Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Março, 2004

o 14º Festival Intercéltico do Porto

Do Porto? Sim, mas desta vez descentralizado…, a Lisboa, a Montemor-o-Novo e a Arcos de Valdevez. Segue-se o programa que transcrevemos do At-tambur, daqui.

Porto
Rivoli - Teatro Municipal

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Dia 1 de Abril 2004
Portugal At-Tambur
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 2 de Abril 2004
Portugal Realejo
Cantábria Atlântica

Dia 3 de Abril 2004
Portugal Frei Fado d’El Rei
Irlanda Kila

Lisboa
CCB
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Dia 1 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 2 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Dia 3 de Abril 2004
País Basco Kepa Junkera

Montemor-o-Novo
Cine Teatro Curvo Semedo
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Dia 2 de Abril 2004
Irlanda Kila

Dia 3 de Abril 2004
Hungria Marta Sebestyén e Muzsikàs

Arcos de Valdevez
Auditório - Casa das Artes
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Dia 2 de Abril 2004
Portugal At-Tambur

Dia 3 de Abril 2004
Cantábria Atlântica

Não fazemos nenhuma chamada de atenção aos participantes embora registemos o regresso dos Realejo” e dos “Frei Fado d’El Rei“, para nós, indiscutivelmente a melhor formação de música tradicional portuguesa, onde se fundo fado, com música popular, flamengo e umas pitadas, aqui e acolá, de ambiências mouricas. Perderam recentemente um grande alicerce, em especial no que concerne a estrutura, a sonoridade, a ambiência, enfim, a âncora, falo de Quico Serrano. A ver vamos como evoluem sem ele, substituído por Raul Tinoco!

Diz no Causa Nossa que:

Ao contrário da abstenção, que é geralmente produto de uma atitude de desinteresse ou falta de informação, ou de hostilidade de baixa intensidade, o voto branco supõe uma atitude deliberada e uma rejeição de mais forte intensidade(…)

Ora aqui está mais uma visão que revisita a tentação de considerar irrelevante a abstenção, isto é, não querer atribuir-lhe qualquer outra intenção que não seja a de desinteresse (conotando, subliminarmente como uma atitude socialmente reprovável) ou de falta de informação, como se não não vivêssemos em plena “overdose”? de informação.
É que contrariamente ao voto em branco ficcionado por Saramago, entendido como um voto “esclarecido”? de não alinhamento num qualquer programa partidário, a abstenção representa sempre uma recusa de participação no acto eleitoral que, apesar de ser passível de diversas leituras, uma há que é irrefutável - os abstencionistas recusam-se a alienar a sua participação cívica na construção da democracia no estreito caminho partidário.
Este é um problema bem mais grave e lactente nas nossas democracias que o apelo ao voto em branco já que, antes de mais, coloca ao regime uma tarefa de revisão dos meios de participação cívica fora do âmbito partidário.
Ora, é esta liberdade de intervenção cívica, paradigma de uma cidadania consciente e esclarecida que todos os partidos se têm recusado a equacionar para além da inclusão do “independente”? numa lista partidária.
É verdade que não é linear que uma revisão constitucional e da lei eleitoral que contemplasse o acesso de candidaturas de simples cidadãos aos escrutínios legislativos, nacionais e europeus, provocasse uma imediata redução das percentagens da abstenção, mas seria um passo fundamental que a abstenção fosse substanciada com a sua significância, ou seja, que a percentagem por ela alcançada em todos os processos eleitorais tivesse correspondência em assentos vagos nos órgãos representativos de soberania, em prejuízo proporcional dos candidatos partidários.
Estou persuadido que esta medida obrigaria as Assembleias Representativas a repensar o modo que envolver os cidadãos no seu dever de cidadania. Mas no entretanto, enquanto os partidos retirarem à abstenção a sua substância, negando e escamoteando o seu real espaço, ocupando os seus representantes assentos para os quais não foram plebiscitados, os partidos nada farão pois continuam a ocupar os lugares deixados vagos pelos cidadãos abstencionistas.
Mais grave que a abstenção é a negação da sua evidência e, este sim, poderá, aprazo, colocar sérios problemas de representatividade às sociedades ocidentais.

Porque é que a ideia do voto branco do Saramago incomoda tanta gente, da direita à esquerda?
Ciente da crescente abstenção, provocada pela incapacidade deste sistema representativo que atribui aos partidos, em regime de exclusividade, a responsabilidade de mobilizar os cidadãos e que por tal o ónus dessa abstenção sobre eles recai, não encontrei resposta que não fosse o medo. O medo de para si próprios assumirem que o “seu reino� vai nu!

Ele há coisas que não podemos deixar de partilhar. É qu’eu acho que já muita gente se serviu e não disse nada a ninguém. Portanto aqui vai o que recebi por email:

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Por Krautrock ficou conhecido o movimento musical que viria a colocar a Alemnha nos roteitos do Rock/Pop. Até finais dos anos 60 a criatividade musical alemã era muito pobre fora do contexto da música erudita. Parecia que o rock e o pop lhe tinham passado ao lado.
É perante esse inconformismo, por um lado, e por uma atitude “anarquista� de “anti-cultura� em relação ao rock, que um ácido eléctrico combinado com um psicadelismo espacial de matiz essencialmente instrumental, onde a voz caso só surge como mais um instrumento, condimentado com breves improvisações free, conseguidos em estados alterados de consciência conseguidos, à época, através do LSD, que se trilharam caminhos experimentais que frutificaram e ficaram para a história da música rock/pop dos anos 70 e 80.
Exemplos?
“The Raven� dos Ikarus, “Alpha Centauri� dos Tangerine Dream e “Autoban� dos Kraftwerk!

Já se lembram, das “curtições� do “Autoban� em replay no leitor de cassetes do carro e volume no máximo?

Pois bem, para quem conhece e especialmente para quem não chegou a vivê-los, eis os Kraftwerk no Coliseu na próxima sexta, 2 de Abril! Obrigatório!

Ah, mas consideram sapientemente, Vossas Mercês, que este género de empresas não são viáveis, não correspondem aos padrões de produtividade em voga, são economicamente obsoletas, não têm espaço num Portugal moderno e europeu, pois bem, abram-se falências, mandem-se umas centenas de milhar para o fundo de desemprego, onde sempre poderão ganhar ficticiamente em sequentes e inconsequentes cursecos promovidos pela instituição enquanto permanecem isentos de contribuir para a Segurança Social, pagos na totalidade pelo bolso do contribuinte, enquanto que os que esforçadamente investiram e mantiveram alguns postos de trabalho, assegurando sem ser a expensas do Estado o sustento das respectivas famílias, não poderão usufruir do subsídio de desemprego pelo repugnante soberba de terem sido sócios-gerentes!

Tenham juízo! Caiam na realidade e não se deixem formatar pelos néscios ensinamentos que vos impingem nos banquinhos das faculdades

Venham para cá, arrisquem a ser empresários, arrisquem a dar trabalho aos outros e verão, sim, disso não tenho a mínima dúvida, que anda para aí muita gentalha manga d’alpaca a querer-vos colocar o rótulo de ladrões.
Venham, venham para ver como a mudança de assento vos dará outra perspectiva. Venham, estudem e analisem menos e venham produzir, mesmo que “improdutivamente” como vos querem formatar!

1 - Mais de metade das empresas não paga IRC, foi o que se soube e é verdadeiro.
2 - Verdadeiro é também que quase 60% das empresas portuguesas são micro-empresas maioritariamente de comércio a retalho.
3 - Dessas micro-empresas, 80 % não tem mais de 5 funcionários.
4 - Mais de 50% dessas facturam menos de 500.000,00€.
5 - Contas feitas antes de impostos, isto é, facturação menos pagamento a fornecedores, água, luz e telefone, pagamento a funcionários, Segurança Social, entrega do IIVA recebido, deslocações, assistência pós-venda e demais despesas.

Por isso, meus senhores de fato cinzento, funcionários seguros de grandes instituições, excelsos professores associados e catedráticos, analistas, bloguistas e comentadoristas, façam contas e constatarão que perante o acima enunciado, se conseguirmos trazer para casa 300 contecos, depois de pagar Segurança Social e IRS, é um mês de sucesso e isso depois de adiantar do nosso, aquilo a que vocências chamam investimento, e por isso vão chamar ladrão ao caralho!

Basta! Enxerguem-se!

A prova de fogo!”

Depois de a nova administração tomar posse, onde Gabriela Canavilhas detém a respnsabilidade máxima, a Orquestra Metropolitana de Lisboa irá apresentar-se em vários concertos na semana da Paixão, entre os quais se destaca o Requiem de Fauré, juntando-se à orquestra o Coral de Lisboa “Cantat”, a ter lugar na Igeja do Mosteiro de S. Vicente de Fora no próximo dia 2 de Abril, sexta-feira, com entrada livre. É de salientar que este programa esteve agendado para 6 de Outubro do ano passado, em colaboração com o Instituto Gregoriano de Lisboa que por razões conhecidas foi anulado.

Será a a primeira oportunidade para se aferir da qualidade da prestação desta orquestra na era pós Graça Moura, e o trabalho já conseguido pelo novo maestro titular. Um momento a não perder onde, talvez, se possa reconciliar o público com esta formação de sofreu acentuados decréscimos de qualidade nos últimos anos.

Como nota de fim de página, lamentamos a falta de actualização do site da AMEC, onde nem este programa consta. Um assunto, ainda, a melhorar e rever.

Gostaria de agradecer os emails que recebi de, no mínimo, perplexidade sobre o editorial da última Grande Reportagem, assinado por Joaquim Vieira.

Apesar de alguns considerarem poder tratar-se de uma “imprudência”, continuo a pensar que, só pelo facto de lá se escrever que “(…) a sua contaminação resulta sempre de uma imprudência humana.“, referindo-se à SIDA, merece da Grande Reportagem, pelo punho do seu director e com igual destaque, um formal pedido de desculpas a todos os infectados deste mundo.

É o mínimo!

Separam-se mesmo, foi?

E não nos disseram nada, tivemos de saber pelos jornais! Incrível! Não se faz!

29-03-04

Irreflexões preocupantes

Já há uns dias que o nosso Irreflexões não irreflecte!
Começo a ficar preocupado. Mais uma desistência ou um descanso? Espero, sinceramente, que regresse em breve, mesmo irreflectidamente.
Perdi o Desejo Casar enquanto Uns e Outros goza de prolongado descanso. É muita perda junta!

LR do Blasfémias ironicamente pergunta:

(…) será que aquele rapaz também fazia parte do “bando dos Açores”?

Já agora, também me apetece fazer uma perguntita: será que o 11 de Março também ditou este “volte-face”?

Não retomarei este assunto que já abordei. Apenas transcrevo um comentário do Virgílio Marques no blogue que mantém com a Catarina de divulgação de Guilhermina Suggia.

Note-se que SUGGIA, toca pela primeira vez em Lisboa, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, uma das salas com melhor acústica, com os tectos pintados por José Malhoa, e que desde, creio os anos 20 ou 30 do sec XX, não tem qualquer reparação. Chove lá dentro. As paredes estão a cair, o balcão está já escorado há anos para evitar a sua queda. Há neste momento uma campanha de sensibilização para que o Ministério da Educação proceda ao restauro duma das salas mais próprias para música de câmara.
Virgílio Marques

Os parabéns ao Luís Ene e ao Paulo Querido pelo aniversário dos seus blogues!

As coisas não podem acontecer desta forma!

Através do Rui do Adufe e da Catarina cheguei ao João Tilly que relata uma morte, no caso a do seu Pai, que não deveria ter ocorrido! Certamente não aparecerá em jornais, mas é precisamente nestes contextos que a liberdade decorrente deste poderoso meio de comunicação que são os blogues mais sentido faz.

Ao João e aos que choram seu Pai, um abraço, é tudo quanto consigo por palavras exprimir.

Sou leitor assíduo da Grande Reportagem (GR), a única publicação jornalística portuguesa que nos habituou a um tratamento apaixonado e rigoroso, felizmente não isento, do que vai pelo mundo, em especial o que vai sem que a neo-demência tablóide noticie que vai.
Este Sábado a GR sofreu, como é que agora se diz, um “restyling” e tem um novo redactor principal, de seu nome Felícia Cabrita.
Muitp teria para dizer sobre isto, mas nem isso me apetece, diante do nojo de que padeci ao ler, atónito, o editorial do director, Joaquim Vieira, a propósito da “SIDA”. A dado passo diz o seguinte:

Ao contrário de outras doenças terminais que nos surgem como inelutáveis fatalidades, a sida pode ser evitável, e a sua contaminação resulta sempre de uma imprudência humana.

Não sei o que passou pela cabeça do director, um lapso…, uma infelicidade…, o que verdadeiramente pensa…, o certo é que o que sobressai desta infame afirmação é a nojenta culpabilização de todos os infectados deste mundo, a colagem do estigma da vergonha por ser sero-positivos como consequência de uma conduta anti-social, reprovável e marginalizante! Será que para Joaquim Vieira sero-positivos continuam a ser somente os homossexuais, prostitutas e drogados, condenados “a priori” como renegados, como o lixo das sociedades?

É repugnante. É inconcebível que hoje, para mais na GR, haja quem assim pense. No mesmo número a reportagem dos últimos dias de um doente! Ou seja, coitadinho, morreu em grande sofrimento, mas ele é que foi o único culpado pelo que lhe aconteceu e arcou com as “inevitáveis” consequências!

Aqui, um dos links possíveis para o que diz a Organização Mundial de Saúde sobre este assunto e passo a transcrever um excerto:

According to the new report, the African famine is a clear example of how the impact of HIV/AIDS reaches beyond the loss of life and health care costs traditionally associated with disease. More than 14 million people are now at risk of starvation in Lesotho, Malawi, Mozambique, Swaziland, Zambia, and Zimbabwe. All six of these predominantly agricultural societies are battling serious AIDS epidemics, with more than 5 million adults currently living with HIV/AIDS in these countries, out of a total adult population of some 26 million. These six countries also have a total of 600,000 children under 15 living with HIV. The new report details how the impact of AIDS in farm communities has greatly decreased the capacity of these communities to survive the famine.

Ou seja, para o director da GR há, em apenas 6 países de África, 5 milhões de adultos e 600 mil crianças culpadas de não terem sido prudentes, ou seja, a pagar por condutas anti-sociais em pé de igualdade com o suicídio colectivo ou, mais grave ainda, criminosas por propagarem o vírus de que são portadoras!

Nojento, é o que se me afigura dizer, impensável que o director de uma publicação seja capaz de afirmar o que afirmou, mesmo que levianamente assim pense!

Peço desculpa, por nem conseguir escrever mais ou de melhor forma. Nunca pensei ler semelhante desrespeito por milhões de Seres Humanos na Grande Reportagem!

Gisela Cañamero, no último número do Diário do Alentejo, escreve sobre as peripécias por que passou para que houvesse teatro no Dia Mundial do Teatro em Beja, mais concretamente no lugar que não pode nunca esuqecer uma data dessas - a Casa da Cultura.
A peripécia pode ser lida, mas prende-se com o facto de daquele espaço estar ocupado, naquele dia, para uma reunião de uma Associação de Comerciantes.
Os comerciantes não têm culpa por não saberem qual o dia em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, mas os responsáveis da Câmara pela gestão, direcçao artística e programação da Casa da Cultura deveriam, no mínimo, ter vergonha e demitirem-se de imediato!

Este é o título de uma notícia de última página do Diário do Alentejo de hoje. Depois do que aconteceu em recente idêntica iniciativa do Instituto Politécnico De beja que comentamos aqui, aqui, aqui e aqui, vem agora a Rádio Voz da Planície insistir da realização de um debate sobre o assunto só e só com autarcas e partidos. a notícia confirma a presença de vários autarcas e alguns deputados da Assembleia da República e propõe-se, citamos, “dividir os trabalhos em dois painéis: um primeiro que fará a bordagem pelo lado das autarquias e das associações de municípios e um segundo que terá uma abordagem mais político/partidária”

Pelo que já dissemos e insistimos que os partidos têm prestado um péssimo serviço ao Alentejo e mostram-se incapazes de pensar sem ser em função dos seus específicos interesses de poder não podemios deixar de considerar que se tratará de mais um momento de “show-off” dos senhores da terra.
Lamentável! Mais uma vez, tal qual no IPB; nem um só especialista convidado!
Isto é puro folclore de Ovibeja, exercício de demagogia pobre, pobre Alentejo!

Aqui para as nossas bandas do Alentejo anda um regabofe entre os partidos sobre como esquartejar este Alentejo para cumprir as insipientes leis 11 e 12 de 2003. O PC agora quer o Alentejo numa só região; o PSD agora quer uma só para o Baixo Alentejo e os 4 Concelhos do Alentejo Litoral; o PS mantém o que sempre defendeu - Baixo Alentejo mais litoral alentejano como agora o PSD. Como é o único que não mudou de posição anda investido de arrogante coerência face aos opositores, com a benção do seu orgão de propaganda, o Diário do Alentejo!
Curiosamente, alertado pelos Cruzes Canhoto, o mesmo partido, deita tudo a perder em Trás-os-Montes e Alto Douro (ver aqui), ao apostar numa comunidade urbana do Douro, deixando Trás-os-Montes sem a população suficiente para criar uma região.
Ou esta gente dos partidos ganha juízo ou a ficção do Saramago prega-lhes mesmo, a seu tempo, uma partida bem real!
Estamos cheios de aturar a obrigatoriedade de filiação partidária para poder exercer o nosso dever de cidadania! Estamos fartos, porra!

Em recente visita aos Estados Unidos, o actual jovem Ministro da Educação brasileiro, foi confrontado com uma pergunta de um jornalista norte-americano sobre o que pensava em relação à internacionalização da Amazónia, enquanto humanista, tendo respondido o que passamos a transcrever por não o emcontrarmos disponível on-line. Esquivamo-nos a comentar, já que o texto coloca em evidência alguns dos princípios de que o modelo de globalização em curso arrogantemente manifesta.
Aqui vai:

“De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro…
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos,ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio,mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia
do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas,provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram,como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!”.

Escrito entre 1834 e 35 o “Carnaval” de Schumann não é uma das obras para piano mais afamadas, mas é uma das que revisito regularmente, uma questão de paixão!
Ontem dei comigo a escutar as versões de Arrau, Michelangeli, Rubinstein, Rachmaninov e Gabrilov, as que possuo. A separar estas gravações correm cerca de 90 anosl. A separar estas gravações estão concepções estéticas muito distantes, opostas quiçá, da visão do que foi o romantismo musical do qual Schumann foi pioneiro.
Ora se em Rubinstein não podemos saber com propriedade se a versão que gravou seria ou não aquela que autenticamente sentia (este excelente pianista tinha a invulgar capacidade de interpretar consoante o(s) padrão(s) estético(s) do público a quem se dirigia) já Arrau era mais fiel a si próprio embora as suas interpretações variassem, naturalmente, consoante o estado de espírito de que momentaneamente se encontrava embuído, conseguindo-se uma visão mais próxima do que pretendia dizer e fazer sentir. A interpretação de Arrau afasta-se muito da estética predominante à época, a da lirismo quase etério do piano romântico introduzido por Rubinstein, muitas vezes com menor respeito pelo texto dos compositores, exagerando rubatos e acelerandos.
Aliás, o “Carnaval” de Arrau é esteticamente mais moderno e respeitador do texto que a posterior gravação de Michelangeli. Mais que Rubinstein, Michelangeli leva ao extremo do “mau gosto? a estética “lamechas? que se impôs um pouco por todo o mundo do pós-guerra. Não é só não respeitar o texto, é toda uma concepção da obra que entronca radicalmente numa visão doentia e entristecida do romantismo de Chopin que teimosamente imperou e ainda hoje nos agride em certa escola pianística portuguesa muito em voga e aclamada “ad nauseum”!
Curiosamente, muito antes de Rubinstein, Arrau e Michelangeli, Rachmanivov dá-nos uma visão apaixonada e violenta da obra, visão essa que radicava no final do romantismo musical entronado por Liszt e, mais tarde pelos pós-românticos. O piano era abordado orquestralmente e as obras românticas interpretadas com o exagero sentimental da paixão incontroladamente arrebatada. Rachmaninov cumpre o texto? Nem por isso, a sua invulgar capacidade técnica aliada ao extremismo passional conduz a uma interpretação emocionalmente intensa, intercalando andamentos muito mais rápidos que aqueles que Schumann indicava com pianíssimos bem pronunciados, introduzindo-nos numa atmosfera assaz densa e plena de emoções. Diga-se, contudo, que Rachmaninov não explora os rubatos e acelerandos intercalados que no futuro viriam a descaracterizar a interpretação romântica do piano.
É, no entanto, com a interpretação de Gabrilov que encontramos o equilíbrio entre o escrupuloso respeito pelo compositor e o arrebatamento passional que a interpretação romântica tem de encerrar. Alia a intensidade à quase etéria emoção, nunca se desviando das pretensões iniciais do compositor. De todos estes Carnavais, o de Gabrilov é aquele que sinto o meu “Carnaval”, aquele que Schumann concluiu em 1835.
É assaz curioso vermos a evolução da estética aplicada no tempo! Tal qual a história é a visão do passado com os olhos de cada presente!
Gabrilov foi melhor que os restantes? É evidente que sim, para mim!
Para outros não? Pois bem, gozem as emoções os estados de alma a que a música nos conduz, tão-só! Este é o real valor da arte!
Porque escrevi sobreisto? Não sei, aconteceu, apeteceu-me, enfim…, porque acho que, de facto, o “Carnaval”, op.9 de Schumann, é uma das grandes obras de arte do início do romantismo, contrariando o vulgo dos musicólogos.

Comissão Europeia prega com multa de 407.000.000€ à Microsoft, alegando abuso de posição dominante, lê-se aqui!
Isto é intrigante já que sem a empresa do Bill Gates os nossos computadores param! É que, das três uma, ou copiam, ou compram ou destroem a concorrência.
Devemos ter esperança, contudo pois um seu representante afirmou logo de seguida:

“Acreditamos que a decisão da Comissão reduz realmente a escolha dos consumidores e lesa os produtores de software europeus”

Aguardemos com a melhor das expectativas!

mas ando com a sensação de que a governação deste país anda mesmo muito mal! Surgem sempre organismos externos a contradizer o que o governo anuncia e, no caso, um até insuspeito para os partidos no governo, o FMI.
Poderá não ser nada, poderá ser uma mera impressão de um cidadão distante dessas coisas!

mas ando com a sensação de que a governação deste país anda mesmo muito mal! Surgem sempre organismos externos a contradizer o que o governo anuncia e, no caso, um até insuspeito para os partidos no governo, o FMI. Poderá não ser nada, poderá ser uma mera impressão de um cidadão distante dessas coisas!

Neste país, de facto, quem sobressai da mediocridade instalada é alvo dos mais vis e variados ataques. Dos invejosos, dos despeitados, dos alinhados, dos distraídos, dos mal-formados…! Aviz retoma o assunto da propriedade da atribuição de um subsídio do ex-IPAE e do financiamento decorrente de um contrato-programa estabelecido entre Belgais e o Ministério da Educação respondendo ao Tempestade Cerebral. Diz o que é preciso dizer, apesar do que já tinha dito, corroborado pelo Liberdade de Expressão, pelo Klepsýdra e pelo Adufe e por estas Ideias Soltas. Nada a acrescentar a não ser a estranheza com que ciclicamente o projecto Belgais é atacado, seja por afectos ao actual governo ou ao anterior! Mais uma vez se lembra que estes financiamentos não são atribuídos para concretização de um efémero evento, nem para o pagamento de vencimentos a músicos, actores os escritores, nem para “projectos nacionais de itinerância”! São atribuídos para a formação artística de jovens, acesso à qual todos deveriam beneficiar, e à formação de novos públicos para que mais tarde consigam fruir de algo mais que telenovelas ficcionadas ou “reais” e concursos televisivos. Se ao Estado cumpre um papel de proporcionar uma educação o mais abragente possível, já que por falta de rendibilidade os privados não investem, é nesta área e não no subsídio à criação ou à divulgação ou à itinerância culturais! Eu sei que o facto de a Portugal Telecom ter decidido subsidiar apenas Belgais no que à música diz respeito grangeou muitos dissabores e eu até sou um dos que tem saudades do “Em Órbita” do Jorge Gil, mas não é atacando Maria João Pires que me dá fundamento para pugnar pelo regresso do “Em Órbita” Mais estranho, ainda, que quem ataca Belgais e mais meia-dúzia de projectos, nada diga do que a sociedade civil gasta a pagar ordenados a mais de uma centena de actores do D. Maria dos quais mais de metade não se apresenta a público uma única vez no ano ou no que a SIC está a receber do Estado, do orçamento para o serviço público de televisão, a troco de ceder programas de qualidade duvidosa do seu arquivo para serem emitidos pela RTP Ã?frica e RTP Internacional, isso sim, uma vergonha nacional!

José Filipe Murteira, funcionário da Câmara de Beja, responsável pelo seu departamento sócio-cultural, foi desde já nomeado Director Artístico do Pax Julia que iniciará a sua programação lá para o final do ano, princípio de 2005.
Sobre este assunto já aqui e aqui manifestei a minha discordância relativa ao modelo que a Câmara enunciou, através do seu Presidente, para a gestão, direcção artística e programação daquele espaço.

Julgo que ninguém terá dúvidas de que fundadamente não acredito que este modelo de gestão vá servir, em plenitude, as carências que a região sente e que o Pax Julia poderia e deveria colmatar.
No entanto, é com muita estranheza e, devo dizer, alguma repulsa, que leio mais de 3 dezenas de emails de cidadãos anónimos e outros nem por isso a manifestarem-me a sua «solidariedade» com o meu desacordo e a incentivarem-me a não desistir de «denunciar» e «lutar» no sentido de inverter a situação. Ora, a estas senhoras e senhores apenas pergunto porque é que não se manifestaram nos locais próprios atempadamente? Porque razão é que tentam «estimularem-me» a aqui escrever sobre o que já escrevi quando podem, de viva voz, dizer o que acham por bem ou até apresentarem-se na Câmara Municipal às Terças-feiras, dia em que o Sr. Presidente recebe os seus munícipes? Entendamo-nos, isto não é um orgão de comunicação institucional nem tão pouco o seu autor pretende transformar este espaço num «bota-abaixismo», muito menos partidário. Exercem o vosso dever de cidadania a que têm direito num Estado democrático. Pensem que esse direito, ao qual muito poucos têm acesso neste mundo, é antes do mais um dever!

Por último e dirigindo-me directamente ao Sr. Dr. José Filipe Murteira, pessoa por quem nutro simpatia e respeito, desejo as maiores felicidades no desempenho das suas novas atribuições, mantendo, contudo o meu desacordo quanto ao modelo de gestão. Não é a experiência conseguida através das programações da Bejarte (muito haveria a dizer, em especial na promover dos artistas regionais) e da produção da Agenda Cultural que dão experiência bastante para um bom desempenho da gestão do Pax Julia, nem tão pouco a concentração numa pessoa da negociação do orçamento com a Câmara da qual depende directamente, nem da gestão orçamental face a uma hipotética programação e muito menos uma direcção artística. O Sr. Dr. Murteira diz no último Diário do Alentejo que pretende que o Pax Julia «venha a ser para as artes do espectáculo o que a Biblioteca Municipal de Beja foi e é para a leitura pública» e eu desejo sinceramente, pelos motivos que adiantei, que o Pax Julia não venha a ser o que a Casa da Cultura foi e é para as artes do espectáculo, para a formação de novos públicos, para a captação de competências e valores artísticos na nossa região.

Dito isto, reitero o meu sincero desejo de felicidades ao Sr. Dr. José Filipe Murteira, sem qualquer cinismo, entenda-se.

Como parece ser já institucional «os alinhados» por uma esquerda ou direira auto-purgam-se do mínimo pensamento ou ideia que não seja enquadrável dessa redutora dicotomia. O que lá não encaixa é marginal, não passível equacionar ou sequer de ser! Maria João Pires, em entrevista oa «El Pais» queixa-se do incumprimento por parte do Ministério da Educação do contrato celebrado com Belgais e o facto do próprio Ministério repetidamente publicitar ter já entregue muitos euros a Belgais. Após Maria João Pires ter marcado presença na manifestção de 22 de Março esquerda e direita começaram a defender e a atacar o projecto Belgais através de posições sobre a propriedade ou não de subsídios estatais. É pena, dos que li, que não façam a mínima ideia do que estão a falar e insistam do cimo do seu arrogante desconhecimento a debitar disparates! Ilustremos: 1 - Maria João Pires deu uma entrevista a um periódico espanhol e não a um português. É verdade! O que não é verdade é que Maria João Pires tenha recusado qualquer entrevista aos periódicos nacionais ou às televisões e rádios públicas e privadas. 2 - Maria João Pires não pede subsídios para a sua actividade como concertista nem para gravações, bem pelo contrário, todo o dinheiro que consegue com essa sua actividade coloca-o ao serviço do projecto Belgais. Este projecto de instrução/formação e divulgação ímpar é subsidiado a vários títulos, a saber: 2.1 - Produção de espectáculos e captação de novos públicos consubstanciados em concertos para as escolas na região de Castelo Branco, pelo Ministério da Cultura através do extinto IPAE e actual IPA (donde me parece provir estas notícias de sobre-financiamento) e passo a transcrever a missão definida para este contexto: Concertos para as EscolasAlém da temporada regular de concertos de Belgais, que este ano inclui concertos mensais dedicados a vários países ou regiões, o Centro para o Estudo das Artes de Belgais criou recentemente uma nova modalidade de concertos, especialmente dedicados a escolas que queiram visitar o centro. Nestes concertos serão apresentadas diversas obras do repertório clássico que, pelas suas características, são de uma mais directa e evidente assimilação por parte de um público jovem, e por outro lado trata-se de repertório que suscita estimulantes referências a universos extra-musicais como a literatura, as artes plásticas, etc. Estes concertos serão comentados e haverá sempre espaço para um diálogo aprofundado entre o público e os músicos intervenientes sobre todos os aspectos relacionados com o fenómeno musical, desde os instrumentos, até à rotina de estudo ou ao nervoso de estar num palco. Trata-se de uma forma estimulante de fazer chegar a jovens estudantes o mundo dos grandes mestres da música, criando pontes e relações com universos culturais que lhes são familiares, evitando assim algum tédio que, por vezes, formas de apresentação pouco imaginativas, ou escolhas de repertório pouco adequadas, podem provocar. 2.2 - Depois do Ministério da Educação determinar o encerramento de várias escolas do ensino básico dos arredores rurais de castelo Branco, Belgais propos-se acolher os alunos dessas escolas que seriam deslocados, apresentando um projecto educativo para o efeito, onde a formação e sensibilização para a arte teria uma presença idêntica às restantes áreas do saber e sentir, tendo o Ministério da Educação celebrado o primeiro Contrato-Programa com uma entidade privada para assegurar o ensino básico do qual se tinha demitido, com o prazo de 50 anos. Chama-se a este projecto “A Escola da Mata” sendo o atraso do cumprimento do financiamento deste projecto ímpar a que Maria João Pires se referiu. Passo a transcrever a missão que Belgais assumiu para si própria neste projecto: Escola da MataOs projectos com crianças assumem-se como prioritários nos temas e objectivos do Centro para o Estudo das Artes de Belgais. Neste contexto, nasceu o projecto de uma Escola Primária Bilingue, baseada no estudo das Artes. Uma escola que pretende, ao longo dos anos, edificar um projecto global de intervenção cultural e social dedicado não só à população da Beira Baixa, mas a todos os que desejem fazer parte deste projecto inovador, que desincentiva a desertificação e que repõe a confiança das populações na sua região através das artes eruditas e tradicionais. O projecto educativo da Escola da Mata apoia-se em três pilares fundamentais: a presença das artes na educação básica, o bilinguismo e uma consciência activa dos valores da comunidade em que a escola se insere. Pretende-se, desta forma, acrescentar a uma abordagem séria e criativa dos programas urriculares, um ensino que possa desenvolver nas crianças valores consolidados de integridade e auto-estima. Assim, todas as áreas curriculares da escola devem, de algum modo, reflector os três pilares anteriormente referidos nos seus conteúdos programáticos Há quem diga que estas crianças são beneficiadas em relação às restantes. Têm toda a razão. Belgais providencia a suas expensas, o transporte, a alimentação e dormida se necessário for aos seus alunos. Nisso têm toda a razão! Estes são os subsídios do Estado que Belgais aufere perfeitamente enquadrados em princípios que deveriam orientar a atribuição de subsídios dos Ministérios da Cultura e da Educação já que é evidentemente o seu carácter pedagágico na formação de jovens a que o Estado se demitiu e não à prossecução de concertos itinerantes ou dúbias produções teatrais! Quanto aos restantes doações, patrocínios e apoios recebidos por Belgais deixo aqui o rol para que possam constatar que mesmo apesar dos que abordei, os do Estado, os restantes são bem mais representativos: Doações Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales Hattori Foundation Carlson Family Foundation Jacob Foundation Patrocínios actuais Electricidade de Portugal Portugal Telecom Instituto Português das Artes do Espectáculo Banco Português de Negócios Yamaha Pianos Deutsche Grammophon Gesellschaft Grupo Lusomundo Apoios Ministério da Educação Câmara Municipal de Castelo Branco Câmara Municipal de Idanha-a-Nova Jornal do Fundão Revista RaiaÉ por isto que talvez me exceda quando vejo, em nome de esquerda ou direita que ainda não sei o que é senão o tratamento evidente de clientelas, dizerem e escreverem coisas só porque gostam de o fazer pois demonstram um cabal desconhecimento do assunto de que se reservam no direito de abordar. Sobre este assunto ver o que escreveu Aviz, Bloguítica e outros que, eventualmente, não tenha detectado.

1 -Depois de lamentar as mortes de Madrid, Francisco José Viegas manteve, no seu Aviz, um período de silêncio e só agora, na Grande Reportagem deste Sábado, é que leio as suas impressões, serenas, assertivas e muito distantes do que apelidou de excessos. Permita-se o excerto porque vale a pena ler quem busca, mesmo seguro das incertezas que o todos assolam, a segurança de analisar e caracterizar o que é possível com os dados existentes: Foi uma lição importante para os governos e para os eleitorados. Aos governos ensinou o valor, ainda que oscilante, da palavra «transparência»; aos eleitorados mostrou a importância da sua força real. Há muito tempo que, na história política da Europa, a democracia nã dava sinais de uma tal vitalidade. Fiquemo-nos pelas lições acerca da transparência: a sensação de que o Ministério do Interior de Espanha sonegava informações, ou atrasava a sua divulgação, foi fatal. A essa sensação inicial acrescentou-se a confirmação do autismo: quando todos os dados apontavam para a inclusão de um bando terrorista árabe na lista dos possíveis autores dos atentados de Madrid, o Governo insistia na sua .tese basca.. Ou seja o PP perdeu as eleições por tentar manipular a informação . coisa que praticava, aliás, com abundante menosprezo pela inteligência dos cidadãos. Essa lição deve ser aprendida em Portugal, onde existe uma tendência semelhante para o autismo por parte de alguns ministérios: durante os incêndios de 2003, com o número das mortes durante a «vaga de calor», a propósito das listas de espera nos hospitais, sobre «a natureza do défice». (…) Infelizmente, há outro dado importante a reter das eleições espanholas: o valor do medo. O bando terrorista que matou 200 espanhóis a 11 de Março planeou antecipadamente a matança para a véspera das eleições. De certo modo, a Al-Qaeda, ou alguém por ela, votou antecipadamente em Atocha. O retrato da Europa, visto do céu tem muitas semelhanças com o de há sessenta anos. Com uma diferença: a ameaça, agora, vem de fora.(…). Estando-se ou não de acordo, a verdade é que, com a serenidade e seriedade com que nos habituou, não encontramos um juízo de valor sobre as eleições de 14 de Março que não sejam criteriosamente evidentes: a manipulação da informação por parte do governo espanhol; o poder do atentado em interceder nas intenções de voto; o perigo que ameaça a Europa que FJV vê muitas semelhanças com o terror nazi que conduziu à 2ª Guerra. E ponto. É evidente que se poderá não estar de acordo, que não há uma só leitura, que nem sequer estamos ao corrente de todos os factos, mas valorizo, acima do mais, a ausência de intenção de querer fazer da sua leitura a única, a iluminada ou mesmo tentar maniquietar leituras diferentes. A isto eu chamo e dou muito valor, honestidade intelectual, um dos princípios mais ausentes nos tempos que correm, desde os políticos aos jornalistas, dos comentadores aos simples cidadãos, como eu! 2 . Ainda a propósito do massacre de Madrid e do que por aí se vai muito dizendo, permiti-me as seguintes reflexões e perguntas: 2.1 . Terá sido medo colectivo que conduziu os espanhóis a votar como votaram ou, pelo contrário, quiseram penalizar quem nada fez contra o terrorismo islâmico, sendo por isso, exigentes em pretender conhecer atempadamente os autores dos atentados para em massa votarem conscientemente, dando uma lição de democracia ao mundo? 2.2 . Tendo o futuro Primeiro-Ministro espanhol convidado para Ministro dos Negócios estrangeiros o encarregado europeu de acompanhamento da «crise israelo-palestiniana» não será um sinal de que pretenderá efectivamente envolver-se mais com a União Europeia na busca de uma resposta mais abrangente ao combate deste tipo de terrorismo? 2.3 . Tal como atrás felicitei a Grécia por pedir à OTAN que assuma a ajuda da protecção daquela país durante a realização dos Jogos Olímpicos, louvo o governo português se levar avante idêntico pedido para o «Euro 2004», pois é a melhor forma de pressionar a Aliança Atlântica a cumprir o objecto para que foi constituída . a defesa do Ocidente democrático! 2.4 . Foi com satisfação que ouvi o Primeiro-Ministro pronunciar-se sobre o massacre de Madrid em entrevista à RTP tendo constatado ser sua intenção reenquadrar-se num espírito europeu de defesa, com a natural ressalva de que não pode ser feito nem contra nem tão pouco ser a participação dos EEUU; 2.5 . O não cumprimento da promessa do PSOE de retirar as forças espanholas do Iraque caso o controlo não passe para a ONU, a verdadeira causa da sua vitória, seria tão ridículo como agora Portugal fazer uma retirada unilateral, tal como a Polónia se prepara para fazer, por dois motivos: não sabemos agora mais do que há já muitos meses . não há armas de destruição massiva; a retirada de países apoiantes da coligação invasora sem a força de um plebiscito seria, isso sem dúvida alguma, uma cedência aos propósitos dos terroristas islâmicos; 2.6 . Sobre a defesa do diálogo do Dr. Mário Soares com os terroristas e as reacções do Dr. Paulo Portas e do Dr. Pacheco Pereira julgo que os discursos têm tanto de antagónicos como próximos . são extremistas, falam do acessório (os meios) e não dos fins a paz e o combate ao terrorismo. Não são assertivos e negam o que de bom já se conseguiu pelo diálogo (Rabin/Perez e Arafat e RU/IRA)) e de mau (Hitler e Estaline). Meios são exactamente e tão só isso, apenas devem servir para atingir fins nobres e humanos sem, evidentemente, colocar em causa questões de princípio. Curiosamente, a este propósito e outros vejo o Sr. Dr. Pacheco Pereira cada vez mais próximo do Sr. Dr. Paulo Portas, em especial no extremismo! Estranho, mas contra factos…; 2.7 . Tal como antes, continuo a defender que um eficiente combate ao terrorismo islâmico passa por uma posição concertada da União Europeia e dos EEUU no quadro da OTAN. Colocar de parte alguns países europeus ou os EEUU será um erro gravíssimo que todos pagaremos elevado preço . nós, a civilização ocidental. 2.8 . Com o Rui Branco do Adufe, desde há muito que considero, tal qual Clinton o tentou, que quando a União Europeia e os Estados Unidos, a uma só voz, obrigarem israelitas e palestinianos a conviver em paz, a desarmarem-se, a respeitarem-se, o combate ao terrorismo islâmico será muito difícil. Se conseguirmos, dentro do máximo respeito por ambas as partes, impor a paz naquela região será o mais eficaz «cartão de visita» para demonstrarmos ao mundo que é pela paz que nos batemos, em qualquer ponto do globo.

1 -Depois de lamentar as mortes de Madrid, Francisco José Viegas manteve, no seu Aviz, um período de silêncio e só agora, na Grande Reportagem deste Sábado, é que leio as suas impressões, serenas, assertivas e muito distantes do que apelidou de excessos. Permita-se o excerto porque vale a pena ler quem busca, mesmo seguro das incertezas que o todos assolam, a segurança de analisar e caracterizar o que é possível com os dados existentes:

Foi uma lição importante para os governos e para os eleitorados. Aos governos ensinou o valor, ainda que oscilante, da palavra «transparência»; aos eleitorados mostrou a importância da sua força real. Há muito tempo que, na história política da Europa, a democracia nã dava sinais de uma tal vitalidade. Fiquemo-nos pelas lições acerca da transparência: a sensação de que o Ministério do Interior de Espanha sonegava informações, ou atrasava a sua divulgação, foi fatal. A essa sensação inicial acrescentou-se a confirmação do autismo: quando todos os dados apontavam para a inclusão de um bando terrorista árabe na lista dos possíveis autores dos atentados de Madrid, o Governo insistia na sua “tese basca�. Ou seja o PP perdeu as eleições por tentar manipular a informação – coisa que praticava, aliás, com abundante menosprezo pela inteligência dos cidadãos. Essa lição deve ser aprendida em Portugal, onde existe uma tendência semelhante para o autismo por parte de alguns ministérios: durante os incêndios de 2003, com o número das mortes durante a «vaga de calor», a propósito das listas de espera nos hospitais, sobre «a natureza do défice».
(…)
Infelizmente, há outro dado importante a reter das eleições espanholas: o valor do medo. O bando terrorista que matou 200 espanhóis a 11 de Março planeou antecipadamente a matança para a véspera das eleições. De certo modo, a Al-Qaeda, ou alguém por ela, votou antecipadamente em Atocha. O retrato da Europa, visto do céu tem muitas semelhanças com o de há sessenta anos. Com uma diferença: a ameaça, agora, vem de fora.(…)â€?

Estando-se ou não de acordo, a verdade é que, com a serenidade e seriedade com que nos habituou, não encontramos um juízo de valor sobre as eleições de 14 de Março que não sejam criteriosamente evidentes: a manipulação da informação por parte do governo espanhol; o poder do atentado em interceder nas intenções de voto; o perigo que ameaça a Europa que FJV vê muitas semelhanças com o terror nazi que conduziu à 2ª Guerra. E ponto.

É evidente que se poderá não estar de acordo, que não há uma só leitura, que nem sequer estamos ao corrente de todos os factos, mas valorizo, acima do mais, a ausência de intenção de querer fazer da sua leitura a única, a iluminada ou mesmo tentar maniquietar leituras diferentes. A isto eu chamo e dou muito valor, honestidade intelectual, um dos princípios mais ausentes nos tempos que correm, desde os políticos aos jornalistas, dos comentadores aos simples cidadãos, como eu!

2 – Ainda a propósito do massacre de Madrid e do que por aí se vai muito dizendo, permiti-me as seguintes reflexões e perguntas:

2.1 – Terá sido medo colectivo que conduziu os espanhóis a votar como votaram ou, pelo contrário, quiseram penalizar quem nada fez contra o terrorismo islâmico, sendo por isso, exigentes em pretender conhecer atempadamente os autores dos atentados para em massa votarem conscientemente, dando uma lição de democracia ao mundo?

2.2 – Tendo o futuro Primeiro-Ministro espanhol convidado para Ministro dos Negócios estrangeiros o encarregado europeu de acompanhamento da «crise israelo-palestiniana» não será um sinal de que pretenderá efectivamente envolver-se mais com a União Europeia na busca de uma resposta mais abrangente ao combate deste tipo de terrorismo?

2.3 – Tal como atrás felicitei a Grécia por pedir à OTAN que assuma a ajuda da protecção daquela país durante a realização dos Jogos Olímpicos, louvo o governo português se levar avante idêntico pedido para o «Euro 2004», pois é a melhor forma de pressionar a Aliança Atlântica a cumprir o objecto para que foi constituída – a defesa do Ocidente democrático!

2.4 – Foi com satisfação que ouvi o Primeiro-Ministro pronunciar-se sobre o massacre de Madrid em entrevista à RTP tendo constatado ser sua intenção reenquadrar-se num espírito europeu de defesa, com a natural ressalva de que não pode ser feito nem contra nem tão pouco ser a participação dos EEUU;

2.5 – O não cumprimento da promessa do PSOE de retirar as forças espanholas do Iraque caso o controlo não passe para a ONU, a verdadeira causa da sua vitória, seria tão ridículo como agora Portugal fazer uma retirada unilateral, tal como a Polónia se prepara para fazer, por dois motivos: não sabemos agora mais do que há já muitos meses – não há armas de destruição massiva; a retirada de países apoiantes da coligação invasora sem a força de um plebiscito seria, isso sem dúvida alguma, uma cedência aos propósitos dos terroristas islâmicos;

2.6 – Sobre a defesa do diálogo do Dr. Mário Soares com os terroristas e as reacções do Dr. Paulo Portas e do Dr. Pacheco Pereira julgo que os discursos têm tanto de antagónicos como próximos – são extremistas, falam do acessório (os meios) e não dos fins a paz e o combate ao terrorismo. Não são assertivos e negam o que de bom já se conseguiu pelo diálogo (Rabin/Perez e Arafat e RU/IRA)) e de mau (Hitler e Estaline). Meios são exactamente e tão só isso, apenas devem servir para atingir fins nobres e humanos sem, evidentemente, colocar em causa questões de princípio. Curiosamente, a este propósito e outros vejo o Sr. Dr. Pacheco Pereira cada vez mais próximo do Sr. Dr. Paulo Portas, em especial no extremismo! Estranho, mas contra factos…;

2.7 – Tal como antes, continuo a defender que um eficiente combate ao terrorismo islâmico passa por uma posição concertada da União Europeia e dos EEUU no quadro da OTAN. Colocar de parte alguns países europeus ou os EEUU será um erro gravíssimo que todos pagaremos elevado preço – nós, a civilização ocidental.

2.8 – Com o Rui Branco do Adufe, desde há muito que considero, tal qual Clinton o tentou, que quando a União Europeia e os Estados Unidos, a uma só voz, obrigarem israelitas e palestinianos a conviver em paz, a desarmarem-se, a respeitarem-se, o combate ao terrorismo islâmico será muito difícil. Se conseguirmos, dentro do máximo respeito por ambas as partes, impor a paz naquela região será o mais eficaz «cartão de visita» para demonstrarmos ao mundo que é pela paz que nos batemos, em qualquer ponto do globo.

Para nosso alívio e contra os sintomas de injustificados medos, reproduzimos mensagem de Bin Laden dirigida às suas células ibéricas. Passamos a transcrever na íntegra o que recebemos por email: “Por Alá Aconselhamos todos os filhos de Maomé a não tentarem qualquer atentado em Portugal. É um país complicado. Uma acção nossa dificilmente traria algum proveito para a nossa Sagrada Causa. 1 - Nenhum atentado por nós levado a cabo teria resultados mais espectaculares no congestionamento do tráfego ferroviário do que aquele conseguido pela própria CP. 2 - É difícil planear um atentado em comboios e autocarros. Nunca se consegue saber a que horas passam, nem sequer os dias em que circulam, devido às greves constantes. 3 - A reivindicação do atentado seria de uma inutilidade extrema. A oposição portuguesa iria imediatamente culpar o Ministro da Administração Interna, o secretário de Estado dos Transportes e as empresas transportadoras. Qualquer reivindicação da nossa parte seria recebida com desdém pelo Bloco de Esquerda, que atribuiria as responsabilidades do sucedido às empresas capitalistas, ao Governo e à globalização. 4 - Alertamos também para a dificuldade de organizar uma acção como a de Madrid. Em Portugal, mal um de vocês deixasse uma mochila no comboio, logo um simpático português correria atrás de vocês a gritar “Ó chefe, chefe, esqueceu-se do seu saco, amigo.” E depois pensaria para si mesmo: “Sacana do indiano ainda faz má cara. Vem um gajo aqui de manhãzinha, descansadinho da vida e ainda tem de ser criado desta estrangeirada toda. 5 - Não será fácil mobilizar o povo contra a presença de tropas portuguesas no Iraque. Os Portugueses, pelas informações que obtivemos, gostariam que TODA a GNR - principalmente uma tal BT - estivesse destacada no Iraque ou em qualquer lugar bem longe do País. 6 - A detonação por telemóvel é também bastante desaconselhável. Devido à quantidade de telemóveis existentes em território português, existe o perigo real dos explosivos rebentarem em alturas menos próprias, devido aos constantes toques que se fazem ouvir a toda a hora e em qualquer lugar. 7 - Também gostaríamos de alertar para o perigo real da presença de jornalistas da televisão no local dos atentados, a perguntar às pessoas o que sentem depois de terem ficado sem uma perna, com a cara desfeita ou partidas em dois. Ao pé dessa gente, a Al-Qaeda é um simpático grupo de organizadores de festas de salão. Procurem, portanto, outro sítio para realizar atentados, que esse já desde há dois anos que anda a ser sistematicamente rebentado. Vosso, Osama Bin Laden” Cumprido o nosso dever de cidadania, deixamos ao cuidado dos serviços de informação a credibilidade deste email recebido!