Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Janeiro, 2005

Ao Luís Novais Tito e ao Carlos Manuel Castro que há um ano que me fazem diariamente Tugir em português.

Por muita força que faça é inevitável que vá lá dar! Tento espraiar o espírito por assuntos diversos, mas a propaganda partidária surge-nos por todo o lado, com o mesmo odor.
Mas precisamente por via disso, recebi hoje um e-mail, daqueles “spam” fugindo ao “spam” que me apressava para mandar para o “trash” e eis, senão quando, vislumbro que ali, naquela singela mensagem, estava a chave do sucesso para uma carreira partidária!
Eles, passaram por lá todos, atendendo aos discursos de propaganda que nos inundam, por todos os “workshops”, é por aqui que se começa, com segurança, uma carreira partidária, não tenho muita dúvida, é tudo uma questão de qualificação profissional!
Leiam e divulguem, pois há cada vez mais gente sem assento…, e ainda há vagas! Aqui vai:
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Depois de um tempos de descontinuidade aí está o n.º 11 da INTERACT (link constante dos Percursos ali em cima), a única revista digital portuguesa ligada à arte, cultura e novas tecnologias, dirigida por Teresa de Sousa da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova.
Este n.º está, à semelhança dos anteriores, bastante rico, contando com estudos e ensaios sobre hipertexto, ética e literatura, linguagem dos jogos de computador, arte simbólica e uma entrevista a António Câmara por Gonçalo Felino.
Neste n.º 11 da INTERACT contamos com as participação de J. Rosa, J. Godinho, Luís Soares, Luís Filipe Teixeira, Guilherme Xavier, Mark Stephen Meadows, dr Bakali, José Augusto Mourão, Jorge Leandro Rosa, Leonel Moura, Pedro Gadanho, Patrícia Gouveia, Filomena Moita, Gonzalo Frasca e Pitch Gonçalves, por ordem de inserção.
Para além de estar totalmente disponível on-line, a INTERACT permite o download em formato “pdf” para quem pretender. Nota menos positiva é o site estar construído totalmente em “flash”, tornando-se muito pesado para quem não tem computadores “bomba” para navegar.

Transcrição da missão do projecto INTERACT:

A interact é uma publicação digital, de periodicidade quadrimestral editada pelo Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL).
O seu objectivo é a reflexão e a discussão em torno de temáticas importantes do pensamento contemporâneo, o acompanhamento crítico de acontecimentos e práticas culturais e artísticas e o incentivo ao trabalho de experimentação com as tecnologias digitais e as redes de informação.
Diminuir o fosso ainda existente entre a cultura e a cibercultura é ainda uma das suas principais motivações, procurando por isso o encontro (e o confronto) entre práticas mais tradicionais no âmbito da cultura (como o ensaio, a crítica e a recensão), e práticas de expressão, de reflexão e de criatividade próprias à cultura digital, como as da hipertextualidade e hipermedia, interactividade e conectividade.

«le mensonge est toxique et le silence étouffe. Chaque survivant a un besoin impérieux de dire son histoire pour parvenir a en réunir les morceaux; besoin de se délivrer des fantomes du passé, besoin de connaître sa vérité enterrée pour pouvoir retrouver le cours de sa vie. C’est une erreur de croire que le silence favorise la paix. Il ne fait que perpétuer la tyranie des événements passés, favoriser leur deformation et les laisser contaminer par la vie quotidienne.»

Régine Robin, La Mémoire Saturée, Stock, 2003, p. 252

Divulgação:

O colectivo Alfarroba com o apoio da “Plataforma Transgénicos Fora do Prato“, convida todas as associações e organizações de protecção da Natureza, de agricultura e consumo ecológico, a divulgarem e a participarem na - Parada anti-OGM - a realizar-se no dia 5 de Fevereiro em Beja.

A ideia é o contacto directo e pessoal com a população/consumidores e agricultores de forma a sensibilizar para a questão dos Organismos Geneticamente Modificados e para a nova lei, já aprovada, de comercialização livre de milho transgénico já a partir de Março.
Para tal, vamos falar e dar informação às pessoas, no mercado municipal de Beja e em seguida saimos para as ruas, como é Carnaval, aproveitamos e fazemos a festa, esperamos que tragam animação e criatividade convosco,
instrumentos musicais e máscaras e claro muita informação anti-OGM!!

À hora do almoço faremos um pic-nic ecológico no jardim da cidade, com muita animação e mais uma óptima oportunidade para se falar dos transgénicos e conhecermo-nos melhor:)

A partir das 16h, no auditório da Biblioteca de Beja, Sandra França da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, vai dar uma palestra sobre os OGM com espaço para debate (esperemos que sim!!)

Às 17.30h - José Miguel Fonseca e José Pedro Raposo, irão falar sobre o valor das sementes autóctones e a importância da sua conservação.

Para acabar em beleza, mesmo pertinho de Beja, em Entradas (perto de Castro Verde) estará a decorrer o Entrudanças, baile organizado pela Pé de Xumbo!

O governo acaba de retirar todos os apoios ao “Centro de Música Tradicional Sons da Terra”, uma das instituições que mais tem feito pela recuperação e divulgação da música tradicional e étnica portuguesa, nomeadamente a Gaita de Foles, através do seu já internacional Festival de Sendim.
Há uma petição a correr on-line, dirigida ao Ministério da Cultura, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, ao Instituto das Artes e à Delegação Regional da Cultura do Norte ,deixando-vos uma transcrição do pedido de apoio que recebi via e-mail da Associação Gaita de Foles:
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Volvidos 10 anos sobre a gravação do tema “June” de António Pinho Vargas no trabalho “A Luz e a Escuridão” com o próprio ao piano, Maria João, voz, e José Nogueira nos saxofones, Don Ross transcreveu-o para o seu instrumento, guitarrra acústica, apresentando-o no seu novo CD “Robot Monster” em distribuição exclusiva pela net.
O curioso é que António Pinho Vargas e Don Ross não se conhecem nem nunca se falaram tendo este último tomado conhecimento de “June” através de alguém que lhe ofereceu “A Luz e a Escuridão” e, pimba, 10 anos depois grava-o e edita-o!

Envergonhado pelo atraso endereço os parabéns ao Improvisos ao Sul, pelo aniversário e pela nova casa, o melhor blogue de Jazz em português que conheço, visita diária obrigatória não fora o caso de atravessar esta “fase introspectiva” que anunciei.

Escrevo cada vez menos, mas diferença não fará o mutismo dum “tolinho” que despeja vernáculo “sem critério” chamando apenas a atenção para “causas piquênas”.
O “tolinho”, no entanto, como é tolo, não resiste à tolice, mesmo que espaçada e compassadamente, de escrever mais algumas tolérias. É o caso!
É o caso do “tolinho” que insiste na merda da regionalização, aquela merda que não é prioritária, aquela merda que é merda de 2ª ou 3ª, quiçá, 4ª ou 5ª categoria, mas que, merda, faz com que o “tolinho” veja muita, mesmo muita e cada vez mais gente desesperada lá pelas paragens onde habita!
É gente digna, gente que sofre a bom sofrer, sem um ai, com vergonha por não ter trabalho, muda diante do horror com que perspectiva o seu futuro e o dos seus filhos. Gente que são pessoas, que não pedem verba extra perante o cataclismo que os assolou, pois não foi seca, nem torrente, nem ciclone ou maremoto, foi o trabalho que desapareceu e, sem culpa, têm a inocente vergonha de se culpabilizarem pois foram ensinados a que a honra advém do trabalho e do que entregam em casa para sustento da prole.
Ainda há muita gente assim! É incrível, imaginem, em pleno sec. XXI!
Perdi-me, desculpem, a que veio isto a propósito? Ah, pois, da toléria da regionalização, pois foi, mas não liguem, o importante é conter o défice das contas públicas e cumprir o PEC e não do imprescindível investimento público, não é?
Pois, li esta coisa no Público e lembrei-me disto, mas estou certo que o melhor caminho será, sem dúvida alguma, esperar que o poder central decida o que é melhor para nós, se e onde deve investir ou até, por que não, privatizar esta gente, a custo zero, pois então, assim tipo mandar estes excedentários para Marrocos, que apenas servem para nos estragarem os índices de produtividade e de emprego e de desemprego e de literacia e de qualificação profissional, enfim, gente que só serve para gastar o dinheiro da segurança social e dar cabo dos brilhantes rácios do serviço nacional de saúde!
E de resto, haja saúde, isso é que interessa …

É o que está a dar, pessoal, não perca a oportunidade única de personalizar o “choque” que mais se adequa à sua especial personalidade. Em breve, segundo fontes secas, o “merchandising” colocará no mercado “t-shirts” com choques, jogos de “playstation” e “gameboy” com choques, bem como outros e variadíssimos e lindérrimos adereços com choques!
Personalize, seleccionando e saiba qual o “choque” mais vendido aproveitando a promoção válida só até 20/02/2005:

1 - Choque Durão: “FISCAL”

2 - Choque Socratão: “TECNOLÓGiCO”

3- Choque Santanão: “GESTÂO”

4 - Outros

O choque que tem recolhido a maioria das preferências sendo já “choque de platina” é o:
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A quantidade de informação que se recebe e emite está com um volume e um ritmo que me impede de ter o necessário tempo de introspecção para tentar perceber o que é que isto é e está.
Estava e ainda estou com dificuldades em perceber o que pretendem os políticos deste país, os nacionais e os locais, onde só me chegam berrarias de assuntos sem interesse algum para o que precisamos fazer. Não vislumbro objectivos, metas, estratégias, apenas blá, blá, blá, blá, blá, blá …, tu és o das trapalhadas, não és tu, blá, blá, blá …
Por cá é a empresa do Aeroporto de Beja (EDAB) que todos sabem o que por lá se foi fazendo, mas agora é “ai Jesus” que aquilo é que está mau e vai daí as rádios e os jornais convidam filiados em partidos políticos para o comentar assuntos empresariais! Esta gente anda doida?
Afinal a EDAB é uma empresa ou um covil partidário? Se é uma empresa não há responsabilidade política alguma a apurar, antes sim responsabilidade civil e criminal! Há dúvidas de gestão danosa? Ó senhores dos partidos, insisto, em vez de tempo de antena em rádios locais de falatário peçam uma inspecção ao Tribunal de Contas e apura-se a verdade! Responsabilidade política? O que é que é isso? É de comer?
Fico por cá, por mim, estou seguramente a ensandecer pois todos me parecem doidos!
Fase introspectiva, é isso, para ver se dará para viver por cima da poeira que em chuvendo lama se tornará. Até breve.

O Luís F. Vieira leu a carta de José Sócrates e resolveu responder-lhe enquanto Cabo Raso.
Excelente, vale a pena ler.

excertos:
«Finalmente, não apele em vão à participação seja de quem for para construir dinâmicas de mudança para uma nova geração e uma clonada raça de moscas geneticamente mais resistentes à compostura e ao decoro. Não peça que seja quem for se aplique no debate e na divulgação das suas propostas, que objectivamente se não conhecem.
(…)
Faça propostas substantivas, como engenheiro elabore cronogramas, estabeleça calendários e quantifique tudo. Com o rigor com que isso deve fazer-se e não anunciar-se. Depois apele à participação e ao castigo pelo incumprimemto

Deixei passar algum tempo sobre os episódios Santana / Pôncio / Rui Rio com o intuito de tentar perceber as razões que levaram a que Rui Rio saísse dessa palhaçada, mesmo entre os seus adversários de partido, como herói da integridade, do “rigor” e da honestidade intelectual.
Cheguei à conclusão que a falácia da “promiscuidade” dá votos e levanta paixões entre os da “promiscuidade” e os “anti-promiscuidade”.
Que promiscuidade? A que existe entre a política e o futebol e vice-versa? Não me parece, é que a bandeira dessa luta contra a “promiscuidade” mais não foi, nem é, que uma aziaga contra Pinto da Costa e contra o F. C. do Porto! Se assim não fosse como compreender a colagem de Rui Rio a Valentim Loureiro durante a campanha eleitoral, incentivando a candidatura do filho Loureiro à distrital do PSD do Porto (que correu mal, aparecendo um tal de Marco António à pressa), o apoio a Valentim Loureiro à Presidência da Área Metropolitana do Porto e o apoio a Valentim Loureiro para administrador do Metro do Porto, do qual viria a ser o nº 2, do qual agora é o seu directo substituto?
A operação “apito dourado” que juntou no mesmo processo o Major e Pinto da Costa evidencia que a cruzada de Rui Rio não se prende com nenhuma luta contra a promiscuidade, mas sim com um ódio cego ao F. C. do Porto, qualidade que lhe assegura tantos adeptos por este país fora!
Se o afastamento de Pôncio Monteiro na lista do PSD do Porto tivesse sido norteada por critérios de honestidade intelectual então Rui Rio nunca poderia ter aceite José Raul dos Santos em lugar elegível!
Escolher entre um advogado reputado (mesmo portista fanático) e um autarca que tem a sua Câmara em situação de quase falência e uma conduta partidária muito conturbada na distrital de Beja não me parece nada difícil!
Será que alguém se lembraria de falar dessa tal de “promiscuidade” no idêntico caso de Fernando Seara? Não, pois não, seria ridículo!

O “Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique”, (IRCAM, com link aqui mesmo ao lado na secção “confortos”), numa iniciativa intitulada “Invitations au tour du réportoire”, convidou este ano o Remix Ensemble, do Porto, para se mostrar ao público de Paris e proporcionar-lhe, durante uma semana uma aproximação e familiarização com o que chamam de “música mista” em estreita colaboração com os compositores do IRCAM e seus assistentes. As peças saídas destes “ateliers” serão apresentadas ao público juntamente com o reportório que os convidados já levam preparado:

- Luis Fernado Rizo Salom Al Umbral del abismo, para piano e ensemble
- Emmanuel Nunes Nachtmusik I, para 5 instrumentos e orquestra
- Salvatore Sciarrino Introduzione all’oscuro, para 12 instrumentos
- Gérard Grisey Jour, contre-jour

dirigidos por Peter Rundel e assistência musical de Éric Daubresse, beneficiando com a capacidade informática do IRCAM, numa co-produção da Casa da Música e do IRCAM-Centre Pompidou que ocorrerá a 20 de Janeiro no IRCAM e a 22 no Teatro Helena Sá e Costa, no Porto. (link)

Para os menos familiarizados com estas coisas da música electroacústica, o IRCAM foi fundado pelo Centro George Pompidou em 1969 tendo então sido convidado para a sua direcção o compositor e maestro Pierre Boulez, a quem deve o seu sucesso, sendo hoje o maior e mais bem apetrechado centro de investigação científica exclusivamente dedicado às tecnologias para a criação musical do mundo, contando com cerca de 90 investigadores permanentes e sede de estágios dos mais reputados compositores da área.

Sinceros parabéns ao Remix Ensemble que consegue ser mais um dos que demonstra que os portugueses sabem e conseguem fazer bem quando a politiquice não perturba e deixa trabalhar.

A pobreza matou ontem mais 30.136 crianças com menos de 5 anos no mundo e hoje também matará, e amanhã e depois de amanhã assim como anteontem, e todos os dias assim será, a não ser que um qualquer cataclismo da natureza lhes abrevie o sofrimento de ter nascido num local e num momento errados.
Desde o “tsunami” de Dezembro já morreram 2.314.312 (dois milhões, trezentos e catorze mil e trezentos e doze) crianças com menos de 5 anos por má nutrição!
Não consta que haja nenhum movimento de fundo (para além dos esforços da UNICEF) para ajudar estas vítimas, nem mesmo a ONU parece reclamar uma verba específica anual para tentar inverter esta muda matança diária!
O problema é que estes milhões com sofrimento e morte anunciados à nascença não são uma catástrofe, ninguém compra as imagens do seu horror, morrem apenas, como supra-numerários da vida.
É uma tragédia, uma desgraça, uma calamidade, têm um fim lastimoso e apesar de reunir todas as significâncias da palavra “catástrofe” falta-lhe uma nova dimensão a rever no conceito - catástrofe são as vítimas de cataclismos naturais e as vítimas dos nossos inimigos e adversários, mas nunca as nossas vítimas, as que matámos e as que, ao condenarmos placidamente à pobreza, deixamos morrer após uma vida prenha de vil sofrimento.
Haverá algum “ismo” que se proponha pôr termo a esta matança? Não conheço, apenas me interrogo se, em termos penais, isto será homicídio involuntário ou voluntário ou tão-só a “selecção natural” de Darwin, quiçá a aplicação da teoria demográfica de Malthus?
Não é uma catástrofe, uma “emergência” nas palavras da UNICEF - deve ser assim uma coisa tipo: tou mesmo aflito para cagar!

O senhor nosso Presidente teve o privilégio de ter sido convidado para uma audiência prévia à do protocolo (coisa salientada pelo seu “estafe”), honraria só anteriormente prestada aos supremos representantes da França e da Alemanha, por sinal (coincidência certamente, que mais poderia ser?) aqueles que à semelhança de Sampaio foram à China dar a “benção” ao fim do embargo à compra de armamento!
Coincidências certamente…

A viagem que aqui ontem propus e divulguei tinha mesmo um propósito, ou melhor, uma justificação, ou muitas, talvez mais um estado de alma que venho sentindo de há uns dias a esta parte devido a várias ocorrências, a permanências da vida e à forma como são transaccionadas pelos meios de comunicação, blogosfera incluída.

São interrogações que mantenho sem me apoquentarem, mas que me aasaltam o consciente quando me confrontam com mundos de certezas, mundos de gente que sabe onde está o bem e o mal, gente de sentença breve e escorreita, gente da culinária com ingredientes e receitas para todos os males, maleitas ou inguiços, gente que sabe exactamente donde veio, quem é e para onde vai e sabe ainda para onde devemos ir todos!
Eu não sei, interrogo-me!
Interrogo-me sobre o que é vida, o que o fio do cientismo me diz sobre o que da matéria é vida e o que não é, sobre a inteligência, a cultura, a erudição e a sabedoria e em que medida contribuem para sermos melhores, interrogo-me por que morreram centenas de milhar de pessoas e dezenas de milhar de animais domésticos e em cativeiro e não apareceu um único cadáver, até ao momento, de qualquer espécie de animal selvagem, todos vivos e longe da orla marítima mesmo os que dela fazem seu natural habitat!
Interrogo-me, apenas, e recorro à viagem que nos proporciona “The Message from the Water” para, serenamente, recentrar-me na certeza das minhas interrogações.

e Cônsul Geral do Botswana para Baleizão é uma honra que o Anarca me confere no governo que está a preparar.
Considerando a qualidade da equipa nomeada, é evidente que aceito, mais a mais, por se tratar de uma área que domino com propriedade, nas duas vertentes que encerra - não fazer nenhum ou, em caso de força maior, mandar fazer!
Seguirei com a acuidade que o assunto merece o programa de governo que está já em elaboração pelo futuro Primeiro Anarca!

Clique na imagem deste cristal de água e faça esta viagem, com calma e paciência, para desfrutar plenamente até ao final. Aconselha-se especialmente aos que padecem de cientismo, positivismo, fundamentalismo, multi-culturalismo e ismos por aí adiante.

Passo a vida a citar o Piotr nos últimos tempos destas ideias, mas este, A Miragem Perdida“, é o melhor post que li sobre NÓS, quem somos, donde vimos, onde estamos, para depois, e só depois, procurar para onde queremos ir!
Excepcional! Bravo, Piotr!

«DEMOCRACIA s.f., sistema político em que a autoridade emana de demagogos e respectivas seitas mais ou menos secretas; forma suavizada de pandemónio; governo levado do diabo: forma geralmente camuflada de oclocracia»

Para consultar a primeita edição é mesmo ir ver o Dragão. É de partir o côco!

Ainda sobre o post anterior e depois de ler o que o Luís Ene escreveu, transponho um comentário que lá deixei:
«O nojo é demasiado, Luís! Tu sabes, disse-te-o pessoalmente que não voto vai para 21 anos, desde a instituição do “bloco central”, em 1983 (com única excepção de Lurdes Pintasilgo), onde o “centrão” iniciou a cega caminhada para uma (na época) C.E.E., nada negociando e trauliteiramente tudo entregando.
Agora, gastos os milhões a troco da entrega da nossa economia, da nossa capacidade de produção, estamos sem nada, sem empresários nem empresas, sem trabalhadores qualificados e sem trabalho, restam tachos, tachos disputados muito para além do limite da decência!
Também te disse que sentia vontade de votar desta vez já que uma coisa seria o “centão”, outra bem pior, o Santrão, mas não encontro ânimo, razão, empatia, gente séria à séria e sinto-me francamente mal. Mal mesmo, Luís, porque não há luz, não há esperança quando assistimos à vacuidade de um assalto ao poder, sem rumo, sem linhas, sem ideias, sem estratégia, sem vida, sem alma.»

Esta nova produção portuguesa, certamente apoiada pela 2:, não será de ficção, propriamente dita, mas de narrativa do real quotidiano dos partidos do “centrão”.
É em seu seio que de tudo se joga, sem regras, qual circo romano, exemplos da insana promiscuidade de interesses que vem assolando o país há alguns anos a esta parte.
A menos de 2 meses das eleições ainda não há programas (exceptua-se o do Bloco) nem se deslumbra de que falarão, advinhando-se uma infame continuidade da incompetência, do compadrio e da impunidade, cavalgando até ao estupor final!
Mais grave, ainda, a tentativa de fazer deste “centrão” de incompetência, de compadrio e de impunidade um pacto de regime!
Insanidade é o adjectivo que utiliza Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias!
«Como podemos confiar em quem legisla neste país se grande parte desses nossos representantes não representa muito mais do que a sua própria família e os seus próprios interesses?», pergunta Fausto Ferreira no Comércio do Porto.
«Conhecidos os cabeças de lista e principais “ajudantes”, a sensação que fica é que o país acabou de ser invadido por um pelotão de pára-quedistas. A falta de qualquer ligação entre tantos deputados e os distritos em que se candidatam é tão gritante, que vale a pena perguntar para que é que os partidos querem os círculos.» diz Manuel Serrão também no Comércio do Porto.
Esperança, meus amigos, de que forma e com que meios e com que gente?
Para quando, à semelhança do instituído para penalização do crime de gestão danosa, a penalização civil e até criminal dos responsáveis políticos que não cumprem os programas e as promessas que elaboraram e em poder se sufragaram?
Até quando vai andar esta gente a prometer, a dizer, a desdizer, com total impunidade?

I’ve got the time, but I don’t know where to go in my mind
I feel fine, I see everything and behind
I’ve got hope, thinking that everything’s fine
I just don’t know where the fucking reality can be seen…
I’ve got the time and I’ve never been so cool in my mind
I’ve got the time and I’m feeling very cool in my mind
I feel fine, I need to keep myself on the line
I’ve gotta show why things are so important this time
I’ve gotta show one way to myself all the time
I just don’t know where the fucking reality be seen…
And everything gotta be as a love song

Este é o texto cantado / dito pelo Quico Serrano na faixa 11 de “Meeting Point” dos Plaza, lançado em Abril de 2004.
Apesar da dificuldade que sempre encontrei em eleger os meus “best” seja em que domínio for, o certo é que os Plaza nasceram um pouco “à rebelia” dos irmãos Praça dos ex-Turbo Junkie, apesar de ter sido sua a iniciativa - contrataram o Quico para produzir o novo trabalho dos Turbo Junkies, mas quando se deram conta já não eram mais Junkies e tiveram de encontrar um novo nome para o trabalho que haviam conseguido - Plaza, escolheram para o novo grupo e “Meeting Point” para o 1º trabalho.
Os Plaza, de facto, em nada se assemelham aos Turbo Junkies! Neste trabalho com 12 faixas encontramos motivos “retro” de base pop dos anos 60, 70 e 80 embora embalados por roupagens muito diversas: pop puro e duro de aplicação directa nas discotecas; aromas de rock sinfónico da primeira metade de 70; baladas rock; Drum & bass; um pouco de house; rock electrónico de tendência minimalista (lembrando um pouco Kraftwerk). Dir-se-ia um trabalho descaracterizado de tão eclético, de tão salpicado de tudo um pouco, mas ouvindo, ouvindo de princípio a fim sem interrupção, logo sentimos que existe ali uma argamassa (uma cama, na gíria musical) que confere uma unidade lógica a tudo quanto ouvimos.
Não há “copy / pastes” há a musicalidade do Quico Serrano de princípio a fim, a argamassa que dá a unidade. É que o Quico, para além de ser o produtor português que mais admiro ( o “guru” das sonoridades electrónicas e o “rato” de estúdio que sabe fazer tudo o que lhe pedem, os músicos e a música), consegue neste trabalho colocar muito de si próprio (de seu coloca em todos os trabalhos que produz), mas aqui, dele mesmo, da sua alma, a sua música, aquela que eu já ouvia nos finais de 70 e princípios de 80. De facto, as 2 últimas faixas, Everything’s gotta be as a song” e “Electrical Mind” soam quase exclusivamente a Quico, expurgado mesmo de influência dos irmãos Praça.
Não elejo “Meeting Point” como o melhor trabalho de coisa alguma, apenas quis aqui prestar a minha homenagem ao Quico, o melhor produtor português de música tracional, de pop, de rock, de música electrónica, enfim de quase tudo (na minha opinião, claro), mas especialmente pelo facto de ter conseguido emprestar tanto da sua musicalidade a este projecto, enquadrando a sua música com aquela outra que hoje se vai fazendo, um pouco por todo o lado, mas com uma qualidade muito elevada, marca indissociável do trabalho a que nos habituou.
Bem hajas Quico e parabéns aos Plaza que é um excelente projecto pop!

«Somos, aparentemente, um povo em que as coisas nunca se dizem com naturalidade em face do Outro com quem discordamos. Dizem-se nas costas. Dizem-se em círculos restritos de cumplicidades interesseiras. Dizem-se em lamentos e lamúrias lamechas no sossego do lar e da mulher ou marido complacentes e silenciosos. Somos um povo com doses cavalares de self pity. Arrastamo-nos em autocomiseração imaginando ou aceitando os milhares de assuntos taboo que nos rodeiam.»

Pois é, Piotr, mas é assim e não só na política. Há falta deles e quando alguém os tem, ostracismo! Daí que, das três, quatro:
1 - levar nele por gosto, com ostentação e “lobbie” assegurado;
2 - levar nele e afirmarmos peremptoriamente diante do cônjuge que vamos matá-losa todos, embora à espera que o “lobbie” nos apadrinhe;
3 - levar nele, mas ponderar que há sempre algures um outro lado da questão, vejamos… uma forma positiva de ver as coisas, quiçá;
4 - levar nele e berrar, denunciar, apontar o dedo…

Neste último caso o melhor é preparar-se para ser etiquetado como mais um inadaptado e incompreendido…, um marginal, mesmo com a espinha direita, como bem é dito mais à frente no teu texto.

Em redor de um ensopado de borrego e de um tinto de Pias os 30 elememtos do Grupo Coral de Vila Nova de S. Bento aviaram 20 modas do Cancioneiro de rajada, bem como o borrego e o tinto, entenda-se, enquanto a malta do Portal do Som registava. Aí está o CD pronto, com produção do Luís Beco e do Ticha que arriscaram respeitar o som e o ambiente naturais do Cante Alentejano, aproveitando as vantagens adquiridas do novo estúdio móvel, já que meter a malta do Cante dentro das quatro paredes de um estúdio e pô-los a cantar a água, estávamos conversados…
Para muitos tratar-se-á de um CD fora de moda, para outros o respeito pela tradição do Cante, para nós o prazer e por que não o orgulho em contribuir para preservação da cultura popular e defesa do património artístico do Alentejo, deixando a crítica para os profissionais do ramo.
Alinhamento:
1 - Vila Nova de S. Bento; 2 - Moreirinha dá-me um Beijo; 3 - Abre-te ó Campa Sagrada; 4- Ó que Linda Pastorinha; 5 - Levantei-me um Dia Cedo; 6 - Ao Romper da Madrugada; 7 - As Nuvens que Andam no Ar; 8 - O Teu Cante Rouxinol; 9 - Sentei-me à Beira do Rio; 10 - Lindo Ramo Verde Escuro; 11 - Meu Alentejo Querido; 12 - Foi Dispor a Salsa Verde; 13 - Viva a Quem Vive Tão Longe; 14 - Ó que Linda Pomba Branca; 15 - A Flor que Abriu em Maio; 16 - No Jardim a Rosa Branca; 17 - Infelizes Camponeses; 18 - Lembra-me os Tempos Passados; 19 - Oliveiras, Oliveiras; 20 - Sou do Distrito de Beja.

Ficha Técnica:
Portal do Som: gravação, mistura e masterização
Produção: Luís Beco e Ticha
Edição: Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de S. Bento

O trabalho está à venda por 12€ mais portes de correio sendo enviado à cobrança, podendo ser encomendado para o endereço “ticha.ala@clix.pt” ou pelo telefone 917 520 275.

retorno ao convívio, sem pressas, ávido para pôr a leitura em dia, contudo. Quando ausente do teclado apetece-me escrever e diante dele acabrunho-me, fico sem jeito, não por falta de assunto que isso é coisa que se vai arranjando, por rebuço…, é isso, será…? Talvez possa ser, se isto é uma comunidade, para mim é-o acima do mais, com que propósito iria eu para aqui debitar sem antes sentir o seu pulsar?
Não, eu sei, a blogosfera não tem vida (ou terá…?), não, não poderá ter a não ser que vida possa também haver onde todos emprestamos um pouco da nossa, uma vida que nossa já não sendo, a ela pertencemos sentindo a seiva sempre renovada a correr-lhe.
Devagar, placidamente, vou-me embrenhando nela, lendo o que vós escrevestes, a vida que emprestastes a essa outra forma de vida (será…?) durante esta ausência.

Ano Novo vida nova?
Gostaríamos que em alguns aspectos, nomeadamente, na condução do nosso devir político tal fosse verdade, mas não creio em mudanças por inadiáveis que sejam - a gente é a mesma, a clientela idêntica e o modo de nos pensar inabalável, de modo algum! Pensam neles, pensam-se em confronto com os adversários do mesmo, mas não nos pensam - um inabalável e transparente vazio!
Proclamam-se novas eras, traçam-se horizontes fabulosos, choram-se os mortos das tormentas, um a um, a azáfama em torno de tudo o que possa merecer os favores da comunicação social é estonteante, mas nem uma, uma só que seja, ideia para nos tirarem do atoleiro em que vai para 20 anos nos foram conduzindo, com o nosso beneplácito, não esquecendo!
Lamentável!
Entremeada nesta tragédia a comédia de um apelo a um “pacto de regime” que nos garanta mais do mesmo. Pacto de regime ou de sangue?
Já não há gente para murros na mesa a não ser em caso de “show off”! Tudo é “show off”, nada mais…
Viva 2005!|