Se há coisa que não se pode negar é a perspicácia analítico-metafísica de Cavaco Silva. O homem vê e receita.
Vai mesmo mais longe ao afirmar que «(…) a actual situação do país não se deve apenas à conjuntura internacional, apontando o exemplo da Espanha (…)».
O homem só pode ser clarividente, no mínimo, a precisão da sua análise é devastadora… para si próprio. É que, de facto, nos últimos 30 anos Espanha fez, e a tempo, a regionalização que ele recusou e por outro lado, nos lugares que importam para uma visão estratégica do país, na vez de Cavaco, Guterres e Barroso tiveram Gonzalez e Aznar e na de Soares um tal de Juan Carlos.
Afinal, a sua autoridade deverá advir da sua sapiência contabilística e não da sua governação! Terá sido isto que ele nos quis transmitir?
Tags: Gestão Administrativa do Estado, Política, Reflexões






















Caro Carlos Alves,
Desde que descobri o seu blog que venho de vez em quando espreitar as suas análises e criticas que tantas vezes me fazem ver o reverso da medalha em alguns assuntos acerca dos quais já tenho opinião formada. Não que mude de opinião mas confesso que sou forçado a pensar e ajustar pensamentos.
Permita-me portanto dar uma achega acerca deste seu comentário.
À parte campanha presidencial devo dizer que numa coisa o Prof. Cavaco tem razão. Nunca nos encontrámos tão mal como agora, mas não era com a regionalização que esta situação iria mudar. A realidade espanhola e as próprias dimensões do país não são comparáveis à realidade portuguesa e à nossa dimensão. Relembro que Portugal é um Estado Nação e que Espanha é um Estado com várias nações, onde se justifica dar autonomia às regiões onde habitam essas nações.
Em Portugal seria um erro a regionalização. Nós já temos poder local, o país está dividido em distritos, os distritos em concelhos, municípios e freguesias. Será necessário mais poder local ou atribuir competências adequadas ao poder locar existente? Que vantagens trará a regionalização nos moldes que foram apresentados ao país? Relembro também que os portugueses foram referendados e disseram NÃO!
Quanto ao modelo de administração de um Estado a discussão é outra, mas tudo depende de vários factores. Creio que um bom Rei (como Juan Carlos é sem dúvida) numa monarquia constitucional como é a espanhola consegue puxar mais pelo seu país do que um bom presidente da república que tem um mandato definido, incondicionalmente mais curto e com um partido político que o sustenta. Ao rei só o país interessa quer as políticas sejam mais à esquerda ou mais à direita.
O que faz falta em Portugal são políticos sérios que não façam do país o seu quintal, e que o não vejam como fonte de rendimentos e de glórias…
Valentino
Leitores e Amigos,
Esta sexta-feira (09/12/2005) o poeta Paulo C. Silva, irá fazer o lançamento do seu 1.º Livro Relatos de uma vida, a realizar no Auditório do Diário do Sul (Évora) pelas 18h00.
Neste livro, o autor descreve-nos os encontros e desencontros de uma vida atribulada… Um livro de prosa e poesia…
Vamos lá estar… Não faltem!
TODOS JUNTOS EM PROL DA LITERATURA…
Penso amigo Carlos que as convicções de Cavaco não são muito coincidentes com as nossas sobretudo no entendimento que ele tem de que é a solução do problema do País, quando nós sabemos de antemão que não é assim, ele também faz parte do problema. Com um abraço do Raul
Estou em dívida, Valentino, mas não esquecido. O tema da regionalização tem sido versado por aqui ad nauseum, mas regressarei para responder às questões que me coloca.
Muito obrigado.