CENFREV - Um Inimigo do Povo de Henrik IbsenDa entediante repetição do mesmo na existência, se pode extrair um modelo de vida dramática (James Joyce)

Esta era para Joyce a grande lição de Henrik Ibsen (1828-1906), cujo centenário celebramos agora. Joyce escrevera uma crítica a “Quando nós os mortos despertamos” (só recentemente traduzida para português, link ). Como Joyce, muitos admiraram em Ibsen o seu rigoroso realismo (onde se denunciava a condição da mulher na sociedade, os esquemas da vida burguesa…), mas isso era esquecer o simbolismo da sua dramaturgia que fez dele, ao que dizem, o dramaturgo favorito de Freud. A este respeito convém reler a peça cujo acompanhamento musical encomendado a Edward Grieg todos temos no ouvido: Peer Gynt.

Mas para comemorar nada melhor que assistir à produção do CENDREV de Um inimigo do povo, em cena até ao próximo dia 4 de Novembro (cartaz aqui). Se pudesse anunciar como genéricos da TV, diria que trata do poder local e dos seus sólidos compadrios, mas está longe de ser apenas isso…

Armando Senra Martins

ps: é com muita alegria que coloco aqui um texto da autoria do Armando Senra Martins depois de muito insistir em obter a sua parceria nestas Ideias Soltas.

Recebi um email de um amigo que dá conta que o site Domínio Publico, da responsabilidade do Ministério da Educação do Brasil, o qual disponibiliza online 732 obras de autores portugueses corre o risco de ser encerrado por falta de visitas.
Bom, vamos lá a clicar para lá a ver se mudam de opinião!

Aqui deixo o email na íntegra devidamente identificado:

“Divulguem, para não perdermos essa ferramenta!

Convoco todos a lutar para impedirmos um desastre.
Imaginem um lugar onde se pode ler gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci, ou onde você pudesse escutar músicas em MP3 de alta qualidade.

Pois esse Lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site:

www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno.

Vamos tentar reverter esta desgraça, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Divulguem para o máximo de pessoas, por favor.”

De um dia para o outro, em Julho de 1997 desafiei o meu Pai a rumarmos de carro, quais imberbes adolescentes, a Antibes só para ver o Saxofone Colossus, então com quase 67 anos (nasceu em Setembro de 1930, no Harlem, não havendo uma data consensual, 7 ou 9). Pensava eu que talvez fosse uma das últimas oportunidades de o ouvir e ver ao vivo.
O concerto foi memorável como todos os do Sonny – um bicho, um animal de palco, um génio da improvisação com uma mestria rítmica e harmónica inigualáveis, que parece em ausentar-se para outra dimensão quando começa a revirar os olhos, em transe diria, como se ali fosse um outro que não ele, mas que por ele e com ele se exprime. Bom, o certo é que apesar dos meus receios ei-lo de volta com um novo CD, Sonny, Please, cujo primeiro concerto europeu foi este ano no Jazz at Viena, estarrecendo a crítica presente. Sonny, aos quase 76 anos apresentou-se assim:

Foi a única vez que fiz férias só com o meu Pai. Não me conhecia! Tinha uma ideia completamente diferente do que eu era – o rapaz e depois homem demasiadamente sério e sisudo, responsável e profissional, mas nada gozão, como ele era e sempre almejara que eu fora…. Mas era, embora nunca lho tivesse dado a conhecer.
Gozámos que nem doidos – o ambiente, as praias pagas da Côte, o vinho, as ostras, as gajas!
Morreu no ano seguinte com a doença que já carregava, mas durante esse último ano já mais não fomos Pai e filho; apenas 2 gajos folgazões e…. danados para a brincadeira!
À época, quando me apercebi de que nunca tinha permitido que ele me conhecesse para além da imagem formal, experimentei alguma amargura, culpa mesmo, mas hoje, sim, hoje e desde pouco após a sua morte, sei que esse ano foi um privilégio para mim. Já não sabe a pouco, sabe a muito, a tudo, porque um ano, um mês, um dia, um momento, podem ser tudo, ou quase tudo o que conta, o que fica.

esta do Francisco:
«Choca-nos que alguém diga que é dono da sua barriga. (Nós, pessoalmente, em casos de diarreia dificilmente controlamos a nossa…)
Acresce só dizer, Francisco que mesmo nesse caso e que em plena rua nos acontecesse, não nos atirariam com os costados em tribunal nem apareceriamos em todos os noticiários. >

Sonny Rollins, o último dos génios vivos (do Jazz), abriu-me, aos 16 anos, para outras dimensões do sentir, inesperadas, é certo, para a altura, mas profundas e ricas, que não mais esqueci nem abandonei.
Dedico este vídeo ao Anarca juntando o pedido de incluir, na sua selecção vintage da melhor jukebox da blogosfera, um tema do meu must Sonny Rollins!

nota: este vídeo que dura 5′ data de 1963 e contém apenas a parte do solo de Sonny Rollins, tendo sido gravado e difundido por um canal de televisão a propósito do lançamento do LP “The Bridge”, o 1º da 2ª fase do músico.
Com ele estão Jim Hall na guitarra, Bob Cranshaw (seu compenheiro de sempre) no contrabaixo e Ben Riley na bateria.

Uma excelente análise do Henrique Silveira, Independência da Crítica – breve nota, no Crítico, sobre do empobrecimento dos jornais ditos de referência, empobrecimento esse que parece ser inversamente proporcional à arrogância do poder dos directores e editores dos mesmos.

Pergunta do referendo:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

NÃO, será mais uma vez a minha resposta!

Repugna-me que as mulheres sejam penalizadas, mas exactamente por isso, dever-se-ia não cometer, mais uma vez o erro, de discriminar os homens, nos seus direitos e opções.
A desigualdade que já existe no Direito de Família favorável às mães, levando os tribunais a, em caso de divórcio, só não lhes estregarem a tutela dos filhos em raríssimas excepções, leva-me-á a novamente votar Não só e apenas por teimarem em ter lá a frase – por opção da mulher!
Como progenitor já passei por não querer o filho e a mãe querer; querer o filho e a mãe não querer. Creiam que o que mais me marcou foi a segunda hipótese: a mãe fazer a interrupção voluntária contra a minha vontade, violando, desta forma, no meu entender, princípios constitucionais que, penso, deveriam ser suficientes para considerar esta pergunta como inconstitucional:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 36.º
(Família, casamento e filiação)

3 . Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.

Artigo 21.º
(Direito de Resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

Como é evidente, assumo que deverá ser por única opção da mulher em casos de violação, incesto, manifesto alheamento do progenitor, portadoras de H.I.V., entre outros casos que ora não me ocorrem.

Em Julho passado escrevi sobre a poluição das águas do Alqueva sob o título Banhos de Merda – nova estância termal do Alqueva, sendo muito criticado, via email e jornais locais, pelo facto de entenderem que estava a exagerar e a prejudicar o Alentejo.
Eu utilizei a ironia para, mansamente, alertar para o facto, mas agora é o Greenpeace (link) que, após meses de análise da situação vem declarar o Guadiana como um dos mais poluídos rios da Europa, podendo pôr em causa os interesses turísticos já instalados no Alqueva!

«Los vertidos urbanos, la eutrofización de los embalsos y la contaminación de los acuíferos hacen que el agua que corre por el tramo extremeño no se pueda usar para abastecimiento, baño, riego e incluso para usos industriales.»

«La Junta de Extremadura y la Confederación Hidrográfica del Guadiana no pueden seguir no sólo incumpliendo la ley, sino permitiendo que empresas, ayuntamientos y particulares la vulneren impunemente. La contaminación del Guadiana extremeño es tan grave que de no tomar medidas urgentes podría convertir el río definitivamente en una cloaca.»  Julio Barea.

Talvez a cloaca castelhana choque menos os responsáveis do que a portuguesa expressão banhos de merda, mas o que é certo é que a merda é a mesma e está lá!

estar no mesmo campo e nos mesmos jogos, em apenas 4 dias, com Kann e Helton, sujeito a todo o tipo de comparações!
Isto nem sequer poderá ser maldade: é bruxaria, pela certa, mais uma vez!

é o título de três excelentes textos da Maria do Rosário Fardilha no Divas & Contrabaixos, aqui, aqui e aqui.