Cine-Teatro PAX JULIA

O Sr. Presidente da Câmara de Beja aproveita o editorial da Agenda Cultural da cidade para anunciar o início da divulgação da Imagem do Pax Julia e convida-nos a debater o seu futuro projecto e missão ao longo de três iniciativas que que ocorrerão na Biblioteca José Saramago, sob o título “Debater”:

1) 16 de Novembro, 18:30h, poderemos ouvir Miguel Lobo Antunes e João Aidos dissertar sobre “Programar: o quê? para quem?”
2) 7 de Dezembro, 18:30h, poderemos ouvir o Prof. Augusto Santos Silva dissertar sobre “A Transformação Cultural das Cidades Médias, segundo os seus Agentes Culturais”
3) 18 de Janeiro, 21:00h, “Debate com Agentes Culturais, Associações, escolas, Autarquias Locais e Público em Geral” sob o tema “Pax-julia um Pólo Cultural para o Município e para e Região”

Há muito que aguardamos, quem com a cultura se importa e incomoda, pela abertura de um espaço digno para a dinamização cultural desta parte do Alentejo, à semelhança do Garcia Resende em Évora.
Sobre este assunto já aqui (agradável e recente comentário aqui inscrito) escrevi o que na altura me pareceu adequado e que considero, ainda hoje, pertinente - a gestão independente destes espaços, levada a cabo por especialistas nestes domínios. A proposta, aliciante, sem dúvida, é agora a de debater “modelos de programação”, passando à frente dos alicerces, “modelos de gestão”.

Nestas Ideias Soltas, para quem se dá ao incómodo de nos ler, escrevemos e interagimos frequentemente sobre esta problemática, nomeadamente, a AMEC, vulgo Orquestra Metropolitana, que para nosso desgosto estão agora a confirmar-se as nossas mais prementes apreensões (são várias entradas em Outubro e Novembro de 2003, bastando uma busca no Google), sobre a Casa de Música no Porto (busca Google) e sobre o mais recente escândalo do Centro Cultural de Belém.
A verdade é que o nosso Pax Julia vai acontecer em contra-ciclo a uma expansão das actividades culturais no nosso país, num momento em que assistimos ao afastamento de programadores de nível por gestões enfeudadas ao poder político. Será um grave erro, insisto, não cuidar de um eficaz e independente modelo de gestão e financiamento antes de se falar em programações.
No entanto, estou optimista, i.e., confio na vontade dos actuais responsáveis em erguer obra em prol de um público que não existe, que muito é necessário fazer para o constituir e que, contrariamente ao que vou ouvindo e lendo, as dificuldades do Pax Julia poderão ser muito mais difíceis de resolver do lado do financiamento e do lado da procura (público) do que da oferta (programação) ou da tentativa, ainda que velada, de fazer passar a ideia de que há falta de agentes culturais pelas nossas bandas.
Existem hoje pessoas muito capazes para colaborar com o Pax Julia em termos técnicos, logísticos, de programação, mesmo residentes na área, enquanto que gestores, confeso, até ao momento só vi dois com independência e que produziram frutos - falo de Teresa Patrício Gouveia e de Manuel Alves Monteiro.
Irei amanhã de peito aberto para ouvir e aprender, mas também com esperança de que esta Câmara tenha mesmo vontade de que o Pax Julia, que essa vontade não se esgote “nos amplos debates”, mas em consultas a quem sabe, para que nos defendamos do que está a contecer com o CCB, a AMEC, a Casa da Música, o Garcia de Resende, enfim como todos os pólos que se desenvolveram à custa das itinerâncias do Ministério da Cultura, uma vez que estão a esgotar-se e não promovem os valores artísticos regionais.


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