Ontem lá fui à Biblioteca Municipal de Beja assistir à apresentação do livro de poemas (textos, nas palavras do autor) de José Manuel Carreira Marques.
Trata-se de uma recolha datada que revela perfumes e estados de alma desencontrados do autor durante 3 anos e meio da sua vida.
Folheei o livro e, tal como disse Mário Mássimo a quem coube a apresentação, trata-se de poesia na boa tradição da linguagem dos afectos e não da nova vaga de tratamento estruturalista das palavras. Deixo-vos um que li e gostei particularmente:

Nem o mar sabe do meu naufrágio.
Há um vazio silencioso
e profundo
onde me agarro.
Veja as algas plantadas
nos navios naufragados
e oiço os queixumes dos mártires.
São os meus companheiros de infortúnio
que me olham espectrais e espantados
porque ninguém naufraga assim.


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