
Tive a sorte de conhecer Alice Valente (ver aqui e aqui) no decorrer da excelente exposição que apresentou na Pousada de Beja, “Laranja-Lima“, a 5ª e 6ª cor das nove cores do projecto «CORPOtraçoCORPO a poesia e a pintura».
As ideias que trocámos sobre a fast-cultura que hoje nos servem em lindas embalagens e a paranóia da criatividade – o criar por criar – néscias de conteúdo rapidamente nos aproximaram, aproveitando para deixar aqui um texto da sua autoria, escrito como resumo do que apresentou na 9ª Mesa-redonda de Primavera do Porto: «CULTURA LIGHT – A pesada leveza dos entretenimentos que nos vendem», que ocorreu na Faculdade de Letras da UP, DCTP, a 22 e 23 de Abril de 2005, que nos proporciona uma imagem de fino traço sobre o assunto em questão. Aqui vai:
As ideias que trocámos sobre a fast-cultura que hoje nos servem em lindas embalagens e a paranóia da criatividade – o criar por criar – néscias de conteúdo rapidamente nos aproximaram, aproveitando para deixar aqui um texto da sua autoria, escrito como resumo do que apresentou na 9ª Mesa-redonda de Primavera do Porto: «CULTURA LIGHT – A pesada leveza dos entretenimentos que nos vendem», que ocorreu na Faculdade de Letras da UP, DCTP, a 22 e 23 de Abril de 2005, que nos proporciona uma imagem de fino traço sobre o assunto em questão. Aqui vai:
«A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO
É o corpo com o pensamento e a alma que define a representação da nossa existência sem qualquer oposição na incontestável interpretação do incorpóreo e que racionalmente não podemos reconhecer nem testemunhar. O corpo define-se pela sua fisiologia, que o mantém vivo e activo, no entanto o corpo está dependente da anima.
Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tão-somente o resultado do pensamento…
De certa forma deveríamos admitir que o Homem em seu aperfeiçoamento civilizacional se tornaria mais cerebral e menos substrato físico, mais pensamento do que corpóreo, mais inteligência do que esperteza, mais intelectual do que simples dependência da sua fisiologia… Pois mas não está acontecer esta evolução na maior parte da Humanidade, está assim com uma maior tendência para um aproveitamento fugaz do dia a dia do que para a evolução das ideias, está assim, a abandonar o pensamento numa consciente negligência do corpo.»
Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tão-somente o resultado do pensamento…
De certa forma deveríamos admitir que o Homem em seu aperfeiçoamento civilizacional se tornaria mais cerebral e menos substrato físico, mais pensamento do que corpóreo, mais inteligência do que esperteza, mais intelectual do que simples dependência da sua fisiologia… Pois mas não está acontecer esta evolução na maior parte da Humanidade, está assim com uma maior tendência para um aproveitamento fugaz do dia a dia do que para a evolução das ideias, está assim, a abandonar o pensamento numa consciente negligência do corpo.»
Alice Valente Alves
Tags: Cultura, Educação, Educação Artística
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2 Respostas to “«CULTURA LIGHT – A pesada leveza dos entretenimentos que nos vendem»”
Comentários (2)






















Gostei de tomar contato com um pouco da repercussão do excelente trabalho da artista Alice Valente. Parabéns pela relevância do blog em geral e vamos em frente.
Estimado Restaurador
Talvez um e-mail tivesse sido mais adequado para enviar a sua mensagem. No entanto, amanhã conto deslocar-me a Beja podendo ir ao IEFP tentar obter alguma informação que terei muito gosto em endereçar-lha para uma caixa de correio que me faça chegar a ideiassoltas@gmail.com;
Conhecer o trabalho e, pessoalmente, a Alice Valente, estimado Miguel, foi para mim um privilégio, mas também uma vergonha por não ter reparado nele antes.
Aproveito para endereçar os meus sinceros parabéns pelo seu espaço Consciência, um dos mais abertos e completos sítios de filosofia, que está há muito incluído nas minhas leituras preferidas.