Medina Carreira no NERBE - falta de empresários ou de negócios? | Ideias Soltas

Medina Carreira no NERBE - falta de empresários ou de negócios?


A convite do NERBE/AEBAL Medina Carreira esteve em Beja a dissertar sobre «Perspectivas de Desenvolvimento para Portugal na Próxima Década» tendo, a propósito focado vários aspectos das teses que vem defendendo sobre as razões do nosso atraso.
«o Estado não existe “para dar respostas aos empresários, mas sim, para lhes dar condições de trabalho” e que devem ser “os empresários a traçar o seu próprio caminho“. Considerou ainda que “a saída para Portugal está no aumento da competitividade e na produção para exportação“» (Rádio Voz da Planície)
Medina Carreira, diga-se, nunca nos atirou com o chavão do “menos Estado” porque sabe e defende a necessidade de um Estado forte a proporcionar oportunidades, a regular o mercado e fiscalizá-lo. Medina Carreira sabe que o nosso hipotético futuro passa necessariamente pelo empreendimento e trabalho de todos, nomeadamente, do empresário e acrescenta, desta vez (ou pelo menos eu não conhecia a sua posição sobre o assunto) que «o país deve apostar na educação pois “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“»! (Rádio Voz da Planície)
Sábias palavras, em especial o impacto da frase - “não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância“!
Diagnóstico perfeito e assertivo! Que falta então se conhecemos os obstáculos e como os ultrapassar?
Francamente acho que não falta, há até excesso! Excesso de Professores Doutores embutidos nas Universidades a debitar uma ou duas teses por ano publicadas nas mais prestigiadas publicações de cada área, economistas especialistas em Finanças Públicas e gestores de nomeação pública que, para além de nunca terem posto o pé numa empresa privada nem fazerem a mínima ideia de como é que o mercado, de facto, funciona, nunca empresários ousaram ser!
Porquê? Ora, exactamente porque sabem que, apesar de os diagnósticos e as soluções serem fruto de demorada e difícil investigação, não é o dinheiro deles que corre nem têm o gume da banca encostado ao pescoço.
Ser empresário, como defende o Prof. Medina Carreira e muitos outros especialistas nesta matéria, implica não ter nenhum ordenado, uma pensão ou várias acumuladas, subsídio ou probenda do Estado e arriscar o que é seu! E quem arrisca a sua vida e da família pretende assegurar o menor risco possível - seja em termos de retorno seja na rapidez do “break even point”!
Assim sendo, volto à vaca fria, a de saber qual será o louco que hipotecará o seu capital em Portugal ou na União Europeia sabendo que noutras paragens terá uma moeda muito mais barata, uma mão-de-obra incomparavelmente mais mais em conta e que não coloca problemas laborais e, para mais, um “know how” bem superior?
Por muitas voltas que os Senhores Professores dêem, ser empresário, como os senhores muito bem ensinam nos muitos assentos das muitas universidades, é estar no local e momento certos para agarrar as oportunidades e estas, definitivamente, enquanto os tecnocratas do Banco Central Europeu teimarem em manter o preço do euro disparatadamente elevado, não estão na União Europeia!
Daí que os empresários há muito que já traçaram o seu caminho! Os empresário, repito, não os investidores à conta dom Estado!
O problema poderá parecer que será de falta de empresários mas, a montante, temos causa bem mais profunda e condicionante - a falta de oportunidades de negócio!
Aparecem elas e, estimados Senhores Professores, empresários não faltarão, como nunca faltaram onde há negócio!


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3 Responses to “ Medina Carreira no NERBE - falta de empresários ou de negócios? ”

  1. A falta de negócio e o fim da liberdade

    Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações! A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre…

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    Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresári…

  3. [...] Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações! A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde) O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)! Preocupados? Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada! O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia! É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque… Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico! Banco Central Europeu, Democracia, European Union EU, Gestão, Gestão Pública, Governance, Liberdade, Management, União EuropeiaPopularity: 10% [?]   arquivado em Gestão, União Europeia, European Union - EU, Management, Gestão Pública, Banco Central Europeu, Governance, Liberdade and Democracia.  | Tags: Banco Central Europeu, Democracia, European Union EU, Gestão, Gestão Pública, Governance, Liberdade, Management, União Europeia. var blogTool = “WordPress”; var blogURL = “http://ideias-soltas.net”; var blogTitle = “Ideias Soltas”; var postURL = “http://ideias-soltas.net/2006/07/11/a-falta-de-negocio-e-o-fim-da-liberdade-2/”; var postTitle = “A falta de negócio e o fim da liberdade”; var commentAuthorFieldName = “author”; var commentAuthorLoggedIn = false; var commentFormID = “commentform”; var commentTextFieldName = “comment”; var commentButtonName = “submit”; [...]

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