Jul 072005
É o título de uma muito lúcida reflexão de Maria Alzira Brum Lemos sobre o momento que o Brasil atravessa – Lula, PT, corrupção e tradição que pode ser lido, aqui, no sítio do Triplov.
Deixo um breve excerto:
A corrupção não é apenas uma triste tradição de uma história de autoritarismo, centralização e elitismo. Na forma como ora se apresenta, significa a “des-substancialização” e a inversão da proposta do PT. Está ligada aos vícios da época da ditadura, que, ao longo de 30 anos, favoreceu, privilegiou, alimentou e/ou obrigou a que se cultivassem métodos no mínimo questionáveis quando se tratava de aceder ao poder.
Tags: Cultura, Divulgação, Política
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3 Respostas to “«A esquerda pasmada e a República nua»”
Comentários (3)






















Pois é verdade… mas não é só no Brasil que isto acontece. É uma situação que se serve que nem uma luva ao estado de sítio que se vive em Portugal, onde políticos corruptos lambem a borda do tacho sofregamente, corrompendo e deixando corromper-se!
Mas não me venham com o discurso displicente de que a culpa é da ditadura, que o Salazar era um malvado e por culpa dele estávamos com 20 anos de atraso quando finalmente fizemos bravamente o 25 de Abril! Esta treta já não cola. O pobre Salazar morreu à mais de 30 anos e hoje passados quase 30 anos de democracia contamos já com 50 anos de atraso em relação à Europa desenvolvida e até os países do leste europeu recém chegados à UE nos estão a ultrapassar.
Isto dá que pensar caro amigo.
Eu nunca fui adepto fervoroso do federalismo europeu, mas agora sou! Quero uma política única, impostos cobrados igualmente aos cidadãos europeus, menos burocracia e mais igualdade na distribuição de riqueza.
Quer-me parecer que quanto mais centralizado estiver o poder, as regras a cumprir e a fiscalização europeia a funcionar, menos hipóteses têm os lambareiros hipócritas e parasitas de operar neste Portugal dos pequeninos…
Estimado Valentino
Nunca fui nem sou adepto do federalismo embora ache que os 48 de Salazar nada têm a ver com a corrupção, o compadrio e a cunha instaladas.
~Estas constantes do nosso quotidiano prendem-se, a meu ver, muito com a organização partidária da nossa sociedade, com os respectivos favorecimentos pessoais que mais não fazem senão formar e fomentar a pulverização de grupos de interesses.
Não creio que o federalismo conseguisse pôr termo a este estado de coisas pois não é um traço apenas português.
Caro amigo
Concordo apenas em parte quando diz que a corrupção, compadrio e o sistema de cunhas instalado se deve à organização partidária reinante na nossa sociedade.
Uma análise detalhada ao nosso sistema político vai encontrar raízes profundas; o actual sistema com tendências bipolarizadas na assembleia e o forçoso rotativismo remontam à monarquia constitucional de D. Luís, onde progressistas e regeneradores se alternavam no poder sempre que estavam esgotados os modelos e as políticas utilizadas por uns e outros.
Havia no entanto uma vantagem para Estado, a existência de uma pessoa (nem que fosse a única) que estava verdadeiramente interessada no país, o Rei.
Longe vão os tempos do governo de Fontes Pereira de Mello e da ditadura de João Franco, mas as premissas de então mantêm-se até hoje.
O que sinto é que falta alguém que verdadeiramente se interesse pelo país e não esteja apenas interessado no poder pelas vantagens que dele possa tirar; pelos salários principescos, laudas pensões e reformas que se juntam a subvenções vitalícias dignas de um marajá.
De facto este estado de coisas não é um traço apenas português e sim de uma sociedade ocidental construída sob o modelo aristotélico, que sobrevive através de sucessivas hegemonias a última das quais mantida pelos EUA.
Por todos estes factores creio que o que nos falta é um homem de pulso, ou mulher, porque não… mas com coragem e força suficientes para mudar o que está mal, e acabar com os interesses instalados.
Como não prevejo que isso aconteça no nosso Portugal dos pequeninos, nem para breve nem num futuro longínquo, repensei o meu posicionamento quanto ao federalismo na construção europeia.
Acho que Aristóteles estava coberto de razão quando afirmava que a política devia ser exercida por homens de fortuna, que não precisassem da política para viver nem com ela ganhassem a vida…
A verdade, e que fique registado que não sou apologista da ditadura e sim da moral político-económica, honestidade, justiça e do necessário pulso firme para implementar as mudanças necessárias, Salazar foi o único homem no governo do país nos últimos 100 anos que governou acima dos seus interesses pessoais, chegou ao poder por mérito e capacidade(mas não de forma democrática), lutou pelo ideal de um país melhor (embora o seu próprio ideal não fosse partilhado pela maioria a partir de determinada altura), dedicou a vida ao Estado, sem se apropriar de riquezas deixou repletos os cofres da fazenda pública, morreu sem nada de seu e foi sepultado em campa rasa segundo sua instrução e vontade.
Pena que não tenha tido humildade e clareza de espírito para resolver a questão das colónias de forma diferente e que não tenha conseguido pensar e preparar uma transição pacífica de poder.