Estamos em guerra, já o disse várias vezes, uma guerra nova que não se declara, não se conhece o inimigo (a não ser por denominações fictícias) nem o seu potencial, não se sabe se haverá tréguas ou não, não se vislumbra o seu desenlace ou o seu termo nem tão-pouco formas de aniquilamento.
O que ocorreu ontem foi mais uma batalha desta guerra, de cujo inimigo só sabemos que quer destruir o modo de vida ocidental!
Eu já há muito que tomei partido. E tu, não será tempo de tomares o teu?
Não é curar de saber se votarias no Bush ou no Blair. É saber de que lado queres estar nesta guerra.
GUERRA! Ouviste bem? GUERRA! Não é terrorismo, nem diabinhos que matam inocentes e muito menos meia-dúzia de fanáticos que cometem atrocidades! É GUERRA, num formato que desconheces, que não vem nos manuais de história nem se aprende senão assumindo que estamos em guerra.
Define o teu lado em dois possíveis – aliado ou inimigo – e se escolheste o primeiro a tua obrigação é ser um combatente, adoptar comportamentos e atitudes de combate, contribuir para a nossa vitória.
Estar em guerra pressupõe conhecer o inimigo e o seu modus operandi, estabelecer estratégias de defesa e de ataque, de dissimulação, de espionagem, de informação e seu controlo, estabelecer cadeias de comando precisas e eficazes e, essencialmente, estarmos preparados que para vencermos esta guerra haverá batalhas que iremos perder.
Não sabes como fazer? Aí a história traz-nos ensinamentos preciosos: olha como os judeus privaram as suas lágrimas durante o genocídio; olha como os moribundos de Darfur aparentemente só chorão depois de morrer; olha como os chineses ainda não choraram durante décadas de servidão; olha para os ingleses de ontem que apenas têm a vantagem de saber que estão em guerra.
Olha por ti, cuida que a retenção das tuas lágrimas te fortalece enquanto a sua exposição favorece quem te quer aniquilar. A mediatização das tuas lágrimas é o maior sinal de vitória do teu inimigo e chamares-lhe terrorista o maior afago que podes dar ao seu ego e motivação.
Não os mandes para a puta que os pariu, não os menosprezes pois poderá ser um erro fatal.
Defende a imperfeita democracia onde nasceste e vives e, como combatente, contribui activamente para a tomada de decisões acertadas. Não te inibas de criticar, entre os teus, o que entenderes, mas não mostres isso ao inimigo.
Não te inibas de te orgulhar pelo comportamento dos teus aliados ingleses – dos cidadãos, das forças de segurança e, em especial, dos jornalistas que tomaram, pela primeira vez nesta guerra, uma postura de combatentes -, mas não te inibas também, nunca, de dizer, entre os teus, que o Ocidente gastou já milhares de milhões de dólares em opções de ataque que foram muito boas para alguns investidores, mas não atingiram o alvo e ainda promoveram o engrossar de fileiras do inimigo.
Lembra-te que és um mero alvo a abater.
Estamos em guerra.
Resguarda as tuas lágrimas para te fortaleceres.
Tags: Reflexões
9 Respostas to “Resguarda as tuas lágrimas”
Pedimos desculpa mas os comentários estão encerrados de momento.






















Que post!
É assim mesmo.
Quando somos nós mesmos o resultado é um post com esta qualidade. Agora lutou pela sua causa e sob transpôr da melhor forma possÃvel. Os meus parabéns Carlos.
Ps. Tomei a liberdade de fazer um copypast e enviar por E-mail a alguns amigos, espero que não se importe (consta a autoria)
Gostei. Trata-se de um texto exemplar, bem desenvolvido que, muita honra me daria ter subscrito.
Os meus cumprimentos pela oportunidade e pela posição que tomou.
Manuel Marques
Um grito emanado lá bem do fundo da mente deste companheiro de viagem.
Mas.
O objectivo secundário desta forma de “travarem� os Ocidentais, está a produzir os efeitos pretendidos por largos sectores do Mundo �rabe.
Por todo o planeta se cruzam mensagens, opiniões, postais, maill etc.
Uns repudiando os actos de violência contra civis inocentes, outros repudiando as politicas belicistas das potências Ocidentais.
Mas a essência do problema acaba por ser ignorada por uns e truncada por outros.
eu francamente já não percebo nada. quem é que está a sério?
Babado, ó, foi como me deixaram! E agora, quem irá aturar este pavão?
Muito obrigado a todos, com um especialmente à Catarina, ao ZedTee e ao Piotr que se deram ao trabalho de linkar este post.