O sucesso do “Euro 2004″ parece ter invertido ou escondido o intenso e algo mudo sofrimento das pessoas perante as dificuldades financeiras que se vêm intensificando. O endividamento das famílias é (ou era?) o melhor índice para aferir o aperto em que se vive.
Alguém dizia (que me desculpe o autor, mas não me lembro quem foi) que quem fala de crise é quem não a sente na pele enquanto que a esmagadora maioria que a sente está muda de incerteza e medo.
É compreensível, a insegurança faz-nos mais humildes e quiçá solidários mas, ainda assim, que pensar destes novos números que indicam que 40% da população mundial vive com menos de 400 dólares por ano! Menos de 80 contos!
O sofrimento não pode ser medido por estatísticas – dá mais sofrimento a consciência de que nos é sonegado algo que estava incorporado nas nossas rotinas do que o sonho de ter o que nunca se teve. Mas é este individualismo, diria até, egocentrismo que nos arreda da consciência as condições sub-humanas em que vive metade da população mundial.
Não se trata de um problema de direita nem de esquerda (aliás como nenhum outro, um problema é exactamente isso, um problema, a sua equação e tentativa de soluções ou ausência delas é que poderão ser estigmatizadas), nem de liberalismo ou socil-democracia, trata-se da manutenção de riqueza entre poucos e um enorme caixote de lixo dos mesmos!
A depressão e a tardia retoma são penosas, a ausência de solidariedade para com os nossos semelhantes mais carenciados é criminosa!
Uma diferença abissal!


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