Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Abril, 2004

Se reduzíssemos a população mundial à escala de 100 habitantes numa pequena localidade, distribuídas proporcionalmente ao panorama mundial, essa localidade seria mais ou menos assim:

57 asiáticos
21 europeus
14 americanos (norte e sul)
8 africanos

52 mulheres
48 homens

70 não brancos
30 brancos

70 não cristãos
30 cristãos

89 heterosexuais
11 homosexuais

6 pessoas seriam proprietárias de 59% das riquezas mundiais, e todas elas seriam dos EUA

80 não teriam uma habitação aceitável

70 seriam analfabetos

50 seriam subalimentados

1 morreria
2 nasceriam

1 ter ia um PC

1 teria uma formação académica

Se considerarmos o mundo nesta perspectiva, torna-se claro que a necessidade de fraternidade, compreensão e saber é muito grande.

Se acordares hoje bem disposto e de saúde, tens mais sorte que 1 milhão de pessoas que não sobreviverá a próxima semana.

Se nunca passaste por uma guerra, isolamento numa cadeia, tortura e fome, então tens mais sorte do que 500 milhões de pessoas pelo mundo fora.

Se fores a uma igreja sem receio de ameaças, de prisão ou de vida, tens mais sorte que 3 mil milhões de pessoas.

Se tens comida no frigorífico, roupas no corpo, tecto sobre a cabeça e uma cama para dormir, és mais rico do que 75% da população mundial.

Se tens uma conta no banco e uns trocos na algibeira ou num mealheiro, pertences a um grupo de 8% da população mundial com uma situação económica confortável.

Se leres este email, a tua sorte é muito grande porque:

1. há uma pessoa que pensa em ti

2. tu não pertences a um grupo de 2 mil milhões de pessoas que não sabe ler e tens um PC!

Alguém disse um dia:

Trabalha como se não precisasses de dinheiro.
Ama como se jamais alguém te tenha ferido.
Dança como se ninguém estivesse a ver.
Canta como se ninguém estivesse a ouvir.
Vive como se o paraíso fosse aqui na Terra.

A propósito deste post do Francisco, lembrei-me da última campanha eleitoral para a as autárquicas no Porto!
Rui Rio e Pacheco Pereira desdobraram-se em denúncias contra a “promiscuidade entre a política e o futebol”, atrirando-se contra o F.C. do Porto, através de Pinto da Costa, às cavalitas e com o beneplácito do Boavista e do silêncio do Sr. Major que, com a vitória de Rui Rio, passou a dominar a distrital do PSD, nomeando um dos seus cromos para substituir Luís Filipe Meneses.
É muito estranho que agora ninguém os ouça sobre o caso real do Sr. Major e mais estranho será se Rui Rio aparecer como o seu substituto, ou homem de mão, na Presidência do Metro do Porto.

Eh pá, ontem é que se viu a força da democracia….., à razão de 10 bombas por minuto, sobre uma cidade com 300.000 habitantes!

É, no mínimo estranho, que o Ministro da Saúde tenha anunciado a libertação de uma verba considerável para que o utente em lista de espera possa recorrer a qualquer hospital público ou privado para se tratar, sem antes pagar aos médicos que se esforçaram a recuperar essas mesmas listas, permanecendo em greve, no Sto. António , por exemplo, há mais de 3 meses!
Não me orienta nenhuma obessão pelo público ou pelo privado, pugno apenas para que os utentes sejam atentidos bem e a tempo e horas, mas é estranho o deixar prolongar esta greve do Sto. António pois é o hospital português que mais transplantes hepáticos realiza.
Há dias foi publicitado com pompa e circunstância o novo bloco operatório e as condições especiais para a realização de transplantes hepáticos do Curry Cabral. E muito bem. No entretanto, por birra, permite-se que o Sto. António continue sem os realizar, talvez conseguindo desta forma um superior desempenho financeiro! A administração deve estar feliz que isto de transplantes e respectivo acompanhamento dos transplantados dá um prejuízo do caraças, quantos menos se fizeram mais o hospital poupa e lá sobe no “ranking” do Ministério!
É que entre os melhores hospitais S.A. não se encontra nenhum que faça transplantes nem assista os doentes crónicos. É ridúcula a conclusão de que o Hospital de Barcelos seja o melhor hospital do país, exactamente aquele que mais se assemelha a um mero Centro de Saúde. Mas que lá figura ele em primeiro lugar, isso figura!
Eu gosto de confiar, mas confesso que às vezes me colocam muitos entraves…

CAA, no Blasfémias, mostra-se agastado com as propostas dos empresários da AEP, dizendo:

Desbocam-se em discursos titubeantes, são autênticos neosocialistas travestidos de yoopies, repristinando teorias que já eram velhas há 40 anos atrás.

Ora, sobre isto sem sequer saber de todas as medidas que o projecto propõe, parece certo que, acercando-se de recentes pensadores económicos, os empresários parecem querer devolver ao Estado um papel determinante no desenvolvimento económico, não interventor, mas regulador e propiciador de bases catalisadoras da iniciativa empresarial privada, defendendo, afinal, o que os EEUU vêem fazendo ao longo dos tempos, reservando a doutrina liberal e neo-liberal para assuntos do foro dos negócios estrangeiros, como discurso estratégico mais eficaz de sempre.
Sobre este assunto já aqui tinha escrito.

Ontem, ao passar pelo televisor, sintonizado nos “Prós e Contras?, ouvi um senhor, Black de seu nome, pareceu-me, dizer:

O problema de Portugal é de inputs e outputs.

Desliguei, ninguém estava e ver, deitei-me algo inquieto e até ao momento ainda medito em tão profunda e premente e insofismável e incontornável verdade!
É a input da vida!

O Secretário de Estado das Obras Públicas, Jorge Costa, em reunião com representantes da CCDR, AMDB e com o Presidente da Câmara de Mértola anunciou o interesse do Governo em rapidamente tornar o Guadiana navegável de Vila Real de S. António até Mértola, deixando a promessa que já em Maio regressará para apresentar o respectivo projecto.
Esta notícia surge em vários orgãos de comunicação regionais e nacionais sem relevo especial e secundarizada em relação aos lamacentos processos do aeroporto de Beja e do desenvolvimento do Alqueva.
É pena, porque o impacto desta medida para o desenvolvimento turístico e comercial na raia sul deste país será muito mais rárido, eficiente e potenciador de resultados bem mais palpáveis a médio prazo que os outros embróglios. Aliás, o empresário Jorge Ferreira já manifestou por diversas vezes i interesse em explorar cruzeiros turísticas nesse futuro espaço à semelhança do que iniciou e prossegue com sucesso no Douro. Estou até certo que a pressão do empresário junto do Governo para acelerar a obra foi determinante para uma rápida decisão.
Continue a ler »

Inspirado pelo texto de Francisco José Viegas, sob o título O Medo do Brilho no Aviz, onde, com um discernimento escorreito, aborda a questão da contemporaneidade dos clássicos, do seu brilho intrínseco, a propósito da crítica de Eduardo Prado Coelho à nova encenação de Ricardo Pais de “Hamlet”, cuja leitura integral recomendo, dei comigo a pensar sobre as “novas” tendências dos grupos de teatro em Portugal.
É cada vez mais raro encontrarmos nos palcos portugueses as obras da dramaturgia clássica, aquelas que fizeram o teatro ser teatro ou, quando se representam estão envoltas numa nublosa encenação que tenta, através de artifícios tecnológicos e/ou técnicas de encenação anacrónicas, introduzir (penso eu?) traços contemporâneos que, a meu ver, mais não fazem que descontextualizar o brilho do texto (nas palavras de FJV) sem nada acrescentar de substancial.
Parece existir e fazer escola que ser contemporâneo obriga a uma “criatividade” deslumbrada onde os artifícios do cenicamente inesperado e, por vezes chocante, são objecto em si mesmo e não instrumentos à disposição do encenador para realçar a(s) mensagem(s) no texto contida. Ou seja, parece-me que os profissionais do teatro têm sido mais influenciados pela estética cinematográfica de matiz hollywoodesca, onde o sucesso é medido pela quantidade de efeitos especiais, concepções laboratoriais e computurizadas do tratamento da imagem e do som, relegando para o domínio do desprezível o argumento e arte de representação. Não é por acaso que o filme que mais óscares recebeu, incluindo o de melhor filme do ano transacto, não tenha conseguido nenhumas estatueta no que concerne ao argumento, actores principais ou secundários! Julgo mesmo ter sido a primeira vez que tal ocorreu na história dos premiados de Hollywood. Ou seja, a estética da produção, em vez de se confinar ao seu primo objecto, o de realçar e contextualizar o texto, passou ela própria a ser o espectáculo, dispensando o texto e consequentemente a necessidade da sua efectiva representação.

Este movimento colocado à ideia de desconstrução e à tendência de contra-cultura pós-modernista poderá conseguir, a espaços, momentos de criatividade brilhantes, mas parece incapaz, por medo ou opção, de nos revelar o esplendor do texto dramaturgico, da palavra, do verbo, do enredo.
São como preferem hoje designar-se profissionais de artes performativas em vez de grupos de teatro, o que se explica pela paranóia da busca patológica de uma criatividade a todo o preço que a maior parte das vezes nos surge feita de colagens sem nexo, ou muito pobres de conteúdo quando comparadas com os clássicos, onde os efeitos da sonoplastia e do multimedia ocupam o lugar central, numa estética que se afirma pelas sensações visuais e sonoras imediatas e perenes, não procurando despertar no público o interesse de uma teia argumentativo/figurativa de um texto.
Este movimento, que ainda faz escola em Portugal e parece querer permanecer ainda por uns tempos, está para o teatro como o experimentalismo de Pierre Henry, a “música concreta”, esteve para a música clássica - um período meramente experimental que nada acrescentou, datado e enterrado como uma breve experiência, exactamente, afinal, o que se tinha proposto e até como o Free para o Jazz. Marcaram uma época, profundamente, é certo, mas nada acrescentaram ao já realizado nem escola deixaram.
O rigor pelo texto regressou à música dita erudita, mesmo à contemporânea, onde os compositores são cada vez mais exigentes na escrita e na representação da sua criação, enquanto que no Jazz já desde Charlie Parker que não conhecíamos um movimento tão profundo de regresso às raízes, com o intuito de busca da inspiração prima para se refundar, recriar e reconstruir como manifestação cultural afro-americana.
Excluindo casos pontuais como o da Cornucópia, onde sabemos que pelas mãos de Luís Miguel Cintra a vivência do texto permanece no cerne do desenvolvimento criativo, parece que a generalidade dos grupos optou por uma paranóia criativista purgada da substância que substancia o próprio teatro.
Mas não nos alarmemos, o experimentalismo como objecto, à semelhança do que aconteceu nas demais artes, será breve e datado, ficando para a história exactamente enquanto tal - um movimento experimental breve e não consequente.

Desde o primeiro governo da Aliança Democrática que somos governados pelo PSD e pelo PS, com breves alianças com o CDS/PP. Para o bem e para o mal estes dois partidos são os responsáveis pela situação actual do nosso país, pela condução dos nossos destinos há quase 25 anos.
À distância, o republicanismo e a ditadura, foram momentos de excepção no prosseguir de um “rotativismo” clientelar que já vinha de oitocentos e de uma alternância processual e não ideológica. Com efeito, após a Revolução Liberal de 1820 que derrubou o Antigo Regime e um breve período de consolidação do regime liberal (digamos, até 1836), que Portugal é governado por duas tendências mais processuais que ideológicas - as da contenção das despesas do Estado, com a poupança como objecto, e as de “modernização” das infra-estruturas de transporte e circulação. Curiosamente, apesar do cumprimento dos ideais liberais de separação dos poderes, nunca os portugueses ousaram retirar ao Estado o poder de único e credível motor do desenvolvimento económico. Navegámos sempre num misto de liberalismo institucional e um centralismo estatal económico e social. Ao olharmos para trás e pensarmos nos governantes que tivémos facilmente os enquadramos numa ou noutra tendência. Do poder interventivo do Estado é que ninguém ousou questionar.
Por sermos pequenos? Por nos afastarmos cada vez mais do explendor do Portugal de quinhentos? Não sei, é matéria para a história das mentalidades e para a sociologia.
Mas o acordo para a revisão constitucional de ontem é mais um passo neste sentido.
Continue a ler »

Não, aqui para baixo não vão ser distribuídos livros nos transportes públicos. Nem aqui nem ali, só em Lisboa!
De todo em todo a nossa Biblioteca Municipal José Saramago tem um programa digno de merecer uma adesão muito alargada. Ora vejam:

Cave:

17H00 - Histórias ao Largo - Mestre Elias e a sua Companhia de Bonecreiros
18H30 - Histórias de Zulia
19H30 - Taticrislim a cozinheira das histórias
21H30 - A Consulta do dr. Todos leu - Consultório de Leituras
22H30 - Mãos que desenham a noite - Atelier de actividades plásticas.

Auditório:

21H00 - Conferência com Pedro Strecht - “Abuso sexual de Menores”
21H45 - Conversas com Livros e Imagens - José Manuel Fernandes entrevista Luís Afonso
22H30 - AQUI, ACONTECE! - com Carlos Pinto Coelho

Cafetaria:

23H30 - O Veneno Universal - José Luís Peixoto & Fernando Ribeiro (Moonspell)
24H00 - Vozes e Estórias da Galiza

nota: a programação aqui reproduzida está publicada na Praça da República, donde foi retirada.

Sob o título que reproduzo, o Francisco Nunes, na sua Planície Heróica, tem desenvolvido textos preciosos sobre a hisória do Alentejo.
Esta chamada da vossa atenção pode ser tardia, mas pela insistência do Francisco (já vai no VI) recomendo vivamente a sua leitura integral.

«As crises (…) educacionais e culturais fazem com que a cultura e a educação sejam cada vez mais ricas e plurais, que o «Bem» seja sempre uma constante busca que só parcialmente alcançamos, e uma vez alcançado nos deixe sempre insatisfeitos e, portanto, com a possibilidade de continuar procurando. «Malditas as educações que satisfazem». O satisfeito já não procura porque está saciado; quem já encontrou a verdade não necessita do diálogo, só pretende a imposição. «Pelo bem de todos» cometeram-se os mais terríveis crimes, ditaduras e dogmatismos ao longo da história. Somos firmes na procura de um permanente fazer-se. «Abre-se caminho, caminhando».

Enrique Gervilla em «Postmodernidad y Educación - valores y cultura de los jóvenes»

«Contra o ideólogo Samuel Huntington, prefiro a opinião de Edward Saïd. Samuel Huntington quer fazer das “civilizações” e das “identidades” aquilo que elas não são: a saber, entidades fechadas, seladas, expurgadas das miríades de correntes e de contra-correntes que percorrem e animam a história humana e que fizeram com que ao longo dos séculos a história ficasse repleta não só de guerras de religiões e de conquistas imperiais, como de trocas, de fertilizações cruzadas e de partilha. O paradigma de base: “Ocidente contra: tudo o resto (é a oposição da Guerra fria, reformulada) é o paradigma que vigora ainda depois do 11 de Setembro que o maniqueu Berlusconi brande para açular as paixões colectivas em nome do Bem contra o Mal, da Liberdade contra o medo, etc. É preciso repensar a guerra dos clichés e o poder das simplificações - a retórica utilizada pelos combatentes auto-proclamados da guerra do Ocidente (a América em particular) contra aqueles que os odeiam e ameaçam. É preciso desconstruir as expressões que veiculam a ortodoxia da globalização (mundialização) e que funcionam como falsos universais destinados a criar um unanimismo tácito: “o mercado”, “privatização”, “meios de governo”, “o Ocidente”, o “clash das civilizações”, “os valores tradicionais”, “identidade”. É preciso mostrar aquilo que verdadeiramente nos deve ocupar: a interconexão de vidas inumeráveis, as “nossas” e as “suas”. Em vez de criar campos de batalha, é preciso criar campos de coexistência.»

José Augusto Mourão - em “Caos Cultural da Mundilização”

«(…) o que é próprio do saber não é ver nem demonstrar, mas interpretar» para «restituir a grande planície das palavras e das coisas, (…) falar de tudo, (…) fazer nascer, por sobre as marcas, o discurso ulterior do comentário».

Michel Foucault em “As Palavras e as Coisas”

No próximo Domingo, dia 25 de Abril, na RTP 2, às 22.00 é exibido o documentário:

António Pinho Vargas – notas de um compositor
Realizado por Manuel Mozos e montado por Luís Correia em 2002
Produção de Culturgest, LxFilmes e RTPcom depoimentos de:

Augusto M. Seabra;
Miguel Henriques;
Luís Tinoco;
João Madureira.

participam:

Orquestra Sinfónica Portuguesa;
Coro do Teatro Nacional de São Carlos, dir. João Paulo Santos;
Orquestra Nacional do Porto, Miguel Henriques, Elizabeth Davis dir. Martin André;
Solistas da OrquestrUtópica;
Drumming- Grupo de Percussão;
Solistas das óperas Édipo, tragédia de Saber e Os Dias Levantados,
entre outros.

não julgo ser possível que, daqui por uma ou duas décadas, a vida musical continue organizada como até hoje.
António Pinho Vargas

Ficam os cromos, como vogais, especialistas de coisa nenhuma!
(Notícia na Rádio Pax).

O Site do cancro da mama está com problemas pois não têm o número de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer uma mamografia diária gratuitamente a mulheres que não têm recursos financeiros bastantes.
Demora menos de um segundo para ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz “Free Fund Mammogram.
É pelo número diário de pessoas que clicam que os patrocinadores (Avon, Tupperware,….), a troco da publicidade, oferecem a referida mamografia.

O sítio é este: http://www.thebreastcancersite.com/, mas poderão ir directamente por este link.

Na semana finda a Câmara do Porto aprovou o relatório de contas de 2003, conseguido com o voto de qualidade do seu Presidente.
Não o conheço em pormenor (pelo que me dispenso de considerações não baseadas em factos), mas o que foi dado a conhecer pelos orgãos de comunicação é preocupante, por um lado, e por outro deve-nos deixar a pensar seriamente sobre as contas do Estado já que, estou certo, as evidências da Câmara do Porto poderão ser extrapoladas para a esmagadora maioria dos municípios portugueses.

De facto, a gestão de Rui Rio reduziu a dívida de 44,2 milhões de euros para 32,1 milhões o que, à primeira vista poderá considerar-se como um sucesso. Confesso não conhecer em que sectores e de que forma foram conseguidos reduções consideráveis, embora o corte quase total de subsídios à cultura e educação devam encontrar-se entre os principais contributos para a referida redução – o Rivoli, o S. João, o Campo Alegre, o Planetário, o Balleteatro, o “Fantas”, o “Intercéltico”, o “Festival de Jazz”, enfim todos os grupos independentes de teatro, terão tido, com toda a certeza, uma quota muito expressiva para esse resultado.
No entanto, contrariamente ao que seria de prever, a verdade é que a cidade em nada beneficiou com esse apertado laço à cultura. É que o endividamento da Câmara cresceu apesar dos substanciais sacrifícios a que sujeitaram os munícipes – cerca de 15 a 20 milhões de euros! Isto é, a sua dívida mantém-se inalterável na casa do 60 milhões de euros.
Continue a ler »

Abril com “R”

“Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois

Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.

Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.”

Manuel Alegre

Passo pelo Klepsydra, pelo Causa Nossa, depois vou às Terras do Nunca, derivo para o Abrupto e para o Bloguítica, leio o editorial do JMF no Público e fico com a sensação de que poderá mesmo tratar-se de má fé, a toda a argumentária em torno do estado a que conduzimos o Iraque, à falta de outra coisa, em nome do derrube de uma facínora ditadura.

De facto, quem hoje consegue jogar argumentos que ainda justifiquem a invasão do Iraque ou é má fé ou, irremediavelmente um caso patológico. Mas estas situações são ainda menores se atendermos que a sua combinação é muito amis perigosa - um caso patológico de má fé!

Não, não defendo a retirada do Iraque, não por cobardia, não pela instauração à força da “democracia”, não pelo petróleo, mas porque somos nós Ocidentais, os únicos culpados da merda que lá fizemos e continuamos a fazer!
Pelo que disse considero que devemos muito àquelas gentes e somos eticamente responsáveis, não por lhes entregarmos um país perfeitamente destruído (da economia à saúde, do petrólio ao abastecimento de água), mas sim pela reposição das condições de vida que beneficiavam (as melhores de todo o mundo árabe) antes dos sucessivos embargos e invasão a que os sujeitamos. Sem Saddam, é certo, mas com o nível de vida de que beneficiavam.
Uma retirada do Iraque neste momento seria eticamente indefensável pois significaria que, em última instância, nos estamos todos, nós ocidentais, borrifando para a sua condição, invasores e não defensores da invasão.
Agora, continuar a justificar a necessidade dessa invasão não é má fé - é uma questão patológica que merece cuidados do foro psiquiátrico.

Todas as últimas quintas de cada mês, entre as 18 e as 20 horas, até Novembro o INET - Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa promove os «Colóquios Mensais de Etnomusicologia», na Sala de Seminários do Departamento de Ciências Musicais (4º Andar), com entrada livre (consultar programa).

Não será motivo de inveja (aliás a inveja perante a obra realizada, apesar de muito corrente entre nós, para além de condenável é absolutamente improdutiva e incapacitante), mas o que algumas pessoas, associações e escolas têm conseguido fazer pela música etnomusicologia em Portugal é, no mínimo embaraçante, senão ridículo, para muita “intelectualite” bem falante da área da música erudita portuguesa, em especial atendendo ao que o Estado investe, financia e subsidia!
Enquanto uns falam, outros fazem! E quando assim é, a diferença de resultados e benefícios educativos para a população são avassaladores!

O texto que ontem escrevi sobre a perda que a Casa da Música sofreu com a demissão de Fausto Neves motivou a recepção de alguns emails, em geral de pessoas bastante preocupadas com o desenvolvimento daquele projecto, que aproveito para agradecer, 3 dos quais manifestando alguma perplexidade no que respeita ao que disse sobre o “deserto” de competências nacionais no que concerne à Educação Artística. Com efeito, relido o que escrevi, poderei ter sido menos assertivo no que pretendia transmitir. Reproduzo para melhor se entender:

(…) Para mais, esse conhecimento, “Know how”, não é coisa que se estude, é assunto que a sabedoria advém proporcionalmente aos anos de exercício efectivo, num país em que a didáctica e o desenvolvimento curricular das artes em geral e da música, em particular, é um deserto. Um deserto de competências, mas também legislativo e organizacional (atente-se que Portugal não tem um único mestre, pós-graduado ou doutor, em educação artística!)

Ora, o que eu queria dizer é exactamente o que escrevi, i.e., não há em Portugal um único especialista académico em Educação Artística. Entenda-se, por favor, no ramo das Ciências da Educação, no desenvolvimento curricular e didáctica específica da arte e não, como parece terem alguns leitores entendido, no ensino da música, da dança, do teatro, das artes em geral. Neste particular, Portugal, apesar dos muitos contratempos e do desinteresse pela instituição de uma política educativa que incorpore a educação artística em equidade curricular com os demais ramos do conhecimento, deu um salto qualitativo notável, em especial à custa dos nossos músicos “estrangeirados”, aqueles que após a conclusão dos seus cursos foram beber por essa Europa fora os conhecimentos e a vivência artística que o nosso país não conseguia nem consegue proporcionar.
Espero que, feito esclarecimento, não restem dúvidas quanto ao que pretendi, e só, exprimir.

Por diversas vezes dei destaque à gestão da Casa da Música como um exemplo a evitar no que concerne à gestão de equipamentos culturais, em especial, tudo o que decorreu antes de Alves Monteiro aceitar a Presidência do Conselho de Administração. Afirmei que este gestor era, para mim, um garante do rigor, apaixonado embora, necessário à prossecução do projecto, evitando que continuasse a navegar ao sabor de interesses partidários, camarários, pessoais e, em especial, de “lobbies” há muito instalados no meio musical portuense, dali se estendendo, qual polvo encapotado, para todo o país.
Alves Monteiro iniciou o seu trabalho cumprindo cautelosa mas firmemente a missão a que se propôs (pode-se ver aqui), longe dos holofotes da ribalta mediática que muito gratificantes poderão ser a nível pessoal, mas incompatíveis com uma gestão que antes de se cumprir tem de mandar o lixo para o lixo e conservar o que valia e não tinha sido feito, i.e., “arrumar a casa”.
Cedo, e salomonicamente, mostrou não ceder a pretensões mesquinhas e vazias de sentido profissional, nomeando Pedro Burmester para seu assessor único, mantendo desta forma uma valia que não poderia encontrar noutro personagem - a memória e a justificação do já realizado. Contudo, a Casa da Música, não manteve a figura da direcção artística no seu novo organigrama - apenas administração e executores.
Daí que não assista a Pedro Burmester qualquer razão em sentir que a nomeação de Anthony Withworth -Jones possa ter um sentido de retirada de confiança do Presidente do Conselho de Administração, uma vez que nunca tal foi prometido e a não nomeação do músico para essas funções não augurava que Alves Monteiro tivesse, aprioristicamente, intenção de resolver essa delicada lacuna organizacional com o seu nome
Poderá ter sido surpresa para muitos, mas para quem conhece a correcção pessoal e profissional saberia que o novo gestor, ao abraçar o comando de um projecto que saía do âmbito que conhecia, iria antes do mais inteirar-se da especificidade da gestão da coisa cultural, deixando espaço para, a seu tempo, tomar as decisões que considerasse mais adequadas. E a nomeação de A. Withworth-Jones (ver aqui o seu percurso profissional) mais não confirma senão a segurança de entregar os destinos da programação a quem já possuía créditos firmados, estivesse disponível e exigisse uma remuneração adequada ao projecto.
Continue a ler »

Sejam bem regressados, com retemperadas forças e, como sói dizer-se, com mais propensão para auto-estima, é o que desejo a todos para combater as notícias de degradação persistente do modelo económico e, consequentemente, social que privilegiamos e defendemos - a nossa democracia.

Vem isto a propósito de quase tudo. Do Iraque, certamente, das ameaças de ataques a cidadãos, com certeza, mas também desta notícia que me apanhou mesmo desprevenido! Não é que 61% das empresas norte-americanas não pagaram impostos entre 96 e 2000, e ninguém lhes cola o rótulo de ladrões!

Como tenho dito, o liberalismo é uma mera doutrina de exportação das economias mais fortes para as mais fracas. É o”leit motiv” da exploração de países terceiros com economias mais débeis, por parte das economias mais regulamentadas e proteccionistas do mundo.
É com o liberalismo económico doutrinário que a “mão invisível” do Adam é substituída pela mão invisível da “finantia” sem rosto, que domina a seu bel prazer os mercados globais e as economias nacionais!
Não me espanta, até será compreensível. O que me enternece são os “pensadores liberalizantes” das economias desprotegidas!
E assim, vamos alegremente promovendo a auto-estima!

1. - Dizem-nos os textos desta noite que Deus é o nome do sopro-palavra que fez emergir aquilo que dormia no abismo do não ser. Dizem os textos desta noite que Deus é o sopro e a palavra que criam a possibilidade de ser um novo corpo e uma nova vida. Que a “elevação” de Cristo começou na Cruz. Que a nossa ressurreição só é possível a partir do nosso baptismo em Cristo e no seu corpo de glória. Que a comunidade cristã se tornou o corpo do Cristo vivo.

2. - “Porque buscais entre os mortos aquele que está vivo? Os anjos delimitam e articulam entre si um espaço directamente referido ao corpo de Jesus na sua integridade (da cabeça aos pés) e à sua sepultura. Eles assinalam o corpo ausente que as lágrimas de Maria procuram.

3. - O sepulcro aberto é um ponto de encontro e de separação, um espaço a ler, a ver, a acreditar. Mas ler não é ver. O sepulcro propõe um espaço a ler. Entre ver e acreditar é preciso ler para entender. Ler não é reconstituir um mundo verosímil mas articular as ligaduras e o sudário às letras da Escritura. Os traços descobertos no sepulcro, marcas da morte, da ausência e do vazio, constituem a Escritura como um texto cuja opacidade atesta a vida da palavra e cuja textura remete para o horizonte dum corpo a vir e para a impossibilidade de nos apropriarmos dele num espaço homogéneo.

4. - O sepulcro aberto separa aparentemente um aqui e um algures: se não está aqui é porque o levaram algures. Mas de facto o discurso da narrativa deforma o espaço homogéneo: Maria vê Jesus (sem o conhecer) fora do sepulcro. Há uma outra face do visível a procurar, a acreditar, dizem os anjos. A ressurreição consiste em ter um corpo diferente do corpo físico; ressuscitar é tornar-se um corpo histórico. Uma comunidade.

5. - Os textos desta noite dizem-nos que Deus não recusou partilhar a grande e profunda tristeza dos homens. Que a recusa da encarnação é o ferro de lança do pecado. Recusar estar no meio dos irmãos perdidos, encarnado como eles, exposto aos mesmos perigos e desesperos é não estar a seguir Jesus Cristo que foi enviado pelo Pai a esse lugar de cruzes que é a vida. Dizem estes textos que a recusa da ressurreição é outro ferro de lança do pecado. Que Deus em Cristo nos salva do poço em que nos fechamos, que vem ter connosco na nossa carne, na miséria e na morte. Na cruz de Cristo o real da vida que se dá é mais forte que a imagem da morte que a esconde, a graça do dom é mais forte que o pecado que, na aparência, a nega.

6. - São as heresias que sublinham unilateralmente a humanidade de Cristo, a sua exterioridade à transcendência divina. São as heresias obsecadas pelo puro e pelo original, maniqueístas, que bloqueiam a fecundidade da incarnação e da ressurreição. A radicalidade da determinação do infinito no infinito é a Paixão: Deus enquanto Filho morre. O infinito sobe ao calvário, dizia Hegel. Mas a ressurreição significa a contra-determinação (o limite da morte) pela infinidade do Pai: o Filho resssuscita e vai ao encontro do Pai.

7. - Há noites que metem medo. Porém, o que mete medo é a noite do imaginário sem desejo, não a noite da fé. Donde vem o medo senão de deixarmos de ver como se vê agora? “No fundo da sua Noite, a nossa carne é Deus”, escreve M. Henry (I, 373). “Deus gera-me como a si próprio” dizia Eckhart. Não podemos recusar a história e a linguagem em que a árvore da vida e a árvore do saber se tocam. Não, Paulo não traiu o “alegre saber” de Jesus, como Nietzsche suspeita. Não, o cristianismo não é a religião absoluta.

8. - Tudo conspira contra a fé no além da morte: a mentalidade do trágico, a tecnologia, os genocídios vários, a sabedoria do mundo, epicurista, surda. No meio desta paisagem de cinza só os mártires enfrentam o desafio da fé na ressurreição. O que talvez seja um traço fundamental do viver dos nossos dias é a perda da experiência do limite. “A nossa cegueira actual (naquilo que podemos ver dela) não se estabelece no quadro da obediência/desobediência, antes da suspensão da experiência do limite, que a actividade científica puramente operatória traduz como ‘porque não sabemos’, ‘porque ainda não foi possível, mas todos os esforços vão nessa direcção”, mesmo que o limite se chame mortalidade, a essência mortal do homem: se os nossos canais não se entupissem, não morreríamos, procuremos um expediente para tornar eterno o trânsito dos nossos canais” (Filomena Molder).

9. - Comprazemo-nos a contar a saga da saída do Egipto, a terra da escravidão. Mas continuamos escravos de alguma coisa. Não há comunidade histórica que seja indemne. Continuamos com medo de morrer, sedentos de viver, continuamos a apertar as mãos e a fugir uns dos outros e a matar outros. O inferno é hoje uma categoria política, uma noção forjada para governar os homens (H. Arendt). Nós instauramos o inferno entre nós. Comprazemo-nos com as alegrias da destruição, envenenadas pelo ódio de que procedem. As grandes tentações não são da carne, mas do poder (do dinheiro, das autoridades políticas e das autoridades eclesiásticas).

10. - Acrescentemos aos textos desta noite um texto do “confessor” Wittgenstein. “A sabedoria é algo de frio e, nesta medida, de estúpido. A Fé, pelo contrário, é uma paixão. Poderíamos dizer também a sabedoria apenas dissimula a vida. A sabedoria é como uma cinza fria, cinzenta, que cobre as brasas”. (RM, 69). Ou a religião tem um interesse existencial que me inclina a acreditar na Ressurreição de Cristo, ou reduz-se a um palrar sem interesse. Se não há ressurreição, então ele decompôs-se no sepulcro, como qualquer um de nós. Ele morreu e decompôs-se. É então um mestre como todos os outros e não pode socorrer-nos, estamos de novo órfãos e sós. Ficamos com a sabedoria e a especulação. Estamos como num inferno, em que só podemos sonhar, separados do céu como por um tecto. Mas se devo realmente ser salvo, então é duma certeza que tenho necessidade, não duma sabedoria, de sonhos, de especulação - e essa certeza é a Fé. A Fé é fé porque é a minha alma com as suas paixões, por assim dizer com a sua carne e o seu sangue que deve ser salva, não o meu espírito abstracto. Talvez se possa dizer só o amor pode acreditar na ressurreição” (RM, 44-45).

11. - Nós não estamos petrificados diante de um túmulo vazio. Não estamos a refazer o caminho de Maria e das mulheres. Não procuramos o corpo no lugar do sepulcro. Que fazemos então? Olhamos, contemplamos, vemos e acreditamos, como Pedro ou o outro discípulo que “viu e acreditou”, não como verificacionistas. Para os leitores que somos hoje, o texto de Mateus exige uma modificação do regime das nossas percepções, das nossas crenças e dos nossos envolvimentos. Jesus não é invisível, mas é não-visível porque a visão que ele requer é o contrário do visível. É preciso adaptar a visão e a escuta, passar ao espaço da leitura na fé. O corpo que Maria procura revela-se um sujeito de fala que nomeia e institui para a missão. O espaço da narrativa deforma-se quando, ao apelo do seu nome Maria se volta à voz que a chama. O visível transforma-se em visual: “Eu vi o Senhor”. Acaba aqui a tese do roubo do corpo morto. Maria é instituída, não para contar sempre a mesma história do roubo do seu Senhor, não para ver e acreditar como o outro discípulo, mas para ver e dizer (anunciar): “Eu vi o Senhor e eis o que ele me disse”.

12. - Falar é dar, é inscrever-se no dom da palavra. Inscrever-se numa falta à totalidade: não é possível dizer tudo. O gesto da mulher que derrama o frasco de perfume aos pés de Jesus é um acto de fala silencioso. Nós refazemos a memória desse gesto que se inscreve na trajectória do corpo de Jesus segundo as Escrituras. É o terceiro dia que este gesto prefigura. O corpo a vir, é um corpo a dizer, a redizer, a proclamar, um corpo impregnado pelas falhas das nossas palavras que se arriscam no acto da proclamação: surrexit Dominus vere!

13. - O impensável tem um lugar: este lugar é o real do corpo. Aí está a loucura do pensamento Paulino relativamente ao pensamento grego e ao pensamento judaico: a espécie humana está prometida à salvação; a lei antiga deixou de valer, o Templo rasgou-se como um vaso de incenso inútil, a história do começo adâmico é relançada de outra forma. Acabou o delírio da eleição, a paranóia feroz num Deus que me teria escolhido, a mim e ao meu povo. Acabaram-se os privilégios. Todo o mundo será salvo. O novo templo é o corpo de Cristo. A essência humana, a definição do homem como tal mudou de base, o homem deve ser apresentado como um corpo novo à imitação do corpo de Cristo. O homem novo é o homem ressuscitado a partir da ressurreição de Cristo. E nós somos o corpo de Cristo a caminho.

14. - Liberte-nos o Jardineiro da “fadiga de estar sempre perante uma resposta”, sem cair na noite do imaginário, vazia de corpo e de promessa. Rompamos a noite contínua e de silêncio em que os loucos vivem. Não nos imobilize a tristeza da morte e dos ritos sem carne. A luz do ressuscitado aumente a nossa potência de agir, a força de existir na alegria porque a esperança estira o nosso desejo. Voltará o Inverno, a solidão e o medo, mas agora já podemos esperar a primavera porque “Deus respira em nós de modo tão pleno” (J. Coltrane) que até a voz se solta e a jubilatio é o vestido de carne com que fazemos a passagem.

Deixo-vos com este texto de José Augusto Mourão, op, desejando-vos boa Páscoa.

Saímos da nossa escola às 9h 15m e chegámos ao conservatório às 9h 30m.
Houve uma senhora que nos recebeu. Depois o professor Nuno mostrou-nos várias coisas sobre o cravo, o piano, o acordeão e o orgão. Sobre o piano aprendemos por exemplo que tem 88 teclas, que tem um martelo para bater nas cordas e dar som.
O acordeão dá som porque as teclas trabalham com o ar. O cravo tem uns saltitantes que beliscam as cordas e por isso nos dá o som, um som muito bonito!
O orgão, também chamado de “Rei dos Instrumentos”, também nos foi mostrado e explicado que dá som muito grave devido ao ar.
Gostamos muito da visita e recomendamos!!!

Este texto foi retirado da edição n.º 7, de Abril de 2004, da revista «Girassol», publicação trimestral dos alunos do «Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição», em Beja, da responsabilidade da turma do 4º ano.
Continue a ler »

8-04-04

Íntima Fracção de parabéns

20 anos! É obra! Parabéns ao Francisco Amaral pelo seu Íntima Fracção.

É onde estaremos no próximo dia 15 de Abril a convite do Arte Pública.

Estreia na Casa da Cultura de Beja, pelas 21,30 horas, com autoria e encenação de Gisela Cañamero.
Aconselhamos visita ao sítio do Arte Pública para ver ficha técnica, donde retiramos o texto que passamos a reproduzir:

DEBAIXO DO CÉU é um espectáculo para todos, indicado para a família se deslocar em conjunto ao teatro.

Inspirado pelo universo dos contos orientais e tendo como referência a filosofia do Tao, DEBAIXO DO CÉU apresenta-se como um espectáculo de teatro musical que é também uma viagem iniciática para crianças e jovens.

Este espectáculo conta a história de Angelina e António - sujeitos de duas realidades muito diferentes que se hão-de encontrar como António e… António. Dois jovens adolescentes que se cruzam com um velho sábio que “sabe tudo o que se encontra debaixo do céu”.

Iniciam assim uma viagem pelo maravilhoso - seja ele fantástico ou terrífico - onde é possível realizar o sonho, iludir a força dos ignorantes e poderosos, descodificar mistérios, resolver situações problemáticas numa aventura que vai fortalecendo o sentimento de irmandade entre os dois jovens, atravessada pela descoberta de conceitos e reflexões que irão alicerçar o início de uma filosofia de vida, de auto-conhecimento e de inter-relacionamento.

A não perder, evidentemente, havendo espectáculos durante a tarde para as crianças podendo fazer o “dois”, “três”, “quatro” ou os que forem em “UM”!

No último Diário do Alentejo, Gisela Cañamero, em jeito de crónica, fala de teatro, evidencia o Arte Pública, ou não fosse a sua directora artística, dedicando ainda umas linhas ao Pax Julia e ao recém nomeado director artístico, José Filipe Murteira. Atente-se:

Conheço, na pessoa do director artístico agora nomeado, a sensibilidade para ouvir os criadores, o esforço de auto-formação nesta área de intervenção, a capacidade reflexiva e intelectual para delinear filosofias programáticas e estratégias de execução.
Por Beja, e pelos cidadãos que a habitam - mas também pelo país que não queremos ver mais adiado - desejo-lhe, com sincero optimismo, a inspiração e a energia necessárias à tarefa.
Por ela - a árdua e cheia de responsabilidades terefa da Programação - por ele - director artístico - e também por todos nós - os beneficiários de um Teatro que queremos dinâmico e contemporâneo, impõe-se a pergunta:
- qual o modelo de gestão previsto para o Teatro Pax Julia?

As palavras da directora artística do Arte Pública compreendem-se, aceitam-se e ajustam-se, mas antes da programação, antes de uma direcção artística, antes até de um modelo de gestão (que muito bem questiona), coloca-se inevitavelmente a antecâmara, o preâmbulo, o “totem”, a questão prima de qualquer projecto - o «para quem» e «para quê»! Depois, muito depois, o como - a chamada gestão e programação.

E a reflexão sobre o objecto de um projecto não pode colocar-se nas mãos de uma só pessoa (é desumano), nem de meia-dúzia e muito menos de um “escol”! Há que criar um grupo de reflexão onde possa contribuir a chamada sociedade civil ou, se preferirem, aqueles que podem, alheios a interesses particulares e pessoais, ajudar os decisores a equacionar as hipóteses de solução.

Ainda resta, pelos vistos só para mim, e sem a mínima intenção de menosprezar José Filipe Murteira, a incapacidade de, perante o modelo apresentado, um funcionário da Câmara conseguir erguer a sua voz junto da respectiva vereação da cultura, que no caso de Beja é acumulada pelo próprio Presidente, para negociar a favor do Pax Julia um modelo de gestão ou tão-só o orçamento anual!

Não é a pessoa de José Filipe Murteira que para mim está ou esteve em causa! Antes o que sobre os seus ombros colocaram, sem rebuço nem tibieza, impedindo-o, mais uma vez, de iniciar com a dignidade que lhe assiste, um projecto cultutral de relevância inequívoca que, tal como Gisela, não pode ser mais adiado!

«A hiperficção é hoje um dos meus mais intensos labores, mas os textos para música litúrgica, a homilética, a investigação na área da cultura ocupam boa parte dos meus dias. O meu maior prazer vem daquilo que partilho com quem se preocupa com as coisas deste mundo e do outro que não vemos. Não perder o anel, esse é o desígnio. O resto é literatura.»

diz José Augusto Mourão no seu sítio cibernético de apresentação.

Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa lança, amanhã, mais um livro, «O Fulgor é Móvel», dedicado a Maria Gabriela Llansol, no Auditório do Instituto Camões, na Rua Rodrigues Sampaio, 113, juntamente com Annabela Rita que lança «Breves & Longas no País das Maravilhas», ambos editados pela Roma Editora e apresentados por Eduardo Lourenço e Casimiro de Brito.

José Augusto Mourão é uma das minhas refeências no que diz respeito à semiótica e teoria da comunicação, estando aqui e aqui disponíveis alguns dos textos que já editou.

A quem interessar conhecer melhor José Augusto Mourão deixo esta entrevista conduzida pelo Triplov.