Na conferência de imprensa para a divulgação dos candidatos do PS às Câmaras Municipais Jorge Coelho sentiu necessidade de referir 6 x (seis vezes) que a escolha dos candidatos para Lisboa e Porto eram escohas pessoais de José Sócrates.
Não ouso duvidar da veracidade de tão repetido anúncio, mas que Jorge Coelho sente que já não teria força para os impor, ai disso ninguém me tira a ideia.
Será bom ou mal sinal?
Sei lá, mas desconfio que quando se divulgar o candidato por Matosinhos a história da escolha pessoal de José Sócrates vai repetir-se pondo a nu, mais uma vez, que Jorge Coelho poderá estar a sentir que o aparelho já não se inclina diante de si como outrora!
Arquivo de Março 2005
«O DesperdÃcio anual de medicamentos dava para construir 2 pontes Vasco da Gama»
Este foi o tÃtulo que a SIC escolheu para abertura da notÃcia sobre o valor dos medicamentos que deitamos ao lixo, seja por compramos e não utilizamos seja por compramos e não cumprimos o tratamento prescrito.
É muita massa, já viram, 2 pontes Vasco da Gama!
E quem diz 2 pontes Vasco da Gama poderia ter dito construir todas as albufeiras, aquadutos e canalizações necessários para que Alqueva abastecesse todo o Alentejo, quer no que concerne ao regadio, quer na resolução do gravÃssimo problema de pôr água nas torneiras de todos os lares e sobrarem ainda uns trocos para as obras necessárias à conclusão do projecto do aeroporto de Beja!
Quem diz 2 pontes Vasco da Gama poderia ter dito o Estado sustentar os custos de todas as “SCUTS” que ligam o interior ao litoral durante 17 anos, incluÃdo a construção de uma outra a ligar Sines a Vila Verde de Ficalho há muitos anos designada de IP8!
Quem diz 2 pontes Vasco da Gama poderia ter dito a construção de 2 novas auto-estradas alternativas às IP4 e IP5, com os devidos viadutos para que não sejam vias assassinas.
Quem diz 2 pontes Vasco da Gama poderia mas era ter sido mais feliz com a comparação!
Para que serão precisas, afinal, mais 2 pontes Vasco da Gama? Para afagar o ego dos centralistas e da esmagadora maioria dos consumidores da SIC?
Vêm tempos de sucessivos aniversários de blogues quase nos obrigando a diariamente fazer essas referências, correndo o risco de nos escaparem alguns que não gostarÃamos de esquecer. Assim, poque apesar do atraso não quera deixar passar em claro, aqui vão os meus sinceros parabéns pelo 2º aniversário ao LuÃs Ene e ao Paulo Querido.
Foi um momento sem igual para a Mãe, o Pai, para a Avó e o Avô - a Manucha nascera - era a primeira filha e a primeira neta após um perÃodo de tentativas sem êxito que faziam pairar a desoladora sensação de infertilidade.
Mas a Manucha nasceu, esconjurando os fundos e mudos receios, repondo a normalidade, numa famÃlia que em famÃla se pretendia constituir, formar prole que assegurasse a continuidade.
O parto não fora fácil, ainda em tempos que os radioisótipos não revelavam as nossas entranhas nem pré-anunciavam quem viria, obrigando a parteira a redobrados esforços para a salvar de um cordão umbilical que a sufocava cada vez mais à medida que fazia por se libertar do ventre que a engendrou. Tudo se compôs, afinal, embora o tom arroxeado da pele impusesse uns dias de oxigénio.
Ninguém sabia a extensão dos danos, se é que os havia, que aquele sufoco pudesse ter infligido, mas em boa verdade, a probabilidade era escassa, segundo o pediatra, que afirmou serem muito poucos os bébés que em idênticas circunstâncias não eram perfeitamente saudáveis quando, para mais, a Manucha, respondia positivamente a todos os estÃmulos neurológicos. Uma alegria para todos, pois está claro, que sofreram umas boas horas para saber se era ou não desta vez que se daria inÃcio à continuidade.
Ao cabo de dois dias já a Manucha adquirira o tom róseo do recém-nascido e mamava com fulgor na mama que lhe estava destinada, era vê-la a engordar e a crescer.
Aos 6 meses os Pais demonstraram alguma preocupação pelo facto de a Manucha não se mexer normalmente. Aos 8 meses não se susteve sentada; ao ano não andou; aos dois anos não falou; a fralda nunca deixou; o olhar nunca se fixou. Os Pais foram ao pediatra aos primeiros sinais; correram os neurologistas que sabiam existir; levaram a Manucha a reputados especialistas na SuÃça, no Reino Unido, em França, na Alemanha e a única certeza que obtiveram foi o diagnóstico de danos neurológicos a nÃvel cerebral impossÃveis de quantificar ou localizar e de quase certa irreversibilidade, que se preparassem para aquela vida que poucas dezenas de anos mais tarde a ciência se encarregou de designar de vegetativa.
Mas a Manucha ria, a Manucha chorava, a Manucha estava ora bem ora mal-disposta, conforme os dias, reagia à música e a famÃlia, os Pais e o irmão mais novo, que entretanto nascera, embora o seu estado se deteriorasse de dia para dia, viveram em famÃlia felizes com a Manucha que, apesar de diferente, ocupava o seu lugar e indispensável significância no seu seio.
A Manucha morreu perto de completar dezoito anos deixando um vazio que nunca nenhum de nós soube adaptar-se – dois anos mais tarde a famÃlia desmembra-se, partindo cada um para seu lado, perdidos, à procura, sem o saberem, de um significado, sem vislumbrar que tinham sido as próprias fundações que se tinham desmoronado - o elo que os unira e os ensinara a viver em famÃlia tinha desaparecido.
A Manucha não foi um Ser com uma vida vegetativa e a prova disso foi a falta que fez a todos que com ela aprenderam e a sorte que tiveram em ela morrer a seu tempo.
«Páscoa no Alentejo… », «Já agora fica a dúvida», «Outra curiosidade» por Piotr Kropotkine e «Mértola por Pedro Gomes Sanches.
os custos de um governo formado à margem da clientela do aparelho do PS começam a manifestar-se da forma mais impiedosa - Assis para a Câmara do Porto!
Aqui, no ponto 3., mostrei os meus receios quando a 11 de Março escrevi:
“O Mistério da Páscoa”
“1. Reúne-nos o dever de fazer memória. De vigiar. Contra as forças do esquecimento. Contra a memória que esquece e que, como a água, arrasta tudo na sua voragem. A vigÃlia pascal é a mãe de todas as vigÃlias durante a qual o mundo inteiro vigia, dizia Agostinho. Porque é ditosa esta noite? Porque recomeça aqui o mundo como ordem e justiça. Porque o grande Domingo começa. Porque o acontecimento pascal é o dom de Cristo presente ao seu corpo. Porque a saga da encarnação tocou o nosso desejo e a nossa carne. “Toda a carne será salvaâ€?, eis o que anuncia esta noite santa. Nesta noite Cristo desceu aos infernos assumindo a totalidade da humanidade passada e a vir. A imagem do Deus invisÃvel salvou a imagem a partir da qual fomos criados.
2. Nesta noite todas as definições anteriores e restritivas do mundo voam em estilhaços. As etimologias supostas da palavra paskein, sofrer, ou a ideia de passagem (pascha-transitus) marcaram muito o sentido desta festa. Melitão de Sardes propõe o verbo paskein, como etimologia da palavra Páscoa, sem que isso afecte a compreensão daquilo a que foi o primeiro a chamar “o mistério pascalâ€?. Militão transforma a Páscoa judia - a feliz passagem (diabasis = transitus) de Deus para lá das portas marcadas pelo sangue do cordeiro - no Logos, no seu hino sobre a Páscoa que é tanto uma homilia como um praeconium, um louvor a Deus, muito próximo do Exultet: “CorruptÃvel o cordeiro, incorruptÃvel o Senhor; imolado como cordeiro, ressuscitado como Deusâ€?.
3. Ele é a imagem pática e desejante. Páscoa é o triunfo da imagem e o triunfo da carne. O nosso destino é pascal. É o triunfo de tudo o que deve ser atravessado, a saber um ventre de mulher, a ordem do sangrento, o cumprimento do sacrifÃcio, a morte, tudo o que traz a marca da imagem e em que se encarna o desenrolar do seu destino, que é ser incorruptÃvel. A imagem tem que ver com o ventre das mães, com a questão do sofrimento, do sangue e da morte, é preciso levá-la à ressurreição. Encontrá-la sob o modo de uma visibilidade transfigurada, i.e, de uma outra matéria, de uma visibilidade espiritual. Figura para lá da figura, forma para além da forma, luz antropomórfica do mundo redimido.
4. Se não interpretamos esta saga sob a ordem do pathos – da paixão, que foi antes de tudo um paskein, a morte passa -, e sem a ressurreição, nada compreendemos do Verbo que se fez carne e não corpo, pois que ele é a vida da palavra encarnada e não a morte dum invólucro caduco. O nosso destino, como imagem, é doravante pascal. Mas nem OrÃgenes nem Agostinho se satisfazem com esta maneira de ver a Páscoa. Na paixão do Senhor e na sua ressurreição é sacralizada a nossa passagem da morte à vida (2ª Carta a Januarius, Epist. 55, a, 2). A luz é o sÃmbolo do dom de Deus, dos anos e da trindade, fonte de toda a luz. Gregório de Nazianzo vê a Páscoa como a atracção da luz para o alto e das vestes brancas que os baptizados traziam até ao domingo seguinte, in albis.
5. Não podemos olhar face a face nem a morte nem a vida. Só partilhamos o que não vemos – o invisÃvel. Para acreditar não é mais preciso tocar, é preciso renunciar a tocar para ser tocado. Os relatos de Emaús ou de Tomé são exemplares. É preciso abrir os olhos. O túmulo vazio só existe para pupilas vazias e olhares cegos. Túmulo, pupila, clausura só pode abrir-se sobre a pura luz da nova aparição da carne. Não é corpo que ressuscita, mas a carne porque é nela que assenta a similitude reencontrada. Os olhos de Tomé procuram as provas da presença de um corpo. A carne ressuscitada propõe-lhe o “contactoâ€? dos buracos! “Noli me tangereâ€?. Não podemos tocar a imagem, ela está lá para a ressurreição dos olhos e não para a reanimação dum cadáver tangÃvel. Aquele que caminha para Emaús não é uma alma penada, um simulacro fantasmático, mas a imagem eternamente viva do Verbo que permanece invisto para a cegueira do espÃrito, visÃvel para o olhar transfigurado, eikon.
6. A ressurreição não é um regresso à vida. É a glória do seio da morte, uma glória obscura cuja iluminação se confunde com a treva do túmulo. Não é um processo de regeneração (semelhante ao das mitologias como as de OsÃris ou de DionÃsio), mas consiste na relação com aquele que disse: “Eu sou a ressurreiçãoâ€?. “Quem se fia em mim, ainda que morra, viveráâ€?. Fiar-se nele, na fé, não é acreditar que pode haver ressurreição do cadáver, é manter-se com firmeza na certeza duma posição diante da morte. É isso a anastasis. Esta revelação mostra que nada há a mostrar, a aparecer; não há “adeusâ€? entre Jesus e Maria. O corpo glorioso é simultaneamente aquele, que parte e aquele que fala, e que fala partindo, apagando-se tanto na obscuridade do túmulo como no aspecto do jardineiro. A sua glória só brilha para aqueles que o sabem ver e os seus olhos nada mais vêem que o jardineiro. Mas este fala e diz o nome daquela que chora o desaparecido. Dizer o nome é o que morre e não morre. É dizer o que parte sem partir (o que fica gravado nos túmulos). “Maria!â€? revela Maria a si própria, revelando-lhe ao mesmo tempo a voz que se vai e que a nomeia e o envio a que o seu nome compromete: que ela parta também e que anuncie a partida, o dia, a glória do ressuscitado e a nossa.
7. A vida do ressuscitado está escondida em vós, como o fermento que leveda o pão e essa massa é a espessura da nossa humanidade sofrente, pecadora, jubilosa. A vida do ressuscitado é-nos dada, mas ela é discreta e leve como uma palavra ou um perfume. Mataram o profeta em sexta feira santa para o fazer calar, mas hoje a palavra do pastor convoca ainda, suscitando testemunhos que encarnem esta palavra e a transplantem para a terra boa do desejo de que o amor os toque. Esta Palavra tocou-nos através dos homens e mulheres que dela testemunharam na sua vida. A vida do ressuscitado está escondida em vós, como o fermento que leveda o pão e essa massa é a espessura da vossa humanidade sofrente, pecadora, jubilosa. A vida do ressuscitado é-nos dada, mas ela é discreta e leve como uma palavra. Nós somos vivos no meio do Vivo. Sexta feira santa mataram o profeta para o fazer calar, mas hoje a palavra da vida brota do túmulo e suscita testemunhos para tomar corpo no mundo e chegar às extremidades da terra para que todos ouçam este anúncio do amor de Deus. É a nossa vez: deixemo-nos habitar por essa Palavra para que a nossa vida se torne auto-revelação da Vida. Que o Verbo tome carne nas nossas Igrejas. Esta Palavra tocou-nos através de homens e mulheres que dela testemunharam na sua vida. É a nossa vez: deixemo-nos habitar por essa Palavra para que a nossa vida fale da primavera da vida, J. C.
8. Para nós, que chegamos aqui, amanhã será como ontem? A resposta foi confiada à nossa fé que é tanto uma estrada escura como uma estrada branca. Acreditemos na vida de Cristo mais forte do que a morte. Acreditemos na sua força, capaz de nos acordar do torpor e do amolecimento, como o grão que na primavera faz acordar a terra. Acreditemos na vitória da vida, na insubmissão que ergue o mundo. A repetição anual da festa só tem sentido se o cristão refaz a passagem da morte à vida que foi a do seu baptismo. Ele passa assim, “de Adão ao Cristo, do homem velho ao homem novo, do velho fermento aos ázimos, do velho ao novoâ€?, dos dias daqui ao dia único que é Cristo. Toda a vida do cristão e da Igreja é uma saÃda do Egipto marcada por diferentes passagens, desde a primeira, a da conversão à fé, até à última, a da migração fora do corpo e do mundo.
9. Todo o instante é Páscoa, toda a vida é passagem, toda a vida é eucaristia. O jardineiro não cuida a lembrança mas o imemorial do partir e do porvir. A ressurreição não é uma reanimação: é o prolongamento infinito da morte que desloca e que desinstala todos os valores de presença e de ausência, de animado e de inanimado, de alma e de corpo. É a extensão do corpo à medida do mundo e da proximidade de todos os corpos. A morte abre a relação, a partilha da partida. Estamos sempre a ir e a vir. Divididos entre o conhecido e o desconhecido, o visÃvel e o invisÃvel. Entre a presença e a separação.
10. Quando, em nome de Jesus, mulheres e homens se reúnem para receber o alimento necessário para se manterem de pé, fazem-no porque este Corpo único para que são convocados os atrai. Jesus atrai-nos a partir do seu mistério pascal para que nos irmos tornando com Ele imagem pascal. O destino do nosso corpo é vir a ser um corpo de glória, “soma pneumatikonâ€?, um corpo espiritual. Com as mulheres que choram junto à cruz; com os discÃpulos que correm ao sepulcro e acreditam, proclamemos nós também: Cristo, o Senhor ressuscitou, aleluia!”
Transcrição de homilia de José Augusto Mourão op. daqui.
Assunção
Que anuncia esta festa? A nossa vida está inteiramente imersa no mar de Deus. Deus vem para a totalidade da existência, não apenas para a nossa alma: assim como nos acordou para a existência, assim nos adormecerá. A dormição da Virgem na Vida de Deus promete a nossa dormição em Deus. Nós somos, enquanto arcas que transportam a promessa, corpos em devir, a caminho da ressurreição.
1 - A assunção aponta para um mundo apocalÃptico em que se desvelam as nossas orientações e as nossas energias. Esta festa indica o devir do nosso corpo, da integralidade do que somos assumidos por Deus, o que é morrer e o que é viver.
2 - Daqui olhamos o presente – o deserto – que é o lugar das tentações e da prova, das decisões éticas, lugar do crescimento da consciência inteligente que obriga a alargar os horizontes, que obriga à atenção e às escolhas contextualizadas, incarnadas.
3 - O tempo que aà vem (virtual, maquÃnico, efémero e presente trágico) está a desconstruir, através do seu plano de imanência mundial, todas as nossas evidências biológicas, éticas e polÃticas.
4 - Afinal, o presente é o tempo do Magnificat. A releitura das metamorfoses e das revoluções: não há só o que está porque assim é que convém (que haja quem abuse do poder, sem escrúpulos, quem acumule riquezas produzidas pelo trabalho mal pago, quem explore os corpos e os humilhe, senhores da vida e da morte diante dos sem defesa legal e sem partido - tanta gente a fugir da guerra; tanta fome ainda dizimando povos); há o que esperamos das promessas de amor e de justiça; há os fracos oprimidos aguardando a hora da liberdade e do direito; há a paz possÃvel e uma ordem que não corresponde à nova ordem mundial que os poderosos deste mundo impõem.
5 - Maria precede-nos nessa percepção crÃtica, nessa indignação e nessa acção de graças pela liberdade que a marcou inteiramente como segunda Eva. É ela que nos revela o nosso destino de crentes a partir da sua experiência de desprendimento.
6 - A Assunção diz-nos que viver não é evadir-se do mundo, mas olhar de frente o que há em nós sem desesperar; nós todos reflectimos como num espelho a glória (2 Co 3,18); não temos que humilhar o nosso corpo de carne para melhor exaltar a nosso corpo de glória; é preciso afirmar uma certa continuidade entre o que somos e o que seremos. Há em cada um de nós um poder de metamorfose ascendente, uma capacidade de espiritualização do nosso próprio corpo; tudo depende da nossa maneira de habitar o nosso corpo e da nossa maneira de estar no mundo; temos de nos bater não só abstractamente pela dignidade do homem e da mulher, mas pela dignidade do corpo: o fantasma do corpo perfeito, o inferno da tortura, o aviltamento, a desfiguração não é uma fatalidade; a única resposta ao excesso do mal é o excesso do amor. Este mundo é cruel: os traços da glória de Deus neste mundo já não são as igrejas douradas, mas os sinais e os prodÃgios da caridade.
7 - A crença espera o espectáculo e inventa-o se preciso. A fé consiste em ver e ouvir o que não traz nada de excepcional para o olhar e o ouvido comuns. Ela sabe ver sem tocar. O mistério é aquilo que se ilumina por si próprio, aquilo que brilha do fundo da sombra. O corpo ressuscitado continua a ser um corpo terrestre e na sombra.
8 - A ressurreição não é um regresso à vida. É a glória no seio da morte: uma glória obscura cuja iluminação se confunde com a treva do túmulo. Em vez do contÃnuo da vida passando pela morte, trata-se do descontÃnuo duma outra vida na morte. A ressurreição não é um processo de regeneração (semelhante ao das mitologias de Osiris ou Dioniso), mas tem lugar na relação à quele que diz: “Eu sou a ressurreiçãoâ€?. A ressurreição não é uma reanimação: é o prolongamento infinito da morte que desloca e desinstala todos os valores de presença e de ausência, de animado e de inanimado, de alma e de corpo.
9 - “Quem se fia em mim, mesmo que estivesse morto, viveráâ€?. Fiar-se nele, estar na fé, não é acreditar que pode haver regeneração do cadáver: é manter-se com firmeza diante da morte. Este “manter-seâ€? constitui propriamente a anastasis , a ressurreição, isto é o levantamento (a insurreição, que é outro sentido possÃvel do termo grego). Nem regeneração nem reanimação, nem palingénese, nem renascimento nem reincarnação: mas o levantamento enquanto verticalidade perpendicular ao horizonte do túmulo. Importa saber que a anastasis não provém de si, do sujeito próprio, mas do outro: ela vem-lhe dum outro. É o outro que se levanta e que ressuscita em mim morto. É o outro que resssuscita por mim. “Ressusciteiâ€? não significa uma acção que eu teria exercido, mas uma passividade sofrida ou recebida. “Morriâ€? (palavra impossÃvel) e “ressusciteiâ€? dizem a mesma coisa, a mesma passividade.
10 - Suspensa, como uma luz impassÃvel entre o Universo e Deus, a Virgem dorme. Através da sua transparência serena, espraia-se a onda criadora, carregada de virtude natural e de graça. Que outra coisa é a Virgem? (T. de Chardin)
11 - A morte abre a relação, i.é., a partilha da partida. Cada um vem e parte sem fim. Aquilo que se apresenta como o fim revela-se sem fim. É o corpo carnal que revela o corpo glorioso. Só um corpo pode ser abatido ou levantado. Hoje é o dia em que festejamos a libertação total da existência, a sua assunção por Deus. Que a Virgem, Arca, nos transporte para o louvor e o Magnificat de todos os dias que é o nosso Credo.
A propósito do que escrevei (aqui, aqui e, na Torre de Menagem, aqui) sobre o facto de Pita Ameixa tirar as ilações polÃticas adequadas - a demissão da liderança da Federação do Baixo Alentejo - devido à s posições publicamente assumidas por Jorge Sampaio e José Sócrates de não esquartejar o paÃs nem o Alentejo em “comunidadezinhas intermunicipais”, conforme estipulam as Leis-Quadro da lavra do Dr. Miguel Relvas, o Francisco Nunes, na sua PlanÃcie Heróica, disse que «(…) é um sonho que alguém por aqui peça a demissão tão perto das autárquicas. É cá uma intuição… se calhar cimentada pela personalidade e ambição dos protagonistas que a servem.»
Ora, sonho ou não, com autárquicas à porta ou não, é hoje bem visÃvel uma estranha conjugação de interesses entre LuÃs Pita Ameixa e José Raul dos Santos, através da leitura de vários sinais cujo primeiro o Francisco apelidou, e bem, de “Traição do Funchal”, em homenagem ao local onde há cerca de 1 ano os representantes do PS e do PSD do Distrito de Beja se juntaram num fim-de-semana para conluiarem a destruição da AMDB - Associação de MunicÃpios do Distrito de Beja e criação de uma comunidade intermunicipal composta pelo Baixo Alentejo e Alentejo litora. Que sinais? Vejamos cronologicamente:
1 - A imposição de um regime de ilegalidade na AMDB, com os votos do PS e do PSD, durante quase 1 ano, deixando todos os seus funcionários sem qualquer protecção legal no caso de surgir alguma fatalidade;
2 - Criação, a correr e à pressinha, da “AMBAAL - Associação de MunicÃpios de Baixo Alentejo e Alentejo Litoral”, cujos corpos sociais foram eleitos por unanimidade, entre Presidentes de Câmara do PS e do PSD, na passada 6ª feira (ver notÃcia);
3 - José Raul dos Santos, eleito deputado pelas listas do PSD do Porto, envia de Ourique para os cidadãos do Distrito uma carta timbrada com o “Escudo Nacional” com um texto publicitário onde anuncia ser um porta-voz autêntico das gentes alentejanas, tendo sido ridicularizado já por LuÃs Nazaré, no Causa Nossa e pelo Francisco Nunes na PlanÃcie Heróica;
4 - Conforme vem noticiando a Rádio Pax desde ontem, a primeira reunião da tal “AMBAAL - Associação de MunicÃpios de Baixo Alentejo e Alentejo Litoral” ocorrerá já hoje para decidir, entre outras coisas, o futuro do Aeroporto de Beja (ver notÃcia), conforme denunciámos na Torre de Menagem, aqui;
5 - Hoje, novamente na Rádio Pax, noticia-se em discurso directo «Raul Santos disponÃvel para defender região» e, mais adiante, na mesma notÃcia, pode-se ler «Já ontem Raul Santos e LuÃs Ameixa encontraram-se e abordaram questões relacionadas com a região, conforme, na Torre de Menagem, já dei conta.»
Diante destes sinais restarão dúvidas de que possa existir, há algum tempo, uma estratégia concertada entre as lideranças do PS e do PSD do Distrito de Beja para tomar o poder de assalto, dividindo o Alentejo em mini-latifúndios dispostos às suas mercês?
Estimado Francisco, sabes que não sou votante no PCP e por isso estou à vontade para dizer que pode até ser que seja um sonho, pode até ser que seja pedir demais, mas permanecermos calados nas mãos destes dirigentes polÃticos é permanecermos de costas voltadas para o desenvolvimento do Alentejo e para a renovação da classe politiqueira que nos tem subjugado e preso ao atavismo medÃocre em que vivemos!
Pergunto o que já perguntei noutro lado: de quem é a culpa? De todos nós, dos que se calam e dos que nesta gente votam e, acrescento agora, das direcções nacionais dos Partidos que permitem que polÃticos desta estirpe cheguem a lugares de responsabilidade como agora o fizeram - Deputados da República!
adenda: o Nikonman foi o primeiro a mostrar a carta de José Raul dos Santos.
Ontem lá fui à Biblioteca Municipal de Beja assistir à apresentação do livro de poemas (textos, nas palavras do autor) de José Manuel Carreira Marques.
Trata-se de uma recolha datada que revela perfumes e estados de alma desencontrados do autor durante 3 anos e meio da sua vida.
Folheei o livro e, tal como disse Mário Mássimo a quem coube a apresentação, trata-se de poesia na boa tradição da linguagem dos afectos e não da nova vaga de tratamento estruturalista das palavras. Deixo-vos um que li e gostei particularmente:
Nem o mar sabe do meu naufrágio.
Há um vazio silencioso
e profundo
onde me agarro.
Veja as algas plantadas
nos navios naufragados
e oiço os queixumes dos mártires.
São os meus companheiros de infortúnio
que me olham espectrais e espantados
porque ninguém naufraga assim.
A divulgação que o Leonel Vicente tem vindo a fazer sobre “LÃ?NGUAS MINORITÃ?RIAS NA EUROPA” (já vai na XVIIª entrada) na sua Memória Virtual são mais um exemplo de que serviço público sério pode fazer-se em qualquer meio de comunicação, desde que se queira!
Parabéns Leonel Vicente!
Nesta entrada do Jumento o Roncinante mostra-se espantado com o tipo de negócios imobiliários do Millenium/BCP. Há muito para espantar e já de alguns anos a esta parte na gestão engenhosa daquela instituição e, por isso, transcrevo aqui o comentário que lá deixei:
«Infelizmente, caro Roncinante, a coisa é bem mais grave e conta-se em meia-dúzia de linhas:
1 - ao arrepio da vontade dos accionistas privados o Estado entregou na secretaria o ex-grupo BPA (englobava o BPA e a Bonança) ao BCP na pseudo-privatização, as 2 empresas do Estado com mais bens imobiliários do PaÃs;
2 - O BCP, à custa dos Mello e de Champalimaud, ficou ainda de posse da Império, da Mundial Confiança e do Sotto Mayor;
3 - o BCP faz desaparecer as marcas mais implantadas e divide o grupo em dois - “BCP” e “Seguros e Pensões”;
4 - O BCP aliena com grandes mais-valias todo o património imobiliário de todas as empresas;
5 - A “Seguros e Pensões” começa a dar enormes prejuÃzos e a tentativa de a vender é sucessivamente gorada devido aos prejuÃzos da exploração dos seguros dos ramos não-vida;
4 - Coincidência das coincidências, Bagão Félix vai para o poder (administrador do BCP até Junho de 2004) e aparece a Caixa Geral de Depósitos, qual benemérita, interessada em comprar as empresas deficitárias da “Seguros e Pensões” - a Bonança, a Mundial Confiança, a Império e a Ocidental - enquanto os ramos vida, restáveis são vendidos a uma multinacional.
Ora o Estado privatizou barato empresas rentáveis e com activos patrimoniais signiticativos e comprou mais caro as mesmas empresas agora altamente deficitárias e expurgadas de qualquer património imobiliário, que o mercado nunca compraria!
Negócios assim, bem eu gostaria de os fazer…»
Acrescento agora: são os tais negócios neo-liberais que um liberal não compreende e se calhar não são mesmo para entender!
Hoje, à s 21:30h, na Biblioteca Municipal de Beja, ocorrerá a apresentação, por Mário Máximo, do 2º livro de poesia de Carreira Marques - “Sol Incendiado”.
Carreira Marques é Presidente da Câmara de Beja há 23 anos embora já tenha manifestado a sua vontade em dedicar-se exclusivamente à poesia não se racandidatando a novo mandato.
Pelo que vamos lendo no seu blogue, Pedra a Pedra, acreditamos que ganharemos um bom poeta, mas enquanto cidadão sei que perderemos um dos bons Presidentes de Câmara deste paÃs.
Boa sorte, Carreira Marques, para este novo ciclo de vida.
De la torpe ignorancia que confunde
lo mezquino y lo inmenso;
de la dura injusticia del más alto,
de la saña mortal de los pequeños,
¡no es posible que huyáis! cuando os conocen
y os buscan, como busca el zorro hambriento
a la indefensa tórtola en los campos;
y al querer esconderos
de sus cobardes iras, ya en el monte,
en la ciudad o en el retiro estrecho,
¡ahà va!, exclaman, ¡ahà va!, y allà os insultan
y señalan con Ãntimo contento
cual la mano implacable y vengativa
señala al triste y fugitivo reo.
2
Cayó por fin en la espumosa y turbia
recia corriente, y descendió al abismo
para no subir más a la serena
y tersa superficie. En lo más Ãntimo
del noble corazón ya lastimado,
resonó el golpe doloroso y frÃo
que ahogando la esperanza
hace abatir los ánimos altivos,
y plegando las alas torvo y mudo,
en densa niebla se envolvió su espÃritu.
3
Vosotros, que lograsteis vuestros sueños,
¿qué entendéis de sus ansias malogradas?
Vosotros, que gozasteis y sufristeis,
¿qué comprendéis de sus eternas lágrimas?
Y vosotros, en fin, cuyos recuerdos
son como niebla que disipa el alba,
i qué sabéis del que lleva de los suyos
la eterna pesadumbre sobre el alma!
4
Cuando en la planta con afán cuidada
la fresca yema de un capullo asoma,
lentamente arrastrándose entre el césped,
le asalta el caracol y la devora.
Cuando de un alma atea,
en la profunda oscuridad medrosa
brilla un rayo de fe, viene la duda
y sobre él tiende su gigante sombra.
5
En cada fresco brote, en cada rosa erguida,
cien gotas de rocÃo brillan al sol que nace;
mas él ve que son lágrimas que derraman los tristes
al fecundar la tierra con su preciosa sangre.
Henchido está el ambiente de agradables aromas,
las aguas y los vientos cadenciosos murmuran;
mas él siente que rugen con sordo clamoreo
de sofocados gritos y de amenazas mudas.
¡No hay duda! De cien astros nuevos, la luz radiante
hasta las más recónditas profundidades llega;
mas sus hermosos rayos
jamás en torno suyo rompen la bruma espesa.
De la esperanza, ¿en dónde crece la flor ansiada?
Para él, en dondequiera al retoñar se agosta,
ya bajo las escarchas del egoÃsmo estéril,
o ya del desengaño a la menguada sombra.
¡Y en vano el mar extenso y las vegas fecundas,
los pájaros, las flores y los frutos que siembran!
Para el desheredado, sólo hay bajo del cielo
esa quietud sombrÃa que infunde la tristeza.
6
Cada vez huye más de los vivos,
cada vez habla más con los muertos
y es que cuando nos rinde el cansancio
propicio a la paz y al sueño,
el cuerpo tiende al reposo,
el alma tiende a lo eterno.
7
Asà como el lobo desciende a poblado,
si acaso en la sierra se ve perseguido,
huyendo del hombre que acosa a los tristes,
buscó entre las fieras el triste un asilo.
El sol calentaba su lóbrega cueva,
piadosa velaba su sueño la luna
el árbol salvaje le daba sus frutos,
la fuente sus aguas de grata frescura.
Bien pronto los rayos del sol se nublaron.
la luna entre brumas veló su semblante,
secóse la fuente, y el árbol nególe,
al par que su sombra, sus frutos salvajes.
Dejando la sierra buscó en la llanura
de otro árbol el fruto, la luz de otro cielo;
y a un rÃo profundo, de nombre ignorado,
pidióle aguas puras su labio sediento.
¡Ya en vano!, sin tregua siguióle la noche,
la sed que atormenta y el hambre que mata;
¡ya en vano!, que ni árbol, ni cielo, ni rÃo,
le dieron su fruto, su luz, ni sus aguas.
Y en tanto el olvido, la duda y la muerte
agrandan las sombras que en torno le cercan,
allá en lontananza la luz de la vida,
hiriendo sus ojos feliz centellea.
Dichosos mortales a quien la fortuna
fue siempre propicia… ¡Silencio!, ¡silencio!,
si veis tantos seres que corren buscando
las negras corrientes del hondo Leteo.
Ontem disse que nem no programa eleitoral nem no programa do Governo se vislumbrava o caminho que José Sócrates pretendia dar às Leis-Quadro 10 e 11 de Maio de 2003, sobre a descentralização.
Hoje, no seu discurso de apresentação do programa de Governo, o Primeiro-Ministro corrobora as palavras do Presidente da República ao afirmar que inviabilizará as dispersões de ministérios e as descentralizações aprovadas pelo Governo de Durão Barroso, optando por incremenbtar uma forte descentralização para as Regiões-Quadro, isto é, para as 5 regiões continentais oficialmente reconhecidas pela União Europeia, nas quais existem as estruturas conhecidas por Comissões de Cooredenação de Desenvolvimento Regional, reunificando o Alentejo num só, como sempre deveria ter sido feito, embora não tivesse adiantado (também não o local e o momento próprios) sobre se iria rever ou revogar simplesmente as aludidas Leis-Quadro.
Ao dizer isto o Primeiro-Ministro faz ruir pela base toda a estratégia da Federação do Baixo Alentejo do PS que, sob a a liderança de LuÃs Pita Ameixa, travou toda e qualquer medida para o desenvolvimento do Baixo Alentejo, nomeadamente ao empurrar a Associação de MunicÃpios do Distrito de Beja para a ilegalidade e inoperância, situação que se manteve durante mais de um ano.
Perante isto, e se vergonha ainda houver, não resta outra saÃda à actual direcção da Federação do Baixo Alentejo do PS que não seja a demissão.
Mas como a vergonha só envergonha envergonhados não me admiraria muito que Pita Ameixa apareçesse por aÃ, de repente e efusivamente, a defender uma só região para o Alentejo depois de se ter conluiado com o PSD, em reunião no Funchal, para o estabelecimento da Comunidade Interurbana do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral.
As palavras de José Sócrates que poderão ter passado despercebidas, são um acto polÃtico, é certo, mas acima do mais um acto de boa gestão e operacionalidade.
A vida é assim…
Prontos, já aviei o programa e do que li nada vi que se pudesse adequar ao que o Presidente da República disse em Nisa, lembram-se? Foi mais ou menos assim:
«- os alentejanos devem ter uma liderança forte e uma só voz e deixarem-se dessas coisas de comunidades interurbanazinhas (…)»
Trocando isto por miúdos, o que o que Jorge Sampaio disse foi peguem nessas Leis-Quadrinho 10 e 11 de 2003, que esquartejam este paÃs aos retalhos, e deitem-nas ao lixo.
Ora eu deito já, é que nem ginjas, mas assomaram-se-me duas dúvidas:
1 - o programa eleitoral do PS e o programa do governo são omissos quanto à revogação dessas Leis-Quadrinhos;
2 - o Pita Ameixa deixará? E se deixar o que pensará a Federação do Baixo Alentejo do PS que tudo fez parar até ser dona dessa futura “quintinha”, uma tal de Baixo Alentejo e Alentejo Litotal?
3 - depois de Pita Ameixa ter construÃdo todo a sua visão do Alentejo na aplicação dessas Leis como é que ele tem cara para se manter na liderança do PS do Distrito de Beja?
Talvez só mesmo o Primeiro-Ministro possa deslindar este enigma!
A ver nos vamos…
Há gajos que já despacharam as 161 páginas em “PDF” do programa do Governo, já as assimilaram, já as dissecaram, já debitaram pareceres e, em calhando, já elaboraram um programa alternativo!
É por estas e por outras que não poderei ser jornalista nem comentador desportivo…, entre muitas outras coisas!
Foda-se, quando for grande quero ser assim!
No meu caso, pelo menos, representam um desvio para cerca do dobro das visitas que os meus contadores registam!
É o que afirma o Rui Curado Silva, na sua Klepsýdra, a propósito “de opiniões que ultimamente têm andado a circular nos meios de comunicação social portugueses sobre a opção nuclear”.
As pessoas que sabem o que dizem e dizem o que sabem têm cada vez menos espaço de comunicação e facilmente são rotuladas de arrogantes!
São exactamente essas pessoas que me interessa ouvir, como o Rui Curado Silva!
Texto imprescindÃvel!
Em tempos escrevi um comentário no Contemporâneas de Teresa Cascudo sobre o Concerto para 2 pianos e Orquestra de Sérgio Azevedo onde, entre outras coisas disse:
tendo obtido uma interpretação dÃspar, com direito a resposta, por parte do compositor, que considero.
Entendi por bem responder a um e-mail pessoal do próprio Sérgio Azevedo e nada dizer ou escrever publicamente sobre o assunto por poder tornar-se demasiadamente melindroso.
Em boa hora tomei esta decisão pois, mais tarde, o próprio compositor vem a escrever sobre a sua obra o segyuinte:
Dou, assim, este assunto por encerrado esperando que de futuro não se leia nem interprete o que nunca quis dizer ou escrever.
Aproveito para aqui divulgar, com grande alegria, que a gravação desta obra, efectuada pela Rádio Nacional de España, a 10 de Junho de 2003, com Artur Pizarro e António Rosado nos pianos e a Orquesta de la Comunidad de Madrid, dirigida por Luca Pfaff, será adquirida pela Antena 2 da RTP, à semelhança do que deveriam fazer com muitas outras belÃssimas obras dos nossos compositores lá estreadas e gravadas e nunca ouvidas no nosso paÃs.
Ontem recebi um e-mail do P.G. Sanches com aquilo que ele pensava ser uma provocação por se tratar de um artigo de um autor que não é das minhas preferências, João Pereira Coutinho, publicado no Independente em 7 de Fevereiro de 2003 e on-line aqui. Transcrevo um excerto com destaque meu:
Subscrevendo eu isto, tim-tim pot tim-tim, considerando até que a causa essencial da decadência ocidental é o arrivismo e a falta de educação (em casa e na escola e no trabalho e na rua e nos meios de comunicação social), pergunto eu, isto é ser de direita?, é ser de esquerda?
Para mim nem uma coisa nem outra, é ser marginal, marginal à s etiquetas esquerda/direita volver, marginal a esta vulgaridade que, com a arrogância que lhe é caracterÃstica, domina o poder em todos os sentidos e formas!
Marginal e elitista!
Em boa hora António Saleiro partir há uns anos para outras paragens (tal como o José Raul dos Santos e Pita Ameixa agora), mas não há meio da gente se livrar dele definitivamente!
Depois de se mostrar disponÃvel para se candidatar pelo PS à Câmara de beja e levar sopa, agora diz que quer ganhar a Associação Comercial do Distrito de Beja e para isso promete «lutar contra as grandes superfÃcies»! (ver em Diário do Alentejo)
Nem Cervantes conseguiu que D. Quixote encontrasse moÃnhos de vento tão refinados!
Será que daqui por uns dias proporá a edificação de uma grande superfÃcie em Rosal de la Frontera?
Quando é que o Alentejo se livra desta malta tão bestialmente iluminada?
Em comentário ao post anterior o José Gonçalves afirmou ser preocupante um certo “machismo� no governo.
Ora, confesso que a ausência de paridade homens/mulheres num governo não me incomoda absolutamente nada desde que não seja premeditada.
No entanto, pretendo precisar que o machismo é um problema cultural me preocupa de sobremaneira, mas que deve começar por se tratar em casa, na famÃlia, através da educação, da assistência social, do apoio psicológico e psiquiátrico, se necessário. Se aÃ, dentro de portas, não houver machismos nem feminismos, esta chaga social fica resolvida.
Agora não pretendam abordar este multi-secular quadro mental com quotas pois é ridÃculo - as quotas só servem para escamotear a realidade. Aliás, na Assembleia da República já há uns anos que há quotas e a violência doméstica não cessa de crescer!
A chuva de acusações sobre a falta de paridade sexual na constituição deste governo deu-me que fazer! Foi, sem margem para dúvida, a mais mediática crÃtica a José Sócrates e não compreendi a desvalorização a que o PS a votou.
Só socorrendo-me do dicionário é que alcancei o busÃlis da questão: paridade vem do latim paritate e significa “qualidade de par ou igual” e não de parere que derivou para “parir”, no caso significando produzir em sentido figurativo.
Ora como o que pretendemos é que este governo produza e não que seja semelhante ao que quer que seja muito menos aos anteriores, fiquei descansado.
Se a questão fosse de deficiente parir (produzir), aà sim, mereceria desde já a minha mais profunda indignação.
O VirgÃlio Marques dá-nos uma belÃssima notÃcia no blogue Guilhermina Suggia sobre a criação da Associação com o nome da insÃgne violoncelista, mas vai adiantando que não chegam as boas palavras e as boas vontades…
Esquecimento imperdoável foi o facto de no post que dediquei a Dianne Reeves não ter mencionado a sua participação no tema “”Feeliong og Jazz” que abre o Cd de Winton Marsalis, “The Magic Hour“, editado o ano passado.
Dei por aqui nota dele, mas concretamente sobre este blues de Marsalis, eu que não sou de “best of’s”, sempre digo que foi o tema que ouvi e ouço com mais regularidade desde que o tenho, diariamente, digámos!
Um blues em tempo lento (a semÃnima não passa dos 72) durante 7 minutos onde voz e trompete dialogam acompanhados acusticamente, sem nos cansar, é um feito notável.
Para os menos identificados com o estilo, o blues baseia-se numa estrutura de 12 compassos 4/4 sobre 3 harmonias - tónica, mediante e sétima da dominante - estrutura esta repetida as vezes que os intérpretes ousarem improvisar sobre ela.
Neste “Feeling of Jazz”, de tempo lento, repito, e ambiente calmo, desenrola-se uma teia de crescente cumplicidade e tensão progressiva que apenas vem a atingir o clÃmax após o 5º minuto, numa explosão lógica, simples e construÃda na reciprocidade entre a voz de Dianne e o trompete de Winton, para lentemente regressarem à distensão do inÃcio do tema para o concluirem.
É um tema de antologia, seguramente, em especial para aqueles que ainda não se deixaram apnhar pelo Jazz, devido à simplicidade (muito complexa) de construir tensão e distensão presos a uma harmonia e uma estrutura pré-definidas.
Aqui fica esta nota de esquecimento imperdoável sobre o talento de Dianne. Vão ouvi-la, pela vossa saúde!
(cópia de comentário deixado na PlanÃcie Heróica)
Eu regresso a Amin Maalouf pelo que o Francisco já enunciou e pelo facto de se tratar de um árabe que defende, há muitos anos, uma coexistência pacÃfica entre israelitas e seus vizinhos desde que os primeiros restituam os territórios ocupados em 67 e que os segundos abandonem de vez a guerrilha armada, para uns, os actos de terrorismo, para outros - uma questão de nomenclatura e lado em que se posiciona.
Será a questão israelo-palestiniana é o pomo de questão? Será que após ser pacificamente resolvida os árabes cessassarão os actos terroristas conforme muita da “esquerda” defende?
Temo bem que não. É que o que para o que faz com que os árabes se sintam vilipendiados é o estado de pobreza que a exploração, ora da ex-U.R.S.S., ora dos EUA, os conduziu, para mais sabendo que a sua riqueza esgotar-se-á em 50 anos deixando-os novamente plenos de areia para explorar.
É neste sentido que aplaudo as palvras de Amin Maalouf, aproximarmo-nos deles, mostrar-lhes como pode ser feito, como poderão obter um padrão de vida menos pungente é o caminho adequado para que os mais jovens não sintam que o único meio de subsistência e reconhecimento social que possuem é matar ocidentais!
Ora isto não se faz com armas, faz-se com palavras e respeito mútuo.
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