ou

Casa da Música um nado-morto

Os folhetins da Casa da Música vão-se sucedendo sem parança desde a chegada de Rui Rio à Câmara Municipal do Porto. Ou antes ainda, aquando da sua campanha eleitoral cujo marketing montado tratou de diarimante denegrir a imagem daquele projecto, per si, ou enquadrado na “Porto 2001″.
Certo é que mal chega ao poder Rui Rio consegue afastar a administração de Pedro Burmester que em muito, tempo e dinheiro, inflaccionou o projectado, nomeando uma administração com 2 comparsas e, claro, Pedro Burmester pois não tinha à época arcaboiço para o afastar definitivamente.
Pouco tempo decorrido Pedro Burmester vem para os jornais dizer que batia com a porta porque aquela administração queria aumentar a volumetria do espaço administrativo em prejuízo dos camarins, esquecendo-se que o inicial projecto, o de sua lavra, se tinha também esquecido de alguns pormenores, como sejam um fosso de orquestra e locais adequados para arrecadação de equipamento cénico.
Rui Rio sai em defesa da sua administração e desanca Pedro Burmester na praça pública, i.e., o ódio contido vem para a praça pública, não o andamento do projecto, as causas dos sucessivos adiamentos, o disparar do investimento, não a falta de profissionalismo de quem projectou, apenas e tão-só o veneno particular e pessoal.
Entra em cena sem por dele se dar conta o tal Ministro do qual se habituaram a dizer mal, por discreto, Pedro Roseta, tomando a decisão mais sensata – nomeia um administrador com experiência mais do que comprovada de seriedade e competência, Manuel Alves Monteiro.
Na “mouche”, nem Rui Rio nem Pedro Burmester puderam inviabilizar o nome, mas Rui Rio consegue ainda impor o seu veto ao nome de Pedro Burmester para o Conselho de Administração.
Alves Monteiro, que só aceitou a incumbência com o pressuposto de não aceitar pressões externas, chama Pedro Burmester para seu assessor directo e pessoal, na sua única dependência e deita mãos ao trabalho:
1 – estudar um modelo de gestão que assegurasse o regular financiamento da Casa da Música;
2 – fazer um ponto de situação sobre o cumprimento do projectado – atraso, desvios e investimento necessário;
3 – anunciar uma data credível para a abertura da Casa da Música;
4 – tratar da programação para os dois primeiros anos de funcionamento
5 – pedir auditorias ao Tribunal de Contas sobre todas as administrações, incluindo a sua, que passaram pela Casa da Música.
Há pessoas, mesmo com cargos de gestão da coisa pública, que não entendem que a melhor forma de gerir é de mão dada com a entidade reguladora e competente que assegure conhecer, por um lado, o ponto de situação de cada momento e, por outro, os desvios de que o próprio possa incorrer sem disso se aperceber.
Foi o caso de Rui Rio que se sentiu despeitado por ser pedida auditoria à administração dos seus meninos.
É curioso que Rui Rio condenou na praça pública a “Porto 2001″ e a administração de Pedro Burmester sem nunca recorrer ou esperar pelos resultados de auditorias do Tribunal de Contas.
Mais curioso foi o inesperado anúncio, após conhecer o pedido das auditorias, de que a Câmara não daria nem mais um tostão para a Casa da Música.concomitantemente Rui Rio sensibiliza o PSD para não viabilizar de imediato as soluções apresentadas na Assembleia da República por Alves Monteiro, levando-o (supomos nós) à sua demissão, soluções que, por acaso, “hélas”, correspondiam na íntegra às exigidas no Relatório Final do Tribunal de Contas e que ainda se mantêm! Ou seja, mantêm-se até ao final do dia de hoje. A partir de hoje, precisamente às 00:00h de amanhã a Casa da Música encontrar-se-á novamente em incumprimento legal sobre o modelo de financiamento e a forma institucional a adoptar!!!

Hilariante, Alves Monteiro em 8 meses reorganizou todo o projecto, calendarizou-o ao mínimo detalhe, apresentou a solução para modelo de gestão institucional mais adequado e agora, a nova administração, novamente composta por meninos de mão do Dr. Rui Rio, nada disse até ao momento nem sequer apresentou o que Alves Monteiro deixou pronto.
É inacreditável que a Sra. Ministra da Cultura tenha adiado para 5 de Novembro pronunciar-se sobre tal assunto! Adiar porquê, se contas rigorosamente feitas, a anterior administração provou serem necessários 12,5 milhões de euros anuais para o orçamento da Casa da Música e no PIDDAC deste ano só lá vemos 4.676 milhões?
Isto é uma vergonha, a Casa da Música é um nado-morto porque o Sr. Presidente da Câmara do Porto assim o quer, ou seja, ou manda directa ou por interposta pessoa, ou boicota sistematicamente o projecto!
É pena, também, que Pedro Burmester não tenha compreendido o alcance das medidas de Alves Monteiro e que o tenha abandonado a meio do percurso só porque não foi o eleito para director-artístico. Pedro Burmester teria um papel muito mais importante a desenvolver se não não se tivesse deixado enredar na teia das politiquices ruianas. Pedro Burmester provou, assim espero, a si próprio, não ter experiência bastante para liderar um projecto desta envergadura e ficou-lhe muito mal vir mais uma vez para os jornais mal-dizer de Alves Monteiro, o único, afinal, que pôs a Casa em ordem e que, por isso mesmo, lhe tiraram o tapete.
É por tudo isto, talvez, que o director artístico da Casa da Música, Withworth-Jones, em entrevista ao Jornal de Notícias de ontem a propósito do aniversário do “Remix Ensemble”:

« (…) Depende. Às vezes pode ser normal. Habitualmente, os programadores são revelados com mais antecedência. Mas Portugal é um país diferente, não é?
(…)

Tenho opinião sobre o modo como devem funcionar – e, concretamente, como funcionam -, as instituições culturais no Reino Unido. Mas não tenho conhecimento suficiente sobre o modo como funcionam aqui. Estou a começar a entender como funcionam as instituições culturais no vosso país (risos)
(…)
De qualquer maneira , o anterior presidente continuava a encorajar-me a programar, programar, programar – coisa que eu fiz. Infelizmente, ele saiu. E agora temos um novo presidente. E temos um novo ministro da cultura. E tudo mudou. E não posso dizer mais nada …
(…)
Obviamente ele é uma figura inspiradora (Pedro Burmester). Sem ele a Casa da Música não estaria a acontecer.
(…)
A programação tem de ser séria – isto é uma instituição nacional, não é uma casa comercial»

Para bom entendor metade destas palavras chegariam. Chegariam para perceber que ou a Casa da Música será totalmente dominada por Rui Rio ou este prefere dar o nado como morto!
E, já agora, qual a razão do silêncio do Mandatário para a eleição de Rui Rio à Câmara do Porto sobre estes sucessivos abusos de poder – José Pacheco Pereira?

Por razão

Ideias Soltas Comentários Desligados
Out 282004

de ordem estrictamente pessoal não tenho podido actualizar estas Ideias Soltas.
Apesar desta posta ser algo descabida optei por colocá-la para evitar interpretações distorcidas que poderiam advir do facto de deixar esposta a anterior posta por mais tempo.
Até muito breve.

Recorrente e mediático tema este o de saber quais as diferenças entre orgãos de comunicação e os blogues!
Eu também não sei bem, ou sei, os jornalistas têm um código deontológico, determinadas linhas editoriais enquanto os blogues têm por única regra o cumprimento da lei.
Por outro lado, ouvi muito boa gente dizer afirmar que a influência da comunicação social na blogosfera é real enquanto que o contrário não será tão evidente.
Será assim?
Que dizer desta notícia da Rádio Pax datada de hoje e do que aqui publicamos há 2 dias?
Quem viola quem? Quem se nega a citar fontes? A evidência é que não existe uma relação biunívoca, e é triste! É triste que à “classe jornalística”, em geral, possam ser assacadas este tipo de condutas, embora possa ser benéfico para o incremento do “chico espertismo”, tão em voga nos dias que correm!

Há dias um blogue que costumo visitar, mas que não cito por uma questão de pudor para com a sua autora, prestava homenagem às rádios locais de Beja (homenagem com a qual me solidarizei), adiantando que elas davam voz aos actores políticos da região. O resultado, tal como lá comentei, está à vista, afinal os actores são tão-só aquela meia-dúzia que tem filiação partidária!

Afirmações do líder da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista retiradas da Rádio Pax:

«Os Projectos previstos para o aeródromo de Évora podem comprometer o futuro Aeroporto de Beja, entende Luís Ameixa. Confrontado com as declarações do presidente da Câmara de Évora, o presidente da Federação Socialista do Baixo Alentejo entende que Beja não tem uma voz política forte.»

Quererá com isto dizer que tudo está mal porque a Associação de Municípios do Distrito de Beja não optou pela constituição de uma ComUrb do Baixo Alentejo e Alentejo litoral, assunto com o qual parece andar obcecado? Quererá o Sr. Dr. Luís Pita Ameixa dizer que se isso tivesse acontecido o Baixo Alentejo seria hoje um oásis?

Ora, ora, serão questões que ficam para o próprio, se bem entender, esclarecer, mas o que está em questão, e que seria muito bem visto o pedido de uma investigação independente do Tribunal de Contas e talvez até da Procuradoria Geral da República à EDAB S.A., é esclarecer, entre outras coisas, quais as razões que terão levado empresa Skylander, fabricante de aviões ligeiros de passageiros de cerca de 19 lugares, a desistir do pedido que fez à EDAB, para se instalar em Beja e optar por Évora onde existe um pequeno aeródromo!
A fuga não esclarecida deste negócio traduz-se, apenas, na perda de cerca de 650 novos postos de trabalho para a região! (ver notícia do Diário Digital de hoje)
Considerará o Sr. Dr. Luís Pita Ameixa que a razão estará ligada à falta de “uma voz política forte”? Francamente!
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Vmar deslinda mistério

Ironias Comentários Desligados
Out 252004

Finalmente fez-se luz, o Vmar descobre o mistério da causa da redução do IVA das fraldas!
Ora leiam!

Foi recentemente anunciada a distribuição de verbas do PIDDAC 2005 mostrando ser um inusitado atentado contra o Baixo Alentejo, nomeadamente o distrito de Beja. (fonte: (fonte: Jornal de Notícias de 23/X/2004)
As palavras de Luís Arnaut eram já premonitórias do caldo que se anda a engendrar desde o início de 2003. (fonte: Portugal Diário de 9 de Outubro):

Há a preocupação de assegurar que Portugal não perca um cêntimo, um euro, de fundos estruturais”, sublinhou o ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração do novo edifício da Câmara de Carregal do Sal.

A centralização do PIDDAC nas mãos de um só ministro todo-poderoso foi mais um passo na estratégia do PSD para as autárquicas de 2005 de concentração da distribuição de verbas do último quadro comunitário de apoio, o IV, que se iniciou com as Leis-Quadro 10 e 11 de 2003, da lavra do então Secretário de Estado Miguel Relvas, hoje secretário-geral do PSD, por coincidência certamente, proclamando uma descentralização sobre a qual nada conferem sobre o descentralizável, ou seja, são inteiramente omissas quanto a qualquer descentralização de decisões, antes atirando para negociações caso a caso as matérias a descentralizar, cujos textos foram transcritos da constituição de má memória das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, obrigando contudo os municípios a agruparem-se conforme entenderam em unidades com vários epípetos, de GAM a ComURB, unidades essas que se aglomerariam segundo as suas afinidades, as delas e essencialmente as dos partidos do poder, como se veio a confirmar, tudo isto com o apoio incondicional do Sr. Presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas, Presidente da Câmara de Viseu.

Integrante desta estratégia que só não chamo “cabala” por conter um sentido pejorativo anti-judaico, o Ministro Arnaut anuncia em Setembro passado a revisão da Lei das Finanças Locais, lei esta que nunca foi aplicada por nenhum governo com elevado prejuízo para os municípios (fonte: Portugal Diário de 18 de Setembro):

Ao intervir na cerimónia de assinatura da escritura pública de constituição da Grande Área Metropolitana (GAM) de Viseu, o ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional afirmou que o assunto será levado no próximo mês a Conselho de Ministros, cabendo depois à equipa apresentar a proposta no prazo de um ano.»
(…)
Segundo o governante, há um conjunto de medidas que o Governo quer adoptar e, por isso, em Novembro vai reunir com as comissões instaladoras das áreas metropolitanas e das comunidades intermunicipais para encontrarem juntos “o denominador comum das competências que podem vir a ser desenvolvidas”.»
(…)
O presidente da Câmara de Viseu e líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, disse aos jornalistas estar satisfeito com a futura actualização da Lei das Finanças Locais, alertando, no entanto, que este deve ser um trabalho feito “com muito cuidado”.
“Achamos que a nova Lei das Finanças Locais não pode ser precipitada, tem de ser feita com muito cuidado e, sobretudo, que responder aos novos problemas dos municípios”, disse.
O autarca acrescentou que “não se pode fazer uma lei como esta que existe”, que faz com que os orçamentos dos municípios sejam elaborados com base na despesa, “tem que se fazer com base na receita”, defendeu.

A crescente macrocefalia de Lisboa, exponencialmente elevada pelos governos desta coligação, tem sido denunciada por várias figuras do PS, do PC, do BE e até do PSD, como Silva Peneda no Comércio do Porto de 17 de Outubro:

(…) a macrocefalia da capital do país é cada vez mais evidente”, lembrando que na cidade Invicta, ao contrário do que acontecia há alguns anos, já não é possível encontrar o núcleo duro das grandes empresas nacionais.
A propósito, sugeriu um “acordo de regime”, envolvendo os principais partidos, a vigorar nos próximos dez anos, que permitisse a instalação em várias cidades médias de alguns institutos públicos que possibilitariam a fixação nesses centros urbanos de quadros técnicos especializados.
Silva Peneda criticou o processo de criação de Grandes Áreas Metropolitanas e Comunidades Urbanas, considerando-as “soluções fáceis e tomadas por razões conjunturais e partidárias”.
O antigo ministro defendeu, por outro lado, que os municípios não devem querer imitar o modelo de poder seguido pela administração central, sugerindo aos autarcas e aos demais agentes de desenvolvimento locais uma maior concertação de interesses, trabalhando em rede em prol do desenvolvimento.

Na mesma edição do Comércio do Porto veja-se o que disse Carlos Lage do PS:

O antigo eurodeputado do PS, Carlos Lage, também criticou o modelo de descentralização adoptado pelo anterior Governo, considerando que transformou o país numa “manta de retalhos”.
(…)
Para Carlos Lage, o executivo de Durão Barroso limitou-se a estender a todo o território o modelo que já tinha sido criado, “sem sucesso”, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, esquecendo-se de que no país mais nenhuma área urbana reúne, de facto, verdadeiras características de grandes metrópoles, com um número de habitantes superior a 500 mil e a existência de infra-estruturas de transporte como portos e aeroportos.
(…)
A terminar, sustentou que a regionalização, assente nas cinco regiões das antigas comissões de coordenação regional, devia voltar a ser objecto de discussão nacional, mas a sua eventual implementação “só fará sentido no quadro de um novo referendo.

Este embuste, está assente numa estratégia de “chicos espertos” com o objectivo de desvalorizar o multi-secular e ímpar papel que as autarquias representam em Portugal desde a sua fundação (ler Herculano) para através de arranjos de secretaria entregar o novo poder aos aparelhos do costume, do PSD e do PS, descentralizando e distribuíndo dinheiros pelos fiéis caciques, garantindo desta forma vergonhosa, de que nem Estaline ou Mussolini se lembrariam, sucessivas e estrondosas vitórias eleitorais e a perpetuação dos sequazes no poder, reféns dos dinheiritos que o poder central caridosamente lhes atribuíssem
.
Estou a ser violento? Vejam então as diferenças percentuais por distrito entre os PIDDAC 2004 e 2005
Aveiro: – 12,7
Beja: – 14
Braga: – 24,1
Bragança: – 15,2
Castelo Branco: + 26,3
Coimbra: + 35,7
Évora: + 53,5
Faro: + 8,7
Guarda: + 37,3
Leiria: + 18,4
Lisboa: + 39,4
Portalegre: + 22,8
Porto: + 39,4
Santarém: +29,4
Setúbal: – 39,7
Viana do Castelo: – 29,5
Vila Real: – 3,6
Viseu: – 2,3

Querem ver de outra forma?

Norte: + 14,9
Centro: + 4,3
Lisboa e Vale do Tejo: + 19,1
Alentejo: – 17,9
Algarve: + 8,7

Serão precisos desenhos? O Alentejo sai como grande perdedor neste PIDDAC do Sr. Arnaut, aliás, a única região do país que perde, sendo a mais carenciada, com o contraponto de um assinalável aumento para Évora que será onde pretenderão instalar, certamente, os sequazes! Por outro lado, é bom de ver que os aumentos vão direitinhos para onde o PSD terá dificuldade em manter o poder e para onde tem esperança de o alcançar!

E no entretanto o que têm feito os nosso políticos regionais? Começaram às turras, entre se esquartejar ou não o Alentejo, se esquartejassem o PS afastava o PC do poder enquanto se o não fizessem o PC continuaria a deter o poder na totalidade da região. Vai daí, o líder do PS do Baixo Alentejo, Luís Pita Ameixa, coadjuvado pelo Presidente da Associação de Municípios do Distrito de Beja, Carlos Beato, e dos autarcas do PSD puseram a votos a transformação da AMDB em ComURB com a ausência dos autarcas do PC, colocando a associação que tantos e tão bons serviços tem prestado à região na ilegalidade, bem como todos os seus funcionários! Só esta semana parece terem recuperado a sanidade ao transformarem a AMDB em Associação sem Fins Específicos, exactamente o que deveria ter sido feito desde logo.
Mas o mais curioso é que, sendo as Leis-Quadro autênticos atentados à boa gestão da coisa pública uma vez que, ao serem omissas sobre a matéria a descentralizar permitem uma promiscuidade de interesses impensável num Estado democrático, ninguém teve nem tem coragem para erguer a voz dizendo , tão simplesmente e apenas, que elas não são aceitáveis e não as cumpriremos.
Como alentejanos é a única resposta a dar ao poder central. Não há outra! Discutir se devemos esquartejar o Alentejo, instituir GAM’s ou COM’s, é manifestamente borrifar-se para os alentejanos com o intuito de buscar e deter o poder a qualquer preço!
Não deixa de ser sintomático que o Governador Civil de Beja tenha sido aconselhado pelo Primeiro-Ministro a não se candidatar à concelhia do PSD de Beja, à forma trauliteira como o santanista Raul dos Santos, Presidente da falida Câmara de Ourique, se expõe, as diversas estratégias obscuras que Pita Ameixa e seus sequazes do PS desenvolvem para tomar o poder no Distrito, a qualquer preço, mesmo que isso implique aceitar a estratégia do PSD nacional e o escandaloso PIDDAC do Sr. Arnaut, que só por coincidência foi o anterior secretário-geral do PSD e o mutismo cada vez mais acentuado do PC!
Mas, afinal, será que este corte no Alentejo é sinónimo de que o poder central tem algo contra nós? Julgo que não, julgo que seja mais grave! Com efeito a sangria demográfica que sofremos continuadamente desde os anos 80, as tais 14 cabeças diárias que não resistem ao apelo das grandes metrópoles, faz com que sejamos dispensáveis eleitoralmente e, por isso mesmo, nem sequer votados ao ostracismo, antes à indiferença!
Perdoem-me os meus amigos blogosféricos que se sentem agredidos com o meu abstencionismo assumido, mas a busca de alternativa a este Bloco Central de promiscuidades não será conseguida com mais do mesmo. Tem de ser feita com todos os que se recusarem a pactuar com as pessoas envolvidas nestas teias, com pessoas não alinhadas com partidos que esqueceram que ser político é antes do mais servir e que o poder deverá ser a consequência do bem servir.
Não desisto e incentivo a busca de alternativas, mas sempre como um não alinhado, ou seja com gente que não tenha e não se preveja que possa vir a ter a alma prostituída.

Sempre que há merda lá p’r’os lados da RTP vem logo uma chusma de iluminados defender o Serviço Público enquanto outra chusma desmancha-os quando lhes pergunta mas o qué essa coisa de Serviço Público.
Foi assim com o Arons, foi assim quando o Sarmento quis encerrar a 2 e é assim agora quando o Sarmento diz que quer mandar uns bitaites na linha editorial e na programação, só que desta vez o administrador que ele nomeou e que afinal provou que é possível ser bom gestor em empresa pública, lavrou em comunicado que quem manda é ele e, depreende-se, que se assim não for ele dirá ora passem muito bem e lá terá o governo de nomear a excelência do Cardoso e Cunha!
Mas afinal o que é Serviço público? Já ensaiei algumas vezes uma definição, mas fui agora traído pela rapidez e simplicidade do Alvino que, sob outro título Cãossiliador (não lhe levem a mal o português qu’o home é maqueiro e às vezes troca os “c’s? pelos “ss?), ilumina sobre esta matéria, faz sentido embora não tenha digo, assim alto e em tom de quem quer dizer coisas, oiça (antes de dizer coisas, bem entendido)!
Atão, Serviço Público é servir! Servir quem mais precisa, dando sem aguardar retorno financeiro, mas sim retorno em educação e cultura a médio e longo prazo.
E tudo isto, desculpem lá, em tom cãossiliador, pois então!

A propósito da liberdade de expressão que de repente virou histeria nacional como de caso insólito, extraordinário, irrepetível e pontual se tratasse, chamo a atenção para a posta da Sara Jofre no Desblogueador de Conversa.
Os comentários deixo-os para quem ler.

Carlos Pereira

Alentejo, Divulgação Comentários Desligados
Out 232004

Na 5ª feira passada o programa “Clube de Jornalistas” da 2: versava sobre o jornalismo regional com uns convidados que não fixei o nome nem tão pouco conseguiram evitar o viciante “zapping”. Retive, no entanto, com muita alegria, a peça introdutória ao referido programa que constou de uma breve entrevista a Carlos Pereira, jornalista do nosso Diário do Alentejo, profissional ainda com nome por este país afora.
Não, não estou de acordo com tudo o que o Carlos disse, mas lembro ainda com revolta, volvidos estes anos, o processo vergonhoso de saneamento político e enxovalho público de que foi alvo aquando director do Diário do Alentejo, por parte dos mandantes locais do Partido Socialista, nomeadamente do seu chefe eleito, Luís Pita Ameixa e seus mais próximos sequazes.
Nada tenho contra o actual director, o António José Brito, bem pelo contrário, mas se já tinha consideração profissional pelo Carlos Pereira, ela elevou-se exponencialmente pela forma sempre tranquila, polida e superior com que ele lidou com o enxovalho público de que foi vítima numa espúria guerrinha entre os caciques dos partidos.
Carlos Pererira continua a ser jornalista do Diário do Alentejo e continua também a demonstrar qualidade profissional e humana em tudo que vai fazendo.
Bem hajas Carlos Pereira.

Consta por aqui por estes lados que existirão dois encontros paralelos de Blogues para o dia 6 de Novembro. A confusão é tamanha que não consigo deslindar a coisa.

Não sei se é este
ou este

Como não pretendo pactuar jamais com inciativas paralelas, muito agradeceria a quem conseguisse contactar a comissão organizadora no sentido de me informar qual destes dois eventos não é paralelo afim de me poder inscrever correcta e condignamente.
Antecipadamente grato,