A propósito do que Vasco Garrido escreveu aqui no Crítico, senti necessidade de me indignar neste texto ao que o próprio Vasco Garrido já teve ocasião de esclarecer (ver).
No entretanto, o Henrique, amigo já de outros “bailes” e primo autor do Crítico veio em defesa do Vasco, tendo interpretado o que eu escrevera de uma forma diversa da que eu pretendia (ver).
Ora como não há necessidade de mal-entendidos destes aqui vai o meu esclarecimento.
Diz o Henrique:
«Critica o “Ideias Soltas” Vasco Garrido por este escrever 60 linhas sem conteúdo, mas a crítica de Ideias Soltas é feita sem fundamentação, sem exemplos, sem desmontar o texto do Vasco. Não é assim que se critica um texto. Se não gostou do que leu, caro Carlos Araújo Alves, diga porquê. Provavelmente porque Vasco Garrido tem razão e o amigo não gostou…»
Ora, meu amigo, como o próprio Vasco Garrido já esclareceu, tratou-se de um texto de humor (nas suas palavras) nada havendo a fundamentar se texto de crítica não foi! Até poderei ver agora algum humor, mas a forma não foi a mais feliz pois, ao não pretender menosprezar os compositores portugueses daquele área (conforme esclarece), o que sobressai é necessariamente um desinteresse generalizado pela mesma. Ora, não se pede e muito menos se obriga ninguém a alterar as suas preferências musicais, elas são do íntimo de cada qual, mas por que diabo é que se não se é sensível a determinada manifestação artística se escreve sobre ela? É que, como em outros domínios, a qualidade dos criadores e das suas obras não é uniforme, sendo que no género da música electroacústica e electrónica temos compositores com nome firme e reconhecido internacionalmente e que por cá não é sequer uma obra executada não fora o Festival Música Viva, como por exemplo Isabel Soveral ou João Rafael, para não citar mais.
Bom, como o Vasco Garrido já esclareceu o que entendeu ser necessário, julgo nada ter mais a acrescentar a este assunto, colocando um ponto final.
O Henrique mostrou-se consternado mais adiante:
«Critica-se no “Ideias Soltas” este blogue e eu próprio em particular, sem fundamentação alguma, por não fazer “crítica isenta”, quando aqui nunca se fez outra coisa: crítica isenta e livre, deliberadamente livre e franca. Essa observação é incompreensível, vinda de alguém que estimo muito e que conheço e não pode deixar de ficar registado e marcada.
(…)
É que é esse o trunfo deste blog: a isenção. Não pertencer a lobbies, não estar dependente do “meio musical” para o sustento e ganha pão. O ser independente de amiguismos e de intrigas. O ser totalmente indiferente à opinião e à vaidade dos medíocres e afins.»
Foi aqui que me doeu. Doeu pelo facto de o Henrique ter interpretado o que eu de modo algum pretendi dizer. Relembro o que escrevi que motivou este mal-entendido:
«Mas aconteceu e aconteceu num dos blogues meus preferidos, no Crítico, onde o Henrique Silveira desde início me habituou a escritos não isentos, mas sérios, inteligentes e sentidos.»
E reafirmo, Henrique. É que em lugar algum escrevi ou disse que o Henrique Silveira não tinha uma escrita independente. Independente, séria, inteligente e sentida, completo o que tinha escrito. Agora isenta é que não! Isento, Henrique ninguém é, felizmente. Ora, sem sair da música, pelo facto de sermos mais sensíveis a determinado género ou época, por exemplo, faz com que seja impossível a isenção quando ouvimos ou criticamos o que não somos tão sensíveis. Isto é claro, natural, humano, verdadeiro tanto para ti, como para mim como todos os demais (que pensam e são sensíveis).
Assim, peço que releves este mal-entendido enquanto tal, pois parece que se ambos relermos o que dissémos rapidamente constatamos que nenhum de nós pretendeu ofender ou tão-só zurzir argumentação contraditória.
Fica então o almoço, o das Gaitas no Fundão já não poderá ser, mas não faltará ocasião!
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