A rotatividade dos deputados do PC não é novidade – sempre assim foi desde a Constituinte. Entende este partido, seguindo a revisão de Lenine àcerca da soberania, por ele apelidada de "Centralismo Democrático", que defendeu que os representantes são do partido, servem o partido, e não do povo (ideia original de Marx da democracia popular), cabendo ao partido pôr e dispor como bem entender.
Nada de extraordinário, afinal, não fora Abílio Fernandes estar entre os três substituíveis. É que os partidos, monopólios legais de candidatos ao poder central, não se dão bem com os autarcas que fizeram ou fazem um bom trabalho em prol das populações e que, por tal, aglutinaram um natural poder mediático que ofusca quem, deambulando pelos corredores de S. Bento, nada ou pouco fez pelos eleitores.
Este "incómodo", no entanto, não é exclusivo do PC, bem pelo contrário, o tal "centralismo democrático" tem-se manifestado até de forma menos transparente e muito mais cruel nos outros partidos, e mais não é que o domínio dos aparelhos sobre os que não se pretendem aparelhar!
Exemplos?
A perseguição política e o denegrir da imagem de Narciso Miranda e Fernando Gomes no PS mais não foi que o resultado dos medos do aparelho, sustentando agora uma distrital do Porto inimaginável!
Luís Filipe Meneses, talvez o melhor presidente de câmara em exercício, está continuamente sob o fogo do aparelho do PSD, não perdendo uma oportunidade para o denegrir, enquanto enaltece o "trabalho" de Rui Rio ali mesmo ao lado – cena caricata para quem lá vive apenas separado pelo Douro.
Mais recentemente a demissão "forçada" do líder da concelhia do PSD Porto por desabafar que talvez Rui Rio necessitasse de rever a sua política cultural.
Agora Abílio Fernandes, um dos melhores autarcas do pós 25 de Abril que por mera coincidência é afastado da A.R. no preciso dia em que sai esta notícia: «Unesco diz que centro histórico de Évora é dos "mais bem preservados" do país»
Agarrar-se ao poder parece ser cousa quase natural nos meios partidários, agora deitar abaixo quem tem obra que fala por si e os sustenta é novidade e sintoma de que a mediocridade deixou de conhecer limites para atingir os seus fins!
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