Então, a Sandra Vanessa?
Eu peço desculpa, mas acho que aquela Sandra Vanessa não tem qualquer problema. Nem ela nem as amigas. Elas sentem-se na maior!
E, assim sendo, também os professores não têm.
Mas nós, nós que lemos aquela ficção, temos! Não gostamos do que lemos. Alguns acharão que ela estará perdida; outros que se trata de uma minoria.
É que o problema que ali existe é nosso, é cultural, se preferirmos, geracional - as Sandras Vanessas, ou Manuelas, Isabéis, Nunos ou Gonçalos vivem num tempo e num habitat que nos recusamos a assumir que existe e é tão real como o nosso. Nós, os “cotas” desta sociedade, marginalizamos estes jovens e nada fazemos para nos aproximarmos do seu habitat - o habitat cultural da nova sociedade digital global.
Se cada um de nós assim procede (retirando sempre as honrosas excepções), como poderemos assacar à escola e aos professores responsabilidades?
O desfazamento cultural entre o habitat de aprendizagem e o de ensino impedem que a comunicação flua e seja profícua, tendo graves consequências ao nível dos resultados finais!
De nada adianta culpabilizar individual ou sectorialmente os agentes educativos, pessoas e instituições, e muito menos defendermo-nos com “a inevitável consequência da escolaridade obrigatória”, se nós, enquanto pais, cidadãos, ministros, secretários de estado, professores, não nos disponibilizarmos a aproximar deste novo habitat cultural, de modo a que ele se possa reflectir no sistema de ensino e, naturalmente, na escola.
Só assim nos será possível comunicar, ensinar, transmitir valores aos nossos adolescentes, de forma a que consigam atingir o tão almejado sucesso escolar e, especialmente, prepara-los para encontrarem a sua identidade neste aldeia global, embora multi-linguística e multi-cultural.
ps: gostaria de agradecer a todos quanto participaram na entrada anterior com comentários que só enriqueceram o lá deixei escrito.
tags: Cultura, Culture, Educação, Educação em Cultura, Education, Gestão Cultural, Opinion, Reflexões









Sem dúvida que no post anterior não é assacada a culpa pela falta de cultura dos jovens, aos audiovisuais, mas no meu comentário assim o entendi por efectivamente eles através da programação escolhida a qual até tem bastante audiência de jovens e mesmo adultos, esse contributo cultural é nulo.
Tem razão, amigo Congeminações, em relação à pobreza e desadequação dos conteúdos televisivos.
Mas se nós pagamos, e muito, para uma coisa chamada “Serviço Público de Audiovisual”, deveríamos,talvez, exigir que os conteúdos e horário de difusão dos mesmos respeitassem a missão e objectivos desse mesmo serviço.
Abraço e muito obrigado pelo comentário.
Transcrevi os seus dois artigos sobre a “Sandra Vanessa” no meu blogue “Animação Sociocultural & Juventude” por me identificar fortemente com as ideias que lhes estão subjacentes e por considerar que o mesmo pode provocar algumas reflexões pertinentes entre os profissionais que actuam na área da Animação Sociocultural.
PS: Parabéns pelo seu exelente blogue.
Através do Anijovem descobri este seu blogue que considero muito bom (desde já os meus parabéns).
Gostei especialmente dos posts relacionados com a educação e com a Sandra Vanessa, sendo que republiquei o seu post no meu blog de modo a provocar a reflexão em maior número de pessoas.
abraço
Muito obrigado pelas referências ao José Vieira e ao Santo Condestável.