O Miguel Silva escreveu uma reflexão sobre o que poderá vir a ser o PS com esta vitória esmagadora de Sócrates em texto que recomendo, donde transcrevo:

«Na realidade, o espaço de relevo que a esquerda do PS vai ocupar dentro do partido vai depender muito da vontade da nova direcção. Se Sócrates fechar as portas, a esquerda do PS fica em stand by, à espera de melhores dias

Tenho algumas dúvidas sobre a liberdade de Sócrates, Miguel. É que a julgar pelos resultados e pela posição assumida pela totalidade do aparelho (sobre os aparelhos e quem serão os militantes anónimos de hoje, ver excelente texto do Francisco Nunes em respsota a Pacheco Pereira), dá-me ideia de que Sócrates pouco poderá decidir que não vá de encontro ao que os seus apoiantes, ou melhor, aos de Jorge Coelho e Francisco Assis, desejarem.
Poderíamos ainda pensar que Sócrates poderá agora, arredado o fantasma de uma facção, adoptar ideias e soluções preconisadas pelas outras candidaturas sem necessitar de lhes prestar vassalagem.
É certo, para mim, que Sócrates navegará à bolina das sondagens, mas o que parece evidente é que este resultado, apesar de produto do aparelho, confere ao eleito um poder legítimo muito superior ao somatório de todos os “bonecos” do aparelho! Ele tem margem para prescindir daqueles em que não confia, daqueles que poderão ser desprezíveis eleitoralmente e até adoptar posições mais próximas daquelas que o grupo de Manuel Alegre defendeu.
Até às autárquicas não haverá grandes ondas – todos serão precisos – mas não estranharei se, após essa consulta, não ousará o próprio líder afrontar o aparelho que o elegeu, a exemplo do que no passado fez Sá Carneiro e Soares.
Tem margem de poder para tal e só dessa forma evitará permanecer onde nenhum líder gosta de estar – refém de um aparelho que outros dominam e manietam.
A ver vamos.


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3 Respostas to “O PS com Sócrates”

Comentários (3)
  1. GIN diz:

    O que me preocupa é que o espaço que o PS tradicionalmente tem assumido desapareceu. Não vejo que possa assumir esse espaço. O aparelho, as benesses, as compras e vendas de poderes está instalada e dificilmente se foge a isso.
    É lamentável

  2. Concordo com a Gin e não me parece mesmo pela leitura do post que possa acalentar esperanças de que o PS com esta liderança se assuma alguma vez como um partido de esquerda como se afirma ser. Está mais que provado que o centralismo político que foi adoptado desde que Mário Soares resolveu engavetar o socialismo e isso é cada vez mais uma realidade. Pessoalmente nem sequer o benefício da dúvida concedo a esta liderança. De resto já começam a aparecer os primeiros sinais de que aqueles militantes ditos de esquerda que se encontram em lugares de destaque vão ser imediatamente substituídos. E começa já pelo José Seguro e outros se lhe seguirão.

  3. Pode ser que tenhas razão.
    Mas também pode ficar refém de uma mole de interesses tão grande, tão grande que não tenha por onde ‘rabiar’.

    Um abraço,
    Francisco Nunes

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