como justificar a manutenção de um teatro nacional sem itinerância, com quase duas centenas de actores residentes com vencimento fixo, dos quais apenas 50 ou 60 se apresentam anualmente numa récita que seja, a soldo única e exclusivamente do Estado, absorvendo recursos avultadíssimos que poderiam ser canalizados para outros projectos, menos pesados, geograficamente mais abrangentes e não menos eficazes junto dos mais variados públicos.
No entanto, com tanta gente de Lisboa, de tantos quadrantes partidários a pedir a cabeça da Ministra, sustentados na indelével razão de que o S. João também funciona assim, quem sou eu para almejar alcançar tal discernimento?
Fica-me a sensação, no entanto, que quando se mexe em regalias, mordomias e demais “ias” que já não podem ir, as atitudes corporativas sobrepõem-se à normalidade das clientelas partidárias, dando azo a manifestações de tal forma exuberantes que quase nos fazem crer que se trata de crime.
Crime? Impensável foi a gestão do Teatro Nacional D. Maria não ter sabido superar os vícios que foi adquirindo durante os anos de ouro em que a “Portugal Telecom” a elegeu como única beneficiária dos milhões do seu mecenato.
Pois, mas como isso acabou, façam lá o favorzinho de angariarem financiadores privados que ajudem o Estado, olhem por falar em comparações com coisas do Porto, assim do tipo da Fundação de Serralves, por exemplo!
Vamos ter muitas dificuldades em aceitar que não é mais viável nós, o Estado, financiarmos tantos projectos e muito menos aqueles que têm um peso injustificável, como o CCB, o TNDM, o T. N. S. Carlos e, se calhar, o S. João e, em calhando, a Casa da Música e ainda os mais de 30 belos e renovadíssimos Teatros Municipais!
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mais uma vez em desacordo: que haja dinheiro para deixar os teatros – pólos de civilização, não esqueçamos – cumprirem a sua função. acabe-se com as compras de tanques, submarinos, bombardeiros e outros brinquedos dos homenzinhos fardados – e até sobrará dinheiro para a educação.
Discordar é bom, minha amiga, faz bem e ajuda-nos muitas vezes a repensar os nossos fundamentos.
No entanto, neste caso, respeitando a discordância, nada adiantas, com contas feitas, de como poderemos sustentar o insustentável.
Puxa mais por ti, como é tey timbre, sem usares estas tiradas avulsas, diria até, demagógicas.
Também sou herdeiro dos anos 60, mas confesso que hoje já não consigo fundamentar e criar sobre “palavras de ordem” de ocasião, qual manif do Maio de 68.
Mas, obrigado pelo comentário, Gisela, são sempre bem-vindos.
não posso deixar passar esta, porque a demagogia não faz parte da minha maneira de argumentar. também não sou herdeira dos sessenta do modo que sugeres, embora ache que um pouco mais de peace and love não fizessem mal a ninguém, man. e, em relação aos números que apresentas sobre o Dª Maria – embora aplauda a saída do sr lagarto, não pelas mesmas razões que parecem ter levado a ministra a demiti-lo – parece-me que estás mal informado: 2 centenas de actores residentes?(!!!) onde? quando? em relação ao puxar mais por mim, podes estar certo: é uma consciente determinação em cada dia.
Ah!!!, até que enfim, a Gisela que eu conheço e aprecio!
Sobre o que dizes, é simples, tu és uma profissional da área, diz-nos quantos actores residentes tem o D. Maria, que percentagem desses se apresenta pelo menos uma vez anualmente e, já agora, quantos contrata anualmente que não pertençam ao quadro.
Quanto às razões que terão levado a Ministra a demitir Lagarto, pois, acreditas que foram as anunciadas? Não achas quer haverá razões de sobra para considerar que a sua permanência à frente dos destinos do D. Maria seria impensável?
Se atentarmos nos passos que a Ministra tem vindo a dar esta demissão comprende-se melhor do que as que possam ser aduzidas de qualquer conferência de imprensa ou coluna de opinião de jornal.
Obrigado, sinceramente, por te teres atrevido a ser aqui o que realmente és.
O teatro nacional tem 8 actores fixos.
Só.
um abraço
Teresa
Já agora…
A portugal telecom deixou de ser mecenas exclusivo do tndmII antes do antónio lagarto ir para lá.
Muito obrigado à Teresa pelo pronto esclarecimento o qual corresponde à verdade depois da reforma empreendida por Sasportes.
É verdade, também, que a PT já não era mecenas quando António Lagarto tomou posse, mas os vícios então criados estavam lá e pouco se fez para alterar despesas fixas que então se foram acumulando.