Ontem, no programa “Grande Plano” da Rádio Voz da Planície, fomos brindados com uma excelente entrevista de cerca de 1 hora a José Filipe Guerreiro, Director do Conselho Executivo do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, conduzida por Ana de Freitas.
Tratou-se de uma entrevista pessoal embora tenha havido oportunidade para o ouvir sobre o que pensa sobre o futuro da instituição que gere, sobre o legado de Ernestina e Henriques Pinheiro, a semente e o motor do que hoje esta instituição representa no e para o Alentejo.
Do muito que foi dito gostaria de destacar alguns pontos que me parecem de capital importância:
1 – as qualidades que José Filipe Guerreiro enunciou de Henriques Pinheiro, as quais afirmou ser admirador e fiel seguidor: a integridade de carácter; a tenacidade na prossecução de objectivos; a teoria do acaso (que Henriques Pinheiro defendia como filosofia de vida) que aplicada à gestão traduz-se na aplicação do princípio do “avanço – erro – reformulação”; por último e talvez mais importante, a necessidade imperiosa de formar equipas de pessoas competentes, quiçá a característica que mais frutos rendeu na obra de Henriques Pinheiro.
De facto, uma das áreas onde os teóricos da gestão mais têm investido nos últimos anos é, precisamente, na constituição, dinâmica, animação, manutenção e renovação de equipas, onde os níveis de competência e desempenho individuais sejam sempre muito elevados, reconhecidos e premiados na prossecução de missões e objectivos comuns.
Longe vão os tempos em que se advogava a igualdade cega de tratamento dos elementos de cada equipa independentemente do seu desempenho, pois os resultados verificados indicaram sempre a desmotivação dos mais capazes e empenhados, nivelando o desempenho colectivo por padrões manifestamente medíocres em relação ao potencial do grupo em causa.
Se repararmos nas empresas inseridas em áreas mais competitivas como a química, a financeira e energética, por exemplo, facilmente constatamos que entre as melhores encontramos equipas formadas por especialistas altamente conceituados e premiados pelo seu mérito pessoal na prossecução, evidentemente, dos objectivos colectivos das empresas.
Talvez por ter sido médico hospitalar de profissão ou por dote nato, o Dr. Pinheiro soube chamar a Beja e constituir uma equipa vencedora, desde logo ao convidar, em 1996, José Filipe Guerreiro para integrar a direcção da então Academia de Música do Centro Cultural de Beja, seguindo-se-lhe outras pessoas de capital importância para se atingir, em apenas 10 anos, o que hoje é o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
2 – a forma como José Filipe Guerreiro posicionou o C.R.B.A., como uma Escola de Artes virada para o exterior e não mais tão-só um convencional Conservatório de música dita clássica, revela uma inteligência estratégica imprescindível para que a instituição consiga, por um lado, prestar serviços mais abrangentes e mais de acordo com as necessidades da população (redefine por completo o mercado alvo, obrigando a uma segmentação segura e a formas de distribuição distintas) e, por outro, aumentar, através da diversificação da oferta, a receita de modo a que o C.R.B.A. possa, cada vez mais, aproximar-se de um seu objectivo fundamental – a independência financeira – que o proteja de eventuais pressões partidárias ou meramente clientelares, muito vulgares e descaradas por estas e, se calhar, outras paragens.
Porque o texto já vai longo, apesar de muito mais ter dito de relevante José Filipe Guerreiro, permito-me destacar estes dois pontos, para mim de extrema relevância ou talvez por ser mais sensível à área de gestão em que navego, pontos estes que me fizeram renovar a esperança no futuro desta Escola de Artes, o Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Aguardamos, com expectativa justificada, que José Filipe Guerreiro tenha condições e consiga colocar em prática os tão lúcidos princípios que enunciou.
ps: link para breve súmula do currículo de José Filipe Guerreiro
Tags: Alentejo, Beja, Conservatório Regional do Baixo Alentejo, Cultura, Educação Artística, Ensino Artístico, Gestão Cultural






















Que é feito
do César Viana, do Plasticina, pergunta o Paulo Bastos aproveitando a caixa de comentários da entrada anterior e por que será que o Henrique Silveira e a Teresa Cascudo escrevem…