O Pedro Gomes Sanches, a propósito do que aqui escrevi sobre o PAX JULIA, bateu-me forte e feio, apontando-me grosseiros erros de análise que, humildemente, reconheço toda a sua propriedade.
Com a devida vénia, agradeço o pertinente reparo que toldou toda a minha verborreia.

Começa já hoje a III Festa do Cante no Teatro Pax Julia que decorrerá durante todo o fim de semana.
Lá estarei sem falta (pena o ambiente não se prestar a uns copitos e uns caracóis). Este ano estará presente aquele que considero, de momento, o melhor grupo de Cante!!
Qual? Ora, ora, vão lá ouvir!!!

an damça levan tarmui tace-do!
Há 6ª feira?
Esta semana parece que sim!

é um livro livro de ficção do João Norte, editado recentemente pelas Edições Ecopy, no Porto.

«É um percurso que poderia ser de qualquer pessoa, um caminhar desde a adolescência. É um recriar de experiências, juntado vivências, encontros e desencontros, alegrias e dramas, onde as circunstâncias têm mais peso do que a frágil vontade humana

João Norte

ps: clicar na imagem para aceder ao sítio de promoção da editora.

Estimado A.A. (resposta a comentário)

É fácil, com frases feitas, é demasiadamente fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi, livre de defuntas ideologias como as de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, em estudo já realizado, que o Estado gastará menos, controlará melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto despendeu em 2005 o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, no programa de Arte em Rede, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de audiovisual, sente-se, veja o resultado, e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertada e avulsamente como tem sido.

nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?

1 – será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?

2 – será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?

Não são precisos mais exemplos, pois não? Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos, sim, de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, são também dispensáveis discursos de esquerdas e de direitas, necessitamos, isso sim, de gente com bom senso e coragem.

No A Arte da Fuga o Adolfo Mesquita Nunes e o António Costa Amaral colocam duas questões pertinentes:

1- «No seguimento do que escreveu,

No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias [culturais?] Lisboa/Porto e o resto do país

Desafio a responder à pergunta “Porquê?”. Porque é que se entende que uma visão centralizadora e paga com o dinheiro de todos nós é melhor do que aquilo que a sociedade é capaz de produzir espontaneamente?»;

2 – que papel deve o Estado representar na cultura?

1 – Exactamente porque entendo que o Estado deve, progressivamente, desvincular-se da tentação de tutelar a criação artística e centrar-se na sua vocação – a de regulador e de incentivador da fruição das artes.
Só que regular é estar atento e intervir quando o mercado provoca distorções, como por exemplo, a assimetria Lisboa/Porto e o resto do país
Incentivar a formação de novos públicos não é gastar milhares de milhões de euros, como aconteceu nos últimos 30 anos, em programas de subsídios aos criadores e às salas de espectáculos sem qualquer resultado (o público decresceu assustadoramente).

1 e 2 – Defendo, sinceramente, que o Estado, no seu papel de incentivador da fruição das artes, deve centrar os seus esforços na escola, proporcionando o ensino artístico curricular, como o faz noutras áreas do conhecimento.
Nesta perspectiva, consideraria muito positivo que o Estado desse trabalho (não subsídios) aos criadores através de encomendas que enriquecessem, de forma integrada, esses planos curriculares, seja ao nível de produções audiovisuais, teatrais, literárias, musicais, plásticas ou multidisciplinares.
Ensinar e criar um habitat cultural na escola é o melhor, mais eficaz e mais produtivo meio de, simultaneamente, educar, formar novos públicos, dar trabalho aos artistas e esquivar-se da subsídio-dependência.
Só que para isto, como tenho defendido, é necessária uma política de Gestão Cultural do Estado integrada e transversal a várias tutelas.

Blogues cuja leitura sintamos falta são cada vez menos, ou melhor, cada vez mais difíceis de encontrar entre tantos e tamanhos…
Eu não sei quantas vezes já botei links pró Dragão, mas não me cansa nem dinheiro me custa e, daí, vai mais este.
Encostem-se para trás e saboreiem o humor e a ironia que condimentam a razão na arte de bem escrever!

O Adolfo Mesquita Nunes na Arte da Fuga entendeu que as novas orientações do Ministério da Cultura não «pretendem liberalizar o sistema, tornando-o mais ágil e independente, mas tão só pretende racionalizar os custos na atribuição de subsídios. Uma vez mais, o que determina a reforma é a necessidade de poupar dinheiro e não tanto a de tentar uma via alternativa de desenvolvimento.»
Mas, estimado AMN, o que é que impede um artista de criar em total liberdade e colocar no mercado o seu trabalho dentro do mais rigoroso conceito liberal?
Nada! Rigorosamente, nada! Faça-o e não dê contas ao Estado!
No entanto, se se candidatar e for contemplado com um subsídio do Estado para criar é porque está disposto a cumprir as regras do mandante – cumprir com o que lhe foi pedido!
Trata-se de um contrato comercial, para todos os efeitos, obrigando, como tal, a que as partes cumpram o estipulado.
O que andou (e anda) muito mal há muitos anos é o Estado não controlar o que subsidia, não saber porque é que o faz, não avaliar a relação custos/benefícios e não obrigar os subsidiados a rigorosos métodos de gestão e prestação de contas!

Passo a reproduzir o comentário que deixei na caixa do Arte da Fuga.

Estimados
Estou do lado dos que consideram que ao Estado não compete balizar a liberdade dos criadores. Mas o Estado não impede que os artistas criem na maior das liberdades!
O problema é que os criadores querem criar à conta do Estado e sem prestar contas!
Esta é que é a questão!
No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias Lisboa/Porto e o resto do país, sendo que, para cumprir estes desígnios, não me incomoda nada que o Estado encomende trabalho específico a artistas de variadas artes e ofícios, desde que estipule o que pretende, controle os processos e avalie e premeie os resultados – na perspectiva do lucro (porque não?) e do benefício.
Que está esgotado o modelo de um ministério dito da cultura para distribuir subsídios a troco de não se sabe bem o quê, parece pacífico, mas o salto a dar, que incomoda muita gente, é o de articular transversalmente as tutelas da Cultura, da Educação e do Audiovisual numa política de Gestão Cultural única, agilizada e ao serviço dos contribuintes.
Neste sentido, não me parece que não querer pactuar com espectáculos que ficam ao Estado a 300 euros por assistente (ressalvando excepções sempre necessárias) e exigir o controlo da gestão dos projectos subsidiados seja motivo para acusar alguém de apenas ter uma visão economicista ou de querer reduzir a despesa!
Ouve-se há muito tempo dizer que a cultura não é para dar lucro, mas permitam-me duas perguntas:
- há algum artista que não pretenda vender o seu trabalho?
- e se o quer vender porque será que acha que o Estado tem obrigação de comprá-lo?

é o espectáculo de final de ano lectivo das classes de Música do Conservatório Regional do Baixo Alentejo.
Decorrerá em plena Praça da República, em Beja, às 21:30h, prevendo-se a repetição do êxito alcançado nos anos anteriores.

Nada escrevi sobre a selecção nem nada sobre ela me apetece escrever! Basta-me ver os jogos e alegrar-me por estarmos nos quartos de final.
Estranho no entanto que, após o pré-campeonato, quando que todos diziam mal agora, como que por acto de bruxaria ou puro encanto, parece ser proibido ou incorrecto criticar seja o que for!
Será que não posso dizer, apesar do sucesso, que: Meira não dá conta do recado; Nuno Valente já não tem pernas nem rins; o Ricardo é um guarda-redes vulgar, havendo por cá uma mão cheia melhores que ele?
Será que não posso dizer que, contra a minha expectativa inicial, Maniche e Simão têm feito um campeonato extraordinário?
Será que não posso defender que o sucesso do campeonato da Europa e o actual é ainda fruto do trabalho que Mourinho por cá deixou?
Será que alguém me baterá por continuar sem perceber o que é que Nuno Gomes, o Postiga, o Boa Morte e o Hugo Viana lá estão a fazer, quando cá deixámos o João Tomás, o Hugo Almeida, o João Moutinho e o Quaresma?
Não, ninguém se atreve a falar ou escrever sobre isto – um tabu, o do cagaço de ser socialmente incorrecto ou o medo de ser insultado num jornal brasileiro!
Ou então poderá não ser nada disso, estarei a ser muito injusto, trata-se apenas de vergar-se perante as vitórias e os recordes e, como sabemos, quem ganha tem sempre razão, seja no que for… e, quando perderem, ah sim, aí sim, quando perderem, cá estaremos para os desencar sem apelo nem agravo!
Pode ser, pode ser só isso, tal como os EEUU não podem ser criticados sem nos acusarem de anti-americanismo, ou de fascistas se denunciássemos Estaline no seu tempo, ou de comunistas se apelarmos ao fim do embargo a 10 milhões de pessoas que nasceram em Cuba!
Enfim, o mundo é assim, é fodido, todos são grandes, enormes, quando sentem o adversário diminuído, mas quando ele está forte…, pois sim, nem vê-los!
E siga para as meias que é o que interessa!