Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Março, 2006

sentenciou António Vitorino sobre essa coisa da obrigatoriedade de todos os partidos colocarem 30% de senhoras nas suas listas de suporte clientelar.
O caso não é virgem! Desde os defensores de que a história se repete, aos que não se repete, aos que dizem que é cíclica e outros poliritmada, aos que gostariam que ela voltasse para trás ou aos que seu fim proclamem, de tudo houve, há e haverá.
Para nossa sorte a história não quer saber deles, é alheia às suas pretensões e vincula-os a um inabalável devir que desconhecem e os perturba por se saberem na mesma ignorância dos demais.

Sua mulher, Ivonne, que acabava de interpretar 4 obras suas - “Sept Haikai“, “Couleurs de la Cité Céleste“, “Un Vitrail et des Oiseaux” e “Oiseaux Éxotiques” - por ocasião dos seus 80 anos.

Memorável concerto este, no Théatre des Champs-Élysées a 26 de Novembro de 1988, com Ivonne Loriod e o Ensemble Intercontemporain, dirigidos por Pierre Boulez, editado em CD, pela “Disques Montaigne”, sob o título “Hommage à Olivier Messian - Le Concert Officiel du 80e Anniversaire“, no mesmo ano.

Nas notas que Claude Samuel escreveu a propósito lê-se a seguinte passagem:

Pratiquant de longue date la vertu de l’humilité, Olivier Messian n’ignore pas que le rôle fondamental d’un créateur, que la survie de son oeuvre n’ónt qu’un lointain rapport avec ces signes de reconaissance, et toute l’histoire de la musique est jalonnée de gloires éphémères. Néanmoins, ces signes rélèvent que la musique moderne n’est pas nécessairement un territoire sulfureux où ne peuvent s’aventurer que quelques guerriers protégés; ils sanctionnent aussi l’originalité d’une démarche que rien ne prédisposait apparemment à l’irruption sur la place publique.

licenciaturas com menos de 20 alunos em primeira inscrição.» (fonte: Público)
Ora bolas, sou mesmo tonto! Eu a pensar que o Estado deveria deixar de financiar licenciaturas que ao Estado não interessam, para manter o financiamento e até incentivar aquelas cujos profissionais carecemos!

sul e demais assuntos que parece sentir-se bastante aliviado.
Diz a prudência que o alívio, nestes casos, é precoce. Falta ouvir e responder a coisas que ainda hão-de ser inventadas, apesar de já escorreitamente arrazoadas e concretamente circunscritas em eminentes inteligências.

29-03-06

Anarca,

«O Teatro Nacional D. Maria II “vai apresentar um conjunto de peças ao longo do ano baseadas em autores presentes nos currículos escolares e fornecerá materiais didácticos aos professores para fazer projectos que passem pelo teatro”»

«A criação de oficinas de expressão dramática, de uma Escola de Teatro de Verão, de bibliografia específica para crianças e a formação de professores (…)»

«“O Teatro S. João no Porto já tem serviços educativos bastante activos, mas o ministério pretende, através destas actividades, que se intensifique o trabalho com as escolas, no sentido de consolidar a formação de novos públicos”»

Isabel Pires de Lima (fonte: Público)

Muita coisa está a mudar: a abordagem da política de gestão cultural, o conceito de educação, nomeadamente a educação artística, e adaptação dos respectivos projectos curriculares, a reformulação de serviço público de audiovisual e a articulação das tutelas de forma a centrar missões, objectivos e alocação de recursos. Muda-se, aparentemente, de forma lenta, experimental até, mas de forma decidida.
Prossiga, Sra. Ministra, aguente firme as críticas dos seus actuais detractores pois serão eles, no futuro, a apoiá-la e a agradecer-lhe. Dar trabalho e remunerar devidamente os criadores é muito diferente de subsidiar sabe-se lá o quê e com que resultados!
O Estado tem, como primeira obrigação, oferecer às crianças, adolescentes e jovens o acesso às mais variadas formas de arte, contextualizadas nos respectivos projectos educativos, encomendando o Estado, para o efeito, trabalhos aos criadores e, se recursos financeiros sobejarem, então pensar-se-á em subsidiar, pontualmente, teatros, nacionais ou municipais, companhias ou artistas.
No final, serão estes mesmos a agradecer o facto de ter ousado mudar as rotinas de subsídio-dependência com resultados impossíveis de aferir no que ao bem comum diz respeito.

A APEL disponibiliza online, a partir de hoje e gratuitamente até Abril, um motor de busca sobre uma base de dados de ISBN’s.
É aproveitar estes diìtas…

«Fogo destrói uma dezena de processos no Tribunal de Tavira» Público

Já não vale a pena adiantar mais. A coisa simplexizou-se de tal forma que a olho nu se vislumbra sem necessidade de recorrer a qualquer expliFAQ.

Afinal não é todos os dias que Ronaldinho Gaúcho e Deco jogam juntos em Portugal!

do César Viana, do Plasticina, pergunta o Paulo Bastos aproveitando a caixa de comentários da entrada anterior e porque será que o Henrique Silveira e a Teresa Cascudo escrevem cada vez mais espaçadamente, pergunto eu.
Implodiram os blogues, os primeiros, ao que parece, mas tenho razões para crer todos continuam muito atentos ao que se vai passando (e muito se está a passar sem que disso se apercebem os que cegam e ensurdecem com o ruído da sua habitual verborreia), em especial no que toca à nossa bandeira comum, a Educação Artística e a Gestão Cultural.
Temos agora muito activo o Tiago Bartolomeu Costa que acaba de publicar uma série de excelentes entrevistas a 4 programadores portugueses, autênticas pérolas se comparadas com o que os senhores que ontem foram convidados para o programa “Prós e Contras” para lá disseram…

A reestruturação orgânica anunciada pelo governo para analisar e deferir ou não sobre as candidaturas a apoiar pelo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional, implementado pela Resolução do C.M. n.º 25/2006, link para PDF), concentrando em equipas profissionais e multidisciplinares em vez seu do parcelamento estanque dentro de cada Ministério, parece induzir uma assumida e acertada tentativa de agilização, profissionalização e transparência de processos.
Fico no entanto sem entender, seguindo mais uma vez o raciocínio do governo de que “os programas são agora transversais” e focalizados na tríade “competitividade, qualificação e território“, por um lado e, por outro, na propagandeada reorganização territorial baseada nas 5 regiões-plano, há muito assumidas pela UE e até pelo Estado, qual a razão de não estar prevista a inclusão nessas equipas profissionais e multidisciplinares de elementos das CCR’s!
A perplexidade aumenta ainda pelo facto de ser, provavelmente, a última oportunidade que teremos para aliviar as assimetrias regionais cometidas por todos os governos desde a adesão à UE, nomeadamente a centralização na área metropolitana de Lisboa!

Estreia hoje e estará em cena nos dias 27 a 29 e 31 “Madalena J“, uma produção do Arte Pública no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja. (clicar imagem para aceder ao programa e ficha técnica completa).

a enxurrada de visitas mostradas pelo weblog.
Afinal é simples, mas confesso que não tenho tempo para, condignamente, receber tanta gente aqui por casa…

Tudo começa amanhã, pelas 16:00h (clique nas imagens para aceder aos programas)
com António Branco e Paula Oliveira à conversa sobre “O Papel das Mulheres na História do Jazz”.
À noite, às 21:30h, teremos
Paula Oliveira com Bernardo Moreira.
A 30 deste mês, pelas 21:30h
pelo “Lisboa Ballet Contemporâneo”
e a 1 de Abril
Jacinta.
Durante este ciclo decorrerá
uma feira de CD’s e DVD’s da responsabilidade da

Ainda a notícia não foi amplamente divulgada pelos competentes orgãos e já os blogonautas desatam a zurzir contra o governo!
Lamentável!
Lamentável não atingirem o real alcance de tanta medida - a criação de centenas de postos de trabalho!
Vão ser precisos centenas de alfaiates e modistas, perdão, de estilistas, para dar vazão a tanto labor, tendo mesmo constado que o IEFP já tem na calha vinte e nove cursos e meio com direito a subsídio de refeição e de pernoita e deslocalizacionamento para o efeito.
Haja decoro…

O Tiago Bartolomeu Costa em O Melhor Anjo vem publicando uma série de entrevistas a programadores nacionais ligados ao teatro, sob o título “A ponta do iceberg”. Ontem foi a vez de Jorge Salavisa, progamador do Teatro Municipal S. Luiz. Excelente, no mínimo, a visão centrada na qualidade e na coerência, o bom senso, o rigor do seu trabalho e da negociação e cumprimento de orçamentos. A ler… e aprender!

Num texto que ontem li, dizia assim numa nota de rodapé:

«(…) é surpreendente (…) que a compaixão (etimologicamente “sofrer com”) seja considerada um “sentimento nobre” enquanto a complacência (”prazer com”) tenha uma conotação negativa na nossa cultura judaico-cristã

Por estar incluída num estudo a apresentar não posso revelar a origem, mas deu-me que pensar…
Deu-me para perceber a confusão latente entre solidariedade e caridade e a constância da auto-censura do discurso, purgado, por um pudor não natural, de referências ao prazer partilhado.
É, ainda hoje, a ética de S. Tomás que prevalece nas posições do Vaticano ao recusar-se a sair do quadro do pecado da carne e da vergonha do corpo.

Fui hoje surpreendido com a perda de mais uma pessoa invulgarmente íntegra, séria, civicamente activa e sem medo de afrontar os meandros clientelares que nos dominam, perda esta que mais se adensa quando pensamos no que ainda tinha e poderia dar ao Alentejo.

Imagem retirada do blogue Terra Viva, desta entrada.

Saiu da Samardan certo pedreiro
Faminto de ouro, em busca da fortuna;
Embarca, vai-se ao Rio, deita ás Minas,
E lida, e fossa, e sua, arranca á Terra
O luzente metal, que o vulgo adora.
Vem rico a Samardan; vinhas, searas,
Casas, moveis, baixélia compra fôfo:
Brocados veste, vae-se nos domingos
Espanejar á Egreja, acompanhado
De lacaios esbeltos; vem o Cura,
Saúdal-o com agua benta; os mais graudos
Do lagarejo a visital-o acorrem;
Para elle os rapapás, as barretadas
Se apostavam de longe a qual mais prestes.
Fallavam os visinhos e a gazeta
Na celebre Paris, cidade guapa
Onde todo o estrangeiro nobre ou rico
Vae fazer seu papel. Eil-o azoado
Que deixa a Samardan, que se apresenta
Na capital franceza; roda em côche,
Alardeia librés; passeia Louvres,
Versalhes, Trianões. Volta enfadado
A’ sua Samardan. - «Gabam tal gente
«De polida! Oh! mal haja quem tal disse!
«Corri casas, palacios, corri ruas;
«Não vi um só, nem grande nem plebeu,
«Que, ao passar, me corteje c’o chapeu.»

de Filintho Elysio, citado em O Degredado de Camilo Castelo Branco”, incluído nas Novelas do Minho, na 3ª edição, de 1915, Lisboa, Livraria Editora

Após uma citação de João de Barros, Camilo dedica O Degredado assim:

«Aos Senhores Fidalgos da Casa Real

e

CAVALLEIROS PROFESSOS DA ORDEM DE CHRISTO

Offereço a Vossas Excellencias por dois tostões esta biographia de um confrade. Vão as suas pessoas, senhores fidalgos e cavalleiros professos, ufanar-se do irmão d’armas que tiveram na sua cavallaria.

Deus guarde a Vossas Excellencias para confusão de Bonança, de Latino Coelho, de Oliveira Marreca e das outras cabeças da hydra.

De S. Miguel de Seide, aos 29 de Novembro de 1876.»

«(…) quanto mais um tipo se aplica num texto menos comentários tem.» José Pimentel Teixeira no Ma-Schamba àcerca de blogues e bloguismo.

A partir do próximo dia 24, contaremos com mais um semanário da região, o “Correio Alentejo”, dirigido por António José Brito, humilhantemente afastado da direcção do “Diário do Alentejo” pela nova maioria do PCP na Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (AMBAAL), com contornos de vergonhoso saneamento político, depois de ter feito um belíssimo trabalho.
Aliás, já idêntico processo tinha ocorrido há 4 anos atrás com outro excelente profissional que muito tinha dado ao “Diário do Alentejo”, Carlos Pereira, na altura afastado da direcção pela anterior maioria PS/PSD na Associação de Munípios do Distrito de Beja (AMDB).
É com profunda tristeza que assistimos às contínuas movimentações dos poderezitos clientelares desta gente muito pequenina que vai dominando e minando o Alentejo, enquanto que os mais válidos partem ou, simplesmente, desistem por se recusarem banhar em tão poluídas águas.
Ao novo “Correio Alentejo” endereço votos de sucesso.

No passado dia 10 de Março a TVBeja iniciou a sua emissão online em regime experimental, pretendo, segundo as palavras de Miguel Correia da Campo dos Media, empresa responsável pelo projecto, divulgar e cobrir noticiosamente o que vai ocorrendo pelo distrito onde se sedia.
Votos de bom sucesso é o que endereço.

Ontem, no programa “Grande Plano” da Rádio Voz da Planície, fomos brindados com uma excelente entrevista de cerca de 1 hora a José Filipe Guerreiro, Director do Conselho Executivo do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, conduzida por Ana de Freitas.
Tratou-se de uma entrevista pessoal embora tenha havido oportunidade para o ouvir sobre o que pensa sobre o futuro da instituição que gere, sobre o legado de Ernestina e Henriques Pinheiro, a semente e o motor do que hoje esta instituição representa no e para o Alentejo.
Do muito que foi dito gostaria de destacar alguns pontos que me parecem de capital importância:

1 – as qualidades que José Filipe Guerreiro enunciou de Henriques Pinheiro, as quais afirmou ser admirador e fiel seguidor: a integridade de carácter; a tenacidade na prossecução de objectivos; a teoria do acaso (que Henriques Pinheiro defendia como filosofia de vida) que aplicada à gestão traduz-se na aplicação do princípio do “avanço – erro – reformulação”; por último e talvez mais importante, a necessidade imperiosa de formar equipas de pessoas competentes, quiçá a característica que mais frutos rendeu na obra de Henriques Pinheiro.

De facto, uma das áreas onde os teóricos da gestão mais têm investido nos últimos anos é, precisamente, na constituição, dinâmica, animação, manutenção e renovação de equipas, onde os níveis de competência e desempenho individuais sejam sempre muito elevados, reconhecidos e premiados na prossecução de missões e objectivos comuns.
Longe vão os tempos em que se advogava a igualdade cega de tratamento dos elementos de cada equipa independentemente do seu desempenho, pois os resultados verificados indicaram sempre a desmotivação dos mais capazes e empenhados, nivelando o desempenho colectivo por padrões manifestamente medíocres em relação ao potencial do grupo em causa.
Se repararmos nas empresas inseridas em áreas mais competitivas como a química, a financeira e energética, por exemplo, facilmente constatamos que entre as melhores encontramos equipas formadas por especialistas altamente conceituados e premiados pelo seu mérito pessoal na prossecução, evidentemente, dos objectivos colectivos das empresas.
Talvez por ter sido médico hospitalar de profissão ou por dote nato, o Dr. Pinheiro soube chamar a Beja e constituir uma equipa vencedora, desde logo ao convidar, em 1996, José Filipe Guerreiro para integrar a direcção da então Academia de Música do Centro Cultural de Beja, seguindo-se-lhe outras pessoas de capital importância para se atingir, em apenas 10 anos, o que hoje é o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.

2 – a forma como José Filipe Guerreiro posicionou o C.R.B.A., como uma Escola de Artes virada para o exterior e não mais tão-só um convencional Conservatório de música dita clássica, revela uma inteligência estratégica imprescindível para que a instituição consiga, por um lado, prestar serviços mais abrangentes e mais de acordo com as necessidades da população (redefine por completo o mercado alvo, obrigando a uma segmentação segura e a formas de distribuição distintas) e, por outro, aumentar, através da diversificação da oferta, a receita de modo a que o C.R.B.A. possa, cada vez mais, aproximar-se de um seu objectivo fundamental – a independência financeira – que o proteja de eventuais pressões partidárias ou meramente clientelares, muito vulgares e descaradas por estas e, se calhar, outras paragens.

Porque o texto já vai longo, apesar de muito mais ter dito de relevante José Filipe Guerreiro, permito-me destacar estes dois pontos, para mim de extrema relevância ou talvez por ser mais sensível à área de gestão em que navego, pontos estes que me fizeram renovar a esperança no futuro desta Escola de Artes, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Aguardamos, com expectativa justificada, que José Filipe Guerreiro tenha condições e consiga colocar em prática os tão lúcidos princípios que enunciou.

ps: link para breve súmula do currículo de José Filipe Guerreiro

«Pourrait-on ne pas avoir de la patience, ne pas apprendre de la nature à avoir de la patience en voyant silencieusement lever le blé, croître les choses - pourrait-on s’estimer une chose si absolument morte que de penser qu’on ne puisse même plus coître?»

V. Van Gogh, excerto de “Lettres à son Frère Théo” de tradutor que desconheço.

Encerrados que estamos na cada vez mais complexa invenção das razões de razões, passamos ao lado da fruição da beleza que a pureza, incessantemente e sem razão, nos oferece sem nada pedir em troca.
Deixo um aqui a transcrição de um comentário que a Susana Serrano, professora de Educação Musical, deixou ontem neste post:

(…) no meio disto tudo, seja o sistema de ensino, os profs, as depressões, é mesmo a música que nos safa.
Tenho na escola só turmas de 7º,8º e 9º ano (neste último a música é opcção) e este ano, como é o ano do Mozart, o 2º projecto a trabalhar com os putos é, entre outras coisas, tocar Mozart. Escolhi com eles um andamento de um Divertimento em Fá M a 3 vozes, em que eles tocam a 1ª em flauta bisel soprano e a 3ª em flauta alto. Ontem estiveram a seguir a partitura deles e a ouvir a peça, num silêncio religioso; pediram para ouvir 3 vezes.
Às vezes vale a pena ser professor das disciplinas mais miseráveis.

Segundo fontes muito pouco fidedignas a RTP considerou já como hostil a OPA que Cavaco Silva lançou sobre o programa “As escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa”.
Até ao momento não foi possível saber se Ana Sousa Dias aceitará a condução do programa a partir do Conselho de Estado.

Decorreu na semana passada, conforme aqui divulguei, a Conferência Mundial sobre Educação Artística no CCB, organizada pela UNESCO.
Foram 4 dias a ouvir especialistas oriundos de todo o mundo, com a possiblidade de todos participarem nos vários workshops que ocorreram sobre cada tema.
Curioso foi constatar que, apesar de muitos participantes, sobraram os dedos de uma mão para contar a presença de directores de Escolas de Ensino Artístico vocacional, públicas, privadas e cooperativas, de outra mão para directores pedagógicos das mesmas e professores, bem, professores não se conseguiu contabilizar!
E eu até acho que têm razão! Para quê irem perder 3 preciosos dias naquilo, logo num país que, apesar de sempre queixoso de falta de condições, consegue produzir Eusébios, Carlos Lopes, Rosas Motas, Fernandas Ribeiro, Figos, Marizas, Camanés, Mísias, Sisas Vieiras e Soutos Moura, Soutinhos e Távoras e etc., etc., etc.!
Nós sozinhos somos mais artistas que eles todos juntos e mais outros tantos…

que Ele é o que nós não somos. Apenas a nossa miséria é a imagem disso. Quanto mais a contemplamos, tanto mais O contemplamos.»

Simone Weil, “A atenção e a vontade”, 1994: 139-140