No seguimento do êxito que têm obtido, especialmente na Europa, Adriano Aguiar e Miguel Rocha lançam o 2º CD – Duo Contracello II.
A notícia chegou-me através da leitura do Guilhermina Suggia do Virgílio Marques donde transcrevo:

«O Duo Contracello, formado por Miguel Rocha no violoncelo e Adriano Aguiar no contrabaixo, tem o prazer de anunciar o lançamento do seu segundo CD, intitulado Duo Contracello II, no próximo dia 1 de Outubro de 2006, Dia Mundial da Música, em:

- Lisboa, às 19 horas, na Galeria Prova de Artista – Hotel Real Palácio;
- Porto, dia 4 de Outubro, às 19 horas, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa.

Estes eventos, cuja entrada será livre, contarão com a execução de algumas obras incluídas neste CD por parte destes intérpretes: Couperin (1668-1733), Keyper (1756-1815), Mozart (1765-1791), Boukinik (1872-1947) e Carlos Azevedo (1964).
A apresentação no Porto será transmitida em directo pela Antena 2


O Lisboa Ballet Contemporâneo produz um espectáculo, a propósito do seu 2º aniversário, no Domingo, dia 1 de Outubro, às 21:30h.
Parabéns à instituição e, em especial, ao seu director artístico – Benvindo Fonseca.
ps: clique na imagem para a ampliar.

Hans Rosling

Hans Rosling numa conferência sobre a evolução da saúde nos últimos 40 anos e da dificuldade de ideologimante a esteriotipar.
Clique na imagem e tenha a paciência de ver o vídeo na íntegra.

ps: agradeço ao PGS a amabilidade de me ter enviado este link precioso.

«O Vaticano anunciou ontem a excomunhão de Emanuel Milingo, polémico arcebispo emérito (reformado) de Lusaca, na Zâmbia, e dos quatro sacerdotes casados que no último fim-de-semana tinham sido ordenados bispos.
(…)
a Santa Sé sublinha que o arcebispo Emanuel Milingo criou recentemente uma associação que congregava sacerdotes casados, “semeando a divisão e a discórdia entre os fiéis”, acrescentando que as diversas tentativas feitas pela Igreja no sentido de o dissuadir de continuar naquele caminho resultaram em vão.» (no Primeiro de Janeiro)

Para já vão os casados, depois os da união de facto, depois, bem, depois acabam-se os clérigos de vez quando chegarem às de facto sem união…, ou não, talvez estes possam continuar a servir…

«The Iraq conflict has become the .cause celebre. for jihadists, breeding a deep resentment of US involvement in the Muslim world and cultivating supporters for the global jihadist movement.
(…)
Four underlying factors are fueling the spread of the jihadist movement: (1) Entrenched grievances, such as corruption, injustice, and fear of Western domination, leading to anger, humiliation, and a sense of powerlessness; (2) the Iraq .jihad;. (3) the slow pace of real and sustained economic, social, and political reforms in many Muslim majority nations; and (4) pervasive anti-US sentiment among most Muslims.all of which jihadists exploit.
(…)
The loss of key leaders, particularly Usama Bin Ladin, Ayman al-Zawahiri, and al-Zarqawi, in rapid succession, probably would cause the group to fracture into smaller groups. Although like-minded individuals would endeavor to carry on the mission, the loss of these key leaders would exacerbate strains and disagreements.
We assess that the resulting splinter groups would, at least for a time, pose a less serious threat to US interests than does al-Qa.ida.
»
em "Trends in Global Terrorism", elaborado por 16 agências de informação norte-americanas, publicado no New York Times

Já há americanos anti-americanos infiltrados entre os americanos e, pela certa, a Al Quaeda já domina os serviços secretos dos EEUU! Só pode ser!

«O primeiro dia da visita do Presidente da República, Cavaco Silva, a Espanha é praticamente ignorada pela imprensa espanhola de hoje, que dá grande destaque à segunda gravidez da princesa das Astúrias.» (Público)
Volvidos 15 anos não se compreende como é que Cavaco Silva, que sempre se mostrou exímio na preparação de dossiers, não tenha aprendido a necessidade de planear e executar uma preparação prévia da sua imagem nas apresentações públicas!
O Presidente leva assuntos bem esgalhados para debater em Espanha, mas acontecerá que, mais uma vez, ficará a falar sòzinho. Francamente, facilmente se conseguiria uma ou duas entrevistas nos tablóides espanhóies antes da sua chegada que adiantassem os temas que pretende abordar!
É incrível a dificuldade que este senhor tem em fazer passar mensagens que não sejam os tais "tabus", ou seja, a gestão do silêncio, deixando para o seu rol de comentadores a despesa de as irem construindo!
Só que em Espanha não tem nenhum séquito de comentadores apoiantes!
É pena!
O governo francês condecorou a Directora artística do Rivoli, espaço que o Dr. Rui Rio esvaziou, denegriu e despachou, com a comenda de Chevalier des Arts et des Lettres.
O título, conferido a personalidades que se destacam no panorama cultural internacional, foi entregue ontem pelo cônsul-geral de França no Porto, Philippe Barbry, durante uma cerimónia no Rivoli Teatro Municipal do Porto.
E pronto, mais um dos nossos expoentes máximos na área das artes, da cultura e da sociedade que aviltamos e desprezamos, em vida e alguns mesmo depois de mortos, sendo reconhecidos e até acolhidos noutras paragens bem menos comezinhas!

Uma lista de cabeça?
Camilo, António Fragoso, Vianna da Motta, Guilhermina Suggia, António Fragoso, Luís de Freitas Branco, Vieira da Silva, João de Freitas Branco, Lopes-Graça, Aristides de Sousa Mendes, Jorge de Sena, Bento de Jesus Caraça, Rui Luís Gomes, Jorge Peixinho, Maria Manuela Araújo, Maria João Pires, Óscar Lopes, Sequeira Costa, Ângelo de Sousa…, de cor, mesmo de cor, ao correr do teclado!

A ALI_SE escreveu o processo interior de “(re)construção” com o intuito de analisar uma forma, hipotética a meu ver, o acto criativo, sob o título “Imagina-se o INCONSCIENTE“, investindo contra a psicanálise pelo facto de, no seu entender, que ela poderá “«matar»por completo todo este processo tão natural do desenvolvimento das capacidades criativas inscritas no inconsciente”. A polémica ficou instalada, como será evidente, na sua caixa de comentários, em especial com a troca de impressões entre a Ana Almeida do Salpicos e a autora.
É interessante o lá é dito, mas o debate ficou-se, um pouco, entre o sim e o não, entre os totems – a afirmação e a negação. Tudo se joga no objecto da psicanálise e na forma como ela é desenvolvida na prática clínica: se “a psicanálise tem como objectivo a cura do inconsciente” como entende a ALI_SE e, como eu acho que muitos psicanalistas têm, mesmo que inconscientemente, essa tentação clínica, ou se a psicanálise tem por o objecto ajudar as pessoas a conhecerem-se melhor a si próprias.
Afinal é neste ponto que reside a diferença já que, se este objecto fosse cumprido, o risco de formatação seria bem mais reduzido.

À boleia desta polémica apetece-me inserir um outro factor: o excessivo valor que hoje atribuimos ao corpo, por via de um inevitável movimento de libertação sexual, que conduziu ao hedonismo que hoje vivemos, reduzindo o corpo, quase, a um mero objecto sexual, como se mente não tivesse, ou, a ter, tudo o que contém é pelo sexo determinado!

Deixo um excerto de um ensaio de José Augusto Mourão, “SEXO, TEXTO E CORPO VIRTUAL” que pode ser lido aqui na íntegra.

«(…)
Que está a mudar? Depois da repressão sexual, a libertação. Ao fim e ao cabo, continuamos a reproduzir o negativo ou o positivo absoluto, não a ambivalência.
Depois de ter libertado a sexualidade do repressão da era vitoriana, Freud acabou por a canalizar para o quadro restrito da economia doméstica. Quem não respeita o esquema que circunscreve a sexualidade ao território dos fantasmas parentais, vidé triângulo edipiano que codifica a sexualidade e a retira de qualquer ambivalência é, ou doente, ou perverso ou louco. O erotismo endémico (e outras formas de êxtase como o misticismo, a embriaguez e a toxicodependência), associada à rapina, é um sinal de bifurcação ópio para o esquecimento, gozo da morte alheia. Em qualquer bem conquistado, esse rumor éperfeitamente audível.
Os bens da rapina (e da retina) são bem conhecidos: o ouro, as mulheres, os escravos e a tirania. Só em tempos de fome é que o estômago domina. O eros só é possível se o corpo preserva toda a sua ambivalência e não se reduz a essa significação unívoca que é o sexo, codificado. Não há todo (ou o todo), dizia Lacan. Dois não fazem um, mas um par de forças. O que o sexo faz é distinguir. Ninguém é homem ou mulher sem resto como ninguém é homo ou heterosexual sem resto, escreve Jean-Luc Nancy. Afinal não é essa a questão do nome próprio que para Deleuze designa um efeito, um zigzag, algo que se passa entre dois como sob uma diferença de potencial?
A maior parte do tempo, a libertação sexual reduz-se à libertação da roupa. Que é a moda senão a encenação do corpo através dessa única significação que é o sexo? Triunfo da equivalência, derrota da ambivalência simbólica. Por isso o strip- tease fascina: provocando o desejo sexual, mantém-no à distância encanto da ambivalência. Para os povos que têm ainda o sentido do adorno, a roupa é a glória do corpo: Rien ne va aussi profond que la parure.
Deve ser por isso que a apocalíptica judaica e cristã apelam ao tema da roupa para dizer o brilho dos corpos gloriosos. O perigo que nos espreita é a libertação do corpo que não o abre à ambivalência, antes o encerra na monovalência duma sexualidade que se torna inteiramente positiva. Se os primitivos se passeavam nus é porque o seu corpo era visto como um rosto, como expressão simbólica.
Ora, se o rosto é invisível, o sexo também o é. O corpo não é apenas força de trabalho nem apenas fonte de prazer: libertá-lo apenas reforça a sua estrutura codificada.
A ambivalência não quer a revolução, ela é revolucionária em si, ao interromper a circulação ordenada dos signos através dum equivalente geral. A lei éo lugar em que se acumula o valor. Transgredir a lei significa medir-se ainda com ela, logo não sair da família. Escreve Galimberti, Se a lei do pai ou a moral puritana é hoje anulada pela pressão dos movimentos de libertação sexual, aquilo que se anuncia, quando não se abandona a lei mas nos limitamos a transgredi-la, é uma regressão ao seio da mãe que esta sociedade, que se tornou permissiva, tolerante, gratificante e lenificante tolera, suprimindo qualquer censura, qualquer repressão com a qual outrora defendia a lei do pai.
É preciso que a miséria sexual seja muita para que o sexo seja hoje uma preocupação dominante. Quando o corpo muda, então tudo está a mudar. O corpo tornou-se um campo de batalha: The body is a battleground, diz Bárbara Krueger numa das suas montagens.
A época anunciada por Donna Haraway em que o monstro, o híbrido vem extremar a categoria de corpo, substituirá o enigma de um corpo demasiado orgânico, logo viscoso e enigmático, por um outro, agora biotécnico, sem órgãos, limpo de paixões e de sentido?»

Nota: introduzi parágrafos no excerto para melhor se ler num blogue, salvaguardando que o original não os contém.

Já não há pachorra irmãos…” é o título de um texto do CBS sobre as palavras de Bento XVI, onde encontramos uma muito rica a troca de comentários entre a Zazie e o autor do La Force des Choses.

«Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o-pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por ílaba…Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo?

Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.»

autoria incerta, mas atribuída a Millôr Fernandes ou Ivo Resende