Após a fuga de Durão Barroso muito se disse e escreveu sobre o nosso futuro – sobre o que iria na cabeça do Presidente da República, de Santana Lopes, de Ferro Rodrigues. A verdade é que Jorge Sampaio cumpriu, com rigor, o prescrito constitucionalmente – ponto – a quem deve obediência!
A sua decisão, julgo eu, não agradou a ninguém, o PS não a digeriu e o PSD não teve outro remédio que não fora aceitá-la, como aqui escrevi.
Se o Presidente dissolvesse a Assembleia da República o grande prejudicado seria o PS (como bem disse Francisco José Viegas) e Santana o grande vencedor do PSD. Seria assim, mas a Constituição tal não prescrevia e o tiro saiu pela culatra. No entanto, quem disse que a decisão de Sampaio teria como motivo beneficiar o PS, pode agora constatar que, mais uma vez, ele decidiu sozinho, não aguardando por maiorias absolutas certas do seu partido.
Em todo este processo difícil onde tivémos oportunidade de assistir a um desfile de incompetências e de um caminhar para o abismo, quero aqui lembrar…

a Catarina, o Piotr Kropotkine, o Rui M.C. Branco, o Vítor, o Isidoro de Machede, o Alvino, o Morfeu, o Bruno Sena Martins, os meninos do Blogame Mucho, o Luís Filipe Vieira, o José Gonçalves, o Raúl, o Henrique Silveira, o Manuel Cabeça, o Dragão, o João Carvalho Fernandes, o João Norte, o Irreflexões, o Roncinante, o Rui Curado e Silva, o José Flávio Teixeira, o Leonel Vicente, a rapaziada do Farol das Artes, o Canzoada, o Víktor, o Pedra, o Francisco Nunes, o PPP, o Zeca Telhado, o Old Man, a rapaziada do Tugir, o Miguel e a muitos outros que ousaram pensar por si próprios, muitos discordando da posição do Presidente da República, mas sem deixarem de respeitar a sua leitura da Constituição, a que jurou cumprir e fazer cumprir.
Pode custar muito a muita gente, mas é bom saber que ainda há gente que não faz da política um jogo de interesses pessoais ou partidários e sim, e apenas, um serviço público em prol de todos e da lei.
Na decisão do Presidente da República não vislumbro relevância no folhetim Henrique Chaves embora acredite, com alguma tristeza, confesso, que as palavras recentes de Miguel Cadilhe e de Cavaco Silva possam ter sido decisivas.


Tags:

Textos Relacionados:


4 Respostas to “Jorge Sampaio põe termo à Demonstração da Incompetência”

Comentários (4)
  1. Ora amigo Carlos, eu sou de compreensão difícil.
    Não aceitei a decisão do PR, aliás fiz sentir junto da PR essa minha posição.
    Posição tomada a quente, mas que previa, teria custos elevados à população
    e ao país.
    Mais tarde, apercebi-me, que tomada a decisão do PR e já com PSL a fingir que governava o País, seria muito complicado vitimizar o “artista�.
    Hoje o discurso de PSL, ficou voltado precisamente para o papel de vítima.
    Mas os eleitores, a generalidade deles, é muito capaz de não se aperceber, que são eles próprios as principais vítimas de PSL.
    E será aqui que há muito trabalho a fazer.

  2. canzoada diz:

    Santana Lopes, o único primeiro ministro demitido por incompetência!
    Viva Portugal.

    Os incompetentes jamais poderão ser considerados vitimas!

  3. jpt diz:

    é um post simpático. palavra hoje muito desvalorizada, mas que daqui sai com todo o valor. obrigado
    eu aprecio sampaio e muito concordo com o que fez neste caso: antes e depois. há outra coisa que me faz valorizá-lo: o facto da maioria se ter virado contra ele, antes e agora. Bom sinal

  4. Ricardo Serrano diz:

    Quando o Durão Barroso ganhou as eleições eu tinha emprego, vivia na minha casa e apesar de saber que a situação era muito delicada sabia que sem o discurso da tanga, podia-se aplicar mais austeridade sem provocar a derrocada do investimento. Sem nunca acreditar em promessas eleitorais, até porque não voto PSD, fui levado a crer que o choque fiscal era para cumprir até porque podia ser uma alavanca de crescimento e quiçá funcionar (não que me tivesse convencido).
    Claro que a miragem desapareceu logo após o governo tomar posse. Qual promessa qual carapuça, tanga e tá dito. Claro que com a depressão criada o resultado foi o parar do investimento a começar na publicidade e o meu emprego, já se vê.
    Estive fora um ano sem nunca ter deixado de seguir por onde me foi possível a situação no país. Vi o caos a continuar, o desemprego a galopar e por fim o Durão (bem mole por sinal) a fugir. Pior, vi o Sampaio a apoiar essa fuga. Depois vi o inacreditável Santana como o indicado na sucessão. Aí, perdoem-me, não acreditei no cenário, achei demasiado. Não tinha legitimidade dentro do próprio partido (e é disto que se tratou sempre) para manter estabilidade. Assisti incredulo á entronização. Sampaio outra vez.
    Depois foi o que vimos, esta perda de tempo precioso, este arrastar de Big Brothers aos tiros no pé, a vergonha de ministros-anedota, desde ministras sem cara (Cultura), sem nada (Educação), ministros sem rosto (o que bateu com a porta), sem rumo (Sarmento) e aquele inomeavel (não nomeio por pudor, mas sim, é esse).
    Onde estaria o Sampaio nessa altura?
    Por fim a pergunta prevísivel, que o Vital Moreira já fez: “E se o ministro não se tivesse demitido?” Até quando ficariamos com esta Quinta dos Amigos?
    Não posso por isso e por muitas mais coisas concordar em nada com este presidente. Como disse o Guterres o óbvio consuma-se agora, mas já o era em Julho.
    A factura, essa, vai sobrar para nós, aliás como sempre.

Pedimos desculpa mas os comentários estão encerrados de momento.