afirmou Guilherme d’Oliveira Martins, na qualidade de Presidente do Centro Nacional de Cultura, ontem, no seminário “Cultura, factor de criação de riqueza”, promovido pela Fundação Oriente, em Lisboa. (JN de hoje)
Concluiu, dizendo que «quando se fala da realidade cultural se deve ter em conta:
1 – A diversidade cultural é um factor central mas não pode ser confundido com excepções culturais.
2 – A política cultural não pode ser confundida com política de subsídios. Há que apostar em parcerias.
3 – O desenvolvimento económico e social tem que se basear na abertura, na aprendizagem, na responsabilidade e na avaliação.
4- A necessidade de cada vez mais articular um Estado regulador e incentivado com uma sociedade civil activa.
5- Ligar cada vez mais a articulação cultural ao forte investimento na educação e na formação.»
O problema está correctamente diagnosticado, mas subsídios e parcerias poderão não ser bastantes como receita. É na educação que tudo se joga, na escola! É lá que se deve ensinar (o termo educação tem-se prestado à prossecução dos mais variados dislates, entre os quais sobressai o de não ensinar) e ter à disposição recursos, curriculares e logísticos das mais variadas áreas, de forma a que os alunos acedam às mais diversas formas de manifestações culturais e ao desenvolvimento da análise crítica, como armas indispensáveis de descodificação do imenso arsenal de informação que lhes é continuamente despejado, com o objectivo de conseguirem formar a uma identidade própria capaz de compreender e interagir no mundo global em vivem.
A escola para o futuro não vingará sem a integração da educação artística e sem a presença constante do audiovisual, seja ele televisivo, radiofónico ou digital, como principal ferramenta de aprendizagem.
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Concordo plenamente, que cultura é a base do desenvolvimento de um povo. Mas se falarmos de crescimento economico, estamos falando de que grau de crescimento? Um crescimento como o que vem sendo praticado, segundo as normas internacionais, é suicida. Matamos a cultura, quando destinamos os departamentos de cultura das universidades à empresas privadas que nao respeitam o ecossistema. Matamos a cultura, quando realizamos Foruns, Seminários e Congressos, patrocinados por empresas poluidoras, desonestas. E, de quebra, matamos o desenvolvimento de uma pesquisa livre da contaminaçao da ganancia, fim último da nao diversidade das boas idéias. Matamos um país e uma raça. O que poderíamos chamar de exceçoes, numa diversidade cultural? Uma associaçao de simples donas de casa que resolvem sair a dar panelaços contra a nao etiquetagem dos texteis, das embalagens? O que elas estao fazendo, é refrescando a memória do comercio internacional, que ética, nao é sinonimo de “vale tudo”. O que elas estao fazendo, é passando a mensagem de que a pratica desvairada atual, precisa mudar, se readaptar urgentemente. Podemos pensar excepcionalmente em termos numéricos, nos indios, ou os que ainda sobrevivem no Continente Americano. Negativo. Sao eles que estao na base de toda cultura num sentido amplo. Pergunte a alguém na rua o nome da árvore mais próxima. A grande maioria, nao sabe. Isse “nao sei” aparentemente simpático, prova o que digo. Aulas de culinária (sana)e cultura indigena (povos autoctonos) sao tao elementares num sistema educacional, quanto aulas de história geografia.
Venho agradecer a visita e a atenção manifestada.
Um abraço de amizade do Raul