A cedência do Ministério da Educação
José Sócrates anunciou ontem que «o Governo está disponível para negociar com os sindicatos o novo sistema de avaliação dos professores (…)», mas não abdicando de que «é necessário premiar o mérito e é impossível manter um sistema em que todos os professores chegam ao topo da carreira.» (O Primeiro de Janeiro>)
Sempre acreditei que a avaliação dos professores pelos encarregados de educação foi inscrita no projecto do "Estatuto da Carreira Docente" com 2 objectivos estratégicos muito precisos: concentrar a atenção dos sindicatos nessa tontice, desviando-os de outros pontos bem mais melindrosos; ser a arma de negociação vital para acalmar os professores.
Os sindicatos, valha-me Deus, engoliram isco, anzol, fio, cana, tudo, ao terem feito o "banzé" que fizeram sobre esse ponto sem sequer terem ainda lido o projecto. Agora, como é evidente, terão muita dificuldade em convencer os professores de que o recuo do governo não é relevante já que mediatizaram este ponto até à exaustão.
No entanto, apesar de José Sócrates aliviar a pressão neste ponto calculado, insiste e muito bem que a avaliação dos professores pelo mérito não é negociável, mas continua a ser infeliz ao declarar não ser possível todos os professores atingirem o topo da carreira. É raro Sócrates cometer gafes de comunicação desta natureza pois, se o sistema de avaliação iniciará agora, como é que alguém, sem preconceito apriorístico, poderá saber quem e quantos serão objecto de boas avaliações? Teria sido mais certeiro se tivesse dito o que todos, com naturalidade, compreenderiam: a progressão na carreira será baseada no mérito e não na antiguidade do professor.
Neste contexto, reafirmo o que escrevi. Não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na melhoria da aprendizagem sem alterar 4 pontos essenciais que resumo: a inscrição do dever de educar no quadro da responsabilidade civil objectiva da paternidade; o fim dos conselhos directivos eleitos e a contratação de directores por concurso público; exames nacionais a todas as disciplinas em todos os final de ciclo e provas globais internas nos anos intercalares a todas as disciplinas, corrigidas cegamente, em todas as escolas; avaliar o desempenho dos professores com base em objectivos muito concretos e mensuráveis por classe e aluno.
Sempre acreditei que a avaliação dos professores pelos encarregados de educação foi inscrita no projecto do "Estatuto da Carreira Docente" com 2 objectivos estratégicos muito precisos: concentrar a atenção dos sindicatos nessa tontice, desviando-os de outros pontos bem mais melindrosos; ser a arma de negociação vital para acalmar os professores.
Os sindicatos, valha-me Deus, engoliram isco, anzol, fio, cana, tudo, ao terem feito o "banzé" que fizeram sobre esse ponto sem sequer terem ainda lido o projecto. Agora, como é evidente, terão muita dificuldade em convencer os professores de que o recuo do governo não é relevante já que mediatizaram este ponto até à exaustão.
No entanto, apesar de José Sócrates aliviar a pressão neste ponto calculado, insiste e muito bem que a avaliação dos professores pelo mérito não é negociável, mas continua a ser infeliz ao declarar não ser possível todos os professores atingirem o topo da carreira. É raro Sócrates cometer gafes de comunicação desta natureza pois, se o sistema de avaliação iniciará agora, como é que alguém, sem preconceito apriorístico, poderá saber quem e quantos serão objecto de boas avaliações? Teria sido mais certeiro se tivesse dito o que todos, com naturalidade, compreenderiam: a progressão na carreira será baseada no mérito e não na antiguidade do professor.
Neste contexto, reafirmo o que escrevi. Não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na melhoria da aprendizagem sem alterar 4 pontos essenciais que resumo: a inscrição do dever de educar no quadro da responsabilidade civil objectiva da paternidade; o fim dos conselhos directivos eleitos e a contratação de directores por concurso público; exames nacionais a todas as disciplinas em todos os final de ciclo e provas globais internas nos anos intercalares a todas as disciplinas, corrigidas cegamente, em todas as escolas; avaliar o desempenho dos professores com base em objectivos muito concretos e mensuráveis por classe e aluno.
tags: Cultural Management, Educação, Education, Gestão, Gestão Cultural, Management, Opinion, Política, Politics, Reflexões









Muito bem feita esta tua análise Carlos, os meus PARABÉNS!
Resta agora haver responsáveis que leiam e estejam atentos, e saibam PENSAR com todo o SABER para mudar o que está mal, com toda a consciência e em VERDADE!
Um grande abraço de Alice
Concordo plenamente. Logo que vi pela primeira vez a proposta percebi que a avaliação pelos pais era um desviar de atenções.
O grande problema é que o governo não tem um projecto, nem tem como objectivo melhorar o Ensino, mas tão só poupar dinheiro, pagando menos aos professores.
Por isso se atraiçoa com as suas próprias palavras.
Muito obrigado pelos comentários, Ali_se e João.
[...] em tempos escrevi (aqui e aqui) que não acredito na eficácia da avaliação dos professores nem na autonomia das escolas nem na [...]