Ainda o Pax Julia | Ideias Soltas

Ainda o Pax Julia


No último Diário do Alentejo, Gisela Cañamero, em jeito de crónica, fala de teatro, evidencia o Arte Pública, ou não fosse a sua directora artística, dedicando ainda umas linhas ao Pax Julia e ao recém nomeado director artístico, José Filipe Murteira. Atente-se:

Conheço, na pessoa do director artístico agora nomeado, a sensibilidade para ouvir os criadores, o esforço de auto-formação nesta área de intervenção, a capacidade reflexiva e intelectual para delinear filosofias programáticas e estratégias de execução.
Por Beja, e pelos cidadãos que a habitam - mas também pelo país que não queremos ver mais adiado - desejo-lhe, com sincero optimismo, a inspiração e a energia necessárias à tarefa.
Por ela - a árdua e cheia de responsabilidades terefa da Programação - por ele - director artístico - e também por todos nós - os beneficiários de um Teatro que queremos dinâmico e contemporâneo, impõe-se a pergunta:
- qual o modelo de gestão previsto para o Teatro Pax Julia?

As palavras da directora artística do Arte Pública compreendem-se, aceitam-se e ajustam-se, mas antes da programação, antes de uma direcção artística, antes até de um modelo de gestão (que muito bem questiona), coloca-se inevitavelmente a antecâmara, o preâmbulo, o “totem”, a questão prima de qualquer projecto - o «para quem» e «para quê»! Depois, muito depois, o como - a chamada gestão e programação.

E a reflexão sobre o objecto de um projecto não pode colocar-se nas mãos de uma só pessoa (é desumano), nem de meia-dúzia e muito menos de um “escol”! Há que criar um grupo de reflexão onde possa contribuir a chamada sociedade civil ou, se preferirem, aqueles que podem, alheios a interesses particulares e pessoais, ajudar os decisores a equacionar as hipóteses de solução.

Ainda resta, pelos vistos só para mim, e sem a mínima intenção de menosprezar José Filipe Murteira, a incapacidade de, perante o modelo apresentado, um funcionário da Câmara conseguir erguer a sua voz junto da respectiva vereação da cultura, que no caso de Beja é acumulada pelo próprio Presidente, para negociar a favor do Pax Julia um modelo de gestão ou tão-só o orçamento anual!

Não é a pessoa de José Filipe Murteira que para mim está ou esteve em causa! Antes o que sobre os seus ombros colocaram, sem rebuço nem tibieza, impedindo-o, mais uma vez, de iniciar com a dignidade que lhe assiste, um projecto cultutral de relevância inequívoca que, tal como Gisela, não pode ser mais adiado!


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