu-se com um assunto que Espanha e, mais tarde Portugal, têm defendido junto da União Europeia – a união bancária. Não estamos muito receptivos a este assunto de poupar os bancos a investidas dos mercados especulativos, mas não se iludam, sem bancos protegidos desse massacre não haverá, nem neste quadro nem noutro qualquer, a possibilidade de empréstimos a taxas de juro aceitáveis para servir o investimento na economia.
É certo que nada foi dito sobre o aliviar da ruinosa política de empobrecimento dos cidadãos a que nos condenaram e condenam, nem sobre a harmonização europeia de uma política comum de segurança Social, tão-pouco reindustrialização do Sul da Europa, sobre as novas medidas impostas que provocarão mais desemprego nem uma palavra, quanto mais sobre uma mutualização da dívida, mas tratou-se de um primeiro passo, que registo e louvo, no sentido da procura de concertação de posições comuns por parte dos países que estão a ser vítimas, por um lado, de uma política monetária que serve apenas um país da União Europeia e, por outro lado, da ganância dos interesses da alta-finança em se apoderarem de sectores dos Estados comprometidos com o bem-estar dos cidadãos – saúde, transportes e educação.
Louvo, pelo que disse, este primeiro passo e aguardo, com a melhor das expectativas, a adesão de outros países a este vital consenso e concertação.

Abr 272013
 

O consenso que Cavaco Silva e seus fiéis seguidores começaram a exigir ao PS, apoiado agora, por interesse eleitoral, pelo governo é de muito inverosímil concretização, uma vez que o que está a ser pedido é que o maior partido da oposição dê o seu aval à política que Passos Coelho, por intermédio de Vítor Gaspar e, mais recentemente, por Poiares Maduro, entenderem encetar ou prosseguir. À vista está que o PS não pode aceitar esse consenso, não com o PSD, mas com este Primeiro-Ministro e seu Ministro das Finanças! Tal como no governo anterior, o CDS não negava um consenso com o PS, mas sim com Sócrates. Sócrates era, então, o óbice; hoje são Passos Coelho e Vítor Gaspar.
Portugal bandeiraHá, no entanto, matéria de consenso possível, exigível diria até, cujo interesse é nacional sobreleva, podendo ser transversal a todas as forças e agentes políticos, uma vez que se centra no domínio das relações internacionais, ou seja, na diplomacia – procurar pontes de concordância e frentes de pensamento e acção comuns junto dos países europeus que estão a sofrer consequências idênticas às nossas.
De tanto se propagar a ideia de não somos a Grécia, com o intuito de vender uma imagem diversa junto da troika, esquecemos que, apesar de não sermos a Grécia, estamos a ser obrigados a desenvolver políticas de brutal pressão sobre os mais desfavorecidos, colocando em sério risco a coesão social, impostas por quem pretende defender, sem olhar a meios, uma moeda que já vimos não estar a servir a maioria dos Estados membros da União Europeia e muito menos os seus cidadãos.
Urge um consenso nesta matéria, que me parece perfeitamente possível e exigível, com um planeamento de acções concretas e bem delineadas, onde o Presidente da República deveria desenvolver um papel de charneira enquanto chefe máximo da diplomacia portuguesa assim como Paulo Portas enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros. O PSD muito poderá fazer junto do Partido Popular Europeu, o PS junto da Internacional Socialista, o PCP com a Internacional Comunista e mesmo o BE com os verdes e outos grupos de esquerda democrática.
Apesar de não sabemos ainda por onde poderemos ir, sabemos já, sem margem para dúvida, que a a actual política do euro não é sustentável para os cidadãos e que será através de árduas negociações com a U.E. e com a Alemanha que teremos de trilhar caminho, seja através de federar a dívida ou de ruptura com o euro.
Até aqui temos caminhado nessas negociações (se é que alguma houve com seriedade) orgulhosamente sós. Exige-se que procuremos, activa e conjuntamente, trabalhar no sentido de encontrar parceiros que confiram maior força negocial, seja junto de outros Estados membros, seja com países que nos possam compreender melhor, como os EEUU e países emergentes como o Brasil, por exemplo.
Este consenso possível e exigível não pode ser feito nem se sustenta em acções de interesse partidário ou eleitoralista, mas na defesa de um interesse nacional facilmente identificável pelos cidadãos, cuja a prossecução se encontra entre as competências de Cavaco Silva.
Mãos à obra Senhor Presidente da República, se é que pretende mesmo consensos e força negocial nas inevitáveis renegociações que teremos de realizar com o poder da União Europeia!

Abr 232013
 

Fomos ontem surpreendidos por declarações de Angela Merkel e Durão Barroso que apontam para o reconhecimento do falhanço das políticas de empobrecimento dos povos que vêm impondo à Europa sob o nome de austeridade. Cauteloso, Durão Barroso afirma que a actual política de correcção dos défices deve ser combinada com “um ênfase mais forte no crescimento e medidas de crescimento a curto prazo” (link), enquanto Merkel faz um aviso dirigido, em primeiro, lugar aos próprios alemães, defendendo a necessidade de passos mais firmes e decididos rumo ao federalismo europeu, onde todos os países deverão estar preparados para perder parte da soberania nacional a favor de uma soberania europeia (link).
angela merkelNão sabemos bem o que pretenderá, ao certo, Merkel com esta mudança de discurso político nem em que pontos pretenderá a Alemanha avançar rumo a um maior federalismo. União bancária? União fiscal? Mutualização da dívida? Uniformização dos sistemas de segurança social? Uniformização da legislação de trabalho? Uma incógnita, por ora, mas estou certo de que a Alemanha não pensará em desvalorizar o euro para adequar o seu valor ao da economia europeia como um todo e tenho muitas reservas de que algum dia aceite mutualizar a dívida, a única forma de impedir que as agências de rating ataquem, um por um, cada país europeu.
Mas então o que estará por trás da súbita mudança de Barroso e de Merkel? Tal como muitos fomos dizendo no passado, a prazo, estas políticas de empobrecimento dos povos, com vista a uma desvalorização dos rendimentos da produção por via da redução do valor da mão-de-obra, que a Alemanha impôs, fariam com que a recessão lhes batesse à porta através do forte abrandamento das suas exportações! A Alemanha não quis saber quando a crise bateu às portas dos países do Sul (apelidou-os de despesistas), não se importou que atingisse França (que esperar politicamente dos franceses neste desnorte da U.E.?), mas agora, que já a sente dentro de portas e sabe que se acentuará nos próximos meses ou anos, trata de inverter o processo. Esta mudança de discurso político é o reconhecimento não dito do erro que cometeu ao não observar o quão a sua economia depende da saúde da economia dos outros países europeus, afinal, de todos aqueles que pagou para nada produzirem transformando-os nos meros consumidores dos seus produtos. Por outro lado, faz também prova de que reconhece o problema como europeu e não mais específico de cada país.
Pretenderá Merkel colocar um fim à política de austeridade e fornecer os meios para propiciar o desenvolvimento económico das economias europeias? Temo que não, para já. De momento pensará em rumar a uma União Europeia mais federal, mas onde a Alemanha continue a ditar as políticas mais convenientes para a sua economia, ou seja, pretende avançar para uma construção federalista que outrora sempre negou, mas em em seu próprio benefício.
No entanto, uma coisa é certa, estes discursos, o de Barroso e o de Merkel abrem as portas a uma nova fase onde o diálogo e a negociação se tornam não só possíveis como determinantes., retirando à troika que manda dos países sujeitos aos seus desmandos toda e qualquer credibilidade!
Até lá, até à abertura desse processo negocial, Portugal continuará como tem estado, suspenso, com um governo parado, a não ser que pretenda continuar na senda de impor mais empobrecimento aos portugueses para lá daquele que a troika já impõe, quando o caminho seria, desde já, aprontar-se para ser uma voz activa à mesa de negociações.

Consenso com Seguro – a repentina urgência

Consenso com Seguro – a repentina urgência

Concretizado o primeiro consenso, o que ocorreu dentro do PSD, conseguido através do apoio de Cavaco Silva a Passos Coelho e do regresso dos cavaquistas ao poder – Poiares Maduro e Marques Guedes – estamos agora em plena vigência de um governo de iniciativa presidencial. [........... CONTINUE a LER]

A continuidade de Vítor Gaspar e a nomeação de Poiares Maduro

A continuidade de Vítor Gaspar e a nomeação de Poiares Maduro

Não foi conhecida a razão que Vítor Gaspar terá encontrado para desistir da sua demissão durante o último fim-de-semana em Dublim – partiu daqui com a demissão agendada para depois da negociação das maturidades dos empréstimos e regressa com ânimo para prosseguir. Sente-se que Gaspar [........... CONTINUE a LER]

Vítor Gaspar - negociação do prolongamento das maturidades

Vítor Gaspar – negociação do prolongamento das maturidades

É com bastante estranheza que, num momento de crucial importância para todos os portugueses como será o da negociação que Vítor Gaspar levará a cabo sobre o prolongamento das maturidades dos empréstimos, dias 12 e 13 de Abril, no conselho informal de ministros das Finanças [........... CONTINUE a LER]

Passos Coelho - e depois do acórdão do Tribunal Constitucional?

Passos Coelho – e depois do acórdão do Tribunal Constitucional?

Tudo mudou muito rapidamente e Passos Coelho terá cedido à pressão de Cavaco Silva para não se demitir. Já ontem, após longo período de letargia governativa, Passos Coelho acertou o passo com Cavaco Silva afirmando, sem margem para dúvida, que não se demitiria. Mas se não se demite quem arcará com a responsabilidade do falhanço financeiro, económico, social e político?

O efeito Sócrates

O efeito Sócrates

Odiado ou endeusado o certo é que Sócrates não deixa os agentes e comentadores políticos indiferentes, desde os membros do seu partido, passando pelas facções do PSD, até a Cavaco Silva. Parece que, num assomo de ânimo, todos mudaram de atitude, passando de um estado de “banho maria” ou acentuada letargia para uma euforia interventiva que já há muito não assistíamos.