Parece ser consensual que a iliteracia galopante que nos assola será o principal óbice ao nosso desenvolvimento, compreendendo-se, só neste contexto, as desastradas, porque sucessivas, reformas educativas que temos devorado.
Será que a resolução deste problema passará pela escola? Temo bem que não!
Desde a década de 80 que se vem estruturando na nossa sociedade a tendência para haver cada vez mais gente a querer ensinar e cada vez menos a querer aprender, levando-me a crer que, neste contexto, será inadequado almejar sucesso a uma qualquer reforma curricular.


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11 Respostas to “Combate à Iliteracia – dificuldade estruturante”

Comentários (11)
  1. Hector diz:

    Por falar em combate … escreve-se “iliteracia”

  2. zedtee diz:

    Tal como o Carlos, não creio que a resolução do problema passe apenas pela escola, mas também passará por ela. Mas não me parece que tenha chegado a haver uma verdadeira reforma educativa… Houve, isso sim, algumas medidas avulsas que mudaram um pouco aqui, um pouco ali, para que tudo ficasse na mesma ou ainda pior…

  3. carlos a.a. diz:

    Combate ganho, estimado Hector, apresentando desculpas vou já corrigir. Muito obrigado.

    É certo estimado ZeeTee, mas o que me preocupa mais é a pouca vontade de aprender e os muitos que acham que já sabem tudo.

  4. Mas amigo Carlos esses que têm a mania que sabem tudo são normalmente aqueles que menos sabem, comparativamente com os outros que têm a noção correcta de que estão sempre a aprender. Com um abraço do Raul

  5. zedtee diz:

    É verdade, caro Carlos, o nível cultural médio em Portugal ainda parece ser baixo ao ponto de as pessoas não mostrarem (nem terem) qualquer disponibilidade para aprender. Por qualquer razão que me escapa, as pessoas comportam-se como se não fosse preciso ser, como se bastasse parecer que se é… Talvez seja um pouco a atitude do ‘novo-rico’ aplicada a um povo que viveu durante demasiado tempo na miséria, e a ter conhecimento da ‘boa vida’ que os seus vizinhos levavam, e que, subitamente, se vê com o suficiente para poder fingir (duma forma apenas convincente para si mesmo) que pode viver como os outros. Só que este nosso povo se esquece frequentemente do quanto os outros trabalharam (e estudaram – o que é o mesmo) para chegarem aonde chegaram há já umas décadas. Mas pronto, isto dá ‘pano para mangas’ e eu tenho sempre algum receio de andar a escrever demasido nas caixas de comentários dos blogues alheios…

  6. carlos a.a. diz:

    Por aqui, ZeeTee é sempre bem-vindo, a caixa ce comentários está aberta para isso mesmo. É evidente que por vezes surgem escritos menos prrópios, mas é um dos ricos que tem valido a pena correr.
    O ZeeTee toca num ponto crucial em relação à tendência do “eu sei tudo de tudo” que é o resultado de uma necessdade intrínseca que o individualismo pós-moderno criou, onde todos querem “ter de ser” os “musts” do “must” – hedonismo.
    Acrescente-se, contudo, que o facilitismo que tomou conta do ensino, mormente o universitário, onde se mestra e doutora tudo e de tudo, contribuiu em muito para esta maleita social.
    De uma sociedade onde se valorizava o saber, passamos a uma outra do “ter”, desembocando agora numa do “ter de ser de qualquer forma e a qualquer preço”.
    Há uma manifesta incogruência porque os que se pretendem párias dos mais sabedores (necessidade de ser igual aos mais reconhecidos) são os mesmos que negam uma sociedade igualitária.
    Este fenómeno contraditório é que torna este tendência anacrónica por vazia de substância.

  7. Pindérico diz:

    Mas, meu caro, a resolução do problema passa mesmo pela escola! A questão é que o problema está mesmo nela, na estrutura, nos docentes (em muitos deles), no facilitismo que começa na primária e, tirando alguns honrosos casos, vai até ao doutoramento, nos ministros e ministérios a quem são dados poderes para que não têm competência, das reformas e “experiências pedagógicas” que são introduzidas com a maior irresponsabilidade,…

    Não é verdade que passamos anos a fio a classificar um ministério pelo maior ou menor insucesso conseguido na colocação de professores?
    Não é verdade que se combateu o “insucesso escolar” proibindo a reprovação?
    Não é verdade que há cursos em que os alunos chegam à universidade e se apercebem de que não têm quaisquer bases, para poder ter sucesso?

    Tem toda a razão quando diz que “será inadequado almejar sucesso a uma qualquer reforma curricular”. Do que se vem fazendo, eu acho que, de facto, ninguém quer mais!
    Já chega de experiências com o futuro de “gente”!
    Impõe-se que comecemos o edifício pelos alicerces e estudemos as escadarias por forma a que o esforço seja constante, estimulante e compensador!

    Desculpe o abuso do seu espaço, mas não quis deixar de dizer da “minha verdade”!.

  8. carlos a.a. diz:

    Excelente texto, ZeeTee! O que deve ser dito e com todas as letras! Este etxto é um “post” maravilhoso!

    Muito obrigado.

  9. zedtee diz:

    Se o Carlos se refere ao comentário imediatamente anterior, permita-me que lhe assinale não ter sido eu o seu autor. :)
    Entretanto, e se não for abusar (se achar um aboso, p.f. apague este comentário), deixe-me apontar alguns posts do meu próprio blogue sobre a questão, a título de achegas:
    http://sem-terra.weblog.com.pt/arquivo/2004/08/a_busca_da_feli.html
    http://sem-terra.weblog.com.pt/arquivo/2004/08/olhem_o_nivel_1.html
    http://sem-terra.weblog.com.pt/arquivo/2004/08/satisfacao_vers.html
    http://sem-terra.weblog.com.pt/arquivo/2004/08/do_facilitismo.html

  10. carlos a.a. diz:

    Pindérico: Muito obrigado pela justeza e também pelo vigor.

    ZeeTee: abuso algum! Irei lê-los logo amanhã pois acabo de chegar de fora. Quanto ao texto, de facto era do Pindérico e não da sua autoria, mas julgo que vem no mesmo sentido.

  11. hammer diz:

    Tentando não ferir susceptibilidades ao entrar no blog alheio…
    mas, o ensino em Portugal é tambem o reflexo da falta de norte do planeamento.Muitos tiram o curso de que gostam (alguns…) e, depois, não perspectivam saída compatível. Fica inevitavelmente, como remendo, a hipótese de dar aulas e não propriamente ser professor, isto é, ensinar por vocação.Mas, outros problemas graves como a “desautorização” da figura do professor têm tomado tamanho…e não me refiro a austeridades, antes ao respeito que a figura deve representar. Complexo este assunto com pouca vontade de reformular…

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