Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Abril, 2006

«É inútil o batismo para o corpo,

e o esforço da doutrina para ungir-nos,

não coma, não beba, mantenha os quadris imóveis.

Porque estes não são pecados do corpo.

À alma sim, a esta batizai, crismai,

escreverei para ela a Imitação de Cristo.

O corpo não tem desvãos,

só inocência e beleza,

tanta que Deus nos imita

e quer casar com a sua Igreja

e declara que os peitos de sua amada

são como os filhotes gémeos da gazela.

É inútil o batismo para o corpo.

O que tem suas leis as cumprirá.

Os olhos verão a Deus.

José Augusto Mourão, em O modo que têm as mulheres de falar com Deus, 8 d Março de 2005, a propósito do Dia da Mulher.

ps: leitura integral de “O modo que têm as mulheres de falar com Deus

O Leonel Santos, que conheci durante um concerto do ciclo “Jazz no Feminino” que decorreu no “Pax Julia“, teve a gentileza de me enviar uma “newsletter” de sua autoria da qual transcrevo o que ao evento diz respeito, por estar em sintonia, na generalidade. Aqui vai…

«Na semana que passou encerrou portas o Jazz no Feminino, o ensaio para o Festival de Jazz de Beja. Interessante na fórmula personalizada, “temático”; neste primeiro ano dedicado portanto às mulheres no Jazz. Interessante também na multidisciplinaridade que procurou e na diversidade da iniciativa.
Dois concertos, Paula Oliveira e Jacinta, e um espectáculo de dança pelo Lisboa Ballet Contemporâneo; “Uma Noite com Ella”, homenagem a Ella Fitzgerald.
E ainda, uma interessante panorâmica apresentação realizada por António Branco seguida de debate também por A.B. moderado e que contou com a participação da cantora Paula Oliveira e o público presente. Ainda também uma Exposição Fotográfica de João Henriques e uma mini-feira de discos. À margem do festival, uma prova de vinhos e produtos da região. O festival teve ainda a colaboração de unidades hoteleiras de Beja.
É possível observar que apesar da modéstia do evento há boas ideias e uma concepção que possui algo de originalidade, a prosseguir. Precisa ganhar público e consistência, mas a fórmula está lá: Jazz, tema, multidisciplinaridade, latitude.

Parabéns Beja!

Apenas assisti ao primeiro concerto, de Paula Oliveira. O projecto, de PO e Bernardo Moreira é ambicioso (e, para já, ganhador, já que ultrapassou em pouco tempo todas as expectativas de vendas da editora): trata-se de casar o Jazz com a música portuguesa; quer dizer alguma música ligeira “de culto”, de autores (poetas, músicos, intérpretes) como Ary dos Santos, José Niza, Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho ou Manuel Alegre. A tarefa, à partida, não se revelava fácil, em primeiro lugar porque esta música portuguesa (e falo das música apenas, não dos poemas) não possui a riqueza melódica/ harmónica e subtileza dos clássicos norte-americanos, p. ex.. Depois porque devido a mesma relativa simplicidade das suas linhas melódicas e de terem sido servidas por bons cantores (no género, os melhores), expressivos e impressivos, são demasiado marcantes. Tratava-se portanto de fazer descolar as canções dos originais; uma tarefa nada fácil e que se revelou nem sempre conseguida. A espaços o engenho de Bernardo Moreira (o arranjador) e a voz magnífica de Paula Oliveira (”Lisboa que adormece”, “Flor sem tempo”) aliam-se para recriar as canções; por vezes a criatividade demite-se, substituída por meras transposições dos arranjos originais para combo de Jazz, eventualmente acrescidos de exercícios de scat ou solos de um ou outro instrumento (”E depois do adeus”, “Cavalo à solta”).
Lisboa que adormece perde-se com frequência no esforço de recolorir os originais que se revelam demasiado definitivos, de melhorar canções que fizeram uma época na memória dos portugueses quando o que havia era quase tudo pouco e mau e estas canções faziam a diferença. Depois, a espaços, o Jazz emerge trocando as voltas à melodia, cumprindo o seu papel recriador.
O público não parece no entanto partilhar das minhas observações já que, como referi, a venda do disco é já um êxito e o concerto foi um sucesso, aplaudido sem reservas, de pé, pelo público.
»

Leonel Santos

O público talvez não, mas eu partilho, sinceramente.

que mistura o óptimo com o rasca e acabou por tornar-se um prolongamento do magistério da opinião nos jornais. Num qualquer blogger existe e vegeta um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso. Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, agora publicam-se as ejaculações. Clara Ferreira Alves na sua última crónica no Diário Digital (link)

Absolutamente de acordo, sem retirar uma única vírgula! É que, afinal, a blogosfera mais não é que um reflexo da sociedade, tal como os jornais, sejam eles digitais, de papel, radiodifundidos ou televisionados.
Daí que, o que faz a diferença não é a qualidade global de um meio, mas a singularidade de cada qual em fazer, e fazer bem.
Lembro-me, sei lá, por exemplo, do que foi (ou não foi) a Casa Fernando Pessoa até há bem pouco tempo e o que hoje é! Foi a Casa que mudou? Não, apenas e tão-só uma pessoa e é precisamente nas pessoas, em cada uma delas, que a diferença consegue e deve ser aferida, para o bom e para o mau.

FESTArrancou hoje a 3ª edição do FEST - Festival de Cinema e Vídeo Jovem de Espinho com 123 produções a concurso, representando 27 países.
Das 123 produções, 25 são portuguesas, escolhidas entre 1385 filmes inscritos a concurso.

A projecção deste evento, em apenas 3 anos de existência, é notável, sabendo, para mais, a reduzida equipa que o ergue e o sustém, sendo um valor inestimável para a promoção de Portugal, muito particularmente, de Espinho.

Parabéns, votos de êxito e força para prosseguirem com o magnífico trabalho.

À margem do evento, quando vejo o que Espinho consegue fazer a nível cultural, de promoção da sua cidade, de atracção turística e consequente melhoria de condições de vida dos seus cidadãos, interrogo-me sobre a paralisia de muitos outros municípios deste país, sempre lestos a desculparem-se com o  poder central e a pedinchar mais um subsidiozito!

Ou é desinteresse ou manifesta incompetência ou…, ou nem ouso pensar que seja mesmo atavismo, i.e., a mediocridade das clientelas partidárias que dominam os poderes locais  afastem tudo e todos que podem e sabem fazer, com medo de perderem o seu putativo elo na cadeia de influência.

Não, nem quero acreditar nesta última hipótese…

 

ps: clicar na imagem para aceder ao programa completo do FEST.

SF Colective Jazz

Imperdível, absolutamente!

Joshua Redman, Nicolas Payton, Renée Rosnes, Bobby Hutcherson, entre outros, fazem com que este ensemble represente, hoje, um dos expoentes máximos do Jazz orquestral.

Talvez apresentem mais logo na Casa da Música o seu último trabalho,

SF Collective 

composto por temas de cada um dos músicos e 6 de Coltrane, "Moment’s Notice", "Naima", "Africa", "Crescent", "26/2" e "Love/Dear Lord", orquestrados por Gil Goldstein.

Lá estaremos com uma noite em cheio, seguramente.

ps: este concerto é dos tais que merecia uma gravação pela RTP… 

Sofa Surfers

 

Novamente em Portugal, os Sofa Surfers, na Casa da Música, hoje, às 23:00h para apresentar o trabalho mais recente, "The Red Album".

 

Juntos desde 1997, tendo sido a banda revelação desse ano, representam hoje o que de melhor se faz no pós-rock, a aprtir do rock.

 

Os cencertos já apresentados em Portugal, nomeadamente o de Paredes de Coura,  constituem motivo mais que suficiente para irmos à Casa da Música.

Ainda a propósito da nova questão Coimbrã que opõe o crítico George à Rabêla Pinta deu-me para pensar que até será aceitável que um gajo gaste tempo a ler merda e a escrever sobre ela. Cada um come do que gosta e gasta o tempo da forma que bem entender, embora eu não acredite que se os Morangos com Açucar fossem realizados pelo Almodovar deixariam de ser a merda que são.
Mas porra, até que uma gaja ter o nome copyrraitado não está mal. Em vez de Meneses, Bragança, Saldanha ou Caneças, Copyright até que é bem mais giro e original! Agora casar com uma gaja com o nome defendido por copyright é que não!
Impensável! Um gajo até nem é esquisito, mas como sustentar um casamento onde ela abona com o copyright e a gente sempre a fodê-lo?
Não se pode andar a foder o abono de família, isso é que não, olha agora… Um gajo nem pode dizer aos amigos que dá uma boas trancas na patroa que eles vão logo pensar que andamos o foder o copyright!

Lendo o Mundo Pessoa chego à notícia de que a “Ler Devagar” encontrou um novo espaço a convite do ZBD> - “Zé dos Bois”, no r/c da Rua da Barroca.
Ele há gente, até pode ser pouca…, mas ele há gente… que vale a pena e que nos faz acreditar.

Quanto mais leio e releio e tropeço, passo por passo, em releituras e demais regurgitações sobre este assunto, sinto que revivemos uma reedição da Questão Coimbrã só que em remake 21 century foxing & casting - é que se da contenda desconhecemos o laureado final, o certo é que mediática e fiduciariamente ambos os contendores estão já a ganhar…
Coisa pós-moderníssima, pois certamente, mas não de cultura.., talvez de educação…, ou da sua insuficiência!

Susana Malkki
fotografia de Tanja Ahola

Sucedendo a Peter Eötvös (que saudades), David Robertson e Jonathan Nott a maestrina Susana Mälkki (ver, ver, ver) é a nova Directora Musical do Ensemble Intercontemporain, fundado por Pierre Boulez.
Note-se que apesar da fama de ditador do fundador, para se ser director deste agrupamento só é possível com a concordância de dois terços dos seus solistas, conseguidos através de votação secreta.
O currículo de Susana Mälkki, em especial como maestrina residente do Birmingham Contemporary Music Group, que ainda o ano passado se apresentou entre nós, e o trabalho já desenvolvido no Ensemble são indicadores de uma belíssima e consistente aposta de futuro.

A pedido de Lumife e porque a data se aproxima divulgo, mais uma vez, o Encontro de Blogues em Alvito (link para inscrição), no próximo dia 22 de Abril, cujo programa, gentilmente cedido por Lumife na caixa de comentários, aqui transcrevo.

PROGRAMA

10h30 - POSTO DE TURISMO - Recepção aos Participantes

11h00 - AUDITÓRIO CENTRO CULTURAL - Homenagem a Raúl de Carvalho - poeta natural de Alvito.
Intervenção do Escritor Antonio Rebordão Navarro

- CONFERÊNCIA BLOGUISTA -Temas defendidos pelos seguintes oradores:
Luis Lança Silva - (TV Alentejo)
João Espinho - (Praça da República em Beja)

13h00 - QUINTA DOS PRAZERES - Almoço regional

15h30 - Passeio guiado pelo Concelho de Alvito

17h30 - Visita à Sede do Grupo Coral

18h00 - Concerto na Igreja Matriz (Alunos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo)

Valor da refeição 18€ (Dezoito euros) (crianças até 4 anos não pagam, dos 4 aos 10 anos pagam 50%)

PAGAMENTO: Deverão efectuar o pagamento até ao dia 16 de Abril, através de transferência bancária para a conta com o NIB: 0035 0084 0000 3930 700 26 da Caixa Geral de Depósitos e indicar-nos os dados que lhe são solicitados no formulário que enviamos aquando da sua inscrição.