Archive for Janeiro 2006
Arquivo de: 2006 Janeiro.
Arquivo de: 2006 Janeiro.
O regresso do Anarca ao seu melhor estilo. Deixo um excerto, mas recomendo a leitura integral. Imperdível!
«O ideal (ambição, sonho) deste intelectual proxeneta, que sempre viveu do Estado, mas que escarnece com azedume distante dos seus companheiros funcionários público, ou de vagas encomendas de trabalhos de escriba de fretes, é a constituição de uma corte de aduladoures serviçais, (eles próprios dispostos a assumirem o papel de Brutus à primeira oportunidade).»
A qualidade de um mestre depende inteiramente do sucesso social dos seus discípulos, enquanto que ao professor o sucesso social de alguns dos seus alunos apenas lhe garante uma hipotética projecção social com putativos dividendos financeiros.
A qualidade do seu desempenho necessita de um recorrente balanço, de um deve e de um haver, composto, não pelo sucesso, mas pelo grau de integração sócio-profissional do universo de cada um dos seus alunos.
Um mestre será aquele que conseguiu tocar particularmente alguém que se assume como discípulo, produto, em geral, de um percurso mais ou menos longo de aprofundamento de uma relação mestre/discípulo.
No entanto, sem fazer por isso e sem deixar de louvar os mestres que marcaram positivamente o percurso de seus discípulos, quando avalio o trabalho de um professor dou por mim a detectar o que é que ele conseguiu fazer com uma classe, no seu conjunto, nomeadamente com os menos dotados.
Se assim é, estamos perante dois diferentes misteres onde, aparentemente, poderá não haver nenhuma relação qualitativa quanto à eficiência e resultado - objectivos, métodos e processos distintos.
Com este raciocínio presente, dá-me ideia que vivemos hoje um tempo em que muitos se reivindicam como mestres, poucos como professores e discípulos só de ocasião… em ocasião.
«António Vitorino refere casos que demonstram importância do Tratado Constitucional da UE» notícia da Lusa
Pois é, mas vivemos num país que acaba de sair de um processo eleitoral para a Presidência da República sem que nenhum dos candidatos se pronunciasse sobre essa tal “Carta” do Sr. d’ Estaing, nem que algum jornalista tenha ousado confronta-los com tão abjecta questão!
Siga o pagode…, já que nestas coisas o silêncio parece ser de ouro…
«O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, considerou hoje, em Davos, “anormal” o actual fluxo de financiamento dos países de economias emergentes para os países desenvolvidos.» notícia do Público
Com a teimosia do BCE em manter uma moeda sobre-valorizada em relação à economia da zona euro, bem como a manutenção e aumento das taxas de juro, de que estaria o Sr. Presidente do BCE à espera?
Anormal é, e pernicioso para os países em vias de desenvolvimento sem dúvida alguma, mas quem chama o capital para estas paragens? Será o investimento empresarial? Não, esse está com guia de marcha para o Extremo Oriente!
É o investimento fiduciário? Pois, dinheiro investido em dinheiro, a agiotagem, mas quem o alimentará?
Nunca pensei que tal fosse possível!
Não cria manto, é certo, mas os flocos, muito pequeninos, esvoaçam ao sabor da brisa!
É o completo regabofe dos pequenos…
É curioso como a nossa memória consegue reproduzir sensações vividas em determinados momentos particulares da nossa vida - não só conseguimos recordar como reviver estados de alma.
Vem isto a propósito dos 2 Quartetos com Piano de J. Brahms, gravados em 1989 e difundidos ontem pelo Mezzo, interpretados por Isaac Stern, Emmanuel Ax, Yo-Yo Ma e Jaime Laredo.
Um momento que, estou seguro, ficará sulcado nos meus mais gratificantes registos sensoriais.
É o título da crónica de Pacheco Pereira no Público de hoje, transcrita mais tarde no Abrupto, analisando o fenómeno da adesão dos eleitores à candidatura de Manuel Alegre, assunto que o António Costa Amaral no Arte da Fuga bem desenvolve.
Estou inteiramente de acordo, no essencial, mas não no que poderá estar subjacente - a tentativa de desmoronamento do PS, já ontem ensaiada por M. Rebelo de Sousa, em debate promovido pelo Centro Nacional de Cultura, ao instar Manuel Alegre a capitalizar este seu resultado para ser “a consciência crítica” do PS. (ver notícia)
Sobre a rotatividade dos partidos do Bloco Central que, purgados da sua ideologia fundadora, assentam o seu poder em redes clientelares que dominam todas as estruturas do Estado, com total desprezo pelos mandatos que os eleitores lhes conferem, já muito escrevi - basta ler este post ou percorrer este arquivo.
Este fenómeno de crescente repulsa pelos aparelhos partidários não é novo nem tem exclusividade nacional - a crescente abstenção na Europa é o primeiro e mais claro sinal (ver entradas 1; 2; 3 em diálogo com Francisco José Viegas, Vital Moreira e Paulo Gorjão a propósito da abstenção e crise de representatividade) de que os partidos são os principais responsáveis pelo declínio da democracia representativa.
O timing de Marcelo Rebelo de Sousa e de Pacheco Pereira, bem como a colagem ao resultado de Manuel Alegre, é que torna as suas interrogações muito suspeitas já que a vitória de Cavaco Silva deve-se, essencialmente, ao seu posicionamento supra-partidário, colocando-se não fora nem lateralmente, antes acima dos partidos seus apoiantes, obrigando os respectivos aparelhos a seguir, estrictamente, a agenda e a estratégia que definiu.
Assim, o fenómeno de repulsa ao sistema partidário foi o motor da adesão à candidatura de Manuel Alegre e, principalmente, da vitória de Cavaco Silva que demonstrou, a quem dúvidas tivesse, que o PSD, sem ele, permanece um deserto.
Por mais voltas que eu dê na análise dos resultados de Domingo só encontro uma derrota bem pesada - a dos aparelhos partidários do Bloco Central, só que, como detentores dos poderes clientelares disseminados por todos os recânditos da administração pública, recusar-se-ão sempre a aceitá-la até à sua derrocada final.
Talvez, talvez, antes dela, consigamos furtar-nos à oligarquia partidária e salvar a democracia representativa, incentivando e desenvolvendo o exercício de uma cidadania responsável e consequente. Talvez…
O que terá acontecido para que o Presidente da Comissão Europeia, a braços com sérios problemas orçamentais internos, apareça, de repente, esta semana, muito atento e opinativo sobre a governação do país, nomeadamente sobre o Programa Nacional de Acção para o Crescimento e Emprego (PNACE).
«Bruxelas “convida” Portugal a implementar o PNEC de uma forma “vigorosa” e avisa que, daqui a um ano, em 2006, irá tomar “em particular” atenção à evolução de certos domínios. O primeiro deles é a forma como o Executivo português irá responder ao problema da sustentabilidade das finanças públicas.» (Primeiro de Janeiro)
Convida Portugal? E avisa? O problema da sustentabilidade das Finanças Públicas? Terá também convidado e avisado a Alemanha ou a França mostrando-lhes a colher de pau?
Eu sei que a engenharia financeira é uma habilidade muito necessária, mas o caso mais parece de engenharia civil, pela construção, talvez, de novas pontes…
O meu sossego é que, caso o actual governo não consiga levar o país a bom porto, poderemos sempre pedir a Durão Barroso para assumir essas responsabilidades ou, em caso de não lhe ser possível, poderá sempre delegar em Santana Lopes!
parece ter recentrado o seu discurso - o ímpeto inicial de defesa do status quo do TN D. Maria II e o repentino abaixo-assinado pedindo a demissão da Ministra da Cultura parecem ter sido amadurecidos com o tempo.
De facto, na 6ª feira passada pudemos ouvi-lo no Carlos Alberto afirmar, cito:
Está a comer-se o dinheiro todo entre os teatros nacionais e as companhias velhas»
(…)
«Os teatros nacionais sugam (…) o dinheiro do Estado, mas não são o espaço de desenvolvimento da actividade nem da criação teatral
Insistiu na ideia de que os teatros nacionais deveriam deixar de ser estruturas de produção própria e passassem a existir como estruturas disponíveis para o apoio à actividade teatral.
O tempo parece ser bom conselheiro para a gente de bem que, apesar de não estar imune a reacções epidérmicas, consegue agarrar o bom-senso e pensar fora de lógicas corporativistas, tal como defendi aqui há dias, bem como outos companheiros da blogosfera.
sempre presente, por mais voltas que se dê, Bloco Central!
Cavaco Silca ganha as eleições e Soares evita a derrota à tangente. O Bloco Central, responsável pelos destinos de Portugal desde 1983, representado por Cavaco Silva e Mário Soares neste escrutínio, ganha mais umas eleições, sendo que a vitória de Cavaco Silva à 1ª volta evita a Mário Soares a humilhação de ter de assumir a derrota perante Manuel Alegre, bem como a obrigação de sugerir aos seus eleitores o voto no seu novo inimigo.
Mário Soares não ganha, mas não perde contra quem temia.
Por motivos a alheios à sua vontade, mas da sua inteira responsabilidade, vem, a Alta Altoridade para a Soltura destas Ideias (AASI), apresentar, humildemente, as mais sinceras desculpas pelo facto do Ideias Soltas ter estado offline desde 17 de Janeiro pretérito passado.
Sente-se ainda obrigada, a AASI, a publicamente agradecer ao nosso senhorio que, rápida e eficazmente, limpou a merda que para aqui, involuntariamente, fizémos fizemos.
Pelo facto que de nada termos podido escrever sobre os relevantíssimos factos ocorridos no fim-de-semana passado tentaremos, já de seguida, no post seguinte, reparar o lapso junto da nossa estimada e mui querida e fiel clientela.
Certos da Vossa superior compreensão
a Alta Autoridade para a Soltura destas Ideias (AASI)
de que o que distingue este governo dos anteriores é que trabalha. («Dezenas de organismos públicos vão ser extintos» - título de notícia do “Público”)
Recomendo alguma parcimónia pois quem trabalha grangeia sempre muitos inimigos…
No Bajja, no Plasticina e no Contemporâ/áneas em contraponto ao que aqui escrevi.

Coro dos Amigos da Academia de Música de Espinho dirigido por Fausto Neves, no Salão Nobre da Assembleia da República, no passado dia 4 de Janeiro.
ps: fotografia de Diogo Leichsenring Franco
« (…) os encargos com os fundos de pensões de empresas públicas transferidos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) em 2003 e 2004 foram subavaliados e custarão 303 milhões de euros por ano ao Estado até 2014.» auditoria do Tribunal de Contas noticiada no Público
É evidente que ao PSD e sobretudo ao CDS a saída é proclamar a falta de isenção da auditoria do Tribunal de Contas, mas em boa verdade, quem conhecer a tese de doutoramento de Bagão Félix que lhe valeu algumas dezenas de conferências, conhecia o que ele pensava…
As transferências dos referidos fundos para o Estado e a permissão para que a CGD tivesse comprado ao grupo “Millenium” a “Mundial” e a “Bonança”, negócios que nenhum privado nacional nem estrangeiro pegou por muito menos de 1/3 do que a CGD pagou, tem uma lógica inabalável - privatizar o que aos privados permite o lucro e comprar-lhes o que, depois de privatizado, lhes dá prejuízo.
O princípio não é nem o da liberalização da economia nem da sua estatização, é outro, diferente, ao qual não conheço epípeto, mas que é capaz de arruinar o Estado, lá isso, dá-me ideia que talvez…, mas quem sou eu…
Saúdo o novo sítio da Rádio Voz da Planície, com notícias actualizadas e emissão online, bem como o novo projecto TVAlentejo com emisões on-line, da responsabilidade de Luís Lança e Silva em parceria com a Rádio Voz da Planície e a Rádio Pax.
Assim vale a pena, trata-se de empreendimentos que simultaneamente prestam um serviço aos cidadãos e promovem o Alentejo.
Parabéns.
Em tempos idos num dos períodos que trabalhei fora de Portugal, o “Jornal de Letras” era uma companhia inseparável até conhecer a “Ler”, dirigida por Francisco José Viegas. Rapidamente divulgue-ai junto do círculo de amigos aquela que foi seguramente a melhor publicação periódica de literatura portuguesa alguma vez produzida, tendo o “Jornal de Letras” ficado praticamente esquecido.
Não conheço de todo a Casa Fernando Pessoa nem o trabalho que tem desenvolvido, mas as primeiras palavras do novo director sobre as suas intenções no que concerne à “Tabacaria”, afirmando pretender torná-la numa “revista de poesia e literatura” com periodicidade trimestral, acalenta-me a esperança de voltarmos a ter uma publicação com a qualidade da “Ler” do seu tempo.
Apesar do vasto e variado trabalho que levou a cabo em prol da divulgação da literatura portuguesa, não consigo dissociar o nome de Francisco José Viegas daquela excelente e agora defunta publicação.
como justificar a manutenção de um teatro nacional sem itinerância, com quase duas centenas de actores residentes com vencimento fixo, dos quais apenas 50 ou 60 se apresentam anualmente numa récita que seja, a soldo única e exclusivamente do Estado, absorvendo recursos avultadíssimos que poderiam ser canalizados para outros projectos, menos pesados, geograficamente mais abrangentes e não menos eficazes junto dos mais variados públicos.
No entanto, com tanta gente de Lisboa, de tantos quadrantes partidários a pedir a cabeça da Ministra, sustentados na indelével razão de que o S. João também funciona assim, quem sou eu para almejar alcançar tal discernimento?
Fica-me a sensação, no entanto, que quando se mexe em regalias, mordomias e demais “ias” que já não podem ir, as atitudes corporativas sobrepõem-se à normalidade das clientelas partidárias, dando azo a manifestações de tal forma exuberantes que quase nos fazem crer que se trata de crime.
Crime? Impensável foi a gestão do Teatro Nacional D. Maria não ter sabido superar os vícios que foi adquirindo durante os anos de ouro em que a “Portugal Telecom” a elegeu como única beneficiária dos milhões do seu mecenato.
Pois, mas como isso acabou, façam lá o favorzinho de angariarem financiadores privados que ajudem o Estado, olhem por falar em comparações com coisas do Porto, assim do tipo da Fundação de Serralves, por exemplo!
Vamos ter muitas dificuldades em aceitar que não é mais viável nós, o Estado, financiarmos tantos projectos e muito menos aqueles que têm um peso injustificável, como o CCB, o TNDM, o T. N. S. Carlos e, se calhar, o S. João e, em calhando, a Casa da Música e ainda os mais de 30 belos e renovadíssimos Teatros Municipais!

Mais uma perda de vulto em escassos dias…
O legado de Helena Sá e Costa fala por si só - uma vida inteira dedicada ao ensino do piano tendo passado pelas suas lições largas centenas, ou mesmo, milhares de alunos.
Entre os actuais pianistas portugueses mais conhecidos que não tenham beneficiado das suas lições só me recordo, assim de repente, de Maria João Pires, António Rosado, Artur Pizarro, Miguel Henriques ou Dina Resende.
Helena Sá e Costa foi a figura mais proeminente da música clássica no Porto durante os últimos 50 anos, estando nós devedores de tudo que esta ímpar personalidade de bem fez à música e à cultura portuguesas.

Quando o sofrimento é intenso e prolongado a morte é mais assumidamente sentida como uma espécie de libertação. De Ilse Lieblich Losa recebemos uma nova forma de bem escrever para crianças (quem não se lembra de “A Flor Azul” e “Faísca conta a sua História”) e o testemunho de uma refugiada de origem judia que foge da Alemanha nazi, perdendo temporariamente o rasto à sua família e chegando a Portugal depois de passar por Inglaterra, em dois livros de referência - “O Mundo em que Vivi”, um sucedâneo de instantâneos de sua própria experiência e “Sob Céus Estranhos”, uma exortação, diria, à adaptação dos refugiados aos países de acolhimento.
Um dos livros que com Ilse Losa mais se identificava era o “Diário de Anne Frank”, por razões óbvias, em especial por, nas suas palavras, Anne não ter escrito “o seu diário a pensar na publicidade, nem porque fosse incitada a fazê-lo, mas única e simplesmente porque tinha de o escrever para si própria (…)”, a mesma razão que a autora experimentou com “O Mundo em que Vivi”, tendo escrito o texto de apresentação daquele livro para a tradução portuguesa editada por “Livros do Brasil”. (excerto)
A sua predilecção pelas crianças, talvez devido ao infortúnio que experimentou na sua adolescência, não se esgotava na escrita, aliás, para Ilse Losa o trabalho de um escritor não se completava se os livros não fossem lidos, manuseados, vividos, tendo aceitado todos os convites que as escolas (onde tudo começa e definitivamente se formata) lhe endereçaram para ler seus livros mesmo em momentos em que a sua saúde já não aconselhava. Costumava dizer que não via as crianças como seus leitores, mas como a sua fonte de inspiração.
Uma última palavra para “Silka” um livro muito belo, prenho de simbolismo ao jeito da autora, magnificamente ilustrado por Manuela Bacelar do qual deixo um excerto:
Nisto os meus olhos caíram sobre um grupo de quatro árvores que naquele lugar ermo, sem mais nenhuma vegetação, faziam o efeito de terem sido expulsas para o deserto. Eram Silka e os filhos, soubemo-lo no fim da história. Um cipreste, um choupo e um pinheiro, protegidos por uma faia de folhas vermelhas.
Ateu convicto, herdeiro do anti-clericalismo da 1ª República, Henriques Pinheiro sempre manifestou desagrado pela forma como prestamos a última homenagem aos falecidos, aculturados que estamos pelos costumes da Igreja Católica - na verdade não existem fora das residências espaços próprios para depositar os defuntos que não sejam as igrejas.
Por força destas circunstâncias e por ideia cuja origem desconheço, mas que não andarei longe da verdade se disser que deverá ter partido de José Filipe Guerreiro, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo acolheu o corpo de Henriques Pinheiro no seu auditório para o cumprimento das suas exéquias.
O momento revelou-se particularmente intenso, emocional e espiritualmente, sabendo que, apesar do defunto nunca ter demonstrado receio em partir, manifestou por diversas vezes a sua tristeza se tal ocorresse antes da inauguração do belo edifício que é hoje sede do CRBA.
Agradeço a quem teve esta inciativa pois, tendo tido o privilégio de contar com a amizade do Dr. Pinheiro, sei que foi a homenagem mais adequada, simbólica e do seu agrado que poderia ter sido feita.
Faleceu hoje, com 87 anos, o primeiro responsável pelo meu amor pelo Alentejo.
Médico de profissão, Henriques Pinheiro notabilizou-se como o mais profícuo promotor e organizador de eventos culturais no Alentejo, nomeadamente no âmbito da música clássica, de conferências e saraus sobre várias áreas do conhecimento e de reflexão, bem como pioneiro na batalha por um ensino artístico de qualidade.
Antes de Abril de 74 foi representante da Juventude Musical Portuguesa e, mais tarde, da Pró-Arte para o Distrito de Beja.
Consolidada a liberdade, funda, com sua mulher, o Centro Cultural de Beja do qual nasceu a Academia de Música de Beja que, mais tarde, constituída já uma equipa de professores, dá origem ao actual Conservatório Regional do Baixo Alentejo (instituições associativas sem fins lucrativos e das quais Henriques Pinheiro nunca auferiu qualquer vencimento ou honorário), onde se manteve sempre como Presidente do Conselho de Administração, tendo conseguido o feito ímpar de envolver como associados neste projecto todos os municípios do Baixo Alentejo, juntamente com o Centro Cultural de Beja.
Faleceu hoje um homem grande, um homem de causas, de grande exigência consigo próprio, sem medo de contratar profisssionais competentes que o ajudassem a erguer os seus sonhos e não meros “papagaios” que lhe garantissem a ausência de protagonismos alheios, tendo deixado obra feita sem nunca ter cedido a tentações facilitistas de redução dos níveis de qualidade tão em voga nos dias que correm, que apenas atraem incultos em busca de entretenimento em vez de cultivar.
Eu devo-lhe muito, o exemplo de uma vida de lutas em prol da cultura, o Alentejo também, seguramente, exigindo-nos agora o agradecimento e respeito pela sua memória, bem como a continuidade da obra e dos princípios em que ela se erigiu.
ps: fotografia retirada do Diário do Alentejo.
a surpresa surpreendente e inesperada - a candidatura de Cavaco;
a maior prova de que não há falta de auto-estima - a candidatura de Soares;
a surpresa inesperada e surpreendente - a candidatura de Jerónimo;
o único que compreende e dialoga com Cavaco - Louçã;
lavoura’s study case I - os tomates de Alegre;
lavoura’s study case II - não puxes muito que ainda dá estrume;
prima condição para o aumento da produtividade - ter dinheiro;
investimento mais produtivo - em dinheiro;
condições para ser empresário - teimosia feroz ou psicose avançada;
tomar conta de si - foda-se!!! E o Estado, hã? Foda-se…