a ler «A leitura e a virtude cívica» de Franscisco José Viegas no JN de ontem. O texto parte de premissas tão óbvias que não se compreende porque é que não são aplicadas! 2 excertos:
«Penso que o conhecimento dos clássicos é um dos melhores caminhos para conhecer a nossa história, a nossa língua e a nossa cultura. E que a leitura de um clássico é melhor do que a leitura de um regulamento do Big Brother, um artigo de jornal ou cartaz publicitário. Mas estes anos de insistência nas “virtudes cívicas do ensino do português” em vez do ensino da literatura, “produz técnicos de ensino” do português mas não forma professores disponíveis para cativar estudantes do secundário para os desafios da leitura.»
«é necessário que a escola mude alguma coisa nos seus hábitos. A escola e as famílias. Mas a escola cumpre um papel essencial, razão porque há a esperar alguma coisa desta iniciativa (…)»
Relembro, no entanto, o texto da Jacky a que fiz referência na entrada anterior, que poderá ser um entrave ao que Francisco José Viegas, muito lucidamente, defende.
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Pssssssssst não tenho nada contra os clássicos portugueses, pelo contrário! Mas bem sei que não é impondo os clássicos que eles vão aprender a gostar de ler. Deve-se começar com todo o tipo de coisas, tentar entender o que eles gostam e depois meter os clássicos pelo meio! Apenas isso
Eu sei que nada tens contra os clássicos, nem os impões…! Talvez eles é que se imponham, a meu ver.
O que pretendi dizer é que uma ideia aparentemente tão evidente, como a que defendeu Francisco José Viegas, poderá esbarrar nos pequenos nadas locais (no caso, a gestão das bibliotecas das escolas) que mais não são que o fruto do atavismo que nos circunda e culturalmente nos circunscreve.
Pequenos nadas como o que o tu alertaste populam por este país afora, impedindo a prossecução da mais brilhante ideia.
E, afinal, são estes enguiços que muitas vezes travam e desmotivam quem quer fazer…
Saudaçoes, Carlos! Venho com esta verborragia…mirr-a-gem..
Um bom classico mesmo, é “O Ser Humano”. E de tudo que ele é feito: água! Nosso, sangue, a grossíssimo modo, é produzido…na cozinha(!). A qualidade do sangue produzido, vai determinar o quao classicos seremos: se vamos acceder a um classico- de verdade- da literatura, ou virar personagens de “Realities Shows”. Ora, ler, é como comer, levar um classico “flechaço” de amor. É mágica, empatía. Alguns nao gostam de lagosta, fois-gras, embora, sejam classicos do “bon gourmet”. Outros setenta por cento do globo, nunca saberá o que é isso-mas nem perto. Ora, “O Grao”, é um classico por excelência. Ele sozinho, conta todos os classicos. Nosso maior classico, hoje, é a literatura “Faz-de-Conta”. O patrao finge que paga, o coi-tr-atado, finge que trabalha… A vida doméstica que se encarregue, já que a morte, esse classico tao certo, inacreditável, quanto ficcional, nos surpreenderá a todos, numa página final a-lu-ci-nan-te. O filho que apanhe, pra ver quem é que manda! Quem é que tem ética aqui? Os sistemas educativos, demonstrando o que é um classico, deveriam adotar hortas ecológicas, esse classico da Literal Natura, que conta os fascinantes caminhos das espécies, a história da introduçao dos utensílios culilnários, agrários…os metais necessários a seu desenvolvimento e os ricos países que os possuem, produzem, utilizam…as navegaçoes- reais e Reais, os poemas e músicas nascidos da paixao, ou do classiquíssimo “prato que vamos comer-morar”…as fazes da lua, as estrelas, seus nomes, sua relaçao com as marés, e, a grosso modo, reconstruir-se do “Reality Show” particular. Na eleita virtualmente Self-Exposition da rede, dizemos e reclamamos isso. Nao mentimos! Somos sinceros. Criamos e divulgamos nossos vazios, e encontramos pares(!) mostrando energulhosamente que nao sabemos encontrar bases e que, por mais que quisessemos, nao somos classicos, nem chiques. E descobrimos nessa rede de peixinhos dourados, que os classicos que nao elegemos, sao os mais cotados…por uma questao de moda, quoi. Nossas noçoes primárias, tao clássicas quanto “A cozinha”, estao sendo superadas por um outro classico: o romântico “Mensagem em garrafa encontrada no mar”…autoria nossa, editora Net. Se ao menos a mensagem fosse para mim…-pensa o inocente… Um de cada dois homens e uma de cada tres mulheres, vao desenvolver câncer. Apenas um, de dois destes pacientes, com a mesma História Literal, tratados com o mesmo medicamento, vai “prorrogar a última página”, considerando as mutaçoes, a grosso modo. Da janela ensolarada da cozinha, Primavera 2006.
Oh Rosana, donde surgiste tu?
Li, reli e tornei a ler e confesso-te que este foi seguramente um dos melhores textos que alguém editou nas caixas de comentários destas Ideias Soltas. Vou guardá-lo, melhor vou editá-lo em post.
Agora o meu comentário.
Não defendi que os Sistema Educativos tenham de demonstrar o que é um clássico (da literatura, no caso)! O problema é, exactamente, esse – querer demonstrar – quando a leitura é uma viagem pessoal de descoberta interior.
Mas não fujo à tua “investida”, já que há um denominador comum em tudo o que dizes com o qual estou plenamente de acordo – o enraizamento.
A escola, para além do ensino técnico-teórico, deve, antes do mais, tratar de estimular a curiosidade, através de uma vivência multicolor, para que cada criança / adolescente vá encontrando e sedimentando as suas raízes, as suas e a dos seus pares, condição prima para a sua realização enquanto ser criativo – hoje chamam-lhe identidade.
Dizes que a mãe natureza é a melhor escola. Não tenho a mínima dúvida sobre isso (a ela sempre recorro quando tenho dúvidas), mas não é necessário que todos partam para a descoberta a partir do zero. O conhecimento, felizmente, é transmissível de geração em geração, no homem como nos outros bichos, e até os genes se vão readaptando às exigências com que os seres são confrontados.
O que não podemos confundir é conhecimento, erudição, sabedoria e cultura. É que a cultura, com letra grande, é o que criamos a partir daí. O conhecimento adquire-se enquanto a Cultura implica o acto criativo do Homem, que poderá ser mais ou menos erudito, mas será sempre um produto de um momento criativo que envolve a sua identidade e a do meio em que vive.
Muito obrigado pelo comentário.