Sendo-me de todo impossível vir amanhã a este espaço homenagear o 1º aniversário de uma seita de blogues conhecida por “Radicais pela Ética” é minha abnegada e sincera obrigação dirigi-la hoje mesmo a esta hora tão fora de hora.
Com efeito, amanhã pela hora deste aniversário estarei em parte incerta ao abrigo da conspiração deste primeiro ano, onde estarão presentes os que já anunciaram que estarão presentes com excepção dos que por motivos de força maior não puderem cumprir o comprometido compromisso de estarem presentes.
Assim, desta forma e em consonância com os mais altos dignatários da radical seita aqui relembro os princípios que, depois de devidamente lavrados, nos uniram e cuja contínua e continuada não observância, nem na sua estendida extensão nem nas partes, nos obriga a prosseguir:
«Associação de Radicais Pela Ética – Simplicidade e Bom Senso
Os signatários propõem-se cumprir o seguinte:
Princípios éticos mínimos para um convívio saudável entre primatas, ou regras básicas para nos distinguirmos de símios, invertebrados e outros bichos:
1. Ser tratado com consideração, urbanidade e dignidade são direitos naturais e básicos dos cidadãos, independentemente do seu sexo, raça, credo, afiliação política, idade, opções clubísticas, posição social e nível de habilitações literárias, os quais os devem desenvolver, cultivar, defender e praticar;
2. Honrar a palavra, cumprir compromissos, acordos, contratos ou prazos, respeitar as leis razoáveis, os direitos e dignidade de terceiros, o ambiente natural são actividades normalíssimas e sem mérito especial por parte de quem as pratica;
3. Produzir produtos e ideias que funcionem, que salvaguardem a saúde e a integridade de quem os utiliza, prestar serviços de qualidade, com transparência e clareza são actos sociais sem nada de notável;
4. Aceitar prendas, luvas, subornos, ou compensações pelas situações anteriores constitui um acto indigno e revoltante, e solicitá-las constitui um dos actos mais baixos que nos remete para um valor abaixo de parasita intestinal;
5. Não assediar, pressionar, chantagear, oprimir estagiárias (os), secretárias (os), internos, praticantes, tirocinantes, alunos (as) ou quaisquer outros sobre quem se possui autoridade hierárquica ou funcional é de decência mínima;
6. Utilizar o sexo como mecanismo de progressão na carreira, ou como forma de obter ou conceder favores é uma prática incompreensível e que remete os que nela se envolvem para o patamar de dignidade muito abaixo do bacilo de Koch;
7. Não virar a cara em face de cunhas, feudos, compadrios, injustiças, nepotismos, discriminações intoleráveis, negligências e falta de profissionalismo, é um acto louvável;
8. Não aceitar a promoção de imbecis porque são afilhados de poderes fáticos, económicos ou outros é uma medida de higiene mental tão básica como lavar os dentes;
9. Sonegar informação é um acto de mediocridade que caracteriza quem o pratica;
10. Achar que toda a gente faz qualquer coisa de negligente, de ilegal, de laxista, de trafulhice, ou explorar lacunas das normas, como argumento para justificar o facto de praticar actos dessa natureza é um argumento miserável;
11. Não atribuir a terceiros a culpa por situações que resultam da nossa actuação intencional e livre é um acto de saúde pública essencial;
12. Não nos apropriarmos de méritos alheios é uma regra básica de convivência entre pessoas;
13. A exposição e denúncia pública de violações graves dos princípios anteriores constitui-se num dever de cada cidadão que queira preservar um nível adequado de saúde mental;
14. Ficar em silêncio perante a violação dos princípios anteriores é um acto de cobardia, de cumplicidade e de encobrimento. Ficar em silêncio perante o silêncio de outros, que resulte de medo razoável perante possíveis e admissíveis consequências das suas acções de denúncia é particularmente incompreensível;
15. O exercício da liberdade de expressão e de opinião, através do uso de ironia, sátira, caricatura ou da articulação séria são os modos preferenciais de denúncia dos comportamentos de violação dos princípios expostos;
16. Basicamente somos seres humanos imperfeitos, frágeis, simplórios e é de bondade elementar sermos tolerantes uns com os outros, não nos oferecendo para exemplos e faróis é uma atitude de bom senso, e digna, mas requerer aos outros comportamentos morais exemplares, ao contrário do que nós próprios exibimos, é uma intolerável estupidez;
17. Obviamente não está em questão a “construção” de nenhuma sociedade perfeita com seres assépticos e imaculados. A preguiça, por exemplo, pode ser uma virtude temporária, uma terapia, desde que aquele ou aquela que a pratiquem não exija dos outros aquilo que não exige de si;
18. Este mundo um pouquinho melhor deve ser para hoje e para amanhã. O seu adiamento para gerações futuras resultará em desnecessário sofrimento humano desde ontem.
19. Não se pretende com isto construir mais um muro das lamentações. A ideia é, pelo contrário, contribuir para a sua demolição.»
ps: transcrição do 1º post do blogue Associação de Radicais pela Ética
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