“Celebremos a Infância, a Esperança de Vida”
“A teologia faz-nos esquecer que a Igreja é uma religião de amor. Se tem que travar um combate, não é com a fraseologia de artigos de guerra, mas com o do triunfo do .princípio do amor.. Será realista fiar-se numa criança que nasce pobre? Não será melhor invocar o Deus omnisciente e omnipotente da metafísica? Ou terá a ciência moderna, omnipotente e omnisciente, substituído o Deus da metafísica?” Mais uma prenda que José Augusto Mourão me enviou e que vos convido a ler. Fala-nos de Deus, de Cristo, do Natal, do Amor que já falei, o de fazermos e vivermos neste Amor que nos congrega, a mensagem que Jesus nos deixou. Deixo o texto da íntegra. A melhor forma de sermos vivos, já apartir de 2004, é a conversão a tudo pensarmos e fazermos tendo este Amor por norte. Uma viagem interior difícil de iniciar, de prosseguir e de alcançar, neste mundo que em que tudo nos parece querer afastar deste caminho. A montanha e o viandante 1. Num dos seus últimos escritos, A imutabilidade de Deus (1851), Kierkegaard fala de um .viandante que se queda ao pé de uma montanha enorme, impossível de escalar.. Os seus desejos e aspirações, a sua alma, visam as alturas, mas a montanha continua diante dele, imóvel, impossível de escalar. Pode o viandante chegar aos setenta anos: a montanha erguer-se-á ainda diante dele imutável, inacessível. Mil anos pasassem e a montanha continuaria imóvel e já mortos quantos tentaram escalá-la. A montanha inacessível e imutável é de facto, Deus. Esta será uma das últimas vezes em que um grande pensador vê Deus como o imutável e o eterno, em contraposição com a mutabilidade e a volubilidade do mundo. 2. Os teólogos dizem-nos que Deus é um ser atemporal que é infinito, omnisciente e omnipotente porque Ele é todo o ser,e toda a existência está contida nele. Não sabemos o que dizemos. Não sabemos o que significa existir fora do tempo, conter todo o passado e todo o futuro na existência presente. Não sabemos o que significa ser omnipotente, senão metaforicamente . o pantocrator grego que alude ao governante ou senhor de todas as coisas é mais fácil de conceber do que o seu equivalente latino omnipotens. Não sabemos o que é criar o mundo de nada. Tão pouco o que é ser omnisciente, nem o que é a Santíssima Trindade ou que coisa possa ser identificada de essência e existência. 3. Como pode o Absoluto ser uma pessoa como cada um de nós? Podemos imaginar o Ser de Parménides, imóvel na sua identidade, dando ordens a Noé para construir a Arca? Ou o Uno intemporal de Plotino a explicar o sofrimento a Job? Teremos de separar o Deus personificado das inumeráveis e insondáveis profundidades da Divindade? 4. O cristianismo não é apenas uma religião entre outras: pretende ser a revelação da verdade. E em sentido bíblico, .verdadeiro. não é um facto, mas aquele em quem nos podemos fiar de forma incondicional. É o próprio Deus é a verdade. Como o Deus da fé cristã se revelou numa pessoa concreta, podemos qualificar o cristianismo de revelação eminentemente .histórica., diferentemente de outras religiões não menos históricas. A revelação de Deus em Jesus é a sua autorevelação única no Filho de Deus; e a melhor prova de que Jesus é, enquanto Cristo, o deus-homem, proporciona-a a ressureição. O cristianismo aplana o caminho através da dupla natureza de Jesus Cristo, o mediador. Conhecemos o seu nome, como a sua vida; sabemos que rezava ao Pai, que pregou a Boa Nova e morreu na cruz. 5. Na nossa civilização tudo se tornou uma questão de fé. Vivemos na fé enquanto estamos na terra. .Fé. significa .fidúcia.. Fiamo-nos no guia quando não sabemos os caminhos; ter fé é um não ver e um não saber. Paulo di-lo: fiamo-nos nas coisas que não aparecem (non apparentium). Onde aparece a salvação é que está o perigo. Até a missão do Tirano que o homem democrático acalenta é .espiritual.: fazer do cosmo uma cidade, de todos os lugares um espaço, de todas as convicções a convicção sobre a eficácia da Técnica e de toda a fé uma só ética. O Anticristo .erit in omnibus subdole placidus. não é o oposto de Cristo, mas o seu símil. Quer trazer ao homem a sua paz, convencê-lo disso e encadeá-lo. É o ídolo da providência que o homem democrático adora: adorará aqueles que dispõem da força desta fé. Servirão aqueles que afirmam poder produzi-la, que saberão magicamente mostrar-lhes que a paz (segurança. Protecção, tutela) está em seu poder. O seu rosto será placidus, a sua violência não se exprimirá com guerra, mesmo .justa., mas com a divinização das obras. E as obras parecem divinas quando possam produzir o Último (Cacciari, 1997: 128). 6. O problema do Deus Criador continua de pé. A ordem e o sentido do mundo procedem de Deus; se Deus morreu, fica-nos apenas o vazio em que nos perdemos. A nossa experiência diz-nos que Deus confina por vezes com o Absolutamente Outro, o impessoal princípio metafísico, o .Deus absconditus.. Por vezes, objectiva-se na teatralidade e no estetismo dos espectáculos do mundo (Cosmo, Natureza, Mistérios…) que geram uma emoção arrebatadora. Por vezes confina com o excepcional, o inesperado, a estética do maravilhamento e do êxtase. Devemos procurá-lo no interior dos corpos que somos ou pelo contrário no interior dos corpos extraordinários, os do estigma, da dor ou do prazer, da cura inesperada ou da doença? E se Deus fosse a figura da desnudação, do encontro com o Pobre? E se Deus estivesse no esquecimento de si, no martírio, no vazio, no silêncio? 7. A teologia faz-nos esquecer que a Igreja é uma religião de amor. Se tem que travar um combate, não é com a fraseologia de artigos de guerra, mas com o do triunfo do .princípio do amor.. Será realista fiar-se numa criança que nasce pobre? Não será melhor invocar o Deus omnisciente e omnipotente da metafísica? Ou terá a ciência moderna, omnipotente e omnisciente, substituído o Deus da metafísica? 8. O Natal é para nós todos a festa dos afectos. Da encarnação. No cristianismo a salvação é uma questão de fé. Os mais humildes e ignorantes dos homens podem superar os mais sapientes dos filósofos. Para entrar no Reino do Céu devemos tornar-nos crianças. Porque ninguém está mais perto da fidúcia que as crianças. 9. Este é o tempo da humanização de Deus. É essa alegria que os anjos anunciam e os pastores partilham. Aqueça-vos o Menino nesta hora. Aquecei os olhos com as luzes desta festa. Doze são as constelações que formam a coroa do Cristo Kosmocrator e Kronocrator, o Cristo-Sol. Nos sermões leoninos (440-461) a estrela representa o Sacramentum Gratiae, isto é o elemento material através do qual a Graça ilumina os sentidos e conduz a Cristo. Os magos são as primitiae gentium, prova da conversão de todos os povos que não pertencem ao tronco de Israel e as suas ofertas referem-se a Jesus enquanto Deus, Rei e Homem. 10. A mensagem de Isaías deixa transparecer como plantas à superfície da água, uma floração imensa de figuras arcaicas: a justiça, a salvação, a paz, a glória, o júbilo. .Tornou-se realista não dar fé ao amor, tornou-se realista aceitar a crescente tristeza dos homens, tornou-se realista acolher a indispensabilidade da política, o domínio de uns pelo outros. (…) .Virá a hora em que ninguém querer nascer com o corpo de pobre, com um corpo de lixo doente, com o corpo triste do desamor. (MGL: 129). 11. Celebremos a infância, a esperança da vida. Substituamos o conhecimento pela esperança. Nós envelhecemos, mas a vida recomeça. Quem nos lembra isso já não a festa antiga do solstício, mas o Sol do alto que veio visitar-nos. O Natal diz-nos, na sua humanidade brutal, melhor que nenhuma outra sequência da história de Jesus, que é toda a humanidade que é contemplada nesta história. Não somos os pastores, essas figuras raras que vivem a experiência do maravilhamento. Já não ouvimos Anjos: ensurdeceu-nos o positivismo da voz que se tornou táctil, nula e funcional. Esqueçamos o pathos sobre a fraqueza de Deus, tão pueril como a exaltação da sua omnipotência. Que a divina surpresa dê corpo à esperança que nos mantém de pé. Esta nudez, esta vulnerabilidade no tempo é espantosa: haverá outro modo de dizer que Deus é humano?
Foram muitas
as mensagens via correio electrónico e telemóvel. Tá bem, pois, estamos mais próximos, mais juntinhos, mas esta mania, especialmente entre os telemoveiros, de quererem ser originais para, em meia dúzia de linhas, o mesmo pretender dizer é que é caricato…! “Fastástico” foi o adjectivo que mais li relativo ao Ano Novo, porra, porque não fantasmogórico, e quanto a desejos, aí foram quase unânimes, que eu consiga realizar todos os meus sonhos em 2004! Será que esta gente não sabe ainda o Amor e apreço que dedico à minha família? É fantástico!
Endereço
o desejo de um Feliz Natal e faço votos para que o partilhem com a família, os que o puderem fazer, e com todos aqueles que amam.
«(…) como Eu vos amei»
E Deus, omnipotente e omnipresente, necessita de ser amado? Precisará do nosso Amor?
Deste Amor
«os homens amaram mais as trevas do que a luz» (João 3:19), lembra-nos muito justamente a Voz do Deserto, mas Cristo dá-nos a luz da verdade do Amor no seu último Mandamento,«(…) assim como Eu vos amei»; (Jo 13, 34; 15, 12) e ilumina-o como o caminho, ««Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores»»; (Mt 5, 44-45).
Pois tenho,
andado ocupado em não me ocupar a aqui retransmitir o que por aí se vai fazendo e escrevendo! É certo que não pude nem dar uma espreitadela na net durante os últimos dias, mas também é verdade que este tempo me serviu para ver que será demasiadamente presunçoso considerarmos que poderemos ter uma leitura diferente das merdas que parece que querem que todos falemos. Dei então comigo a dizer-me que não é de leituras nem brilhantes raciocínios que precisamos, antes aproveitarmos este “Advenro” para colocar as etiquetas no lugar que lhes é devido sem alargadas regurgitações! Há o bem e o mal, em tudo, em nós, e um longo e mult-icolorido percurso entre eles, mas por bem sentimos sempre o que é bem e o que é mal. E Isso é que verdadeiramente importa. Desinstalarmo-nos da comodidade e da mediocridade e pormo-nos à escuta da Palavra e das reais necessidades das pessoas. Reencontrarmo-nos a sério connosco mesmos e fazer verdade da nossa vida. Vencer o egoísmo partilhando sensata e generosamente o que temos e somos, desencadeando encontros e reencontros. Convidar e abrirmo-nos aos eventuais convites à efectiva solidariedade, respeitando as legítimas diferenças e promovendo as sintonias possíveis. O Advento realiza-se em nós que vamos construíndo ou não o paraíso nos modos e processos de assumir e partilhar a qualidade da nossa vida, na base da verdade, da justiça, da lealdade, da solidariedade efectiva e tolerância activa. Entre o nascer e o morrer, inscreve-se a oportunidade de perder ou construir, de caminharmos mais pelo pelo bem que pelo mal, sendo o Amor por tudo o que vive e conosco nos faz viver o único trilho que devemos sentir para por ele seguir – a chave. A capacidade de amarmos e de nos deixarmos amar fará sempre a diferença. A vocação de Amar é a de, em cada momento, construir uma história de comunicação e comunhão, fazendo desabrochar os dons da natureza e da graça, em serviços generosos, inteligentes e diligentes. O resto, de resto, é ruído. Ensuedecedor, eu sei, mas mesmo por isso a desistência será uma prova da falta de Amor. Por Amor se constrói e com o Amor mostramos o caminho a quem dele possa ter bifurcado. Por Amor, sempre, não enxergo outro trilho que seja tão seguro para o discernimento entre o bem que se quer e o mal que podemos fazer.
Só para
chamar a atenção para este texto.
Não vejo que se questione
mas, insisto, se os EEUU declararam há uns meses o fim da guerra, como poderão considerar Saddam um prisioneiro de guerra?
Ontem
no “Livro Aberto”, programa de FJV na NTV, os convidados, Gen. Loureiro dos Santos e Prof. Paulo Rangel, deixaram duas ideias que registei: 1 – Paulo Rangel, um defensor da invasão do Iraque, questiona-se agora sobre essa sua posição pela evidente constatação da incompetência dos americanos em acções de policiamento e reposição da ordem; 2 – Os dois mostraram-se de acordo com a cautela que deveremos ter em não confundir “terrorismo” com “resistência”. Gostei da honestidade das suas interrogações, mas este último aspecto é similar ao que, no passado, se optava por apelidar de terroristas ou guerrilheiros conforme o mais conveniente… É também por isto que é tempo de se ver quais as intenções da França, da Alemanha, da Rússia e da China no seio das NU. Perante esta evidente incompetência, estes países deveriam mostrar iniciativa de querem participar activamente, no seio das NU, num esforço de reposição da ordem e normalidade institucional violadas pela invasão.
Então não havia de saber…
menina, quem é o Robbie Williams. Mesmo que não quisesse seria impossível! Mas, nem de propósito, no passado Domingo, com as minhas entendidas sobrinha,s falámos sobre isso. Uma gosta, outra não, ele sorri e a namorada diz que até tem boa voz! Se não cantasse em inglês, se optasse pela nossa língua, seria justo dizermos tal mal do Tony Carreira? Não obtive resposta, mas é seguro que este também tem um belíssimo instrumento…! Mas este não é o problema, antes os fins que lhe damos. E, aí, não encontro mesmo grande diferença!





















