Este post do Albardeiro suscitou-me agumas dúvidas, não relativamente à constatação do poder dos media na formação de identidade, mas nas formulações enunciadas.
Para o bem e para o mal, Albardeiro, os processos de formação de identidade(s) estão não nos média em geral, mas na televisão, retirando à escola e mesmo aos pais a posição dominante que neste assunto durante séculos detiveram. Com efeito, mais de 70% dos valores que estão a formar os jovens são os que lhes advêm pela “caixa mágica”. (a este propósito ver “El Llibre Blanc: L’ Educació en L’Entorn Audiovisual” estudo realizado e publicado pelo Conseil de L’ Audiovisual de Catalunya”)
Com efeito, são muito poucos os valores que os pais e a escola transmitem e são assimilados pelos adolescentes e pelos jovens se não tiverem uma correspondência nos audiovisuais.
O que me parece exigível (já o defendi por aqui e por onde me vão permitindo) é reequacionar o que é “Serviço Público” Audiovisual (conceito aparentemente tão difícil de precisar) e legislar no sentido de o enquadrar, definitivamente, num projecto de educação e veiculação de cultura.
Ora, isto só será possível quando a Cultura, a Educação e o Audiovisual dependerem de uma só tutela que lhes permita criar um grupo de trabalho para estudar a melhor forma de enquadrarem harmoniosamente um projecto desta envergadura.
O que tenho como certo é que sem o audiovisual a trabalhar conjuntamente com as escolas, estas pouco êxito obterão junto dos seus alunos, para além do ensino puramente técnico.


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2 Respostas to “A Formação da Identidade”

Comentários (2)
  1. Albardeiro diz:

    De facto, não tenho qualquer desacordo com as dúvidas que também explanou.Aliás, já escrevi algumas coisas sobre a necessidade de conciliar os Média/TI (escola/universidade/sociedade/educadores/meio familiar, etc). Se me permite, embora sendo “escritas” já datados, sugiro:
    CAEIRO, Domingos Alves - 1996; “Imagem, experiência visual e educação�, in O Estudo da História, Nº1, Abril,

    - 1996; “Notas para a mediatização do discurso didáctico em História�, in Actas do Congresso Combates pela História, Funchal.

    - 1997; Meios e Métodos para a Mediatização do Discurso Didáctico, Lisboa , A.P.H.

    - 1997; “Tecnologia, Educação e Cultura: a Revolução da Sociedade Contemporânea�, in O Estudo da História, Nº2, Agosto.
    - 1998; “A Sociedade Comunicacional: uma releitura da Crítica da Comunicação�, in O Estudo da História, Nº3, Dezembro.
    - 1999; “Cinema e História: imagem e educação�, in Boletim do Centro de Formação de professores “Pêro de Alenquer�, Janeiro/Março.

    Desculpe o atrevimento mas reafirmo que concordo consigo quanto a estas questões.

  2. carlos a.a. diz:

    Atrevimento? Ora, estimado Albardeiro, eu é que estou muito agradecido pela informação que aqui presta, em especial, alguma bibliografia que desconhecia.
    O meu muito obrigado.

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