Ideias Soltas

se aqui não fora em mim só seria

Arquivo: Outubro, 2006

CENFREV - Um Inimigo do Povo de Henrik IbsenDa entediante repetição do mesmo na existência, se pode extrair um modelo de vida dramática (James Joyce)

Esta era para Joyce a grande lição de Henrik Ibsen (1828-1906), cujo centenário celebramos agora. Joyce escrevera uma crítica a “Quando nós os mortos despertamos” (só recentemente traduzida para português, link ). Como Joyce, muitos admiraram em Ibsen o seu rigoroso realismo (onde se denunciava a condição da mulher na sociedade, os esquemas da vida burguesa…), mas isso era esquecer o simbolismo da sua dramaturgia que fez dele, ao que dizem, o dramaturgo favorito de Freud. A este respeito convém reler a peça cujo acompanhamento musical encomendado a Edward Grieg todos temos no ouvido: Peer Gynt.

Mas para comemorar nada melhor que assistir à produção do CENDREV de Um inimigo do povo, em cena até ao próximo dia 4 de Novembro (cartaz aqui). Se pudesse anunciar como genéricos da TV, diria que trata do poder local e dos seus sólidos compadrios, mas está longe de ser apenas isso…

Armando Senra Martins

ps: é com muita alegria que coloco aqui um texto da autoria do Armando Senra Martins depois de muito insistir em obter a sua parceria nestas Ideias Soltas.

Recebi um email de um amigo que dá conta que o site Domínio Publico, da responsabilidade do Ministério da Educação do Brasil, o qual disponibiliza online 732 obras de autores portugueses corre o risco de ser encerrado por falta de visitas.
Bom, vamos lá a clicar para lá a ver se mudam de opinião!

Aqui deixo o email na íntegra devidamente identificado:

“Divulguem, para não perdermos essa ferramenta!

Convoco todos a lutar para impedirmos um desastre.
Imaginem um lugar onde se pode ler gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci, ou onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade.

Pois esse Lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:

www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.

Vamos tentar reverter esta desgraça, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Divulguem para o máximo de pessoas, por favor.”

De um dia para o outro, em Julho de 1997 desafiei o meu Pai a rumarmos de carro, quais imberbes adolescentes, a Antibes só para ver o Saxofone Colossus, então com quase 67 anos (nasceu em Setembro de 1930, no Harlem, não havendo uma data consensual, 7 ou 9). Pensava eu que talvez fosse uma das últimas oportunidades de o ouvir e ver ao vivo.
O concerto foi memorável como todos os do Sonny - um bicho, um animal de palco, um génio da improvisação com uma mestria rítmica e harmónica inigualáveis, que parece em ausentar-se para outra dimensão quando começa a revirar os olhos, em transe diria, como se ali fosse um outro que não ele, mas que por ele e com ele se exprime. Bom, o certo é que apesar dos meus receios ei-lo de volta com um novo CD, Sonny, Please, cujo primeiro concerto europeu foi este ano no Jazz at Viena, estarrecendo a crítica presente. Sonny, aos quase 76 anos apresentou-se assim:

Foi a única vez que fiz férias só com o meu Pai. Não me conhecia! Tinha uma ideia completamente diferente do que eu era - o rapaz e depois homem demasiadamente sério e sisudo, responsável e profissional, mas nada gozão, como ele era e sempre almejara que eu fora…. Mas era, embora nunca lho tivesse dado a conhecer.
Gozámos que nem doidos - o ambiente, as praias pagas da Côte, o vinho, as ostras, as gajas!
Morreu no ano seguinte com a doença que já carregava, mas durante esse último ano já mais não fomos Pai e filho; apenas 2 gajos folgazões e…. danados para a brincadeira!
À época, quando me apercebi de que nunca tinha permitido que ele me conhecesse para além da imagem formal, experimentei alguma amargura, culpa mesmo, mas hoje, sim, hoje e desde pouco após a sua morte, sei que esse ano foi um privilégio para mim. Já não sabe a pouco, sabe a muito, a tudo, porque um ano, um mês, um dia, um momento, podem ser tudo, ou quase tudo o que conta, o que fica.

esta do Francisco:
«Choca-nos que alguém diga que é dono da sua barriga. (Nós, pessoalmente, em casos de diarreia dificilmente controlamos a nossa…)
Acresce só dizer, Francisco que mesmo nesse caso e que em plena rua nos acontecesse, não nos atirariam com os costados em tribunal nem apareceriamos em todos os noticiários. >

Sonny Rollins, o último dos génios vivos (do Jazz), abriu-me, aos 16 anos, para outras dimensões do sentir, inesperadas, é certo, para a altura, mas profundas e ricas, que não mais esqueci nem abandonei.
Dedico este vídeo ao Anarca juntando o pedido de incluir, na sua selecção vintage da melhor jukebox da blogosfera, um tema do meu must Sonny Rollins!

nota: este vídeo que dura 5′ data de 1963 e contém apenas a parte do solo de Sonny Rollins, tendo sido gravado e difundido por um canal de televisão a propósito do lançamento do LP “The Bridge”, o 1º da 2ª fase do músico.
Com ele estão Jim Hall na guitarra, Bob Cranshaw (seu compenheiro de sempre) no contrabaixo e Ben Riley na bateria.

Uma excelente análise do Henrique Silveira, Independência da Crítica - breve nota, no Crítico, sobre do empobrecimento dos jornais ditos de referência, empobrecimento esse que parece ser inversamente proporcional à arrogância do poder dos directores e editores dos mesmos.

Pergunta do referendo:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

NÃO, será mais uma vez a minha resposta!

Repugna-me que as mulheres sejam penalizadas, mas exactamente por isso, dever-se-ia não cometer, mais uma vez o erro, de discriminar os homens, nos seus direitos e opções.
A desigualdade que já existe no Direito de Família favorável às mães, levando os tribunais a, em caso de divórcio, só não lhes estregarem a tutela dos filhos em raríssimas excepções, leva-me-á a novamente votar Não só e apenas por teimarem em ter lá a frase - por opção da mulher!
Como progenitor já passei por não querer o filho e a mãe querer; querer o filho e a mãe não querer. Creiam que o que mais me marcou foi a segunda hipótese: a mãe fazer a interrupção voluntária contra a minha vontade, violando, desta forma, no meu entender, princípios constitucionais que, penso, deveriam ser suficientes para considerar esta pergunta como inconstitucional:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 36.º
(Família, casamento e filiação)

3 . Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.

Artigo 21.º
(Direito de Resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Como é evidente, assumo que deverá ser por única opção da mulher em casos de violação, incesto, manifesto alheamento do progenitor, portadoras de H.I.V., entre outros casos que ora não me ocorrem.

Em Julho passado escrevi sobre a poluição das águas do Alqueva sob o título Banhos de Merda - nova estância termal do Alqueva, sendo muito criticado, via email e jornais locais, pelo facto de entenderem que estava a exagerar e a prejudicar o Alentejo.
Eu utilizei a ironia para, mansamente, alertar para o facto, mas agora é o Greenpeace (link) que, após meses de análise da situação vem declarar o Guadiana como um dos mais poluídos rios da Europa, podendo pôr em causa os interesses turísticos já instalados no Alqueva!

«Los vertidos urbanos, la eutrofización de los embalsos y la contaminación de los acuíferos hacen que el agua que corre por el tramo extremeño no se pueda usar para abastecimiento, baño, riego e incluso para usos industriales.»

«La Junta de Extremadura y la Confederación Hidrográfica del Guadiana no pueden seguir no sólo incumpliendo la ley, sino permitiendo que empresas, ayuntamientos y particulares la vulneren impunemente. La contaminación del Guadiana extremeño es tan grave que de no tomar medidas urgentes podría convertir el río definitivamente en una cloaca.»  Julio Barea.

Talvez a cloaca castelhana choque menos os responsáveis do que a portuguesa expressão banhos de merda, mas o que é certo é que a merda é a mesma e está lá!

estar no mesmo campo e nos mesmos jogos, em apenas 4 dias, com Kann e Helton, sujeito a todo o tipo de comparações!
Isto nem sequer poderá ser maldade: é bruxaria, pela certa, mais uma vez!

é o título de três excelentes textos da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos, aqui, aqui e aqui.

O Dragão, mais uma vez, prontos, tá bem, é um dos meus blogues preferidos, aborda agora, de seguideira, questões tão prementes como a cultura e a necessidade de um ministério e um antropo-escatológico ensaio sobre Asterix.
Imperdível!

STA

 

Diário da República, IIª série, n.º 35 de 17 de Fevereiro de 2006, pag.2378.

José Sócrates anunciou ontem que «o Governo está disponível para negociar com os sindicatos o novo sistema de avaliação dos professores (…)», mas não abdicando de que «é necessário premiar o mérito e é impossível manter um sistema em que todos os professores chegam ao topo da carreira.» (O Primeiro de Janeiro>)
Sempre acreditei que a avaliação dos professores pelos encarregados de educação foi inscrita no projecto do "Estatuto da Carreira Docente" com 2 objectivos estratégicos muito precisos: concentrar a atenção dos sindicatos nessa tontice, desviando-os de outros pontos bem mais melindrosos; ser a arma de negociação vital para acalmar os professores.
Os sindicatos, valha-me Deus, engoliram isco, anzol, fio, cana, tudo, ao terem feito o "banzé" que fizeram sobre esse ponto sem sequer terem ainda lido o projecto. Agora, como é evidente, terão muita dificuldade em convencer os professores de que o recuo do governo não é relevante já que  mediatizaram este ponto até à exaustão.
No entanto, apesar de José Sócrates aliviar a pressão neste ponto calculado, insiste e muito bem que a avaliação dos professores pelo mérito não é negociável, mas continua a ser infeliz ao declarar não ser possível todos os professores atingirem o topo da carreira. É raro Sócrates cometer gafes de comunicação desta natureza pois, se o sistema de avaliação iniciará agora, como é que alguém, sem preconceito apriorístico, poderá saber quem e quantos serão objecto de boas avaliações? Teria sido mais certeiro se tivesse dito o que todos, com naturalidade, compreenderiam: a progressão na carreira será baseada no mérito e não na antiguidade do professor.
Neste contexto, reafirmo o que escrevi. Não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na melhoria da aprendizagem sem alterar 4 pontos essenciais que resumo: a inscrição do dever de educar no quadro da responsabilidade civil objectiva da paternidade; o fim dos conselhos directivos eleitos e a contratação de directores por concurso público; exames nacionais a todas as disciplinas em todos os final de ciclo e provas globais internas nos anos intercalares a todas as disciplinas, corrigidas cegamente, em todas as escolas; avaliar o desempenho dos professores com base em objectivos muito concretos e mensuráveis por classe e aluno.
«Portugal’s poor growth performance and its economic difficulties since the launch of the euro in 1999 have highlighted the difficulties faced by some members of the 12-country currency bloc in adjusting to the disciplines imposed by a single monetary policy.» (link)
Já várias vezes escrevi, para o boneco, é certo, por exemplo aqui, sobre a irresponsabilidade de termos entrado para a zona euro aos trambolões, i.e., sacrificando toda a actividade económica em prol do cego cumprimento dos critérios exigidos.
Pode ser que agora a direita ou a esquerda ou quem entender, consiga ser mais assertivo nas análises que faz ao trabalho dos políticos que nos governaram à época, sérios, não tenho dúvida, mas de vistas curtas, muito curtas mesmo, atavismo endémico, afinal, sem novidade!
«Alguns micróbios dos fundos abissais podem decompor o metano, um dos gases com efeito de estufa tidos como responsáveis pelas alterações climáticas, e assim contribuir para regular o clima» (Público)

Isto lá em casa vai dar um resultadão! O clima vai ficar outro!

é o título de 2 textos do Masson sobre as reformas educaticas (link e link) no Almocreve das Petas que aconselho vivamente.
Não é que esteja em total acordo, mas está lá uma análise calma e bem entrelaçada sobre os riscos que poderão advir.

O garrote que há anos o poder central vem apertando ao grande Porto - por nunca ter digerido a sua superior vitalidade nem o seu desinteresse pelo próprio poder central - atinge, com a escolhas das 3 SCUT’s a serem pagas, contornos que roçam uma desavergonhada indecência!
Primeiro porque foi promessa do governo não cobrar portagem nessas vias em desacordo com o PSD; segundo porque, quebrada a promessa, as escolhidas são todos numa zona específica do país, zona essa que, desde que o Dr. Rui Rio assumiu a presidência da Câmara do Porto, perde diariamente a sua vitalidade e afirmação!
Aliás, o primeiro a apoiar o princípio utilizador/pagador para o grande Porto foi precisamente o não iluminado déspota, embora eleito e reeleito, ainda Santana Lopes estava no governo.

O Sr. Secretário de Estado Adjunto Castro Guerra afirma que: «a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".»
porque
«Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores".» (no Público)
Ó senhor, que é que eu tenho a ver com a merda das leis que os governos vão ou não fazendo?
Por acaso algum não governante impôs que o preço da energia não fosse sendo actualizado? Mesmo atendendo a que elegemos os nossos representantes, diga-me qual foi o partido, desde 74 até hoje, que no seu programa eleitoral aflorou tal assunto?
Olhe, bardamerda! Para além de ser muito pouco polido para quem o sustenta a verdade é que se não estivesse pressionado pelos candidatos à privatização da EDP tudo continuaria como dantes.
Enderece, por favor, os meus cumprimentos ao Dr. Pina Moura que parece estar a prestar um óptimo serviço a quem representa, lamentando não poder dizer o mesmo de V. Exa.

Ler E o anel de ruby pelo Besugo no Blogame Mucho.

Não desisto de pugnar por uma política gestão cultural global do Estado. Os princípios orientadores, as regras de apoio às artes, a tipologia dos apoios, o controlo, a avaliação dos resultados são fundamentais para se delinearem estratégias, programar temporadas e espaços de programação regular.
Sem isto nada é endendível, parecendo que todos os financiamentos são de ocasião para mais não dizer.
Sobre este assunto recomendo vivamente a leitura de O grande teatro da metrópole, pelo Tiago Bartolomeu Costa, em O Melhor Anjo, onde analisa a nova programação do Teatro Nacional D. Maria II.

A 26 de Julho saudei Isabel Pires de Lima pelo facto de, para lá de saber se a gestão é pública ou privada, afiançar a garantia der um Serviço Público para o Rivoli, em declarações à RR.
No entanto, como escrevi, não sei onde está definido o que isso de Serviço Público de Teatros Municipais.
Ontem renovou as suas intenções e ofereceu-se para mediadora entre a Câmara do Porto e os manifestantes, mas o problema é que, 2 meses volvidos, todos continuamos sem saber o que é isso de serviço público!
Esta coisa de serviço público tem, no audiovisual, servido os maiores disparates, sendo de temer que, a não estar concretamente definido em que consiste, a Ministra continue a falar de nada, mesmo revelando bom senso e vontade de encontrar uma solução digna, uma vez que para Rui Rio esta medida mais não representa que o produto de uma vendeta encapotada contra Isabel Alves Costa, não sendo de esperar que os manifestantes presentes consigam contribuir para um desenlace feliz.
O economês fala hoje mais alto escondendo-se sempre no politicamente correcto. Este género de acções obriga a que falemos a mesma linguagem e utilizemos os mesmos métodos para o combater - bastará comparar a relação custo/benefício de muitas das medidas do ditador democraticamente eleito como, por exemplo, a pista de automóveis da Boavista ou o património da zona classificada pela Unesco.
A continuar assim, Rui Rio sairá, mais uma vez, com uma vitória pessoal numa contenda onde ninguém sairá a ganhar - Câmara, produtores e artistas e, principalmente, o público.
É o tema de muitos dos blogues que ainda vou lendo, mas sempre a gozar com a coitada da RTP que tenta, como pode, com 130.000.000 de eurozitos, fazer um Serviço Público para todos nós ou mais, mais ainda se necessário for…
Eu não gosto de gozar com coisas sérias e acho que até vou deitar o voto.
Serve-me um qualquer dos pretendentes, mas tem de ser Português comó caralho. Ou Portuguesa, mas comó caralho na mesma!
Foda-se, impõe-se-me.

Ontem no “Diga lá Excelência”, Marçal Grilo mostrou estar em sintonia com a Ministra da Educação, em especial no que concerne à revisão do estatuto da carreira docente e à autonomia das escolas, o que não é para admirar já que mantém-se coerente com o que sempre defendeu.
No entanto, Marçal Grilo sabe que não há reforma de gabinete que resulte se ela for feita contra os seus executores, os professores, no caso. Sabe e defendeu mais uma vez a Ministra aduzindo a deficiente comunicação…Ao Domingo à noite a coisa ainda vai, mas à 2ª feira, dasss meu, não há pachorra. Nem para o Dr. Marçal Grilo nem para a Sra. Ministra!
Como é que estes senhores, com os quais até simpatizo, acham possível a autonomia das escolas enquanto não alterarem a sua forma de gestão? Como é que estes senhores, bem intencionados, repito, acreditam que a avaliação dos professores vai funcionar se irão ser avaliados pelos colegas que elegeram e irão eleger?
Estará tudo doido varrido ou será mesmo que ainda estarão toldados pelo “bom selvagem” de Rousseau?
Entre S. Tomás e Rousseau, o homem é intrinsecamente mau ou intrinsecamente bom, vai um mundo de acasos onde o bem e o mal, o bom e o mau, se mesclam em ininterruptas reacções aos mais diversos estímulos e, portanto, não há sistema que funcione se não houver condições objectivas para que ele seja implementado, controlado e avaliado.

Eu gostaria de ter ouvido que antes de qualquer genial reforma educativa haveria que implementar 4 condições essenciais para que, sejam elas quais foram, poderem ser aplicadas e avaliadas:

1 – os pais devem ser civilmente responsáveis pela educação dos seus filhos, devendo este dever estar no Código Civil formalmente inscrito no conceito de paternidade e com penas aplicáveis;

2 – acabar com os conselhos directivos eleitos (resquícios do PREC) e contratar, por concursos público, directores aos quais estejam atribuídos objectivos específicos e quantificáveis para a escola em causa tendo, para o efeito, autonomia para contratar quem bem entenderem para a direcção pedagógica que deverá fazer parte de um conselho composto por representantes eleitos dos professores, dos pais e da comunidade;

3 – exames nacionais nos 4º, 6º, 9º e 12º anos a todas as disciplinas e, anualmente, provas globais internas a todas as disciplinas, corrigidas cegamente;

4 – cada professor deve ter objectivos particulares por classe a cumprir, acordados entre ele e o director, perante os quais, e apenas por eles, deverá ser avaliado anualmente, contribuindo, assim, para o cumprimento dos objectivos gerais do director, i.e., da escola.

Depois desta merda implementada então, porra, façam lá as geniais reformas vindas da cadeia de comando, pois já existirão condições locais para que elas possam ser implementadas e quem as poderá executar – professores, pais e alunos.

Não há pachorra! Comecem o edifício pelos alicerces!!!

Amanhã, pelas 21:30h, Cristina Brito da Cruz, Miguel Oliveira e Silva e Sérgio Azevedo juntar-se-ão para falar sobre Lopes-Graça no Auditório Conde de Ferreira, em Sesimbra.
É mais uma conversa…, dirão alguns…, entre tantos, tantos e muitos que dizem ter conhecido e convivido com o Graça, mas ouvir o Miguel que, como amigo e médico pessoal o acompanhou diariamente durante, pelo menos, os últimos 20 anos da vida do compositor, deverá ser muito interessante para conhecer o homem que estava por trás do músico, deixando aos parceiros de conversa a análise do seu legado musical.
Uma noite…? Talvez, mas para ouvir o Miguel, por favor, sem hora limite e com um caldo verde prontinho lá para as 2 ou 3 da matina!

Nos Todos Tres

Nós Todos Três, um musical para crianças e jovens produzido pelo Arte Pública - Artes Performativas de Beja, foi estreado em 1999 no Centro Cultural de Belém como peça teatral e simultaneamente em livro com cd da música.
O sucesso não foi mais esquecido (talvez ainda hoje seja a produção mais conhecida do Arte Pública, juntamente com Camões é um poeta Rap) sendo a sua reposição destinada a escolas e ao público em geral, no Pax Julia, natural e desejada.
Sei que as músicas e as letras mantêm-se (da autoria da Gisela), mas que os arranjos, do Luís Beco, e as gravações foram refeitos, pelo que estou muito curioso em conhecer o que poderá haver de novo.Nos Todos Tres
É que, o tal livro com o CD foi a prenda que mais ofereci a crianças nos últimos 7 anos obtendo, junto delas e dos familiares adultos, uma adesão unânime, epidérmica, diria - após tanto anos os meus filhos não abdicam da sua permanência no lote dos cd’s que estão no carro.
Com muita pena não pude estar na estreia desta reposição, mas este fim-de-semana não faltarei, aconselhando-a a todos que possam a dar lá um salto.

Ficha Técnica:
Texto e Canções: Gi Cañamero; Actores: Ana Alves, António Guerreiro, Daniela Madanelo, Fernanda Paulo, Hugo Pereira, Lia Cruz, Paulo Duarte e Paulo Carrilho; Cenografia: João Calvário; Sonoplastia: Arranjos instrumental Luís Beco; Desenho de Luz: Ivan Castro; Direcção Vocal: Isabel Moreira; Direcção de Cena: Paulo Duarte; Construção de Cenários: Ivan Castro, João Calvário, Sérgio Sobral; Pintura: António Carvalho; Maquinista: Sérgio Sobral; Costureira: Venesina Sanina; Encenação: Gi Cañamero; Direcção de Produção: Raúl Bule.

ps: imagens sacadas dos blogues Alcameh e Uma Cigarra na Paisagem.

Eu gostaria de ter escrito isto, mas ainda bem que foi o Francisco José Viegas que o fez, muito melhor do que eu conseguiria.
O FJV entende que os professores são o elo mais fraco na cadeia de comando da organização e gestão da educação em Portugal. Entende bem, pois é na escola (diz o autor) que tudo acontece.
No entanto, eu gostaria de tentar ser mais assertivo, para dizer que é na relação particular que se estabelece entre cada aluno e cada professor, nessa comunicação que se pretende biunívoca, onde se cruza o ensino e a aprendizagem, o que quer dizer, onde se joga o sucesso de ambos os actores do processo educativo.
Quem já passou por empresas comerciais sabe o que pretendo dizer, é líquido, é na relação vendedor/comprador que o negócio se gera e, embora possa parecer estranho ao professor (ele não vende, no sentido literal) as técnicas a utilizar para uma rápida percepção de quem é o interlocutor (o aluno) e as de persuasão na comunicação são exactamente as mesmas.
O resto, o resto é como diz FJV, são génios, os génios que saíram das escolas para num qualquer gabinete, esquecendo-se de que para lá foram por professores terem sido, se entregarem aos mais inquietantes e compulsivos devaneios pedagogeses!
E a propósito, utilizando o título de FJV, o post do Dragão sobre a Violência Doméstica tem muito a ver com a indisciplina nas escolas, com a facilidade com que os pais se desresponsabilizam pela educação dos filhos e com o muito enfraquecido poder de persuasão dos professores quando comparado com o audiovisual.
Mesmo mais ausente da blogosfera do que outrora é sempre bom regressar para encontrar textos como estes.

Hoje, 6ª feira, às 21:30h, no Salão Nobre da Câmara de Matosinhos.
Julian Arguelles / Paulo Gomes
Julian Argüelles - Saxofone
Paulo Gomes - Piano
Pedro Barreiros - Contrabaixo
Leandro Leonet - Bateria
A não perder, quem estiver por lá - entrada gratuita.

Jazz ao NorteJazz ao Norte

 

 

 

É uma nova escola de música no Porto (Jazz), idealizada e concretizada pelo Paulo Gomes, da qual é director pedagógico, albergada na Rua Gen. Norton de Matos, 448, perto da Casa da Música.
O corpo docente parece-me muito bem escolhido, denunciando a preocupação em aliar a excelência enquanto músicos, a longa experiência pedagógica e a exigência de qualidade do ensino e da aprendizagem.

Votos de bom sucesso é o que desejo ao Paulo, à Fátima Serro, ao Pedro Barreiros, ao Kiko e a todos os que já fazem parte deste ambicioso e prometedor projecto.

ps: Clique no logotipo para aceder ao completíssimo sítio e na porta de entrada para ver a galeria de imagens das magníficas instalações.

A propósito da entrada anterior é interessante relembrar que, para ingressar em qualquer curso superior de música, não é necessário o diploma do ensino secundário vocacional em música, vulgo o 8º grau dos Conservatórios, nem sequer o curso geral, equivalente ao 9º ano, nem tão-só a frequência! Qualquer candidato que tenha o 12º ano em qualquer área pode candidatar-se e apresentar-se nos exames de admissão e ser admitido!
Esta situação inadmissível é a prova da absurda, embora extensa, regulamentação avulsa do ensino artístico em Portugal!
Serve isto a quem?
Eu sei que não serve a ninguém, eu sei…, mas que este status quo está adequadíssimo para que os professores admitam quem bem entenderem, nomeadamente, os seus alunos particulares, ai isso está!
Mas tal não deve acontecer…, é tudo gente muito séria, acima de qualquer suspeita, como todos nós!

Via Morfeu do Anomalias tomo conhecimento que as faculdades de Filosofia estão doravante impedidas de exigir exame de acesso de filosofia!!!

Vejam no Morfeu o assunto mais desenvolvido deixando aqui a imagem do Expresso que ele lá publicou.

Filosofia 

Como é que isto é possível? O que é que se estará a passar na cabecinha daqueles senhores conselheiros do Ministério da Educação?