Casa da Música, Pedro Burmester e Blasfémias
(aviso: texto longo só para quem se interessar pelo assunto)
Àcerca deste post do Rui A. e deste outro do João Miranda no Blasfémias apus lá 2 comentários que aqui reproduzo:
1 - «Um pouco de memória não faz mal a ninguém:
1.1 - Pedro Burmester saíu do projecto Casa da Música de sua livre e espontânea vontade quando era assessor pessoal do Presidente do Conselho de Administração, M. Alves Monteiro;
1.2 - Apesar da “birra” incompreensível de Rui Rio em teimar não querer Pedro Burmester na administração da Casa da Música, M. Alves Monteiro, bateu o pé e chamou-o para o seu lado, como seu único assessor;
1.3 - Pedro Burmester não compreendeu que deixou apeado o único administrador que passou por aquela casa que ousou:
a) pedir 2 auditorias à “Ernst & Young” sobre o estado do projecto, seus custos e cumprimento do caderno de encargos que penalizaram todas as administrações anteriores;
b) pedir ao Tribunal de Contas uma fiscalização a todas as administrações anteriores, incluindo a sua, cujo resultado foi vergonhoso para os antecedentes e a própria Câmara do Porto;
c) introduziu rigor na despesa (apontou qual seria o custo definitivo do projecto, 99.000.000 euros) e prazo de concretização da obra (Abril 2005);
d) estudou, preparou e apresentou na Assembleia da República o figurino jurídico mais adequado ao financiamento da Casa da Música, uma fundação, na perspectiva de angariar mecenas e cativar accionistas privados.
M. Alves Monteiro, depois de pôr ordem na casa, foi afastado por Rui Rio e pelo PSD (ver Rui Rio - ou eu ou o caos), rejeitando-lhe todas as propostas pela anterior Ministra da Cultura, propostas essas que vieram todas a ser aprovadas sem alteração de uma vírgula sequer pela mesma Ministra.
M. Alves Monteiro, e isto tem de ser dito, foi o único administrador experimentado e com provas à vista que passou por aquela casa, não tendo, a meu ver, Pedro Burmester atingido o alcance do trabalho que estava a ser feito, tendo cometido o erro (este sim, político) de abandonar, em tão delicado momento, o projecto da Casa da Música!
Pedro Burmester errou, não deliberadamente, acredito, mas o certo é que abandonou, por sua iniciativa, no preciso momento em que se trabalhava seriamente para colocar em marcha o que agora se inaugurou.»
2 - Sobre a presença de Pedro Burmester na Casa da Música comentei no post anterior, não ponho de modo algum em causa as suas qualidades artísticas que, no meu entender, são mais que suficientes, mas não me parece que domine matérias de gestão que se colocam, senão acima, pelo menos em pé de igualdade com as artísticas.
Não compreendo por que razão a gestão destes espaços culturais não é entregue a gestores em vez de artistas! Será que aguardam que sejam os gestores os “performers”?
No entanto, aborda-se aqui neste post uma outra questão que não contava ver nestas paragens: desde quando é que o accionista maioritário não pode falar dos nomes que pretende para determinada empresa, fundação que seja?
Poderá o caro João Miranda tecer considerações sobre se o Estado deve ou não ser o accionista maioritário e até pronunciar-se sobre alguma falta de pudor em discutir nomes na praça pública, agora não aceitar que o accionista maioritário indique quem pretende para a gestão, essa é que não contava!
tags: Casa da Musica, Cultura, Cultural Management, Gestão Cultural, Manuel Alves Monteiro, Pedro Burmester, Porto









[...] A propósito do concerto que Murray Perahia deu anteontem na Casa da Música o HVA, no desNorte, escreve um texto que subscrevo na íntregra, pelo que escreve diz e pela elegância com que justamente se indigna! A Casa da Música está a mudar, vai mudando, vai refazendo-se, vai esquecendo o que Alves Monteiro legou! (ver aqui, aqui e aqui) Deixo um breve excerto do texto do HVA: [...]
[...] Rui Rio impõe, em cláusula contratual, as instituições subsidiadas pela Câmara do Porto a “absterem-se de, publicamente, expressar críticas que ponham em causa o bom-nome e a imagem do município do Porto, enquanto entidade co-financiadora da actividade da sua representada e lamenta que os juristas, que se pronunciaram sobe a sua inconstitucionalidade ou redundância, se tenham manifestado “sem dominarem completamente a questão.” (no Público) O que é que isto quer dizer? A título de exemplo, se esta medida estivesse anteriormente em vigor nunca Alves Monteiro (um gestor competente que em meia-dúzia de meses remendou o passado e gizou o futuro da Casa da Música) poderia ter divulgado as conclusões das inspecções do Tribunal de Contas às administrações que passaram pela Casa da Música antes dele! [...]