Conforme aqui tinha dito, a pressa de Miguel Relvas em acabar o mapa da descentralização era o convite para secretário-geral do PSD. Ele sabia que só teria até ao Congresso do seu partido para “demostrar” aos orgãos de comunicação social que tinha deixado obra. Publique-se o novo mapa administrativo, sufragado ou não, publique sem mas e rapidinho!
Mas porquê Miguel Relvas?
Disse-o a 14 de Maio. Recordo:
«(…) Miguel Relvas terá um perfil muito mais adequado para ocupar o cargo de Secretário-Geral do PSD do que para as funções governativas que ora desempenha e que, pelo facto de ter corrido o país de lés a lés, contactando com centenas de autarcas, poderá muito mesmo ser o homem que melhor conhece e domina as bases e o aparelho do PSD.»
Com efeito, o PSD vive já há uns anos na era pós-barões. Estes esfumaram-se, desapareceram, recolheram-se na sua privacidade e não parece estarem muito interessados no actual convívio partidário. Preferem demarcar-se, marcando apenas presença no Conselho Nacional, uma espécie de vitrina do seu glorioso passado. A verdade é que o PSD não pode mais contar com os nomes de figuras de relevo para captar votos e muito menos para desempenhar funções em campanhas eleitorais.
O governo é mau, a bancada parlamentar é péssima e os barões parecem até ter alguma vergonha de aparecer. Se aparecem é para dizer que o rei vai nu – Miguel Veiga, José Miguel Júdice, Filipe Meneses, Ângelo Correia, António Pinto Leite – ou quando aparecem, nos 30 anos ou no Congresso, é para falar do glorioso passado, nomeadamente de Sá Carneiro – Pinto Balsemão, Cavaco Silva.
Durão Barroso encontra-se muito afastado da elite pensante do seu partido e esta não parece dar sinais de reaproximação, mesmo com o rebuçado de travar, para já, a candidatura de Santana Lopes às Presidenciais!
Nestas circunstâncias, Durão Barroso atalhou caminho. Disse adeus aos barões e apoia-se numa estratégia populista de captação directa do eleitorado e do controlo das bases do partido. Estranhei, na altura não induzi, os rasgados elogios (que sempre foram tímidos) a Alberto João Jardim por parte do Primeiro-Ministro, de José Luís Arnault, de Morais Sarmento e, ainda ontem, de Pedro Santana Lopes mas tudo parece fazer agora sentido com a nomeação de Miguel Relvas.
O PSD irá importar o estilo Alberto João para o Continente, i.e., de um populismo muito próximo e irreverente, aliado a um controlo muito apertado na transmissão das mensagens da cúpula. O Governo é mau, a recessão está para durar e o que é preciso é “animar a malta”, trabalhar estrategicamente a comunicação.
É neste contexto que se compreendem as palavras de agradecimento a José Luís Arnault (obrigado e adeus) e se entrega o partido o Miguel Relvas, o jovem desinibido que melhor conhece as bases, capaz de dizer só o que o interessa dizer e o que Morais Sarmento mandar (de facto o único que parece ter um pensamento estratégico), calar alguns opositores nem que seja berrando mais alto!
Por muito que me custe a admitir parece uma estratégia adequada face à oposição existente e ao calendário eleitoral. As Europeias vão ser taco a taco e mesmo que o PSD as perca não porá em causa a legitimidade da governação devido à extensa abstenção. Mas as autárquicas é que vão ser a doer (Durão Barroso não esquece o que aconteceu a Guterres e sabe que até lá não haverá retoma que o sustente) e as Leis-Quadro da putativa “descentralização”, decalcadas da Lei de 91 que formou as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, é que vão pesar na balança. Quem conhecer estas Leis rapidamente se aperceberá que lá nada está inscrito sobre descentralização propriamente dita, limitando-se a enunciar algumas áreas que o governo poderá ou não negociar com as futuras áreas administrativas, reservando-se o direito de negociar o que que bem entender e melhor jeito fizer. Mais uma vez, Miguel Relvas é o homem, o que pôs as Leis cá fora, o que por elas deu a cara e o que através delas se encontra em melhor posição para servir de intermediário a essa futura negociação entre o Governo e as Áreas administrativas, negociação essa que subnstanciará o montante do orçamento do Estado a ser transferido para cada uma.
De facto, Durão Barroso salta por cima das Europeias e começa a trabalhar no que o poderá afectar – as Autárquicas. E, se o PSD ganhar as Autárquicas, os hipotéticos candidatos à Presidência ficarão reféns dessa vitória de Durão Barroso. Será ele a decidir quem será o candidato do PSD!
Por outro lado, o Bloco de Esquerda é o único Partido da oposição que tem verdadeiramente incomodado o Governo, conseguindo levar atrás dele o PS e até o PC. O Bloco tem sido a inspiração da oposição, sendo que para o combater partidariamente Miguel Relvas tem o perfil, mais uma vez, indicado – não tem “papas na língua”, tem sempre argumentos para o inexplicável e berra tão alto quanto necessário for!.
Para nosso mal, para quem está na política partidária o que interessa é o acesso ou a manutenção do poder e, neste particular, Durão Barroso foi o primeiro a jogar e forte – as Autárquicas são o momento de aferição de forças!
Tags: Política
Uma Resposta to “PSD – Estragégia para a “Batalha das Batalhas””
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Pelo que me apercebi pelas imagens do encerramento do congresso não era visivel qualquer entusiasmo por parte dos congressistas
captados pelas câmaras de televisão o que me leva a pensar que embora a moção do lider tenha sido aprovada quase por unânimidade, nem eles próprios acreditam nela.