Hoje tou Food-i-do pelo atraso nos mais que devidos parabéns ao Altino!
Arquivo: Julho, 2004
Cada vez mais me deixo enebriar pelo bálsamo de a Terapia mas, não obstante, a outra face de Anarca, mesmo constipado, também me faz falta.
Um rebuçadozito sobre uma Terapia que muito aconselho:
«(…) Em contraponto à extraordinária ausência de vertebrados no palco da vida política eis que surgem aqueles que têm vertebras muito anquilosadas já “ossificadas” e que com grande sobranceria se agitam e avançam da escuridão para a penumbra como seres puros e castos, dotados de clarividência e que em nome de imperativos ou “hitóricos” ou “éticos” ou “espirituais” se autodefinem e autoglorificam como os pastores…
Esta raça de gente deixa-me em pânico. Existem várias formas de providencialismo e conduzem à asfixia e à ditadura.»
De um amigo recebo um email sobre o seu testemunho de Carlos Paredes que transcrevo na íntegra.
«Estou ainda em Inglaterra só por mais alguns dias. Como sempre fiz enquanto cá estive fui acompanhando via net o possivel sobre Portugal. A morte de Carlos Paredes foi sem dúvida das facadas que mais doeu. É uma ferida antiga que tenho desde os doze anos, já lá vão 29.
Conheci o Carlos Paredes pela guitarra dele num velho gira-discos de uma amiga e foi como quando ouvi o Pollini a primeira vez a tocar os estudos de Chopin. O que é isto? Foi um verão inteiro a ouvir o mesmo disco, até à exaustao, de uma forma muito doentia como faco sempre que algo de genial me tira do sério.
Depois disso foi andar à procura dele e tentar perceber onde se escondia. Nunca me entrou na cabeca como era possivel Portugal passar ao lado do maior dos maiores compositores e instrumentistas que tivémos. Que temos. Vim um dia a saber que ele trabalhava num arquivo de um Hospital de Lisboa.
A fazer o quê?
Até que o conheci num daqueles acasos, raros, que acontecem na vida. Fui convidado para ajudar o Quico a fazer o som de um concerto dele ao vivo no Carlos Alberto. Foi das experiências de que nunca vou esquecer. Ele passou a tarde a tocar e eu a tremer. Qual mago qualquer nota que lhe saía da guitarra era um grito, um lamento, uma alegria, um abismo. Era absolutamente insuportável. Depois no concerto além do musico, fiz a viagem do Homem, do Pedagogo, daquele saber simples e profundo que me colou à cadeira durante quase 3 horas, numa sala repleta de gente absolutamente atónita. Ele tocou o pai, o tio, tocou-se a ele, improvisou sobre quadros e slides e atirou às urtigas todas as minhas ideias sobre a genialidade. Aquilo era outra coisa, algo tão proximo, tão profundo que ainda hoje não consigo explicar.
E Portugal? Não o ouviu? Não o viu? Um país a precisar tanto mas tanto de algo como ele não o abraçou enquanto pode tocar?
Porquê?
Nunca irei descobrir a resposta. Mas a ferida continua aberta.
Um dia, quando fui tocar a Macau com os Ban, estava numa esplanada e ouvi uma voz chamar o meu nome. Virei-me e era ele, a chamar-me, só para me cumprimentar. Fiquei a gaguejar. Lembrava-se de mim 6 anos depois.
Era de facto alguem especial.
Fico com a música dele para sempre e com a eterna vergonha do Portugal que teima em não ouvir, não ver, nao querer saber de nada que envergonhe a mediocridade instalada!
Nunca vou esquecer aquela figura a fugir das luzes do palco com o público em pé a gritar bravos.
Um abraco
Ricardo Serrano»

João de Freitas Branco
Era sempre assim! Um homenzinho, alto, seco de carnes, com um fato que lhe parecia mais pendurado que vestido, sempre encostado à parede mais distante dos camarins, olhos postos no chão como a pedir desculpa por ali estar, meio escondido por detrás dos arranjos de flores que Ãam depositando entre abraços efusivos de “bravoâ€?, “divinalâ€? e por aà adiante, deixando-se sempre ficar para último para, aproximando-se em passos hesitantes, dizer, “desculpa, Manuela, eu não deveria ter vindo aqui, mas não resisti a dizer-lhe que mais uma vez me ajudou a viver (…)â€?. Era um homenzinho que minha Mãe teimava em dizer que era o melhor músico português vivo e que eu não via. Não percebia como é que alguém assim tão importante podia apresentar-se sempre tão .. coitadinho!
Ainda de calções fui ouvindo os discos proibidos e não percebia porque é que se proibiria ouvir “Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar (…)â€?. Era absurdo, o que é que aquilo tinha de mal? Meus Pais diziam-me que eu não devia fazer aquelas perguntas - era proibido, acabou! OuvÃamos em casa e nem uma palavra lá fora. E quando o Carlos lá jantasse ou pernoitasse, nem uma palavra a ninguém. Nem sobre ele nem sobre o Graça! Bom, eu não percebia mas cumpria e aquele secretismo conferia-me algum orgulho e importância, claro está!
Em 1972, em Moscovo, minha Mãe apresenta o Carlos a dois amigos, Khatchaturian e Schostakovitch, como um dos melhores músicos que conhecia e um exímio executante de guitarra portuguesa. Não sabia onde se havia de enfiar, amarfanhado só pela presença daqueles músicos que ele tanto apreciava e eles, para seu espanto, não desistiam de o incentivar a tanger a sua guitarra. O serão durou quase até ao amanhecer com o Carlos e a guitarra (ou eram um só?) e lágrimas emudecidas entre as quais as do Graça e de Khatchaturian!
Mais tarde, em 1986, em Paris, o Carlos fora convidado para fazer a primeira parte de um espectáculo dos Trovante. A casa estava cheia e a ovação era arrepiante! Por detrás do palco a irritação era crescente “agora é que o velhinho deveria sair para nós entrarmos; esta malta não está para ouvir esta música de velhos!” O Carlos saiu, fizeram-lhe sinal! Ele pediu desculpa, que não tinha dado conta do tempo passar. Entraram os Trovante! O público pediu o regresso do Carlos ao palco. Ele apareceu, sem a guitarra, agradeceu e pediu para serem mais gentis com os Trovante pois eram a melhor banda portuguesa do momento e saíu.
Ao serão, na casa onde eu estava, o Carlos tocou, tocou para gáudio de alguns amigos meus, solistas do Ensemble Intercontemporain, que não compreenderam como era possível alguém tocar fosse que instrumento fosse da forma que o Carlos o fazia. Ele não tocava, diziam, ele fazia com que a guitarra falasse, sentisse e se emocionasse, tal como nós, as pessoas!
Hoje não morreu apenas o Carlos Paredes, morreu um dos Homens mais bons que alguma vez conheci! Muitas lições deixa, a maior, talvez, a força e a dignidade que o amor confere a quem por amor faz.
«E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.»
Herberto Helder
Há muita coisa para sorver demoradamente. Permitam que sugira:
1 - para quem anda agora às voltas sobre qual o significado de populismo veja-se o que escreveu Rui Curado Silva;
2 - para quem questiona se haverá políticos que manipulam resultados eleitorais e outros que o permitem veja-se o Irreflexões, o Miguel Silva, o Rui M. C. Branco, o LNT e o Francisco José Viegas que, como director da Grande Reportagem quando o assunto foi denunciado, afirma não ter recebido nenhum desmentido;
3 - por último, para quem busca o prazer da leitura através de uma escrita excepcional, por favor, o The Old Man, sob o título “O Céu é Azul e Veludo Cor-de-Rosa” que já vai no IV “capítulo”.
E, depois, depois de passear pelo The Old Man não tenho vontade de mais nada escrever. Por hoje!
O Improvisos ao Sul lembra e bem que amanhã, dia 23 de Julho pelas 22:30h,
apresenta-se em Monsaraz, no contexto do Museu Aberto com Carlos Barreto e Alexandre Frazão.
Imperdível, naturalmente.
O guarda-redes titular da Selecção Nacional inicia-se como autor de um livro intitulado “Diário de um Sonho”, levando Bola a escrever:
«Sentado, sozinho, com uma caneta na mão e uma folha de papel em branco pousada na mesa. É esta a imagem do escritor solitário, que o guarda-redes do Sporting e da Selecção Nacional experimentou e lhe avivou a memória de casos passados.»
Ainda segundo a mesma fonte, Ricardo explica que levou a mal que um seu colega tivesse dito que a titularidade se ganha nos treinos (isto é lá coisa que se diga…!) e que o que lhe corre mal é causado por forças sobrenaturais.
Referindo-se aos orgãos de comunicação social disse ainda no mesmo local:
«Por vezes sentimos que somos injustiçados mas acredito sempre na honestidade das pessoas. Acredito que olham para nós sem maldade. São apenas sentimentos que passam por nós a cada dia, desabafos.»
Durante o Euro, em resposta a um jornalista da RTP, Ricardo afirmou que se o seleccionador convocou os guarda-redes que convocou é porque eles são os melhores.
Entretanto, entretanto, dois dias após o lançamento do seu “Diário de um Sonho” Vitor Baía foi considerado por votação do grupo técnico da UEFA o melhor guarda-redes da Liga dos Campeões da época passada, sucedendo a Buffon.
Eu acho que o Ricardo tem razão:
1 - em estar “sentado, sozinho, com uma caneta na mão e uma folha de papel em branco”;
2 - em dizer que o que lhe corre mal é causado por forças sobrenaturais;
3 - em dizer que “Por vezes sentimos que somos injustiçados mas acredito sempre na honestidade das pessoas”;
4 - no título do seu livro, “Diário de um Sonho”.


apresenta-se amanhã, pelas 22 horas, acompanhado por Denys Stetsenko em violino, Lucio Studer em violeta, Marco Pereira no violoncelo e Vicky na percussão.
Pela qualidade de todos os músicos presentes trata-se de um concerto a não perder.
Já que o Alex parece tão entusiasmado com com A Guarda (Galiza), em especial com o Monte de Sta. Tecla (paradisíaca a vista sobre Cerveira, Caminha e Moledo), um lugar que todos os anos faço questão de visitar e de me demorar, aconselho um salto a Pontevedra até ao dia 31 de Julho.
É que está a decorrer, na Casa de Campás, uma das mais ricas exposições de instrumentos tradicionais galegos, nomeadamento aerofones e idiofones, levada a cabo por Pablo Carpinteiro, músico, insvestigador e detentor de uma das mais vastas colecções de Gaitas-de-Fole galegas, instrumento estreitamente ligado à música tradicional portuguesa.
Aqui fica a sugestão para o Alex se iniciar no mundo da Gaita. Pode começar por aqui.
De 20 a 22 de Outubro realizar-se-á na Reitoria da Universidade de Lisboa um Congresso Internacional sob o tema INQUISIÇÃO PORTUGUESA: TEMPO, RAZÃO E CIRCUNSTÂNCIA.
A organização é do Instituto S. Tomás de Aquino, do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa e do Centro de Estudos de Cultura Brasil Europa.
Para mais informações, ver site específico.
O interesse deste Congresso está para mim assegurado pela qualidade dos conferencistas e, em especial, por entre esses investigadores encontrarmos judeus e seus descendentes e dominicanos, os quais promovem a organizam o evento.
A ver se é desta vez que se avança, de forma independente, sobre o estudo deste período negro da nossa história bem como a da Igreja Católica.
Sobre este assunto o José Flávio deixou nos comentários do que aqui escrevi duas sugestões de links que faço quetão em apresentar devidamente: Náufrágios e Oeste Bravio.
Desde os anos 80 que o “culto da juventude” tem vindo a alastrar-se nas democracias ocidentais com o fundamento de que será a idade o factor de rejuvenescimento intelectual de uma sociedade. Ora nada de mais errado. É precisamente a idade que nos afasta da postura de “patos bravos” ou se preferirem de “garnizés” através não só de uma sociabilidade crescente mas, principalmente, de um mais adequado enquadramento dos factos, obra de um enriquecimento cultural que só os anos nos conferem.
A este propósito destaco um texto excelente de Francisco José Viegas, sob o título «JUVENTUDE» do qual deixo um pequeno excerto para aguçar a curiosidade de o lerem na íntegra:
O José Flávio Teixeira no Ma-Schamba e o Alexandre Monteiro no Arame tinham abordado a questão da pilhagem do património sub-aquático.
Para meu espanto, porque desconhecia, o Alexandre indigna-se novamente com a escolha de dois novos ministros que segundo ele estiveram ou estão ligados a esse escândalo!
Podem e devem ler os links na íntegra (embora o de José Flávio já não o cace), mas não resisto a transcrever o que o Alexandre escreveu no Arame:
os mesmos Rui Gomes da Silva, ex(?)-advogado do caçador de tesouros Robert Marx e a ex(?)-presidente da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, associada à empresa de caça ao tesouro Arqueonautas, SA, que anda a leiloar o património subaquático de Cabo Verde e de Moçambique????»
Ora aqui fica patente a preocupação deste governo com os “assuntos do mar”! Estão bem entregues!
No próximo dia 22 de Julho pelas 21:30h, no Teatro Gil Vicente, estreia “…von Fremden Ländler…“, uma obra para piano e orquestra encomendada pelo Festival Internacional de Música de Coimbra a António Pinho Vargas, interpretada pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Yu Feng com Anna Kaasa ao piano.
E assim vai andando a nossa música, alheia às nossas distraccões mais mediáticas.
Ao Piotr, assim assina no seu Anarca Constipado e, já agora, à Terapia onde, há cerca de um mês e tal, também vai escrevinhando sob o mesmo pseudónimo.
Um pouco por todo o lado temos lamentado o “adeuas” do José Flávio Teixeira, mas permitam destacar o que o Isidoro de Machede escreveu, aqui, no seu Alentejanando.
O Conselho de Administração da Associação de Municípios do Baixo Alentejo (AMDB) vem agora dizer, no Diário do Alentejo de hoje, que «vai propor aos 18 municípios a sua conversão em Comunidade Intermunicipal de Fins Gerais de modo a regularizar a situação jurídico-funcional da AMDB.»
Estes senhores, depois de terem colocado todos os funcionários da AMDB numa situação de ilegalidade, depois de terem dito que não havia problema algum com isso (como denunciei aqui e aqui), vêm dar o dito por não dito e reconhecer o mal que levianamente, em nome de joguinhos partidários muito mesquinhos do PS e do PSD, fizeram a tanta gente. E, ainda assim, conseguirão esses senhores demonstrar que os funcionários não perderam tempo de serviço com as suas jogatinas?
Quem conseguirá parar esta constelação de … idiotice que teima em não se arredar das posições de poder que os partidos da região lhes confere?
Querem vencer o PCP, caros senhores do PS e do PSD? É fácil! Basta baterem-nos nas urnas e fazer melhor trabalho! Não queiram ganhar na secretaria pois se já poucos vos dão crédito que fará com estas jogatinas!
Mas, até nisso os senhores mostram graves lacunas. O PS sempre teve dificuldade em encontrar candidatos à Presidência da Câmara de Beja enquanto a derrota era certa. Agora que ela é mais que previsível parecem nascer do nada.
Ainda, a propósito de um encontro a semana passada na Biblioteca Municipal sobre o POLIS, uma amiga confidenciou-me que rapidamente contou 4 garnizés engalfinhados a perfilarem-se!
Tenham vergonha!
Recebi algumas mensagens de amigos que estranhavam o facto de eu ter sido irónico com (nas suas palavras) a atitude honrada de Pacheco Pereira.
Ora, vamos lá por partes: primeiro não ironizei sobre o facto de Pacheco Pereira ter renunciado ao cargo na UNESCO, quando muito à tardia recusa; por outro lado, disse e repeti que tinha feito bem, não havendo aqui ironia; por último, a haver ironia e há, é pelo facto de ter lido e relido muitas pessoas que até muito estimo a dar os parabéns a Pacheco Pereira como se o que fez devesse ser passível de nota!
Mas até compreendo! Estas atitudes começam a ser as excepções quando deveriam ser uma regra de conduta pessoal e social em todas as dimensões da vida humana. Como já não são, quando nos apercebemos estamos a dar notícia do vulgo e não das condutas abjectas que nos circundam diariamente. Só isto.
Ouvi ontem a entrevista de José Sócrates à Judite de Sousa e algumas reportagens do seu anúncio a candidato e de tudo o que ouvi ficaram-me duas questões:
1 - Perante a sua afirmação de que devido à inclusão de Bagão Félix do PP como Ministro das Finanças o novo governo virou à direita pergunto, e o PS, para onde o quer virar?
2 - O que é que pretende dizer com “uma esquerda democrática moderna”? Não será assim uma espécie de “governo do sec. XXI”?
Bom, apesar destas interrogações o que ficou bem claro para mim é que:
1 - Sócrates é o representante do aparelho construído por Guterres e mantido por Jorge Coelho e Francisco Assis, exactamente aquele que já triturou Vitor Constâncio, Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e, ultimamente, António Vitorino.
2 - é espantoso, para mais não dizer, que todos os que freneticamente lançaram para a comunicação social o seu desejo de uma candidatura de António Vitorino estivessem na primeira linha de apoio a José Sócrates!
Pacheco Pereira deixa o cargo de Embaixador de Portugal na UNESCO para o qual tinha sido nomeado no último Conselho de Ministros (ver aqui).
Nada de especial a dizer, mas acho que fez bem. Aliás não seria de esperar outra coisa depois do que ontem se passou (já não me lembro se ontem ou se já há 15 dias).
Mas, fez bem porque, talvez, de repente, se tenha lembrado do que Cavaco Silva fez a Maria de Lourdes Pintasilso.
Ou talvez não. Mas fez bem.
Falta agora saber se também levará com um forçado colante de fugitivo como quiseram impingir a Ferro Rodrigues!
Na caricatura que ontem lancei sobre quem poderiam ser os ministros das finanças, dos negócios estrangeiros e da cultura, levado pela ilusão de que Santana Lopes poderia ter dificuldade em angariar “pesos pesados” para o futuro governo.
Grosseiro erro meu. Bagão Félix e António Monteiro aí estão para me obrigar, no mínimo, a pensar mais antes de escrever.
São dois nomes irrecusáveis para o Presidente da República pois encarnam, na justa medida, o que este exigiu - a continuidade das políticas de Durão Barroso. É que, apesar de muito se ter dito e escrito sobre alguns ministros três houveram que, para mim, marcaram este governo - Finanças, Trabalho e Segurança Social e Saúde. Manuela Ferreira Leite pela pasta mais mediática, os outros por serem exemplares na aplicação do ideário neo-liberal, i.e., a entrega de sectores sociais chave à agiotagem da “finantia” internacional através da desintegração da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde. Estes ministros não fizeram bem aos portugueses, mas fizeram bem feito o que pretendiam fazer.
Daí que, para o futuro, o governo de Durão Barroso ficará na história muito mais pelo fim do Estado Social que refundou a Europa do pós-guerra e que a diferenciou identitariamente dos EEUU, do que pelo trabalho de Manuela Ferreira Leite - a diferença entre o estrutural e o conjuntural.
Deste ponto de vista ninguém melhor que Bagão Félix para assegurar a tal continuidade de políticas pedida por Jorge Sampaio. Logo a seguir a Durão Barroso, o ministro do Trabalho e da Segurança Social foi incontestavelmente quem maior marca deixou.
Mas este não foi o meu único erro. De facto, não me passou pela cabeça que Santana Lopes se deixasse aprisionar pelo seu rival Durão Barroso, deixando a este as despesas encapotadas de formar o novo governo! Quem senão ele conseguiria convencer António Monteiro a aceitar os Negócios Estrangeiros (daqui por dois anos, no máximo, em Bruxelas?) e Bagão Félix a continuar, ainda para mais numa área que nunca foi o seu forte, as finanças públicas?
Este Santana Lopes é totalmente novo para mim. Nunca pensei ver Santana Lopes refém fosse de quem fosse quanto mais completamente emparedado por Jorge Sampaio e Durão Barroso!
Todos os dias aprendemos…
Ele há dias como os outros e outros que um pouco menos. Hoje, após mais uma noite que não desceu dos 23º, recebo uma prenda da blogosfera que, se mais não fora, faz-me acreditar que vale a pena andar por aqui.
Trata-se deste “post” do Rui Branco, no Adufe, um exemplo de excelência de análise e da arte de bem escrever.
Obrigado, Rui.
É hoje, segundo o Paulo Gorjão, que Santana Lopes vai apresentar os deveres para correcção ao Sr. Presidente da República.
Consta, no entanto, que este terá pedido para levar tudo a lápis pois poder-se-ia safar em vez de rasurar para não estragar a pintura!
De qualquer das formas depois passa-se tudo a limpo.
nota: até à hora do fecho desta edição, não conseguimos apurar se deixará já o rascunho do programa do governo para análise prévia.
António Vitorino era o supra, o inquestionável, aquele que por ele todos renunciariam.
3 minutos depois é um presunçoso que acha que o país não o merece!
Porquê?
Porque disse que tem de cumprir até ao fim o trabalho de que foi incumbido?
Porque disse que o PS se deveria abrir à sociedade civil?
Porque disse que o PS deverá dar lugar a novas gerações (subentendi arrumar de vez com os controladores do aparelho)?
Porque disse que depois de concluir as funções que lhe estão confiadas estará disponível para o PS para o que a nova liderança entender que ele possa ser útil?
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Andam por aí a escrever, os arautos da desgraça de sempre, que Santana Lopes estará com dificuldade em arranjar pessoas competentes para assumir Ministérios.
Esta de enquanto um homem trabalha outros mandarem bitaites é característico da mediocridade que assola este país!
Parem, basta de tanta irresponsabilidade!
De certeza que tanto o Luís Delgado como o Vasco Rato, se forem convidados, aceitarão!
Só não vê isto quem não quiser ver, porra!
Após Jorge Sampaio ter insistido e caucionado o prosseguimento das políticas iniciadas pelo “Fugitivo II” não se compreende porque é que o PSD não equacionou o Major Valentim Loureiro para 1º Ministro?
Onde se mete sai obra e é de uma eficácia sem paralelo!
Cá para mim deve haver mais uma inconcebível perseguição ao Sr. Major.
Está tudo como d’ antes!
Via Anarca em texto que aconselho, chego à notícia da renúncia de António Vitorino (ver aqui)).
E agora, senhores “politicológicos”?
Ferro era mau (diz-se), não tinha perfil (também se dizia), mas quem acham que poderia ter (e quem serei eu para negar) viu bem com o que se teria de haver, lendo certamente o que foram fazendo a Ferro Rodrigues e a todos os honrados que foram desfilando!
O que mais me incomoda é a capacidade destes “politocológicos” da direita à esquerda em queimar sucessivamente quem deveriam, com pudor, resguardar.
Os aparelhos tomaram conta dos partidos e quem de facto tem obra feita ou evidente capacidade para a erguer foge a sete pés desta gentinha, com letra muito, muito, miudinha!
Ficarão os Assis e os Relvas para vocências se entreterem, um futuro auspicioso em todo o seu esplendor!
Chegou-me aos ouvidos que em consequência da descentralização e da contenção de despesas o Ministério da Segurança Social ficaria sediado na sede da “Seguros e Pensões” do BCP/MIllenium.
É boato, certamente. Ele há cada uma!










