Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

De todos os cenários possíveis quatro havia que considerava (e considero) menos favoráveis para o país que enuncio por ordem decrescente de gravidade:

1 - Vitória do PSD;
2 - Maioria absoluta PSD/CDS mesmo com vitória PS;
3 - Maioria relativa PS com possibilidade de se tornar absoluta com CDS;
4 - Maioria absoluta do PS.

Deter-me-ei pelos dois últimos cenários já que quem não considerar grave os dois primeiros está a perder tempo em visitar estas Ideias Soltas.

3 - Sempre suspeitei daquele famoso acordo secreto pré-eleitoral entre o PSD e o CDS que caducaria em caso de os dois partidos não atingirem a maioria absoluta. De facto, a descolagem de Paulo Portas do PSD e a sua incessante luta contra o B. E. e contra uma maioria absoluta do PS trazia “água no bico” - Paulo Potas pretenderia (as deduções são minhas), derrotado o PSD, impedir que o PS conseguisse maioria absoluta e, mesmo em caso de maioria relativa, que uma coligação com o B.E. não fosse suficiente para a constituir, obrigando a o PS a constituir governo sem a maioria da A.R. ou tornar-se refém do CDS. Lá no fundo, acho que Paulo Portas sofreu duas pesadas derrotas num só acto eleitoral: foi penalizado pelo mau governo em que participou; viu gorarem-se as esperanças em regressar ao governo coligado com o PS.

4 - Contrariamente aos pensadores mais avalisados e mais mediáticos do país não considero que a maioria absoluta de um partido seja benéfico nem tão pouco um factor de estabilidade indispensável à boa governação. Aliás, quem assim pensa não tem da democracia uma visão de partilha de conhecimento, de saber, de soluções, de poder, essenciais ao envolvimento mais profícuo dos actores políticos e dos cidadãos.
Na situação em que nos encontramos seria muito mais bem avisado agregar o maior número de sensibilidades e de formas de equacionar os problemas no acto de governação do que entregá-lo nas mãos de quem quer que fosse sem uma oposição capaz, forte e interveniente.
Esta maioria que o PS conseguiu é muito enganadora, desde logo pelo base social de apoio que a sustenta, mas principalmente por ser fictícia, i.e., apoiada numa divisão territorial de círculos eleitorais e num método que faz com que se consigam maiorias absolutas parlamentares com menos de 30% de sufrágios.
À semelhança da leitura que costumo fazer dos resultados eleitorais por uma questão de honestidade para comigo próprio já foi desta vez adiantada, em parte, pelo Henrique Silveira, embora reserve para amanhã um post exclusivamente dedicado ao assunto.


tags:

Textos Relacionados

  doMelhor  

Comments are closed.