O Orlando, no Letras com Garfos II, insurge-se contra blogues (ver post integral) que não têm sistema de comentários, dizendo:
A verdade é que a Razão é dialógica e não devem existir excluídos da discussão, todos os argumentos devem ser tomados em consideração. E o que fazem alguns dos mais reputados bloggers da nossa praça? Fecham a discussão, negam comentários aos seus artigos; assim, ‘matam dois coelhos com uma só cajadada’: impõem a sua verdade tentando tirar partido do relativo baixo nível cultural da nossa sociedade, e impossibilitam que estratos da sociedade mais esclarecidos possam argumentar diversamente no blogue. E o mais perverso, ‘habituam’ por imposição subliminar e tácita, o leitor comum a não pensar. A esses, recomendo que voltem às páginas pessoais estáticas do Terravista ou ao Geocities, porque estão manifestamente fora do contexto da ética do discurso moderno. Já!
Nesta sua entrada comentei:
Julgo ter percebido o alcance do post e, é facto, que alguns autores entendem não ter de publicar comentários ao que escreveram. Alguns até, acabam por publicar extensas epístolas de leitores seus, mas o que daqui advém é que existe uma “censura” prévia.
No entanto, um blogue é um espaço de liberdade individual por excelência, onde o autor deve ser livre de o construir como lhe aprouver.
E é em defesa deste último princípio que, apesar de entender o alcance, me inclino a defender os direitos de autor de cada blogue, respeitando o que cada um quiser fazer do seu espaço.
ao que o Orlando respondeu:
O conceito de blogue, desde a sua criação, prevê a interactiviadde entre o leitor e o autor. Arriscaria um número : noventa e nove por cento dos blogues americanos (onde nasceu a ideia do Web Log original – vulgo Blog) permitem essa interactividade EM TEMPO REAL; quando esta não existe, não é um blogue no conceito genuino e primeiro, mas uma página pessoal normal, como tantas outras. Ninguém põe em causa a liberdade pessoal de cada um; o que se põe em causa é que pessoas utilizem um conceito bem definido e o adulterem em função de interesses pessoais. Portanto, quando um autor tem uma página na internet sem interactividade com os seus leitores em tempo real, “filtrando” eventuais “feed-backs” e censurando opiniões diferentes e lhe chama de BLOGUE, só pode estar a brincar com a nossa inteligência.
Ora, perante a insistência do Orlando na prima “pureza” do conceito de blogue ao qual, repito, não sou completamente alheio, em especial se atendermos que muitos dos blogues portugueses que não têm sistema de comentários são de de autores mediaticamente conhecidos, podendo induzir que o fazem ou por protecção da sua imagem ou por sentimento de superioridade intelectual, não posso deixar de manter que, ainda assim, não me parece sensato limitar a liberdade de cada qual em fazer do seu blogue o que bem entender e muito menos tentar obrigar seja quem for a optar pela modalidade blogue ou página pessoal. Por outro lado, com o sistema de ‘trackbacks’ ou com a ajuda do ‘Technorati’ a interactividade não é posta em causa – pode-se, tal como o faço no presente momento, interagir de blogue para blogue sem termos de nos ater a um sistema de comentários (perder-se-á um pouco do “tempo real” que fala o Orlando).
Dir-me-ão que os comentários obrigarão mais os autores a responder aos seus comentadores, mas isso é uma questão subjectiva, tão subjectiva como deixar cartas ou emails sem resposta ou publicar no blogue as epístolas que muito bem se entender sem critério se anunciar. É um direito que assiste aos autores deste novo meio de comunicação, meio este que pelo seu carácter pessoal e livre não tem de se sujeitar a regras de outros meios de comunicação sob pena, aí sim, de o desvirtuar completamente.
A única hipótese é não lermos o que não nos interessa e/ou denunciar o que nos indigna. Obrigar outros a fazer o que não desejam, mesmo entendendo que por vezes cometem incorrecções, não me parece ser caminho que nos mantenha no nível de liberdade essencial para que um blogue seja blogue.
ps: sugiro, ainda, sobre este assunto a leitura do texto do Rogério Santos no Indústrias Culturais, sob o título Sociabilidade através da Internet.
Tags: Reflexões
6 Respostas to “Blogue sem comentários = Página Pessoal?”
Pedimos desculpa mas os comentários estão encerrados de momento.






















Carlos, esta é de facto uma discussão um pouco bizantina… mas inclino-me a concordar com o Orlando…
um abraço,
Francisco Nunes
Se defacto este espaço se destina em princípio à
discussão de pontos de vista como é possível essa mesma discussão se o acesso ao comentário é vedado e o seu autor apenas permite quem o pretenda através de mensagem, não faz efectivamente sentido nenhum. Por outro lado o caricato da questão é que esses mesmos autores por vezes vão comentar nos blogues em que o comentário é possível.
Não posso estar mais de acordo com os comentários anteriores. Até poderia estar em desacordo – que não é o caso…este é o encanto da democracia: estar ou não de acordo, sempre com possibilidade do exercício da LIBERDADE DE EXPRESSÃO!
O blogue é um espaço de discussão se o autor quiser. O blogue pode ser um registo diário dos pensamentos do autor, registo esse que é disponibilizado a quem o quiser ler (e não mais que isso).
Eu pessoalmente gosto de comentários e tenho pena quando os blogues não permitem comentar, mas não critíco a opção.
Quando leio um livro ou um artigo de jornal (em papel) não existem sistemas de comentários. Idem para os programas de televisão (infelizmente).
Em todo o caso, acredito que tudo deveria TENDENCIALMENTE ter sistema de comentários (um pouco à semelhança do que acontece com os livros de reclamações nas instituições públicas)
E coitadas da televisões se assim fosse… Creio que ficavam entupidas com comentários!
Caro CAA, mantenho a mesma opinião