Num texto que ontem li, dizia assim numa nota de rodapé:

«(…) é surpreendente (…) que a compaixão (etimologicamente “sofrer com”) seja considerada um “sentimento nobre” enquanto a complacência (“prazer com”) tenha uma conotação negativa na nossa cultura judaico-cristã

Por estar incluída num estudo a apresentar não posso revelar a origem, mas deu-me que pensar…
Deu-me para perceber a confusão latente entre solidariedade e caridade e a constância da auto-censura do discurso, purgado, por um pudor não natural, de referências ao prazer partilhado.
É, ainda hoje, a ética de S. Tomás que prevalece nas posições do Vaticano ao recusar-se a sair do quadro do pecado da carne e da vergonha do corpo.


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