Isto é de esquerda ou de direita?
Ontem recebi um e-mail do P.G. Sanches com aquilo que ele pensava ser uma provocação por se tratar de um artigo de um autor que não é das minhas preferências, João Pereira Coutinho, publicado no Independente em 7 de Fevereiro de 2003 e on-line aqui. Transcrevo um excerto com destaque meu:
Subscrevendo eu isto, tim-tim pot tim-tim, considerando até que a causa essencial da decadência ocidental é o arrivismo e a falta de educação (em casa e na escola e no trabalho e na rua e nos meios de comunicação social), pergunto eu, isto é ser de direita?, é ser de esquerda?
Para mim nem uma coisa nem outra, é ser marginal, marginal às etiquetas esquerda/direita volver, marginal a esta vulgaridade que, com a arrogância que lhe é característica, domina o poder em todos os sentidos e formas!
Marginal e elitista!
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…e ainda pior que toda essa vulgaridade em Portugal, é a vulgaridade e piroseira que vive nos USA; a cultura geral daquela gente, a mentalidadezinha tacanha que rege aquela maioria que pensa que o mundo deve ajoelhar-se a seus pés…
Um dia, em San Franciisco onde fui actuar numa festinha de portugueses emigrantes,pediram-me uma entrevista a um canal da cable. A 1ª pergunta que me foi feita pelo pivot do telejornal da estaçãozinha de Tv local foi-” So…How ’s your King?”-Fiquei estupefacta, não percebi a pergunta, o homem repetiu (!!!) e eu, sem paciencia nenhuma (é que não tenho mesmo!) disse-lhe: “Oh my King! I see…Well I just came to America to Know that Portugal has a King!.I didnt knew that!” O homem ficou verde, disfarçou…e começou a fazer perguntas sobre Amália Rodrigues, e lá fui respondendo….
E viva a cultura ocidental!
Oh, meu amigo!!!
Marginal admito, já que na cultura dominante ser-se conservador é estar-se à margem! Elitista indiscutivelmente.
Permita-me só uma pequena provocação: não é o elitista, por definição, um marginal?
Considero ser fundamental ao desenvolvimento pessoal uma certa marginalidade, tal como considero que são as áreas marginais da sociedade que mais a impelem a mudar (seja em que sentido for). Mas acho o elitismo algo absolutamente desnecessário e, muitas vezes, também ele me parece deprimente e de extremo mau gosto - todo ele.
Deixe lá, que isto é só a opinião de alguém que neste momento está sem pachorra para escrever no seu próprio blogue…
http://sem-terra.weblog.com.pt/arquivo/2005/03/_a_mercadoria_e.html
— A mercadoria é uma mercadoria que tenta passar por mercadoria, aaa… de valor — explicou o capitão da Brigada Fiscal da GNR para as câmaras da SIC. Segundo percebi, ele procurava definir contrafacção….
A regressão cultural
O texto que transcrevi na entrada anterior sugeriu-me umas quantas observações sobre o momento cultural que se vive actualmente em Portugal. Já antes, uma entrada do Ideias Soltas me suscitara alguma reflexão sobre isso. A razão pela qual parece estar…
Estimada Valéria Mendez - muito obrigado;
Pedro Gomes Sanchhes - pelos vistos terei de voltar ao tema! Ser marginal à vulgaridade e elitista no sentido de não pactuar com ela não implica ser de direira nem de esquerda, nem ser conservador, reformista ou até revolucionário! Implica isso sim bater-se da forma mais adequada pelos ideais que defendemos.
Zee Tee - sobre o elitismo fui ao seu blogue apôr um comentário embora mais tarde tenha de aqui precisar o que pretendo dizer. Não, não acho que ser elitista (neste caso) implique não ser democrata, bem pelo contrário, nãop acredito numa democracia sem elites fortes e activas.