Hospitais - de S.A.’s a E.P.E.’s | Ideias Soltas

Hospitais - de S.A.’s a E.P.E.’s


A transformação da entidade jurídica dos hospitais s.a., anunciada no programa eleitoral do PS, de “sociedades anónimas” em “entidades públicas empresariais” é , como bem afirmou José Sócrates, um sinal de que este governo não tem intenção de os privatizar, nada mais.
Conforme noticia o JN, José Sócrates afirmou “Queremos que os hospitais-empresas continuem empresas, mas que continuem públicos e do sector público“, ou seja, por outras palavras, a pretensão será a de aperfeiçoar o sistema e os mecanismos de gestão dessas unidades de saúde.
Descartando-me do velho embuste de que gestão privada é melhor que a pública ou vice-versa (nunca tive pachorra para debater falsas questões), o que importa saber é se a gestão é boa ou má (utilizando as palavras do Rui MC Branco) e adequada ou não aos fins que se pretendem atingir.
Partindo do princípio de que este governo pretenderá incrementar o rigor e a transparência e atribuir os cargos de gestão a gestores, com imposição de missões e objectivos claros e precisos sob os quais se avalie o seu desempenho, deixando a medicina para os médicos e a enfermagem para os enfermeiros, é imperioso definir, criteriosamente a grande missão que deve presidir a essa boa gestão, que aliás está bem expressa na Constituição:

1 - acesso universal de todos os utentes;
2 - igualdade de atendimento e tratamento.
e, acrescento eu, em caso de impossibilidade pontual, ao abrigo do princípio de solidariedade que deve orientar os serviços sociais do Estado, dar preferência aos mais debilitados e financeiramente menos providos.
Tomado em consideração este espírito de missão, a gestão deve ser o mais exigente possível, evitando o desperdício de recursos, implementando um sistema de objectivos em cadeia hierárquica, o mais específicos e particulares possível, de modo a que todos, sem excepção, possam sentir que são essenciais ao cumprimento geral da missão a que se propõem e, com franqueza, não tentar gerir contra os técnicos de saúde, nomeadamente os médicos, antes chamando-os a participar activamente nessa mesma boa gestão pois serão eles que melhor conhecem os problemas miudinhos, as areias, que imperram a engrenagem.


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2 Responses to “ Hospitais - de S.A.’s a E.P.E.’s ”

  1. Hospitais Públicos ou Privados, no esquema actual, são uma falsa questão, senão vejamos:
    - Neste país quase todos quantos exercem medicina são funcionários do Estado…o privado é um gancho…
    - Cada cidadão doente representa um custo para o Estado, a obrigação do Estado seria dar liberdade de escolha (médicos ou instituições) ao cidadão doente, subsidiando directamente o cidadão, e sem burocracias, dum valor a determinar, e sempre muito inferior ao custo do actual sistema público, pois esse já sabemos estar super inflacionado…
    - Só a competitividade gera qualidade e quando a procura é maior que a oferta é a desgraça… Lembram-se das famigeradas bichas, para tudo e mais alguma coisa, na ex-URSS?, pois bem, era o Estado Patrão no seu melhor. Aqui é a mesma coisa, precisamos de médicos ou enfermeiros, fazemos “penicos”?…claro que desce o preço do “penico”? e sobe o salário dos outros… Em resumo: temos “penicos”? para dar e vender e iremos (se deixarem) importar as outras raridades… por acaso no passado Fascista fabricávamos a bom ritmo estas raridades … outros estadistas…
    - Qualquer gestor sabe que a competitividade do preço final dum qualquer produto ou serviço, em empresas de mão de obra intensiva, é directamente afectado pelo factor mão de obra. Assim e como não podemos por os “penicos”? a fazer o papel dos “outros artistas”?, nestas circunstâncias, seja publico ou privado, o custo será sempre muito elevado para o contribuinte… até parece a história das bananas na ex-RDA, duma preciosidade antes da queda do muro, passaram a uma banalidade hoje em dia, certamente alguns lobies conhecem bem esta história…e tudo farão para não se tornarem banalidades…são muito católicos e têm uma grande fé no sistema…

  2. Este governo tem nas mãos, a mais elevada possibilidade de implementar um SNS de meter inveja aos “preguiçosos”?.
    Fala-se muito em propinas, mas ninguém informa quanto custa ao estado, a formação de um médico.
    Todos sabemos, que na maioria dos casos, um médico pretende ser antes de mais nada
    uma máquina de fazer dinheiro.
    Daí que os médicos com vinculo dedicado ao SNS são uma percentagem ínfima.
    Os restantes não passam de meros tarefeiros, que estão no SNS por questões passionais conquanto os seus horizontes estão nas clínicas privadas.
    É preciso muita coragem para lavar o que está sujo. Esperemos que esta não esmoreça.