O texto que ontem escrevi sobre a perda que a Casa da Música sofreu com a demissão de Fausto Neves motivou a recepção de alguns emails, em geral de pessoas bastante preocupadas com o desenvolvimento daquele projecto, que aproveito para agradecer, 3 dos quais manifestando alguma perplexidade no que respeita ao que disse sobre o “deserto” de competências nacionais no que concerne à Educação Artística. Com efeito, relido o que escrevi, poderei ter sido menos assertivo no que pretendia transmitir. Reproduzo para melhor se entender:

(…) Para mais, esse conhecimento, “Know how”, não é coisa que se estude, é assunto que a sabedoria advém proporcionalmente aos anos de exercício efectivo, num país em que a didáctica e o desenvolvimento curricular das artes em geral e da música, em particular, é um deserto. Um deserto de competências, mas também legislativo e organizacional (atente-se que Portugal não tem um único mestre, pós-graduado ou doutor, em educação artística!)

Ora, o que eu queria dizer é exactamente o que escrevi, i.e., não há em Portugal um único especialista académico em Educação Artística. Entenda-se, por favor, no ramo das Ciências da Educação, no desenvolvimento curricular e didáctica específica da arte e não, como parece terem alguns leitores entendido, no ensino da música, da dança, do teatro, das artes em geral. Neste particular, Portugal, apesar dos muitos contratempos e do desinteresse pela instituição de uma política educativa que incorpore a educação artística em equidade curricular com os demais ramos do conhecimento, deu um salto qualitativo notável, em especial à custa dos nossos músicos “estrangeirados”, aqueles que após a conclusão dos seus cursos foram beber por essa Europa fora os conhecimentos e a vivência artística que o nosso país não conseguia nem consegue proporcionar.
Espero que, feito esclarecimento, não restem dúvidas quanto ao que pretendi, e só, exprimir.


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Uma Resposta to “Casa da Música – esclarecimento”

Comentários (1)
  1. Só em Portugal é que se concebe que se pretenda educação integral dos jovens com base em ‘chachadas’ feitas em cartolina…

    Um abraço,
    Francisco Nunes

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