Esquecemo-nos com facilidade (ou negamos?) que, apesar destes crises, somos uma minoria egoísta e abjecta. Arrogantes da nossa superioridade de condição de vida, escamoteamos que ela é privilégio da explorarão “ad nauseum” de uma esmagadora maioria que nasce, cresce e morre sem viver.
Vem isto a propósito de um pedido do Nuno Guerreiro para nos insurgirmos contra o genocídio de Darfur (que já tinha abordado). Vem a propósito do que o José Flávio vem denunciando, a total ausência de cooperação (assunto com o qual me solidareizei). Vem a propósito da SIDA que engole sem qualquer controlo as vidas na África sub-saariana e Ásia, 7 milhões de novos infectados por ano (já falei). Vem a propósito …, vem a propósito de tudo o que não atrai investidores devido à inexistência de lucro imediato! E, se não dá lucro imediato, não existe, é excedentário ao sistema.
Com efeito, as antigas críticas ao capitalismo sobre a exploração de mão-de-obra barata estão a tornar-se obsoletas ( parece que os sindicatos ainda não deram conta) devido a esta sua nova face, a do capital sem rosto, que se alimenta a si próprio, invade qualquer “modelo” de sociedade, ditadura que seja, e despreza o Homem, não precisa mais dele, considera-o um excedentário.
Ao capital o que interessa é comprar hoje, seja empresa de pregos, sapatos, de alta tecnologia ou banco, para vender amanhã com mais-valias (desculpem, valor acrescentado era o que pretendia dizer, é mais bonitinho), cagando-se para o “know how” específico de cada empreendimento, afastando assim, cada vez mais, a qualidade de prestação de serviços ou produtos manucfaturados do consumidor final.
Não mais às reparações. Deite fora! Jogue no lixo! É mais barato substituir por um novo.
Faça lixo e jogue-o no mundo!
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Bufar Belinhas
Atrasados, aí vão os parabéns para o Irreflexões.





















