A Selecção e o fim da crítica
Nada escrevi sobre a selecção nem nada sobre ela me apetece escrever! Basta-me ver os jogos e alegrar-me por estarmos nos quartos de final.
Estranho no entanto que, após o pré-campeonato, quando que todos diziam mal agora, como que por acto de bruxaria ou puro encanto, parece ser proibido ou incorrecto criticar seja o que for!
Será que não posso dizer, apesar do sucesso, que: Meira não dá conta do recado; Nuno Valente já não tem pernas nem rins; o Ricardo é um guarda-redes vulgar, havendo por cá uma mão cheia melhores que ele?
Será que não posso dizer que, contra a minha expectativa inicial, Maniche e Simão têm feito um campeonato extraordinário?
Será que não posso defender que o sucesso do campeonato da Europa e o actual é ainda fruto do trabalho que Mourinho por cá deixou?
Será que alguém me baterá por continuar sem perceber o que é que Nuno Gomes, o Postiga, o Boa Morte e o Hugo Viana lá estão a fazer, quando cá deixámos o João Tomás, o Hugo Almeida, o João Moutinho e o Quaresma?
Não, ninguém se atreve a falar ou escrever sobre isto - um tabu, o do cagaço de ser socialmente incorrecto ou o medo de ser insultado num jornal brasileiro!
Ou então poderá não ser nada disso, estarei a ser muito injusto, trata-se apenas de vergar-se perante as vitórias e os recordes e, como sabemos, quem ganha tem sempre razão, seja no que for… e, quando perderem, ah sim, aí sim, quando perderem, cá estaremos para os desencar sem apelo nem agravo!
Pode ser, pode ser só isso, tal como os EEUU não podem ser criticados sem nos acusarem de anti-americanismo, ou de fascistas se denunciássemos Estaline no seu tempo, ou de comunistas se apelarmos ao fim do embargo a 10 milhões de pessoas que nasceram em Cuba!
Enfim, o mundo é assim, é fodido, todos são grandes, enormes, quando sentem o adversário diminuído, mas quando ele está forte…, pois sim, nem vê-los!
E siga para as meias que é o que interessa!
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Quero lá saber dos stalinistas modernos! O Ricardo é vulgar mas fez, tem feito, um mundial irrepreensível. Poucas vezes na vida, e lembro-te que fui jornalista dos futebóis quase década e meia, vi um guarda-redes ter um jogo perfeito como ele teve contra os holandeses. O Meira fala alemão, dá jeito. O Nuno Valente nunca se soube lá muito bem o que é que ele tinha… O Postiga, o Boa Morte e o Viana tão lá a ver se apanham alguma coisa do que o Figo, o Deco e o Scolari disserem, pode ser que um dia se tornem jogadores de bola à séria — e isto é o que iriam para lá fazer as tuas alternativas.
Do Maniche já mais ou menos podiamos esperar, o rapaz gosta de se superar nos “grandes palcos”, agora o Simão, confesso, tem sido uma agradável surpresa. Felizmente — ou já teríamos tido desilusões.
Sabs que mais? Quero lá saber, siga para as meias!
Peço-te desculpa, Paulo, mas só agora vi o teu comentário!
Não acho que o João Tomás, o H. Almeida, o João Moutinho e o Quaresma fizessem a mesma figura que os que falei, a não ser que o seleccionador não lhes desse oportunidade.
Hugo Almeida seria a melhor aposta se precisassemos de jogar com 2 pontas de lança (Pauleta);
João Tomás o melhor em caso de impedimento de Pauleta por lesão ou castigo;
João Moutinho, apesar de a anos de luz, o mais adequado para fazer o papel de Deco se se pretender manter o Figo nas alas;
Quaresma o substituto natural de Cristiano Ronaldo - a magia, o repentismo, a jogada inesperada.
Quanto ao Ricardo, que dizer? Ricardo, reconheço, é capaz de efectuar grandes defesas entre os postes, mas quase não há jogo que não cometa uma ou duas fífias comprometedoras, tal como já aconteceu neste mundial e no jogo com a Holanda, embora, felizmente, sem consequências para nós.
Mas isto são as impressões de um “intelectual” da bola!
Tal como dissemos, toca mas é a torcer pelas meias!!!
Obrigado pelo comentário