
Quando o sofrimento é intenso e prolongado a morte é mais assumidamente sentida como uma espécie de libertação. De Ilse Lieblich Losa recebemos uma nova forma de bem escrever para crianças (quem não se lembra de “A Flor Azul” e “Faísca conta a sua História”) e o testemunho de uma refugiada de origem judia que foge da Alemanha nazi, perdendo temporariamente o rasto à sua família e chegando a Portugal depois de passar por Inglaterra, em dois livros de referência – “O Mundo em que Vivi”, um sucedâneo de instantâneos de sua própria experiência e “Sob Céus Estranhos”, uma exortação, diria, à adaptação dos refugiados aos países de acolhimento.
Um dos livros que com Ilse Losa mais se identificava era o “Diário de Anne Frank”, por razões óbvias, em especial por, nas suas palavras, Anne não ter escrito “o seu diário a pensar na publicidade, nem porque fosse incitada a fazê-lo, mas única e simplesmente porque tinha de o escrever para si própria (…)”, a mesma razão que a autora experimentou com “O Mundo em que Vivi”, tendo escrito o texto de apresentação daquele livro para a tradução portuguesa editada por “Livros do Brasil”. (excerto)
A sua predilecção pelas crianças, talvez devido ao infortúnio que experimentou na sua adolescência, não se esgotava na escrita, aliás, para Ilse Losa o trabalho de um escritor não se completava se os livros não fossem lidos, manuseados, vividos, tendo aceitado todos os convites que as escolas (onde tudo começa e definitivamente se formata) lhe endereçaram para ler seus livros mesmo em momentos em que a sua saúde já não aconselhava. Costumava dizer que não via as crianças como seus leitores, mas como a sua fonte de inspiração.
Uma última palavra para “Silka” um livro muito belo, prenho de simbolismo ao jeito da autora, magnificamente ilustrado por Manuela Bacelar do qual deixo um excerto:
Nisto os meus olhos caíram sobre um grupo de quatro árvores que naquele lugar ermo, sem mais nenhuma vegetação, faziam o efeito de terem sido expulsas para o deserto. Eram Silka e os filhos, soubemo-lo no fim da história. Um cipreste, um choupo e um pinheiro, protegidos por uma faia de folhas vermelhas.
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Ilse Losa nao estava a sofrer.É certo que todos temos que morrer um dia mas Ilse Losa merecia viver…
Não estaria a sofrer no sentido que damos à palavra, estimada Sónia Guedes, mas como parece saber já há muito que tínhamos perdido a Ilse.
Se merecia viver? Nem se pergunta, logo uma pessoa que se entregou à vida, aos outros e às crianças como ela o fez.
ela era e e orrivel
Peço desculpa, mas esse género de comentários dispensam-se por aqui, mais a mais anónimos.
Passe bem.