Endereço votos de boas férias a toda a estimada clentela destas Ideias e já sabem, como este blogue é assinado com o meu nome e estarei entre a Torreira e Caminha, passando por A-Ver-o-Mar, se por lá surgirem basta perguntarem por mim que, logo, logo, confirmarão que, para minha felicidade, sou mais um anónimo entre muito boa gente.
Boas férias!
A propósito da missão futura do PAX JULIA, o Presidente da Câmara de Beja, na qualidade de vereador da cultura, afirma, no último Boletim Informativo do Município, deste mês de Julho, o seguinte:
«Todo este conjunto de ideias norteador das suas funções enquanto equipamento cultural virá a ser incluído numa Carta Cultural do Concelho. Este documento, cuja elaboração se vai iniciar, não só definirá o âmbito da acção dos espaços culturais, como procurará inventariar os agentes e produtores culturais, e traçar um diagnóstico dos hábitos culturais dos habitantes do concelho. Semelhantes dados, e a futura existência de um Conselho Municipal de Cultura, permitirão à Autarquia ter, com maior detalhe, uma visão clara para este sector da sua actividade (…)»
Eu não sei quais serão os resultados práticos da elaboração desta Carta Cultural nem como serão transpostos os seus resultados para a gestão cultural do município, mas estou, como se depreenderá pelo que aqui enunciei, receptivo à iniciativa, embora tenha sempre alguma relutância quando vejo a tendência de só procurar instituições e/ou associações em detrimento da pessoa, das pessoas que têm o seu espaço de intervenção fora do âmbito de qualquer organização. Resumindo, aguardarei com reservada esperança.
Contudo, depois de a Gisela Cañamero, a pretexto de manifestar a sua preocupação por ainda não ter sido recebida pelo Presidente, criticar o fim da BEJALTERNATIVA e do Além Rock, seguida, mais tarde, pelo Nikonman, não posso deixar de me solidarizar com os responsáveis que tiveram a coragem para o fazer.
Ainda nas últimas eleições autárquicas um candidato insurgia-se pelo escândalo, nas suas palavras, que eram os gastos da Câmara de Beja na cultura – 20%, ainda segundo as suas palavras! Só que a percentagem não está correcta! Não acredito que tenha sido o próprio candidato a consultar o orçamento, tendo talvez pedido a um seu qualquer assessor!
Peguem nas contas de 2005, por favor, e somem os gastos para abrir o PAX JULIA, os gastos com a BEJALTERNATIVA, o Além Rock, a Casa da Cultura, a Biblioteca Municipal, os Museus, os subsídios a entidades, as Galerias de Arte, o BEJARTE e os vencimentos mais os pagamentos a prestadores de serviços afectos a estas instituições e vejam o número a que chegam!
Assustador, não? Tão pouco com tanto dinheiro despendido!
Como crítico deste género de eventos à custa de dinheiros públicos que marca educativa não deixam á eu atempadamente me manifestei, por serem autênticos sorvedores financeiros, que se aprimoraram sempre em anos de eleições, estranhando, por isso, que a Gisela, que desenvolve um trabalho ímpar junto de quem mais dele precisa – as crianças, as escolas e o palco – tenha juntado, num mesmo pacote e pretexto, a sua muito louvável luta pela cultura não massificada com manifestações, culturais com certeza, mas inseridas e arregimentadas no mainstream do circuito comercial!
A Gisela tem, por mérito próprio, toda a razão em exigir ser recebida pela Câmara Municipal na pessoa do seu Presidente, mas não, no meu modesto parecer, juntar alhos com bogalhos num saco muito mal acondicionado, a bem da cultura, entenda-se e, em especial, da sua sustentabilidade futura!
Ao defunto Comércio do Porto, de 29 de Abril de 2005, dizia Maria do Céu Guerra em entrevista conduzida por Anastácio Neto, a propósito do aumento de salas em Portugal, conforme aqui editei:
«Agora falta uma política para a ocupação e rentabilização dessas salas. Não estou convencida de que, por exemplo, o projecto da arte em rede, que se está a desenvolver no Sul, seja a experiência definitiva para a cobertura destas salas. Acho até perigoso. Portugal é muito dado a compadrios.»
De lá para cá nada mudou! A discussão mantém-se comezinha, no entre ser privada ou pública a gestão, e não numa precisa definição da missão e objectivos e na exigência de uma gestão qualificada, qualificante e competente.
Sem estabelecer estas premissas de gestão é impossível avaliar seja o que for que aconteça nestes espaços e, até, alvitrar sobre se será correcto que o Rivoli possa ir parar às mãos do “Reino de Deus” ou doutro qualquer califado!
Por fim, aqui desaguarei, desta vez e recorrentemente, até que um dia, para sempre.

Caminha
«A ministra da Cultura lembra que o Rivoli foi “revitalizado com dinheiros públicos” e, por isso, a sua gestão, pública ou privada, deve saber “salvaguardar a dimensão de serviço público que tem obrigação de ter”» (Rádio Renascença)
Perante estas palavras, que subscrevo na íntegra, só me resta procurar saber o que é isso de serviço público de Teatros Municipais!
«A minha candidatura é independente. (Jornal de Notícias)
Independente de quê, Sr. Major, assim mais concretamente?
Sim pois, 250 anos, pois, mas todos os dias … ó pá, nunca é demais, pá, mas chega, basta, já enjoa tanto maneirismo!
E o centanário do nascimento de Schostakovitch? Nada?
E os 150 anos da morte de Schumann?
Ah, meu caro Robert, ainda hoje não te conhecem, mas não te aflijas que isto anda por modas, umas hoje, outras amanhã e com tantos amanhãs e modas para inventar poderá ser que a ti, um dia, te toque!
“Carnaval“, op. 9, 1834/5…, como não te conhecer?
«Si le ciel vous a doué d’une imagination active (…) vous vous sentirez peut-être d’autant plus mystérieusement ravi dans un cercle magique que vous vous conformerez moins aux lois de la construction musicale. (…) Mais ce ne sera cependent qu’en vous appliquant aux signes précis et prononcés de l’écriture que vous obtiendrai la maîtrice de la forme et le pouvoir d’une claire ordenance.»
SCUMANN, Robert, “Conseils aux jeunes musiciens“, trad. para francês de Yves Hucher, Ed. Buchet/Chastel (1ª ed em 1848)

Recentemente editado pela Campo das Letras (tem loja online), Rogério Santos aborda neste livro «as relações entre fontes de informação e jornalistas e tem como estudo empírico notícias produzidas nos anos de 1982 a 1994 acerca da saúde (mais propriamente VIH-sida).»
Tu eras aquela que eu mais queria
para me dar algum conforto e companhia
era só contigo que eu sonhava andar
para todo o lado e até quem sabe ? Talvez casar
Ai o que eu passei só por te amar
a saliva que eu gastei para te mudar
mas esse teu mundo era mais forte do que eu
e nem com a força da música ele se moveu
Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto
que havia no Rivoli
Era só a ti que eu mais queria
ao meu lado no concerto nesse dia
juntos no escuro de mão dada a ouvir
aquela música maluca sempre a subir
Mas tu não ficaste nem meia-hora
não fizeste um esforço para gostar e foste embora
contigo aprendi uma grande lição
não se ama alguém que não ouve a mesma canção
Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto
que havia no Rivoli
Foi nesse dia que percebi
nada mais por nós havia a fazer
a minha paixão por ti era um lume
que não tinha mais lenha por onde arder
Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto
que havia no Rivoli
Carlos Tê: letra
Rui Veloso: música























