Anteontem deixei aqui um link para a extensa entrevista de Susana Ralha, concedida à Cesaltina Pinto e editada na VISAOONLINE, reservando qualquer comentário para mais tarde, de forma a não influenciar, previamente, a sua leitura. É o que farei agora.
Sem relevar a mágoa que se pressente na entrevistada, parece que este folhetim é apenas mais um, englobado no descalabro que se vem assistindo na gestão da Casa da Música após o belíssimo trabalho feito e deixado, em apenas 8 meses, por Alves Monteiro, apesar das demissões de Pedro Burmester e, por lealdade, de Fausto Neves, o motor do Serviço Educativo desde o seu início, que foram perfeitamente extemporâneas.
Após a incompreensível retirada de apoio a Alves Monteiro por parte da ex-Ministra da Cultura de Santana Lopes e de Rui Rio (só entendida pelos relatórios das auditorias de empresas privadas e do Tribunal de Contas que comprometiam todas as administrações anteriores, incluíndo as que Rui Rio apadrinhou), nunca mais a boa gestão regressou à Casa da Música!
O que estamos a assistir desde então é uma corrida para a colocação dos amigos antes desta aprazada administração do Dr. Couto dos Santos sair!
Conhecida a intenção do Estado e dos financiadores privados de demitir todos os membros deste Conselho de Administração ligados a Rui Rio, a ex-Ministra com a conivência de Couto dos Santos, sem rebuço, nomeia e contrata desalmadamente funcionários e directores para que os vindouros sejam confrontados com uma limitação séria à constituição de equipas de confiança, por via de pesadas indemnizações!
Esta gente é séria (embora possa não parecer), entenda-se mas, por grande obséquio, Sra. Ministra da Cultura, trave, o mais breve possível, esta administração a prazo de causar mais danos do que os que já ousou!
Para mim não são os notáveis que estão em causa, sejam eles Pedro Burmester, Fausto Neves ou Susana Ralha, mas a constituição de equipas consistentes enquadradas numa gestão harmoniosa e eficiente de um projecto que não começou bem, que foi reposto na boa gestão e que agora está, novamente, purgado do mínimo bom-senso!
No Público de 13 de Maio, Henrique Ribeiro, porta-voz da administração da Casa da Música, esclarecia que «o Serviço Educativo não foi extinto: houve um reforço (…) ao passar a direcção autónoma com funções na área da educação e da investigação.» e, mais adiante: «Achou-se que uma direcção destas devia ser dirigida por alguém com habilitações literárias ao nível do doutoramento. A Susana Ralha não cumpria esse requisito». Ora aí está, a senhora que lá estava e admitia que não conseguia erguer um projecto é agora a tal, doutorada senhora, a recém-nomeada Directora do Serviço Educativo e de Investigação!!!
Sra. Ministra da Cultura, por favor, tire de lá esta gente antes que nada reste a não ser o recurso a pesadas indemnizações para correr com a bestialidade e, já agora, não são necessárias muitas reflexões, basta ler o que Alves Monteiro deixou pronto e avançar, com honestidade e bom-senso, a bem da Casa da Música!


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