Ateu convicto, herdeiro do anti-clericalismo da 1ª República, Henriques Pinheiro sempre manifestou desagrado pela forma como prestamos a última homenagem aos falecidos, aculturados que estamos pelos costumes da Igreja Católica – na verdade não existem fora das residências espaços próprios para depositar os defuntos que não sejam as igrejas.
Por força destas circunstâncias e por ideia cuja origem desconheço, mas que não andarei longe da verdade se disser que deverá ter partido de José Filipe Guerreiro, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo acolheu o corpo de Henriques Pinheiro no seu auditório para o cumprimento das suas exéquias.
O momento revelou-se particularmente intenso, emocional e espiritualmente, sabendo que, apesar do defunto nunca ter demonstrado receio em partir, manifestou por diversas vezes a sua tristeza se tal ocorresse antes da inauguração do belo edifício que é hoje sede do CRBA.
Agradeço a quem teve esta inciativa pois, tendo tido o privilégio de contar com a amizade do Dr. Pinheiro, sei que foi a homenagem mais adequada, simbólica e do seu agrado que poderia ter sido feita.


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