Hoje tou Food-i-do pelo atraso nos mais que devidos parabéns ao Altino!

Bálsamo

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Jul 262004

Cada vez mais me deixo enebriar pelo bálsamo de a Terapia mas, não obstante, a outra face de Anarca, mesmo constipado, também me faz falta.

Um rebuçadozito sobre uma Terapia que muito aconselho:

«(…) Em contraponto à extraordinária ausência de vertebrados no palco da vida política eis que surgem aqueles que têm vertebras muito anquilosadas já “ossificadas” e que com grande sobranceria se agitam e avançam da escuridão para a penumbra como seres puros e castos, dotados de clarividência e que em nome de imperativos ou “hitóricos” ou “éticos” ou “espirituais” se autodefinem e autoglorificam como os pastores…

Esta raça de gente deixa-me em pânico. Existem várias formas de providencialismo e conduzem à asfixia e à ditadura.»

De um amigo recebo um email sobre o seu testemunho de Carlos Paredes que transcrevo na íntegra.

«Estou ainda em Inglaterra só por mais alguns dias. Como sempre fiz enquanto cá estive fui acompanhando via net o possivel sobre Portugal. A morte de Carlos Paredes foi sem dúvida das facadas que mais doeu. É uma ferida antiga que tenho desde os doze anos, já lá vão 29.
Conheci o Carlos Paredes pela guitarra dele num velho gira-discos de uma amiga e foi como quando ouvi o Pollini a primeira vez a tocar os estudos de Chopin. O que é isto? Foi um verão inteiro a ouvir o mesmo disco, até à exaustao, de uma forma muito doentia como faco sempre que algo de genial me tira do sério.
Depois disso foi andar à procura dele e tentar perceber onde se escondia. Nunca me entrou na cabeca como era possivel Portugal passar ao lado do maior dos maiores compositores e instrumentistas que tivémos. Que temos. Vim um dia a saber que ele trabalhava num arquivo de um Hospital de Lisboa.
A fazer o quê?
Até que o conheci num daqueles acasos, raros, que acontecem na vida. Fui convidado para ajudar o Quico a fazer o som de um concerto dele ao vivo no Carlos Alberto. Foi das experiências de que nunca vou esquecer. Ele passou a tarde a tocar e eu a tremer. Qual mago qualquer nota que lhe saía da guitarra era um grito, um lamento, uma alegria, um abismo. Era absolutamente insuportável. Depois no concerto além do musico, fiz a viagem do Homem, do Pedagogo, daquele saber simples e profundo que me colou à cadeira durante quase 3 horas, numa sala repleta de gente absolutamente atónita. Ele tocou o pai, o tio, tocou-se a ele, improvisou sobre quadros e slides e atirou às urtigas todas as minhas ideias sobre a genialidade. Aquilo era outra coisa, algo tão proximo, tão profundo que ainda hoje não consigo explicar.
E Portugal? Não o ouviu? Não o viu? Um país a precisar tanto mas tanto de algo como ele não o abraçou enquanto pode tocar?
Porquê?
Nunca irei descobrir a resposta. Mas a ferida continua aberta.
Um dia, quando fui tocar a Macau com os Ban, estava numa esplanada e ouvi uma voz chamar o meu nome. Virei-me e era ele, a chamar-me, só para me cumprimentar. Fiquei a gaguejar. Lembrava-se de mim 6 anos depois.
Era de facto alguem especial.
Fico com a música dele para sempre e com a eterna vergonha do Portugal que teima em não ouvir, não ver, nao querer saber de nada que envergonhe a mediocridade instalada!
Nunca vou esquecer aquela figura a fugir das luzes do palco com o público em pé a gritar bravos.

Um abraco

Ricardo Serrano»

A mensagem de Carlos Paredes une as pessoas em vez de as dividir.

João de Freitas Branco

Era sempre assim! Um homenzinho, alto, seco de carnes, com um fato que lhe parecia mais pendurado que vestido, sempre encostado à parede mais distante dos camarins, olhos postos no chão como a pedir desculpa por ali estar, meio escondido por detrás dos arranjos de flores que íam depositando entre abraços efusivos de “bravo�, “divinal� e por aí adiante, deixando-se sempre ficar para último para, aproximando-se em passos hesitantes, dizer, “desculpa, Manuela, eu não deveria ter vindo aqui, mas não resisti a dizer-lhe que mais uma vez me ajudou a viver (…)�. Era um homenzinho que minha Mãe teimava em dizer que era o melhor músico português vivo e que eu não via. Não percebia como é que alguém assim tão importante podia apresentar-se sempre tão .. coitadinho!
Ainda de calções fui ouvindo os discos proibidos e não percebia porque é que se proibiria ouvir “Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar (…)â€?. Era absurdo, o que é que aquilo tinha de mal? Meus Pais diziam-me que eu não devia fazer aquelas perguntas – era proibido, acabou! Ouvíamos em casa e nem uma palavra lá fora. E quando o Carlos lá jantasse ou pernoitasse, nem uma palavra a ninguém. Nem sobre ele nem sobre o Graça! Bom, eu não percebia mas cumpria e aquele secretismo conferia-me algum orgulho e importância, claro está!

Em 1972, em Moscovo, minha Mãe apresenta o Carlos a dois amigos, Khatchaturian e Schostakovitch, como um dos melhores músicos que conhecia e um exímio executante de guitarra portuguesa. Não sabia onde se havia de enfiar, amarfanhado só pela presença daqueles músicos que ele tanto apreciava e eles, para seu espanto, não desistiam de o incentivar a tanger a sua guitarra. O serão durou quase até ao amanhecer com o Carlos e a guitarra (ou eram um só?) e lágrimas emudecidas entre as quais as do Graça e de Khatchaturian!

Mais tarde, em 1986, em Paris, o Carlos fora convidado para fazer a primeira parte de um espectáculo dos Trovante. A casa estava cheia e a ovação era arrepiante! Por detrás do palco a irritação era crescente “agora é que o velhinho deveria sair para nós entrarmos; esta malta não está para ouvir esta música de velhos!” O Carlos saiu, fizeram-lhe sinal! Ele pediu desculpa, que não tinha dado conta do tempo passar. Entraram os Trovante! O público pediu o regresso do Carlos ao palco. Ele apareceu, sem a guitarra, agradeceu e pediu para serem mais gentis com os Trovante pois eram a melhor banda portuguesa do momento e saíu.
Ao serão, na casa onde eu estava, o Carlos tocou, tocou para gáudio de alguns amigos meus, solistas do Ensemble Intercontemporain, que não compreenderam como era possível alguém tocar fosse que instrumento fosse da forma que o Carlos o fazia. Ele não tocava, diziam, ele fazia com que a guitarra falasse, sentisse e se emocionasse, tal como nós, as pessoas!

Hoje não morreu apenas o Carlos Paredes, morreu um dos Homens mais bons que alguma vez conheci! Muitas lições deixa, a maior, talvez, a força e a dignidade que o amor confere a quem por amor faz.

«E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.
»

Herberto Helder

Há muita coisa para sorver demoradamente. Permitam que sugira:

1 – para quem anda agora às voltas sobre qual o significado de populismo veja-se o que escreveu Rui Curado Silva;

2 – para quem questiona se haverá políticos que manipulam resultados eleitorais e outros que o permitem veja-se o Irreflexões, o Miguel Silva, o Rui M. C. Branco, o LNT e o Francisco José Viegas que, como director da Grande Reportagem quando o assunto foi denunciado, afirma não ter recebido nenhum desmentido;

3 – por último, para quem busca o prazer da leitura através de uma escrita excepcional, por favor, o The Old Man, sob o título “O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa” que já vai no IV “capítulo”.

E, depois, depois de passear pelo The Old Man não tenho vontade de mais nada escrever. Por hoje!

Jul 222004

O Improvisos ao Sul lembra e bem que amanhã, dia 23 de Julho pelas 22:30h,

Bernardo Sassetti

apresenta-se em Monsaraz, no contexto do Museu Aberto com Carlos Barreto e Alexandre Frazão.
Imperdível, naturalmente.

O guarda-redes titular da Selecção Nacional inicia-se como autor de um livro intitulado “Diário de um Sonho”, levando Bola a escrever:

«Sentado, sozinho, com uma caneta na mão e uma folha de papel em branco pousada na mesa. É esta a imagem do escritor solitário, que o guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional experimentou e lhe avivou a memória de casos passados.»

Ainda segundo a mesma fonte, Ricardo explica que levou a mal que um seu colega tivesse dito que a titularidade se ganha nos treinos (isto é lá coisa que se diga…!) e que o que lhe corre mal é causado por forças sobrenaturais.
Referindo-se aos orgãos de comunicação social disse ainda no mesmo local:

«Por vezes sentimos que somos injustiçados mas acredito sempre na honestidade das pessoas. Acredito que olham para nós sem maldade. São apenas sentimentos que passam por nós a cada dia, desabafos

Durante o Euro, em resposta a um jornalista da RTP, Ricardo afirmou que se o seleccionador convocou os guarda-redes que convocou é porque eles são os melhores.

Entretanto, entretanto, dois dias após o lançamento do seu “Diário de um Sonho” Vitor Baía foi considerado por votação do grupo técnico da UEFA o melhor guarda-redes da Liga dos Campeões da época passada, sucedendo a Buffon.

Eu acho que o Ricardo tem razão:

1 – em estar “sentado, sozinho, com uma caneta na mão e uma folha de papel em branco”;
2 – em dizer que o que lhe corre mal é causado por forças sobrenaturais;
3 – em dizer que “Por vezes sentimos que somos injustiçados mas acredito sempre na honestidade das pessoas”;
4 – no título do seu livro, “Diário de um Sonho”.

Inserido na iniciativa “Museu Aberto” em Monsaraz, que decorre de 17 a 25 de Julho

apresenta-se amanhã, pelas 22 horas, acompanhado por Denys Stetsenko em violino, Lucio Studer em violeta, Marco Pereira no violoncelo e Vicky na percussão.
Pela qualidade de todos os músicos presentes trata-se de um concerto a não perder.

Ao Klepsýdra pelo seu aniversário.

Já que o Alex parece tão entusiasmado com com A Guarda (Galiza), em especial com o Monte de Sta. Tecla (paradisíaca a vista sobre Cerveira, Caminha e Moledo), um lugar que todos os anos faço questão de visitar e de me demorar, aconselho um salto a Pontevedra até ao dia 31 de Julho.
É que está a decorrer, na Casa de Campás, uma das mais ricas exposições de instrumentos tradicionais galegos, nomeadamento aerofones e idiofones, levada a cabo por Pablo Carpinteiro, músico, insvestigador e detentor de uma das mais vastas colecções de Gaitas-de-Fole galegas, instrumento estreitamente ligado à música tradicional portuguesa.
Aqui fica a sugestão para o Alex se iniciar no mundo da Gaita. Pode começar por aqui.